Capítulo 66
Marvin franziu a testa em confusão. Não conseguia entender por que Jin-woo estava sorrindo. Era porque ele parecia completamente patético? Imaginando como devia soar e parecer aos olhos de Jin-woo, pensou que até fazia sentido.
Tudo parecia avassalador. Seu corpo estava à beira de um colapso, tornando impossível pensar com clareza.
Jin-woo se agachou devagar sobre um joelho. A proximidade repentina de seu aroma fez Marvin sobressaltar-se. Como esperado, seu ciclo de heat estava sendo engrenado. A dor de cabeça havia desaparecido, provavelmente por causa dele.
— Você está machucado?
Marvin balançou a cabeça em silêncio. Não iria reclamar por causa de uma orelha rasgada.
— O que você planejava fazer se eu não tivesse visto sua mensagem?
Eu teria fugido. Igual da última vez, para a casa de Jin-woo. Mas aquilo não era importante agora.
— Promotor, meu bolso… a seringa.
Embora seu murmúrio fosse quase ininteligível, Jin-woo pareceu entender imediatamente. Ele se levantou.
— Vamos resolver isso no meu carro. Consegue ficar de pé?
Marvin assentiu e se esforçou para levantar. Jin-woo o estabilizou, segurando seus ombros enquanto ele oscilava. Com as mãos algemadas, era difícil passar um braço ao redor do pescoço dele em busca de apoio.
Apoiando-se pesadamente contra Jin-woo, Marvin conseguiu dar um passo à frente. Para quem olhava de fora, ele poderia não parecer diferente dos outros sendo escoltados, mas, por dentro, seu corpo queimava como se escaldado por óleo quente.
Outra batalha havia começado: uma luta contra si mesmo para manter a compostura. Ele repetia promessas silenciosas de não vacilar, nem mesmo uma única vez.
Ciente ou não do seu tormento, Jin-woo puxou Marvin direto contra o peito. A firmeza de seu torso pressionava através das camadas de roupa, enviando calafrios pela espinha de Marvin.
Seus feromônios se infiltravam em Marvin por cada sentido exposto — seu nariz, boca, ouvidos —, queimando através de suas veias, esquentando seu sangue. Aquele sangue acelerava por seu corpo, disparando seu coração, corando suas bochechas e despertando sua virilha.
Parecia uma aula intensiva sobre o ciclo de heat. Ao contrário do rut violento, seu corpo ficava lânguido. Embora ainda pudesse caminhar, se Jin-woo o soltasse, ele desabaria no mesmo instante.
— Por aqui.
Várias viaturas policiais alinhavam-se no beco. O veículo de Jin-woo estava estacionado mais ao fundo. Após um esforço, Marvin desabou no banco traseiro, intensamente insufilmado. Quando Jin-woo deslizou para o lado dele, Marvin gesticulou fracamente para o bolso do casaco:
— Promotor, aqui…
Jin-woo colocou a mão para dentro e pegou o supressor. Do outro bolso, tirou a arma, hesitando brevemente antes de guardá-la.
— Tire o casaco.
As algemas tornaram isso impossível. Marvin ergueu os pulsos de forma impotente:
— Então vamos apenas deslizar um ombro para baixo.
Até aquilo era demais para fazer sozinho. Jin-woo se aproximou, manobrando deliberadamente para ajudar. Ele empurrou o casaco pelos braços de Marvin e, em seguida, começou a desabotoar sua camisa.
Ah…
O calor aumentou. Embora a situação não fosse intencional, ser despido por Jin-woo naquele espaço apertado fazia sua mente pregar peças. Seu corpo reagia como se estivesse se preparando, já úmido entre as pernas.
Marvin se preparou. Ele encolheu os lábios e segurou a respiração, congelando como uma estátua de cera. Jin-woo inclinou a cabeça, encontrando seus olhos:
— O que você está fazendo?
As íris de Marvin, opacas por um momento, piscaram com um ouro pálido.
— Tentando… não fazer besteira.
Seus lábios, brilhando de saliva, moveram-se de forma rígida. O olhar de Jin-woo caiu brevemente. Seu lábio inferior se separava ligeiramente a cada respiração antes de ele travar o maxilar, selando a boca.
Jin-woo deu uma risadinha sem contenção. Ele sabia exatamente o que aquilo significava. Marvin estava lutando com unhas e dentes para não se humilhar. Era compreensível, mas também desconcertante.
Por que ir tão longe?
Se ele falhasse, poderia simplesmente culpar o heat. Hoje em dia, aquilo nem renderia uma fofoca interessante.
Contudo, Marvin estava se segurando com tudo o que tinha, até mesmo prendendo a respiração até o rosto ficar corado. Observando-o, um espírito de competição teimoso despertou em Jin-woo.
Seus dedos moveram-se mais rápido sobre os botões. Mesmo que apenas alguns tivessem sido suficientes, ele desabotoou a camisa inteira, como se pretendesse desnudá-lo completamente.
O peito de Marvin, seus mamilos e seu abdômen definido ficaram expostos. Entrando em pânico, Marvin percebeu que não podia se cobrir: suas mãos estavam presas. O mero fato de Jin-woo estar vendo-o daquela forma o deixava ainda mais rígido.
Não importava o quanto engolisse em seco ou segurasse a respiração, seu coração disparado recusava-se a se acalmar.
Jin-woo enganchou um braço atrás das costas de Marvin, puxando-o para cima. Antes que Marvin pudesse reagir, foi arrastado para quase um abraço. Seu corpo respondeu instantaneamente, a umidade escorrendo entre suas coxas.
— Você está… fazendo isso de propósito?
Sua voz era rouca, tensa. Jin-woo, de todas as pessoas, sabia dos riscos de provocar um Omêga no heat. Marvin esperava uma resposta debochada, mas Jin-woo respondeu francamente:
— Sim. — Ele inclinou a cabeça, travando o olhar com Marvin. — A oportunidade se apresentou, então estou me concedendo um pequeno capricho.
O que você vai fazer a respeito?
Seu tom dizia exatamente isso: E o que você vai fazer quanto a isso? Marvin estava pasmo, incapaz de responder. Seu peito subia e descia em silêncio.
Era um paradoxo. A raiva surgia por estar sendo manuseado daquela forma, contudo um arrepio indescritível corria por seu corpo. Após o último encontro, ele presumira que Jin-woo perdera o interesse. Por que alguém como ele se daria ao trabalho de ir atrás de um Omêga que já possuíra?
Por isso o comportamento de Jin-woo agora era inesperado. Por alguma razão, o heat de Marvin reacendeu a sua atenção. Seu coração ameaçava explodir. As palavras “me concedendo um pequeno capricho” ecoavam infinitamente em sua mente.
— Não há necessidade de ficar nervoso. Eu não me forço sobre pessoas que dizem não. Apenas incline-se um pouco para a frente.
Jang Jin-woo puxou a camisa dos ombros de Marvin. A parte superior de seu corpo ficou exposta sob a luz do carro. Marvin deixou que ele fizesse o que quisesse. Qualquer um que assistisse entenderia errado, mas ele não tinha presença de espírito para se importar.
Jang Jin-woo curvou-se para cobrir Marvin da vista do para-brisa dianteiro. À distância de um suspiro, ele rasgou a embalagem do supressor. O líquido límpido foi puxado para dentro da seringa.
Após preparar a injeção, ele pausou e perguntou:
— É o momento certo para a sua injeção?
Marvin assentiu.
Agora que tinha o consentimento de Marvin, ele poderia ter administrado a aplicação. Mas, estranhamente, não se moveu. Suas pálpebras se baixaram devagar e se abriram novamente, sua expressão tornando-se distante, ilegível.
Era um olhar que convidava a inúmeras interpretações. Daquela quietude indecifrável, uma antecipação tênue e vergonhosa começou a brotar.
Marvin instintivamente molhou os lábios com a língua. Jang Jin-woo mirou imediatamente naquele movimento, com o olhar fixo. A implicação era simples:
Eu quero.
Ele não tinha intenção de se forçar, mas, se recebesse o menor vestígio de permissão, ele o tomaria.
Ele queria chocar seus lábios contra os dele. Puxar Jin-woo para mais perto, desnudá-lo e pressionar pele com pele. Visões de membros entrelaçados, respiração compartilhada e atrito animal naquele carro apertado inundaram seus pensamentos.
Jang Jin-woo não rejeitaria. Ele provavelmente daria um sorriso irônico, dizendo que sabia que isso aconteceria.
Mas assim que Marvin imaginou aquilo, seus pensamentos se cortaram como um rolo de filme partido.
Não.
Disso, ele discordava. Mais do que tudo, recusava-se a ser tão previsível.
Se sexo era tudo o que Jin-woo queria dele, Marvin não facilitaria as coisas. Aquele orgulho insignificante era o único escudo contra ser consumido por inteiro.
Milagrosamente, essa mesquinha auto-estima reforçou sua determinação vacilante. Sua visão embaçada ficou nitida. Embora sua respiração continuasse arfante, seus pensamentos travados voltaram à vida.
— Promotor — Marvin forçou a voz —, o supressor… por favor.
A essas palavras, os olhos de Jang Jin-woo se estreitaram ligeiramente. Ele ergueu o queixo e olhou para Marvin.
Marvin estava visivelmente mais calmo. A arfada que parecia pronta para se inclinar em um beijo havia desaparecido. Ele estava restringindo seus instintos com pura força de vontade. O sorriso irônico que antes curvava os lábios de Jang Jin-woo desapareceu gradualmente.
A presa que ele pensara ser fácil havia escapado novamente. Um toque de irritação e frustração começou a se insinuar nos olhos de Jang Jin-woo. Ele poderia ter simplesmente ido embora, resmungando “que má sorte”, mas, em vez disso, continuou encarando Marvin com obsessão.
Por quê?
Desistir deveria ter sido simples. Admitir que estava errado o incomodava, mas com o tempo ele esqueceria. Contudo, uma obsessão inexplicável criou raízes, apagando a lógica, o cálculo e a razão.
Jin-woo encarou a expressão composta de Marvin. Era o rosto de alguém que havia escapado do pântano do desejo sozinho. Marvin estendeu a mão, como se celebrasse a própria vitória.
Vamos parar por aqui.
Jin-woo riu. Em vez de aceitar, segurou o queixo de Marvin, provando ser de uma espécie inteiramente diferente.
— Promotor…?
Marvin enrijeceu. Jin-woo esfregou o polegar sobre os lábios de Marvin e, em seguida, beijou-o sem hesitação.
⚖ ─── 𝛂 · β· Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello