Capítulo 63
O destino era em frente a um pequeno prédio comercial. O primeiro andar parecia funcionar como uma imobiliária, enquanto o segundo andar parecia vender equipamentos médicos, embora ambos parecessem abandonados há muito tempo.
A vizinhança era alinhada com velhas casas em estilo ocidental. A maioria parecia vaga, com poucas luzes acesas. Além do ocasional passar de uma motocicleta pela estrada principal, os arredores estavam tranquilos. Depois de vistoriar a área, Marvin subiu ao prédio precisamente às 21h.
— Ah, entre.
Por alguma razão, o Diretor Heo estava esperando sozinho por Marvin. No interior, apenas uma única e poeirenta luz fluorescente estava acesa. Sem oferecer um assento, o Diretor Heo encostou-se sozinho em um sofá velho.
— O Diretor Jo disse que tinha um lugar para passar antes. Ele estará aqui em breve.
Apesar de seu tom casual, ele continuava olhando de relance para a expressão de Marvin enquanto acendia um cigarro. Ignorando-o, Marvin examinou o escritório.
O lugar parecia um negócio falido que havia fugido da noite para o dia; velhos equipamentos de reabilitação e aparelhos de raio-X estavam empilhados ao acaso. A bagunça fornecia uma boa cobertura. Marvin abriu a janela e olhou para baixo. O prédio de tijolos não era muito alto, então pular não seria um problema.
O Diretor Jo não apareceu imediatamente. O Diretor Heo deu risadinhas com algo em seu telefone, seus lábios inchados do encontro anterior dando-lhe uma aparência semelhante à de um peixe-gato.
— Como está a sua mão?
O Diretor Heo ergueu os olhos devagar do telefone, o rosto ainda divertido, e deu uma resposta estranha:
— Minha mão? Ah… É só um arranhão da mesa.
Marvin franziu a testa. Do que ele estava falando? Seu olhar se deslocou para a mão esquerda enluvada do Diretor Heo. Os dedos não se moviam, como se estivessem recheados com preenchimento, mas, fora isso, nada parecia diferente.
Pensando bem agora, o Diretor Heo vinha agindo de forma estranha desde o início.
Apesar de estarem sozinhos, o Diretor Heo não ofereceu nenhum contexto adicional sobre a situação. Ele tratava Marvin com uma casualidade exagerada, grudado ao telefone como se estivesse avisando-o para não fazer perguntas.
Marvin checou discretamente a porta e os cantos. Como esperado, havia câmeras. Eles estavam monitorando conversas quando deixados sozinhos? Seguro morreu de velho, então Marvin desviou o olhar do Diretor Heo e caminhou devagar pelo escritório, com as mãos nos bolsos.
Algum tempo se passou antes que um telefone vibrasse.
— Ah, sim. Entendido.
Heo já havia encerrado uma breve chamada.
— Ele chegou.
Ele se levantou com uma expressão ligeiramente nervosa, respirando fundo. Não estava claro de onde vinha sua tensão: se era a pressão de não ser pego ou algum outro plano.
Marvin checou o celular. Infelizmente, Jang Jin-woo ainda não havia lido sua mensagem. Era apenas nervosismo? Sua dor de cabeça estava piorando.
O som de carros chegando do lado de fora ecoou. Espiando pela janela, Marvin viu homens saindo dos veículos. Todos eles eram gângsteres.
A aura deles era inteiramente diferente da dos subordinados do Diretor Heo. Vestidos com ternos pretos sob medida, moviam-se como uma unidade disciplinada. Com passos calculados, entraram no prédio.
A porta se abriu com um barulho de sapatos sociais enquanto os homens se alinhavam em formação. Dois homens deram um passo à frente. Um deles, um homem baixo usando óculos, estava ao telefone. Embora falasse chinês fluente, o coreano que lançou na direção de Marvin era um sotaque de Seul perfeito:
— Ah, é. É você? Rosto bonito.
O Diretor Heo curvou-se profundamente em direção a ele imediatamente. Pelo visto, aquele era o Diretor Jo, o irmão mais novo de Tae-gwan. Os sobrenomes diferentes sugeriam que não eram parentes de sangue.
Com pele escura, óculos de armação prateada e um longo cachecol de casca de carvalho, o Diretor Jo comportava-se como um homem de negócios. Os seis homens atrás dele pareciam ser seguranças, aguardando sem tomar novas ações.
— Sem tempo, então tire a roupa e suba na mesa. Não precisa mostrar tudo, só uma inspeção rápida.
O Diretor Jo gesticulou para o homem ao seu lado, que deu um passo na direção de Marvin. Provavelmente o intermediário que Heo havia contatado.
— Que tipo de inspeção?
Marvin ignorou a mão estendida do homem e falou diretamente com o Diretor Jo, que ainda estava ao telefone. O Diretor Heo, assistindo nervosamente, balançou a cabeça sutilmente, um aviso para não atrapalhar as coisas. Mas Marvin manteve sua posição, exigindo uma resposta.
O Diretor Jo olhou para Marvin no meio da chamada. Irritado com o atraso, pediu licença e desligou, caminhando até ele. Uma leve irritação pairava em seu rosto:
— Que tipo de inspeção? Nós inspecionamos o buraco do candidato. Este remédio não é para qualquer um. Nós tiramos fotos para monitorar as alterações após cada dose. Coopere e tudo acabará rápido. Recuse e você sai de mãos vazias. Simples, não?
Ele terminou com um tom zombeteiro, parado diretamente em frente a Marvin. Em seguida, como quem inspeciona gado, esticou o pescoço e deu uma volta lenta ao redor dele:
— Ei, Heo Sang-je, você escolheu um bom desta vez. Corpo bonito, hein?
Ele de repente se inclinou e sussurrou no ouvido de Marvin:
— Tire a roupa.
A mão de Marvin moveu-se sutilmente em direção às suas costas, encontrando o olhar do Diretor Jo.
— Aqui?
De perto, Marvin notou uma cicatriz grave ao redor de um dos olhos dele, provavelmente a razão pela qual usava óculos.
— É, aqui. Por quê? Muito tímido com pessoas ao redor? Quer que só eu olhe?
Quando Marvin assentiu levemente, o Diretor Jo deu um sorriso irônico e gesticulou para o intermediário:
— Você, use seu casaco para cobri-lo. Ele diz que é tímido.
O intermediário tirou a jaqueta acolchoada. Marvin examinou rapidamente os trajes mais finos do homem, mas não encontrou lugar para esconder o remédio. Em vez disso, algo como a tampa de um lubrificante apareceu no bolso da jaqueta.
Se o intermediário não o tinha, talvez o Diretor Jo tivesse. O olhar de Marvin mudou para o casaco de lã grosso do homem. Tendo vindo pessoalmente, era plausível que ele carregasse o medicamento. Mas não havia como saber.
Enquanto isso, o intermediário estendeu a mão para o cinto de Marvin. Marvin segurou seu pulso, e a pegada inesperada o assustou:
— Deixe o Diretor fazer isso ele mesmo.
Ignorando o intermediário, Marvin olhou diretamente para o Diretor Jo. Piscando surpreso, o Diretor Jo curvou o lábio:
— Exigente, não é?
Ainda assim, ele não recusou. Trocando de lugar com o intermediário, colocou-se diante de Marvin novamente:
— Quando é que eu tomo o remédio? — Marvin deu um passo para trás.
— Depois da inspeção. Não distribuímos isso para qualquer um. — O Diretor Jo deu um passo mais perto.
— Eu gostaria de ver o remédio primeiro. — Mais dois passos para trás.
O Diretor Jo encurtou a distância, baixando a voz:
— Você acha que isso é uma transação de drogas? Você não é nenhum cliente pagante. Cale a boca e tire a roupa.
Sem mais para onde recuar, a coxa de Marvin bateu contra o canto de uma mesa. O Diretor Jo sorriu vitorioso enquanto Marvin se reclinava para trás, e então colocou a mão dentro do próprio casaco na direção do cinto de Marvin. Ao mesmo tempo, a mão de Marvin moveu-se para as suas costas.
Então, a porta se abriu estrondosamente:
— Ah, droga. O que há com o banheiro daqui? Nojento. Hã?
A tensão se espatifou. As pupilas de Marvin se dilataram enquanto ele se voltava para a porta.
Aquele rosto…!
Ele definitivamente o conhecia.
— Ah, porra!
O reconhecimento piscou no rosto do homem também. Ele deixou cair os lenços de papel que segurava e gritou:
— Peguem ele!
Mas era tarde demais. Em um instante, Marvin sacou sua arma e a pressionou contra a lateral do corpo do Diretor Jo. Os homens da Dongyang congelaram no meio da investida. O homem que dera a ordem parecia completamente derrotado. Marvin falou primeiro:
— Há quanto tempo.
Ele tinha certeza: aquele era o pesquisador Alfa da Suíça que o havia injetado com supressores durante seu heat.
— Vocês dois se conhecem? — perguntou o Diretor Jo, agora mantido como refém, para o homem.
O pesquisador deu um sorriso sem jeito, como alguém que acidentalmente causara um desastre. Do canto da sala, o Diretor Heo resmungou baixinho:
— Porra… Nós estamos ferrados.
⚖ ─── 𝛂 · β· Ω ─── ⚖
Continua….
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello