Capítulo 69
Clang. O som da porta de ferro da cela se abrindo o despertou. Marvin, que havia adormecido de braços cruzados enquanto estava sentado, inalou fundo e examinou os arredores.
— Parece que você dormiu bem, hein?
Ko Hyung-joon, com o cabelo desgrenhado, já estava acordado e sorrindo para ele.
“Você é quem dormiu bem, se quer saber.”
Marvin manteve sua postura composta e uma expressão facial neutra. O sol da manhã já havia nascido.
Três tigelas de sopa de bolinho de massa e bolo de arroz foram trazidas para a cela. O bêbado que chegara primeiro rapidamente pegou sua porção e sentou-se no canto. Com ressaca e faminto, ele rasgou freneticamente o filme plástico, apenas para deixar a tigela cair devido ao calor repentino do caldo. Clatter. A tigela atingiu o chão, espalhando bolinhos e bolos de arroz por toda parte.
— Que bagunça dos infernos.
Ko Hyung-joon estalou a língua, dando ao bêbado um olhar de desdém. O bêbado, à beira das lágrimas, hesitou, mas claramente queria recolher os bolinhos caídos.
— Fique com a minha.
Marvin, que vinha observando em silêncio por trás, soltou as palavras.
— Hã? — O bêbado hesitou por um segundo antes de pegar rapidamente outra tigela.
— Ei, por que você tem que bancar o legal sozinho? Como é que eu fico nessa, hein?
Ko Hyung-joon ergueu a voz de forma exagerada. Marvin, desinteressado na conversa fiada, desviou o olhar. Logo, o som de caldo sendo tomado ruidosamente encheu o ar. Observando o bêbado tentar desesperadamente curar sua ressaca, Ko Hyung-joon pareceu recuperar o apetite e se levantou para pegar sua própria tigela de sopa.
Em seguida, a porta externa da cela se abriu e um policial entrou. Ele franziu a testa para a sopa derramada no chão. O bêbado virou-se sutilmente para o lado, fingindo que não fora ele. O policial soltou um suspiro curto e chamou:
— Sr. Kim Marvin, o senhor está livre para ir.
Ko Hyung-joon apontou para si mesmo sem pudor:
— E quanto a mim?
O policial o ignorou, como se ele não valesse uma resposta. Marvin deixou a cela, deixando para trás os dois homens com suas tigelas de sopa, e seguiu o policial até a sala de investigação. Após esperar brevemente, o policial retornou com um saco plástico contendo os pertences de Marvin.
— Verifique se falta algo.
Marvin guardou o relógio, o telefone e as chaves no bolso. Quando olhou para o policial em busca de maiores explicações, o homem finalmente deu um breve resumo:
— Alguém atestou sua identidade, então você está sendo liberado por enquanto. Por favor, compareça para esclarecimentos adicionais quando for chamado. Entendido? Está livre para ir.
Ele foi libertado mais cedo do que o esperado. A única pessoa que poderia ter garantido sua fiança era um indivíduo específico. “Ele faltou ao trabalho e veio direto para cá?” Os passos de Marvin se aceleraram. Mas a pessoa que o esperava em frente ao corredor da Divisão de Crimes Violentos era inteiramente diferente de quem ele esperava.
— Sr. Kim Marvin?
Um homem de meia-idade e porte físico forte aproximou-se.
— Sou o Investigador Kim Hoseok, da Promotoria do Distrito de Osan. O Promotor Jang me pediu para tirá-lo daqui. Tudo já foi ajeitado, então o senhor está livre para ir.
— Ah, sim.
A leve excitação em seu peito sossegou. É claro que ele não viria pessoalmente. Mas era realmente correto deixar isso para um terceiro?
— Sinceramente, garantias de identidade como essa são apenas uma formalidade. Mas, como estamos no interior, eles ainda gostam de fazer as coisas à moda antiga.
— Entendo.
— O Promotor provavelmente está no escritório dele agora. Dê uma ligada para ele. Tenho certeza de que ele gostaria de saber que você já saiu.
— Hã? Ah… sim.
Marvin sorriu sem jeito.
“Nós nem somos tão próximos assim.”
Ele se perguntou qual desculpa Jang Jin-woo deu ao investigador. Ainda assim, deveria ao menos expressar gratidão pelo esforço.
Após despedir-se do investigador, Marvin ligou seu telefone descarregado e dirigiu-se à área de fumantes perto da porta dos fundos da delegacia. Jang Jin-woo atendeu imediatamente:
— Você já saiu?
— Sim. Agora mesmo. Não esperava que fosse resolvido tão rápido. Obrigado.
— Um dos maiorais da Dongyang estava entre os presos. Parece que ele tem conexões com o superintendente. Provavelmente saiu antes do amanhecer.
Não era de admirar que os detetives tivessem parecido tão descompromissados. Eles sabiam que não poderiam segurá-lo de qualquer maneira.
— Certo. Acho que era o Diretor Jo, o segundo no comando. Ele parecia ter algumas informações úteis também. Ambos os lados concordaram em tratar isso como uma pequena briga para evitar complicações. Eu segui o jogo.
Marvin acendeu o cigarro que tinha na mão. Click. A chama acendeu.
— O chefe da equipe ligou esta manhã, sugerindo que retirássemos as acusações, já que ambas as partes entraram em acordo. Disse para ele ir em frente. Sem sentido perder tempo com coisas banais.
— Acho que me precipitei. — Ele soltou a fumaça com um longo suspiro. Olhando para trás, ele havia avançado sem pensar.
— Não há necessidade de se culpar. Não havia outro jeito.
— Mesmo assim.
Se ele não tivesse mandado que se despissem, talvez tivesse terminado silenciosamente apenas com as drogas. Ou talvez não, eles já estavam desconfiados desde o início. Marvin franziu a testa e deu outra tragada.
Nisso, um carro preto entrou no estacionamento. Atrás dele, vinha um veículo de luxo importado, raramente visto até mesmo em Seul. Um chamado “supercarro” que valia o preço de um apartamento.
“Quem é aquele?” Marvin encarou o carro, soltando a fumaça.
— Você deve estar cansado. Vá para casa e descanse. Conversaremos sobre os detalhes hoje à noite, depois do trabalho.
— Ah, você vem para casa hoje?
A expressão de Marvin suavizou-se ligeiramente. Então ele finalmente o veria em casa.
— Eu sempre vou para casa. Você é quem esteve fora até o amanhecer.
Parando para pensar, aquilo era verdade. Marvin deu uma risadinha fraca e sacudiu a cinza do cigarro.
— Eu vou sair do trabalho mais cedo hoje também.
— Ótimo. Vamos jantar. Alguma preferência?
Marvin esfregou a cinza no sapato, pensando. A comida em si não importava, mas ele não queria ser o tipo de pessoa que diz “qualquer coisa”. Para facilitar as coisas, sugeriu algo específico:
— Aquele sushi que você mandou entregar no seu escritório antes. Parecia bom.
Ele imaginou que Jin-woo não o teria trazido se não fosse saboroso.
— Claro. Vamos lá. Vou fazer uma reserva. Encontre-me no restaurante. Vou enviar o endereço. 20h funciona para você?
— Sim.
— Até mais.
A ligação terminou abruptamente. Marvin checou a hora. Eram pouco mais de 9h. Onze horas para matar. Tomar um banho em casa, ir para o hotel às 17h, sair às 19h30… isso devia funcionar. Quando foi apagar o cigarro, uma sombra caiu subitamente sobre ele.
— Quem era, seu amante? O rosto do nosso agente até se iluminou.
Ko Hyung-joon havia se aproximado sorrateiramente, inclinando a cabeça para olhar para ele com um sorriso debochado. Marvin franziu o cenho diante da invasão de seu espaço pessoal. “Quando foi que ele foi liberado?” Os outros membros da Dongyang não estavam em lugar nenhum. Parecia que ele saiu sozinho.
— Sem graça. Onde está a diversão se você não reage? — Ko Hyung-joon estalou a língua e tirou a carteira, entregando um cartão de visitas. — Aqui. Meu contato.
Marvin o pegou, ainda com o cigarro na boca.
— Se você estiver perto da minha empresa algum dia, me procure. Eu te pago um almoço. Eu também gosto de sushi.
Ko Hyung-joon sorriu com superioridade, claramente tendo ouvido a conversa. Marvin deu um piparote no cartão, encarando-o fixamente. “Qual é a desse cara?”
— Vamos conversar aqui. Não há necessidade de nos encontrarmos em Seul.
Por cima do ombro de Hyung-joon, ele avistou o carro de luxo de antes. Nenhum motorista à vista, parecia estar esperando. Marvin já tinha um palpite sobre quem era o dono agora.
— Ah, há toda a necessidade. Quero te apresentar a alguém. Tenho certeza de que você também gostaria de conhecê-los.
O sorriso presunçoso de Hyung-joon esbanjava confiança.
— …Foi você quem apresentou o Kim Do-jin?
— O nosso agente é esperto. Gostei. — Ele sorriu de canto, olhando para o relógio. Ele estava monitorando o tempo.
“Então ele até fez as apresentações…”
Marvin soltou sua última tragada e caminhou até o cinzeiro, esmagando a bituca enquanto se perdia em pensamentos.
Não havia informações suficientes para decidir nada ainda. Hyung-joon poderia facilmente estar mentindo e, mesmo que não estivesse, os riscos eram altos. O pior de tudo era que o cara não parecia inteiramente estável.
Hyung-joon, checando repetidamente o relógio, finalmente perdeu a paciência. Ele bateu as palmas das mãos:
— Bom, pense a respeito. Você é quem vai se arrepender de perder a oportunidade, não eu. Estou indo primeiro.
Ele ajeitou o casaco e virou-se para sair, mas de repente olhou para trás:
— Ah, sobre aquilo que você pegou de mim ontem. Não revenda. Entendeu? Se cair nas mãos erradas, nós dois estamos ferrados.
Marvin, que acabara de apagar o cigarro, franziu ligeiramente a testa enquanto enfiava as mãos nos bolsos:
— Quem são “as mãos erradas”?
— Quem mais? Aqueles bastardos dos promotores que incriminariam você por crimes que nem cometeu.
Apesar do veneno em suas palavras, Hyung-joon sorriu radiantemente. Ele lambeu os lábios, divertido com o silêncio de Marvin:
— Pense nisso. 2,8 trilhões desapareceram. Você realmente acha que não é responsável?
— ……
— Não faço ideia de com quem você está se mancomunando, mas aqueles caras cantam a mesma música do topo à base. “Eu vou te proteger. Apenas confesse tudo.” Balela. Não caia nessa.
— ……
— Eles adoram casos como este, já que envolve muito dinheiro. Mas nós temos que limpar a nossa própria sujeira. Venha me ver. Eu explico tudo. Vamos conversar. Certo?
Ele se afastou e, como esperado, entrou no carro de luxo. O motorista entregou as chaves e entrou no carro preto atrás dele. Mas eles não saíram imediatamente.
Marvin encarou o veículo parado. Ele quase podia sentir Hyung-joon o observando pelo retrovisor. Para alguém que afirmava não se importar, ele era péssimo em esconder seu interesse. Marvin olhou para o cartão de visitas novamente.
> SN Bio. Centro de P&D 1. Equipe de Pesquisa Clínica.
> Ko Hyung-joon, Pesquisador Sênior
Rico, altamente instruído. Naturalmente condescendente. Alfa de alta taxa. Impulsivo. Prioriza dopamina e emoções fortes em detrimento do risco físico.
Enquanto Marvin catalogava mentalmente os traços de Hyung-joon, uma notificação de mensagem apareceu. O endereço do restaurante de sushi enviado por Jang Jin-woo. Encarando o link solitário no chat, ele começou a andar.
Pensando bem, Jin-woo também havia sugerido encontrar um especialista em características juntos. De qualquer forma, outra viagem a Seul parecia inevitável. Com quem ir e quem encontrar: isso ainda estava indefinido.
⚖ ─── 𝛂 · β· Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello