Capítulo 72
— Eu fui desagradável de novo?
Quando nenhuma resposta veio de Marvin, ele riu enquanto fazia uma piada autodepreciavel. Sem conseguir evitar, Marvin forçou um sorriso também.
— Não é o caso.
Contudo, internamente, ele suspirou. Parecia que fora pego tendo sentimentos. E o outro homem não demonstrava intenção alguma de fingir o contrário.
— Então o que é?
Como se dissesse para ele se explicar, Jang Jin-woo tocou as maçãs do rosto e o encarou. Marvin limpou a garganta.
— Vou exercer meu direito de permanecer em silêncio.
Nesta situação, ele escolheu se esquivar, pensando que deveria ao menos preservar alguma dignidade.
Jang Jin-woo observou em silêncio a fuga desajeitada de Marvin, um brilho de vitalidade surgindo em seus olhos. Embora esperasse que ele descartasse aquilo como uma amolação, ele agora parecia bastante satisfeito.
— Isso significa que eu acertei em cheio?
— Quem sabe. Pense o que quiser.
Marvin manteve-se irredutível, como se declarasse que nunca daria voz ao que Jang Jin-woo queria ouvir. A situação já era patética, mas ele se recusava a anunciar oficialmente ter se tornado a nonagésima nona pessoa a se apaixonar por Jang Jin-woo. Se chegasse a esse ponto, preferia continuar sendo um tolo orgulhoso e insignificante.
Observando Marvin trincar o maxilar e se fazer de desentendido, os lábios de Jang Jin-woo se curvaram ainda mais. Mas ele não pressionou além disso.
— Entendido. Vamos parar por aqui. Eu o chamei para uma refeição, mas acabei falando sobre todo o resto. Vamos comer.
No entanto, ele empurrou o prato para o lado, como se não tivesse intenção de comer mais. Com a expressão mais leve, encarou Marvin diretamente.
Tornando-se um espectador sem querer, Marvin pegou os palitos. Por sorte, o sushi estava bom. Após um ou dois pedaços, seu apetite retornou, e ele rapidamente esvaziou um prato. Jang Jin-woo deslizou as travessas centrais na direção dele, como se o incentivasse a comer mais. Embora parecesse um pouco como ser alimentado, Marvin continuou mastigando o arroz e o peixe sem pausa.
Do outro lado da mesa, Jang Jin-woo tomava chá sem pressa. Talvez sinalizando para que ele não se afobasse, permaneceu em silêncio. O som da mastigação logo se tornou constrangedor.
Por volta do momento em que metade do segundo prato fora limpa, o telefone de Marvin sobre a mesa tocou. Checando o identificador de chamadas, Marvin hesitou. Oh Jae-young. Ele se perguntara por que as mensagens haviam cessado — agora ele estava ligando diretamente.
— Não vai atender?
Com até mesmo Jang Jin-woo o incentivando, Marvin relutantemente pressionou para atender. Mas quem ligava desligou simultaneamente, então não completou a chamada.
Algo parecia errado. Por que ligar tão tarde? Encarando a tela, o telefone vibrou novamente. Desta vez, ele atendeu imediatamente.
— Sim.
— “Uh, ei… É um momento ruim?”
Marvin franziu a testa. A saudação tinha um timing estranho, e a voz dele tremia de forma esquisita.
— Não, tudo bem. Há algo… errado?
Jang Jin-woo, notando a reação dele, observou atentamente.
— “Uh… Não. Aquele trabalho que mencionei da última vez? Eu, eu consegui. Então não poderei te encontrar por um tempo, por isso liguei…”
Oh Jae-young falava desconexamente, com a voz trêmula. Soava como se estivesse agindo sob coerção, como se estivesse sendo ameaçado. Marvin mudou para o viva-voz e ativou a gravação.
— Entendo. Onde você disse que estava indo mesmo? Pode repetir?
— “S-sim. Eu também sinto sua falta.”
— …Pode me dizer exatamente onde está agora? Apenas a localização.
— “Desculpe… Eu, eu ligo de novo mais tarde.”
Ele já tentava desligar. Em meio à sua voz trêmula, ouviam-se fungados.
— Você está bem? Jae-young-ssi, se não puder falar livremente, apenas diga “sim” ou “não” para as minhas perguntas. Tem alguém com você?
— “Mmm…”
— Você se sente fisicamente ameaçado?
— “Sim… P-pode avisar ao Kyung-chul e aos outros também?”
— Você não poderia denunciar à polícia?
— “S-se cuide. Sob…”
Ele estava quase chorando no final. Então a ligação caiu. Marvin olhou para o telefone.
— Você captou as vozes ao fundo?
Jang Jin-woo assentiu.
— Parecia russo.
Marvin reproduziu a gravação. Por trás da voz de Oh Jae-young, havia conversas em um idioma estrangeiro — claramente russo.
A expressão de Marvin obscureceu-se. Parecia que algo acontecera a Oh Jae-young por causa dos remédios de manifestação. Incapaz de ligar diretamente para a polícia, ele provavelmente depositara suas esperanças em Marvin, pensando que ele perceberia rapidamente.
— Quem é ele?
Jang Jin-woo cruzou os braços, fazendo a pergunta mais básica. Uma única ligação despedaçara o jantar tranquilo.
— Um dançarino do Daegyeong Hotel, do mesmo grupo do falecido Park Ju-seong. Lembra do caso em que a Dongyang testou remédios de manifestação de segundo estágio, mas ele nem sequer teve um heat? É ele.
A expressão dele mudou. Compreendendo imediatamente a gravidade, Jang Jin-woo fez uma ligação sem hesitação, gesticulando em seguida para pedir o telefone de Marvin.
— Aqui é Jang Jin-woo. Sim. Desculpe pelo horário tardio, mas você poderia rastrear urgentemente este número? 010…
Ele repassou o número do telefone de Marvin.
— Assim que a localização aparecer, por favor, envie uma viatura de patrulha. Um homem na casa dos 30 anos sinalizou pedido de socorro sob ameaça. Atualize-me assim que possível. Sim, obrigado.
Cerca de dez minutos depois, uma mensagem chegou do investigador com o último endereço rastreado. Incluía uma nota informando que as unidades de patrulha haviam sido alertadas.
— Eu preciso ir.
Marvin limpou a mesa e vestiu o casaco. Ele não podia deixar isso inteiramente para a polícia, que não conhecia o contexto.
— Parece que você ganhou outra pessoa para salvar.
Jang Jin-woo comentou, observando Marvin se apressar.
— Hã? Ah, não, nós não somos nada disso. Ele provavelmente mentiu sobre estar ligando para o amante.
— Não foi isso que eu quis dizer.
Ele estava questionando por que Marvin tinha que ir pessoalmente àquela hora. Mas não era momento para debates. Resignado, Jang Jin-woo pegou seu casaco do cabideiro e o vestiu. Checando seu telefone que vibrava, ele deu um passo à frente de Marvin.
— Vamos. O endereço fica no meio de uma montanha. Nossa equipe também está a caminho.
— Hã? Ah, sim.
Marvin não esperava que ele fosse junto. Ele rapidamente o seguiu.
Eles pagaram e deixaram o restaurante. A chuva desabava como se estivesse cronometrada. Já estava quase chegando às 22h. Um pressentimento sombrio tomou conta de Marvin.
— Quer que eu dirija? Você vai precisar continuar atendendo ligações.
Jang Jin-woo, prestes a abrir a porta do motorista, assentiu e moveu-se para o banco do passageiro. A chuva martelava o carro. Apenas alguns segundos do lado de fora foram suficientes para encharcá-los.
— Não é muito longe daqui.
Marvin limpou a água da testa e ligou o aquecedor. A chuva de inverno feria sua pele. À medida que o calor penetrava em seu corpo trêmulo, ele se sentiu levemente vivo.
— Nós provavelmente chegaremos primeiro.
Os pneus giraram uma vez antes de cortar uma poça. O GPS estimava 30 minutos. No caminho, Marvin compartilhou o que sabia sobre Oh Jae-young e como eles mantiveram contato. Jang Jin-woo franziu a testa uma ou duas vezes, mas Marvin, focado em dirigir, não percebeu.
Logo, o carro entrou em um caminho estreito de montanha. A estrada sinuosa terminava no meio do percurso, transformando-se em uma trilha de caminhada. Normalmente movimentada por praticantes de hiking, a floresta açoitada pela chuva às 23h erguia-se assustadoramente vazia. Parecia um caminho para o submundo.
Para piorar a situação, eles tinham apenas um guarda-chuva. O sinal de Oh Jae-young estava 300 metros mais adentro. Trocando olhares, eles saíram simultaneamente.
O guarda-chuva era grande, mas insuficiente para dois homens altos. Marvin voluntariou-se para se expor parcialmente. A copa das árvores diminuía ligeiramente a chuva, mas seus ombros logo ficaram encharcados.
— Pare de ser teimoso e fique perto.
Jang Jin-woo puxou Marvin firmemente contra si. Marvin captou a colônia dele novamente — mais potente em meio à umidade da floresta. Um tipo diferente de tensão o fez inspirar profundamente.
Mesmo pressionados um contra o outro, o casaco de Jang Jin-woo estava ficando molhado. Sem a trilha pavimentada, os sapatos de ambos já estariam enlameados há muito tempo. Parecia a travessia de uma cachoeira.
Depois de um tempo, Jang Jin-woo falou:
— Uma boa notícia. Tenho cigarros.
Marvin quase comemorou. Ele desejava desesperadamente aquela dose de nicotina.
— Uma má notícia. Sem isqueiro.
Marvin suspirou.
Acompanhando a pausa de Jang Jin-woo, ele parou também. Jang Jin-woo tirou um maço amassado do bolso e acendeu calmamente. A chuva gotejava no cigarro a partir da borda do guarda-chuva. Ele deu uma tragada profunda e soltou a fumaça.
Marvin observou com inveja. Notando, Jang Jin-woo deu um sorriso de canto e transferiu o cigarro para os lábios de Marvin.
— O quê? Nós já nos beijamos. Isso não é nada.
Pasmado por um instante, Marvin logo aceitou, franzindo os lábios. A brasa brilhou intensamente. Claro que não era nada.
Marvin tragou a fumaça fundo nos pulmões antes de devolver o cigarro. O filtro, úmido com a saliva de ambos, já estava encharcado.
Eles retomaram a caminhada. Fosse pela solenidade de procurar um potencial cadáver ou pela resignação de seus sentimentos expostos, Marvin sentia-se desconectado da realidade.
Passando o cigarro de um para o outro, eles subiram a trilha. Logo, uma construção iluminada com teto de telha de pedra surgiu diante da vista.
⚖ ─── Α · Β · Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello