Capítulo 65
— Telefone, telefone!
Alguém teve a brilhante ideia de ligar a lanterna do celular, varrendo os arredores. Logo, todos seguiram o exemplo, ativando as luzes de seus telefones como mineradores em um poço de carvão, iluminando uns aos outros.
Alguns homens já estavam espalhados pelo chão. Um deles segurava o nariz, com o sangue escorrendo. Quando alguém próximo tentou checá-lo, um grito erupcionou:
— Na frente, na frente! Rápido!
As luzes dos celulares se focaram uniformemente em alguém perto da porta. Mas já era tarde demais. A arma que estava apontada para o Diretor Jo agora estava em Ko Hyung-joon. Em um piscar de olhos, um segundo refém foi feito. Ko Hyung-joon mostrou os dentes em um sorriso forçado, seus lábios já cortados pelo que parecia ter sido um soco bem dado.
— Tch… Bom, isso sim é uma surpresa.
Ele estava visivelmente se esforçando para suprimir sua irritação. O sangue escorria entre seus dentes, tornando seu sorriso grotesco. Mesmo nessa situação, ele não conseguiu resistir a debochar dos capangas do Diretor Jo:
— O quê, nove gângsteres não conseguem nem lidar com um cara só?
Tch.
Apesar da provocação, ninguém se moveu. O disparo da arma parecia ter mudado a atmosfera. Rostos tremiam, mas ninguém ousava dar um passo à frente. Ele não vai atirar, vai? Zombarias silenciosas flutuavam do outro lado da sala.
A pessoa que jogou o extintor de incêndio antes já estava do lado de dentro. Sem alguém para quebrar o ritmo novamente, reiniciar a briga não era fácil.
Enquanto isso, Marvin, que pressionava a arma contra a cabeça de Ko Hyung-joon, estava com o rosto corado. O suor escorria por sua testa, e sua respiração era rápida e pesada.
Ele havia se forçado além de seus limites, e sua resistência estava se esgotando mais rápido do que o esperado. Se aquilo se arrastasse, seu corpo não aguentaria. Marvin respirou fundo e firmou a pegada na arma.
— Entregue o remédio. A menos que queira que isso fique ainda mais feio.
A pressão contra a têmpora de Ko Hyung-joon fez sua cabeça inclinar-se desajeitadamente. Seu corpo estava sendo forçado para trás.
— Mas se eu esquivar a cabeça quando você atirar, você vai errar, não vai?
Do nada, ele tentou um blefe, como se tivesse visto aquilo em um filme. Embora não fosse impossível, exigia uma sorte insana, e ninguém era tolo o suficiente para apostar a própria vida nisso.
— Você assistiu a filmes demais. A maioria das pessoas não consegue calcular esse tempo. Mesmo um raspão seria fatal, então pare com essa bobagem e entregue o remédio.
Mas Ko Hyung-joon não parecia inclinado a cooperar. Ele adotou a expressão de um patriota tomando uma decisão heróica, examinando os homens diante dele. Então, com um zumbido, travou o maxilar:
— As coisas continuam dando errado para você também, hein?
Ele direcionou aquilo a Marvin. As palavras não faziam sentido. Objetivamente, era ele quem estava em apuros, não Marvin. Ainda assim, continuava tratando-os como iguais.
— Você sabe qual foi o seu erro, não sabe? Não deveria ter vindo atrás de mim.
Ele estalou a língua com o que parecia um lamento genuíno:
— É, eu entendo por que você está irritado. Tenho um talento para irritar as pessoas. Mas você deveria ter agido de forma racional. Fugir era a atitude certa agora há pouco. Hah… Olhe para isso.
Ele respirou fundo, inalando o aroma de Marvin. Quando não percebeu o cheiro tão forte quanto esperava, fez uma cara estranha, fungando e até estalando a língua no ar.
Os lábios de Marvin se curvaram em desagrado. Ele fora descoberto mais rápido do que o antecipado. O tempo estava se esgotando. Ele examinou rapidamente os dois bolsos que havia estimado visualmente antes e outros pontos potenciais onde o supressor poderia estar escondido.
— Honestamente, de longe eu não tinha certeza, mas de perto é óbvio. Ainda assim, sua força de vontade é impressionante. Eu não conseguiria notar só de olhar.
Ko Hyung-joon bateu o martelo. Marvin contou os homens que o confrontavam. Um, dois… cinco no total.
— Porra, estou morrendo de medo, mas vamos tentar isso. Diretor Jo, faça melhor desta vez. Vou te dar uma chance de se redimir.
Mais três atrás deles. Dois feridos. Mas a prioridade era lidar com esse cara primeiro.
Espere pela brecha…
Ko Hyung-joon rosnou uma última linha:
— …Esse desgraçado está no heat.
— ……!
Agora.
— Peguem ele! Guh!
Marvin foi mais rápido. Ele golpeou a parte traseira da empunhadura da pistola contra a nuca de Ko Hyung-joon. Enquanto o homem desabava, Marvin colocou a mão dentro do casaco dele.
— Ali!
— Argh!
Marvin chutou um agressor no estômago e arremessou Ko Hyung-joon contra os outros. Avaliando instintivamente o espaço aberto, esquivou-se de uma cadeira arremessada contra ele, agarrando um pé quebrado da mobília para esmagar o joelho de outro homem.
O escritório mergulhou no caos. Sob as luzes oscilantes dos celulares, corpos caíam e se levantavam alternadamente. Mas mesmo um agente experiente não conseguiria resistir para sempre a ataques implacáveis.
Uma brecha em sua defesa custou-lhe um golpe no abdômen, fazendo Marvin cambalear. Alguém agarrou seu ombro — o mesmo que estava machucado. Ele olhou para cima e viu o Diretor Heo, com o rosto contorcido em conflito.
Contudo, o Diretor Heo não o golpeou. Ele hesitou, dividido.
— Pare de ser um idiota e fique fora disso! — rosnou Marvin, sacudindo-o para longe.
Outro corpo se chocou contra ele, derrubando-o antes que fosse puxado para cima pelo colarinho. Marvin se contorceu, girando seu agressor para o chão, e pisou em seu tornozelo com um estalo.
Sem tempo para respirar. Mais dois avançaram ao mesmo tempo. Um chute no estômago de um o fez recuar, mas o outro rasgou a orelha de Marvin. Segurando a orelha, Marvin mal evitou um equipamento médico arremessado e rolou para a frente. Um monitor se estilhaçou atrás dele, e ele deu uma rasteira no agressor, esmagando o queixo dele contra o chão.
Arf…
Ofegante, Marvin se estabilizou. Seu corpo parecia pesado como chumbo. Calor e tontura zumbiam em seus ouvidos. Ele estava atingindo seu limite. Empurrando uma mesa de lado, avançou centímetro a centímetro em direção à janela.
— Raaagh!
Alguém soltou um grito selvagem e avançou contra Marvin. Reflexivamente, ele se esquivou para o lado. O homem colidiu contra a janela com a cabeça e nocauteou a si mesmo. O vidro se estilhaçou com um estrondo alto.
A oportunidade estava ali. Marvin não hesitou. Ele subiu no parapeito, pronto para pular.
Mas então, luzes intensas e sirenes ecoaram do lado de fora. Luzes estroboscópicas vermelhas e azuis inundaram o escritório escuro.
— Polícia! Parados! Todos parados!
Um megafone ecoou lá de baixo, ordenando a rendição. Logo, detetives armados invadiram o local, dominando os combatentes.
— Mãos para cima!
— Não se mexa!
— Haa…
Finalmente soltando o ar, Marvin desabou no chão.
A estática do rádio crepitou:
— Coloque-os no Carro 1.
— Mais dois descendo.
Embora ainda caótica, a cena estava sendo gradualmente controlada.
Detetives recitavam os direitos aos detidos enquanto levavam os participantes um a um. Algemas estalavam por toda parte. Marvin permaneceu no chão, recuperando o fôlego até que um policial se aproximou.
— De pé. Você está preso por lesão corporal grave. Será interrogado e, se precisar, poderá contatar um advogado. As mãos para fora.
Mas Marvin não tinha forças nem para obedecer. Apenas assistiu entorpecido enquanto as algemas eram presas em seus pulsos frouxos. Seus lábios se moveram fracamente:
— O que foi…?
O policial se inclinou, mas as palavras eram fracas demais:
— …Espere. A seringa…
— O quê? Fale alto. Você está machucado?
Ele queria dizer que tinha supressores no bolso, que apenas o deixassem tomá-los primeiro. Mas seus lábios não obedeciam. Ao menos a dor de cabeça havia parado. Em vez disso, um calor não natural estava se espalhando dentro dele. Ele suspirou de frustração com seu corpo inútil.
— Você está ferido?
Notando algo errado, o policial se curvou, examinando o rosto de Marvin. Quando perguntou se ele precisava de um hospital, Marvin mal balançou a cabeça. O policial o puxou para cima pelo braço.
Então, passos se aproximaram, interrompendo-o:
— Me dê um minuto com este aqui.
Uma voz familiar. Os olhos de Marvin se abriram automaticamente. Olhando para cima, viu Jang Jin-woo parado ali, como de costume com seu longo casaco de lã sobre o terno sob medida, com as mãos nos bolsos.
— O quê? Mas fomos instruídos a levar todos…
Parecendo incomodado, Jin-woo mostrou casualmente sua identificação para o policial hesitante. Aquela mesma aura irritante que ele tinha fez Marvin se sentir estranhamente aliviado.
— Ah, certo. Apenas um momento então…
O policial, reconhecendo as credenciais de Jin-woo, deu um aceno dividido e se afastou. Ele relatou algo ao chefe da equipe responsável, apontando para os dois. O homem assentiu. Pelo visto, já havia sido aprovado.
Jin-woo examinou a cena. Sob as luzes das viaturas, o escritório era uma ruína. Cadeiras e mesas estavam destruídas, a porta pendurada pela metade. Não foram apenas os móveis que acabaram destruídos.
Oito ou nove homens estavam sendo arrastados para fora, cuspindo sangue. E aqui estava apenas um. Jin-woo soltou um assobio baixo, olhando para Marvin:
— Você realmente fez uma bagunça, hein?
Marvin encarou-o com os olhos injetados de sangue, lábios pressionados firmemente, respirando com dificuldade. Sua orelha rasgada deixava feixes de sangue descendo pelo pescoço. Seu cabelo estava uma bagunça, sua bochecha esquerda ligeiramente inchada. Estranhamente, Jin-woo pensou que ele parecia uma criança emburrada.
Como se estivesse resmungando: Por que você demorou tanto?
Tive que limpar tudo sozinho e, de alguma forma, acabei quebrando tudo e batendo nas pessoas…
O pensamento fez Jin-woo soltar uma risada suave involuntariamente.
⚖ ─── 𝛂 · β· Ω ─── ⚖
Continua….
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello