Capítulo 73
Parecia uma pequena lanchonete que no passado servia aos praticantes de hiking. Parecia estar fora de operação há algum tempo, com musgo crescendo em alguns pontos e uma aparência geral encardida. Ainda assim, o fato de as luzes estarem acesas àquela hora da noite significava algo importante.
Marvin estava prestes a se aproximar, mas Jang Jin-woo o parou.
— Vamos esperar pela polícia.
Era perigoso demais entrar de forma imprudente em um local desconhecido.
— Sei muito bem das suas habilidades, Sr. Kim Marvin, mas se provocarmos alguém sem cuidado, a pessoa desaparecida, se estiver lá dentro, pode ser colocada em perigo. Vamos entrar quando a polícia chegar.
No entanto, Marvin balançou a cabeça.
— Não me parece o caso. Vou dar apenas uma olhada rápida. Por favor, espere aqui.
Marvin deu uma última tragada no cigarro que morria e o arremessou na chuva. Em seguida, saiu de debaixo do guarda-chuva de Jang Jin-woo e correu sozinho na direção da construção com teto de telha de pedra. Embora o argumento de Jin-woo fosse válido, Marvin não conseguia afastar a sensação de que aquele poderia ser o momento crucial. Se o tempo era essencial, não havia o luxo de esperar pela polícia.
Ele abaixou o corpo na escuridão e começou a encurtar cautelosamente a distância entre si e o edifício. Uma lata de lixo de metal enferrujada e buracos no chão de cimento, outrora usados para ombrelones, surgiram em vista. Era o rastro de um serviço ao ar livre. Através de uma janela voltada para a trilha, ele viu a silhueta de uma pessoa oscilar. Uma música fraca parecia tocar lá dentro.
Música, em um lugar como aquele, soava fora de contexto.
Marvin imaginou alguém esquartejando um cadáver enquanto cantava alegremente sobre uma lona industrial encharcada de sangue. Logicamente, não houve tempo suficiente para que tal cena se desenrolasse, mas apenas o pensamento tornou seus passos mais cautelosos.
Se a pessoa desaparecida tivesse permissão para fazer uma ligação telefônica para um conhecido, então a situação provavelmente não envolvia risco iminente de morte. Sendo assim, por que arrastá-la para um lugar como este?
Considerando as dificuldades financeiras de Oh Jae-young, era possível que ele estivesse sendo ameaçado ou tivesse sido sequestrado por um agiota. Mas fora o russo ouvido ao telefone o que realmente ficou martelando na mente de Marvin. Foi isso o que o levou a vir até aqui sem hesitar.
“Alimente-o aqui.”
Não estava claro, mas era assim que soava. Havia pelo menos dois homens. Mas quando Marvin abriu a porta do pequeno edifício, surpreendentemente, apenas um jovem de aparência perfeitamente comum estava lá dentro.
— Uh, hã? Quem é você?
Assustado com a visão de um homem alto parado sob a chuva forte, o jovem deu um passo para trás. Suas mangas estavam dobradas, como se estivesse limpando o local. Não havia sinal de ninguém se preparando para testar remédios de manifestação, nem qualquer sensação de um assassino em série esquartejando corpos. Ele parecia apenas um estudante universitário comum.
— Você está sozinho aqui?
— Hã? Uh, sim.
O jovem permaneceu congelado como uma estátua, olhos arregalados como se estivesse vendo um fantasma, incapaz de desviar o olhar de Marvin. Ignorando-o, Marvin olhou ao redor lentamente. Ao contrário de sua aparência externa, o interior era relativamente arrumado.
Diversas cadeiras dobráveis e mesas de plástico, presumivelmente usadas durante o funcionamento, estavam empilhadas em um canto, junto a caixas de garrafas vazias. A música vinha do telefone do jovem, largado no balcão.
Não havia aquecedor visível, mas o ambiente estava bastante aquecido. Alguém estava ali há algum tempo. Marvin olhou para ele e falou:
— Começou a chover forte enquanto eu caminhava. Você se importaria se eu entrasse um pouco?
— Hã? Caminhando?
O jovem perguntou novamente, como se a desculpa de Marvin não fizesse o menor sentido com aquele clima, mas Marvin já estava do lado de dentro. O jovem coçou a cabeça de forma desajeitada enquanto se afastava para o lado.
— Este lugar não é aberto para qualquer um…
Quase em resposta a esse comentário, outro homem chegou à porta. Ao contrário do primeiro, ele tinha um guarda-chuva. O jovem sobressaltou-se novamente, assustado.
— Apenas um cara, é?
Sem se dar ao trabalho de inventar uma desculpa como Marvin fizera, o homem entrou casualmente. Ele sacudiu o guarda-chuva molhado e o colocou perto da porta, depois varreu o interior com um olhar abertamente avaliando. Logo perguntou ao jovem, como se estivesse irritado:
— Somos da promotoria. O que você estava fazendo aqui sozinho?
Era um convite para que ele se explicasse.
— Hã? Uh…
O jovem, pego de surpresa pela presença repentina da autoridade, puxou o lóbulo da orelha sem jeito. Após uma longa pausa, ele finalmente falou:
— Sou apenas um trabalhador de meio período aqui.
— Meio período?
Marvin, que estava inspecionando uma caixa, juntou-se à conversa.
— Sim. Muitos idosos usam a trilha, então alguém precisa ficar de plantão aqui em caso de acidentes… Eu e outro cara nos revezamos. Nós damos direções e ajudamos a carregar os telefones deles.
— Quem é o responsável? A prefeitura do condado?
Jang Jin-woo deu um olhar desconfiado.
— Hã? Sim.
— Qual departamento?
— Hum… Eu ouvi dizer, mas…
O jovem hesitou, parecendo desconcertado. Ele mencionou possibilidades como a Divisão de Assuntos Florestais ou algo semelhante, mas não conseguiu ser específico. Jin-woo não pressionou mais, parecendo mais interessado em observar a reação do jovem do que em obter uma resposta real.
— Ainda assim, por que você está trabalhando em uma noite como esta? Sabe que horas são?
Jin-woo inclinou a cabeça, encarando o jovem.
— Eu costumo terminar às nove, mas estava esperando a chuva diminuir… Já chamei um táxi e ia embora assim que o motorista chegasse.
— Um táxi?
Não era algo que se esperaria de um funcionário de meio período por hora.
— É um pouco caro, mas preciso ir para casa. Acho que vou perder o salário de hoje.
Ele deu uma risada seca.
O clima estava dolorosamente constrangedor. A música ajudava um pouco, mas subitamente cortou. O telefone do jovem, descansando no balcão, começou a tocar. Ele o pegou apressadamente, mas o desligou sem atender, e em seguida começou a vestir o casaco repentinamente.
— O motorista acabou de chegar na estrada abaixo. Vou indo na frente.
Embora não tivesse atendido a ligação, alegou que o táxi chegara e tentou sair com pressa. Marvin, parado perto da entrada, segurou seu braço.
— Você fica bem sem guarda-chuva?
Os olhos de ambos se encontraram a curta distância. O jovem deu um sorriso vago, dizendo que poderia apenas correr. Marvin inclinou a cabeça; algo naquele garoto parecia familiar…
— Hum… Eu realmente preciso ir.
Notando que o aperto de Marvin era mais firme do que o esperado, o jovem sutilmente torceu o corpo. Mas Marvin não se moveu.
— Você acabou de dizer que este lugar não é aberto para qualquer um, e agora vai nos deixar aqui para trancar tudo?
Os dois se encararam, como em uma batalha de vontades.
— Está chovendo forte demais para mandar vocês embora…
— Então vamos todos juntos. Não queremos incomodar. Onde o táxi está esperando?
— ……
Marvin observou o rosto tenso do jovem mais de perto. Ele definitivamente já o viu em algum lugar antes. Quem era ele? Abaixo de sua maçã do rosto, que tremia levemente, havia uma marca escura que parecia uma cicatriz, possivelmente de um objeto cortante que não cicatrizou totalmente. Uma cena piscou na mente de Marvin.
Uma seringa.
No momento em que os olhos de Marvin se estreitaram com a percepção, o jovem tentou com mais força se soltar. Marvin inclinou-se ainda mais perto e perguntou:
— Você me conhece, não conhece?
— …Hã?
Quando o jovem ainda fingiu não saber, Marvin pressionou novamente:
— Você já esteve na minha casa, não esteve?
— ……
Um frio fugaz passou pelo rosto do funcionário de meio período que antes parecia inocente. Naquele momento, Jang Jin-woo, que observava em silêncio, fez uma ligação. O sinal completou, mas não houve resposta. Não havia toque ou vibração por perto.
Jin-woo balançou seu telefone e disse a Marvin:
— A pessoa desaparecida não atende. Parece que eles já a moveram. Vamos encerrar isso.
Ainda segurando o braço do jovem, Marvin enviou a Jin-woo uma mensagem silenciosa: Não deixe este ir. Jin-woo, compreendendo, caminhou lentamente na direção deles.
— Vejamos sua identidade.
— Por que… você está pedindo?
Os olhos do jovem mudaram cautelosamente para Jin-woo.
— Há um relato de pessoas desaparecidas. Por favor, coopere. Sua identidade.
— Eu não tenho uma.
Ele recusou categoricamente, ignorando a mão estendida para ele. Jin-woo inclinou-se para a frente e o encarou.
— Então o seu nome.
— Por que você está perguntando? Eu não sou obrigado a responder a uma abordagem policial como esta, certo?
Ele insistiu que não precisava cumprir, dizendo que lera isso na internet. O ar pesou com a tensão. A expressão de Jin-woo permaneceu neutra, mas Marvin percebia que ele já estava irritado.
E agora? Deveriam usar a força? A chuva gotejava continuamente do cabelo de Marvin enquanto ele ponderava seu próximo passo.
De repente, o feixe de uma lanterna dançou pelo rosto do jovem, e depois moveu-se para o peito de Jin-woo. Alguém estava iluminando de fora.
— Promotor? O senhor está aí dentro?
Uma voz chamou do lado de fora, provavelmente um investigador. As pupilas do jovem se dilataram brevemente, e ele se encolheu. Logo, múltiplos passos espalharam água na direção da porta. Jin-woo ergueu o corpo, ficando ereto.
— Certo, então. Vamos conversar na delegacia.
Bem na hora, a porta se abriu e um investigador da promotoria entrou com um policial.
— Encontramos a pessoa que fez a denúncia. Há duas outras no local. Vamos verificar e trazê-las para baixo.
O policial, terminando de falar no rádio, olhou de Marvin para o jovem. Jin-woo gesticulou com o queixo na direção do rapaz. Marvin finalmente soltou o braço dele.
— Sua identidade, por favor.
O policial, vestindo um colete reflexivo sobre o uniforme, solicitou formalmente a identificação. O jovem relutantemente tirou a carteira e entregou seu cartão de identidade de residente. O policial o examinou.
— Você está registrado em Seul? O que está fazendo aqui?
Era uma pergunta simples, mas, ao contrário de antes, o jovem não ofereceu nenhuma desculpa. Claramente, a história do trabalho de meio período foi uma mentira.
— Foi você quem limpou este lugar? Está impecável.
O investigador, que estava olhando ao redor, perguntou. Novamente, não houve resposta. O rosto do jovem mostrava claramente que ele estava irritado. Tendo tropeçado em uma pessoa inesperada no lugar do desaparecido Oh Jae-young, Marvin sentiu um fluxo silencioso de antecipação.
⚖ ─── Α · Β · Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello