Capítulo 192
CAPÍTULO 192
— Você parece estar enganado quanto a uma coisa agora. Não vim sob ordens de nenhuma instituição, vim apenas para tratar de um assunto pessoal. Perguntar se vai se entregar é apenas uma última checagem para você mesmo. Porque se tiver a intenção de se entregar e eu te matar, seria um desperdício.
— ……
Um breve silêncio se fez. Os clientes pigarrearam sem necessidade e desviaram o olhar constrangidos, e o homem que trouxera o arroz frito fingiu não ter ouvido e entrou de mansinho para a cozinha.
O diretor Jo soltou um suspiro incrédulo, com um “ha”, e recuou o tronco. Ele apagou o cigarro terminado pressionando-o com força no cinzeiro.
— Esse rato desgraçado… eu fico dando corda e ele fica achando que pode me ferrar, é? Quem é você para dizer que vai me dar um fim, porra? Acha que eu não sei? O ômega que está saindo nas notícias ultimamente… é de você que estão falando, não é? Falando a real, você também não está na merda agora?
— Como a minha vida nunca teve como piorar mesmo, não me importo.
A reação de Marvin, que não piscou um único olho, deixou o humor do diretor Jo ainda mais retorcido.
— Ha, porra. Esse pivete só ganhou petulância. Se você veio até aqui, significa que veio preparado para tudo, não é? Cara folgado do caralho. Mesmo assim, não achei que viria sozinho de verdade. Essa sua coragem eu até reconheço… Khek!
— Chega de conversa.
De repente, com um barulho de estouro, o prato de arroz frito fumegante virou junto com a louça bem em cima da bochecha do diretor Jo. Com o rosto prensado entre a mesa e o prato de arroz frito como um sanduíche, ele se debateu como um pássaro.
— Ah, tá quente, quente, quente…!
Num piscar de olhos, Marvin já estava em cima da mesa. Pressionava as costas dele com o joelho carregado com o peso do corpo, enquanto prendia o rosto e os pontos vitais dele com as mãos. No meio disso, a borda do prato de arroz frito encostada no pescoço pressionava com perfeição até a parte posterior da cabeça do diretor Jo, tornando qualquer contra-ataque difícil.
— Vou perguntar pela última vez. Vai se entregar? Não estou exatamente recomendando.
Marvin realmente não se importava. Se dissesse que não, viera com a intenção de apenas enterrá-lo silenciosamente na terra. Claro que teria que mudar de lugar para fazer isso.
— V-Vou! Eu vou me entregar, khak!
No fim, o diretor Jo levantou a bandeira branca. Mas nem por isso foi solto imediatamente. Marvin tirou o celular que sobressaía do bolso da calça dele. Em seguida, aproximou a tela do rosto dele, meio amassado e pressionado pelo prato de arroz frito, e desbloqueou o aparelho.
Depois disso, Marvin aproximou o celular do rosto do diretor Jo mais algumas vezes, desbloqueando com empenho vários tipos de travas de segurança. Em vez da boca de um humano que não se sabia quando voltaria a trair, uma máquina onde tudo ficava registrado com certeza era muito mais útil. De qualquer forma, mesmo que fosse enviado como prova para a promotoria, só perderiam tempo com perícia forense e coisas do tipo, então era melhor ele mesmo fazer isso de várias formas.
Tendo terminado o que tinha a fazer, Marvin guardou o celular do diretor Jo no próprio bolso e desceu da mesa.
Finalmente livre da pressão, o diretor Jo aprontou o tronco enquanto tossia. A bochecha estava vermelha e queimada pelo arroz frito quente. Com uma expressão de quem comeu excremento, ele limpou o arroz e os vegetais grudados e passou um lenço no rosto ardendo. O homem que observava da cozinha aproximou-se estalando a língua e lhe entregou um pano de prato frio.
— [Pensou bem. Dizem que a comida das prisões coreanas hoje em dia até que é boa. Quem sabe? Pode ser que provem sua inocência durante o julgamento.]
— [A promotoria da República da Coreia é uma merda desgraçada, fale algo que faça sentido.]
Rebatendo com irritação, o diretor Jo olhou de relance para Marvin. Embora achasse que ele não tinha como ter entendido, parecia incomodado a ponto de não dar continuidade à conversa.
Marvin continuava de pé em silêncio, de braços cruzados. Diante de uma atitude que parecia a de quem esperava o outro terminar de se preparar, o diretor Jo perguntou com uma expressão de “não me diga que…”:
— O que é isso? Não está dizendo para eu me entregar agora mesmo, está?
— Daqui até o posto policial não demora muito a pé.
— Ha, porra.
Ele mostrou uma reação incrédula, mas Marvin apenas apontou para a porta de saída, transmitindo a intenção de saírem juntos.
O impasse não durou muito. Levantando-se do assento com um suspiro, o diretor Jo colocou mais um cigarro na boca e acendeu o fogo de novo.
— Uff… Deixando bem claro, não estou me entregando por sua causa. De qualquer forma, já estava de saco cheio de viver fugindo. Por um lado e por outro… Porra! Na verdade, nem fui eu que matei o chefe, sabia? Deixa para lá. Não vamos falar disso. De qualquer forma, você vai achar que é tudo conversa fiada mesmo.
Ele soltava a fumaça do cigarro com ar de injustiçado. Contudo, para a sua surpresa, Marvin tomou o seu partido.
— É o que parece.
— Hã?
— Estou dizendo que parece mesmo que te armaram uma cilada. Por que fugiu, afinal? Alguém disse que te daria dinheiro se calasse a boca e sumisse para longe?
— ……
Engolindo a saliva em seco e sem dizer nada, o diretor Jo encarou Marvin fixamente. Sem conseguir confirmar nem negar, ele apenas mascou o cigarro.
— Mas mesmo assim… Por que complicou tanto as coisas? Por causa do diretor Jo, todas as testemunhas que tínhamos preparado foram para o espaço e só fez um monte de gente se ferrar à toa.
Marvin tinha um rosto que realmente o considerava patético. Havia até um pouco de irritação misturada.
O clima estava estranhamente desagradável, mas não vinha nenhuma resposta à mente para rebater.
— Vamos.
Dando os primeiros passos, Marvin seguiu em direção à porta de saída. Então, de repente, mudou de direção e caminhou a passos firmes em direção à mesa de um cliente que estava olhando para eles. O homem, surpreso e de olhos arregalados, baixou disfarçadamente o celular que segurava na mão. Marvin agarrou exatamente esse celular e o arremessou contra o chão.
Pau!
Com um som seco, o aparelho se despedaçou por completo. Pressionando e esmagando o corpo do celular de novo com o sapato, Marvin olhou para o dono do aparelho, que estava estupefato, e disse uma frase:
— A multa costuma ser meio salgada quando se viola o direito de imagem alheio.
Em seguida, olhou de volta para o diretor Jo, como quem dizia para irem embora de uma vez. O diretor Jo, que perdera até a vontade de contestar, moveu-se lentamente atrás de Marvin. Os clientes, cujos movimentos estavam paralisados de forma constrangedora desde há pouco, só puderam respirar aliviados depois que eles saíram e a porta de entrada se fechou completamente.
A preocupação de serem atingidos de graça por uma fagulha durou pouco; assim que a situação terminou, as pessoas pediram bebidas naturalmente. O homem que filmara Marvin com uma coragem fútil olhou para o estado do seu celular estraçalhado e estalou os lábios. O homem da cozinha, sem demonstrar nada, continuou a preparar os petiscos em silêncio.
Era o dia em que mais um conto de bravura se somava ao Yonghogwan.
O diretor Jo só empurrou a porta do posto policial depois de fumar um maço inteiro de cigarros. Enquanto os policiais olhavam pasmados e perguntavam o motivo de sua visita, perceberam sua identidade e o prenderam às pressas. Em seguida, fizeram uma ligação de emergência para algum lugar.
Marvin, que observava de um lugar um pouco afastado o posto policial que se tornara uma agitação, começou a andar lentamente.
A noite já havia caído. Marvin levantou a gola do sobretudo diante do ar frio da noite e atravessou a faixa de pedestres a passos firmes. Estava com os fones de ouvido encaixados. No celular do diretor Jo que segurava na mão, um arquivo de áudio gravado estava sendo reproduzido.
— Até quando quer que eu fique fugindo, porra? Hã? Como vou para a China agora? Se eu for, os parentes do chefe vão me esfollar vivo… Me mande mais 50 milhões de won. O dinheiro acabou todo. Porra, eu também estou de saco cheio. Se você continuar sem entrar em contato assim, eu me entrego de uma vez e pronto… Provas? O que é isso, hã?… Ah, porra.
O diretor Jo parecia estar fazendo um teatro sozinho. A voz do interlocutor não estava gravada em nada. Ele perguntava, respondia e xingava sozinho. No entanto, deduzindo o conteúdo, era evidente que seria uma pista bastante importante.
Ao atravessar a faixa de pedestres, Marvin apressou os passos. Havia enrolado demais. Por enquanto, precisava sair dali. Ele caminhava a passos largos para a frente enquanto manuseava dois celulares com ambas as mãos. Logo guardou o do diretor Jo de volta no bolso e escreveu uma mensagem para Jang Jin-woo no aparelho que segurava na mão direita:
[Estou em Busan.]
[Jo Yang-heon acabou de se entregar no posto policial. Estou enviando um arquivo junto. Parece que a outra parte está usando um aplicativo de bloqueio de gravação, então não sei se é possível restaurar. Deixo o processamento com o promotor.]
[E como acabei expondo meu rosto, pretendo reduzir meu raio de ação por um tempo. Tenho muitas coisas que gostaria de perguntar ao promotor, mas]
Enviar
Marvin escreveu até ali e parou os passos de repente. Olhando fixamente para a caixa de texto que piscava aguardando a próxima digitação, apagou a última frase. A cabeça ainda estava confusa, mas o peito já parecia ter chegado a uma conclusão.
[Tome cuidado.]
Se de qualquer forma não iria cobrar explicações, também não queria colocar acréscimos desnecessários. Afinal, esperava que ele tampouco se tornasse alguém que fizesse longas desculpas e persuasões para si.
“Não temos uma relação tão fútil assim, não é?”
Marvin enviou a mensagem sem remorsos e guardou o celular de volta. Continuou a caminhar a passos pesados. O fato de suas sobrancelhas estarem ligeiramente franzidas desde há pouco era por causa de uma dor de cabeça. O visitante indesejado que havia esquecido por um tempo começava a demonstrar sua presença. Já estava na hora de procurar um lugar para se enfiar.
Para não enfrentar a pior das situações em um lugar estranho, Marvin apressou-se para deixar a cidade.
O ar dentro do carro preto parado no terreno baldio estava aquecido. O motorista estava do lado de fora olhado o celular, e quem estava no banco traseiro falava ao telefone.
Como a conversa que trocavam não era nada agradável, frequentes silêncios se instalavam.
— Ah, e aquele chinês de etnia coreana acabou se entregando. O que o senhor pretende fazer? Disse para mim que não precisava me preocupar, mas está sendo levado pelas rédeas direitinho.
Diante do tom de deboche do interlocutor, Lim Sang-wook deu um sorriso amargo e acariciou o apoio de braço do banco traseiro. Afinal, como ele dissera, era de fato uma situação um pouco constrangedora.
— Nem tudo na vida sai como o planejado, então não há o que fazer. Afinal, eu não tinha aconselhado o vice-presidente logo no início? Que, no pior dos casos, poderia perder tanto o dinheiro quanto as pesquisas. Mesmo assim, não deve se esquecer de que quem insistiu dizendo que tentaria foi o próprio vice-presidente.
— O senhor não jogou essa carta na minha frente sabendo exatamente da minha situação? E vamos falar a verdade. O que eu pedi no começo foi um acordo com a Gen&Co dos Estados Unidos, não comprar os ensaios clínicos da Maxona Bio inteiros. Se lembra, não é?
Lim Sang-wook deu uma risada irônica sem fazer barulho. Lembrava-se claramente do rosto do sujeito quando mencionara a Maxona pela primeira vez, radiante de alegria e perguntando se aquilo seria realmente possível. Cara de pau. O ser humano realmente muda de atitude depois que consegue o que quer.
— Sim, bem… Contudo, a decisão foi do vice-presidente. Quanto a mim, só tenho a culpa de ter prestado suporte com empenho conforme as faturas apresentadas. O senhor sabe muito bem que não fiz isso para o meu próprio benefício pessoal.
Então, ouviu-se um riso de desprezo do outro lado do alto-falante. Ao contrário dele, o interlocutor não escondeu o tom de deboche.
— Continua fazendo pose de súdito fiel como sempre, hein.
A expressão de Lim Sang-wook se contorceu involuntariamente.
“Um pivete abusado querendo dar uma de folgado para cima de mim…”
— Chefe de gabinete. Eu também tenho ouvidos, mas como acho que não é educado de ambas as partes, não vou ficar cutucando isso. Por favor, sirva bem ao Presidente até o fim, e inclua esta questão na fatura anterior para pagar tudo de uma vez. Outra oportunidade surgirá durante o mandato. Bem, ainda restam 3 anos mesmo.
O motivo de enfatizar de propósito o número de anos era óbvio. Era uma provocação. Significava, indiretamente, que no pior dos casos as faíscas de agora poderiam se transformar em um incêndio florestal e queimar a Casa Azul inteira.
No entanto, o sujeito parecia não saber que, se a situação chegasse a esse ponto, ele próprio poderia morrer queimado junto.
“Cara patético. Por isso vai passar a vida inteira sem conseguir sair da sombra do pai.”
Lim Sang-wook estalou a língua mentalmente e zombou do sujeito.
— Ah, e quanto à promotoria. Peço que os controle para que não ajam precipitadamente e criem problemas como a equipe especial de investigação da outra vez. Não há necessidade de dançar conforme a música só porque a oposição está histérica. Vivem dizendo que este governo é especialmente incapaz de conter a promotoria. Esse tipo de coisa também vem da capacidade do gabinete da presidência, não é?
Ouvindo aquilo, percebeu que o sujeito não tinha limites. Diante das palavras que irritavam seus nervos, Lim Sang-wook fechou e abriu os olhos devagar.
— Vice-presidente.
Ele fez questão de pronunciar com clareza o título daquele sucessor incompetente.
— Vice-presidente Lee Beom-june, da SN Holdings. Pare de se preocupar conosco e faça uma ligação de incentivo para o diretor executivo Ahn Seung-myeon. Ele parece estar tremendo de medo achando que vai ter que arcar com tudo sozinho.
— O diretor Ahn não é esse tipo de pessoa.
— Mesmo que não seja, a história muda quando a pessoa é encurralada a esse ponto pelas circunstâncias. O ressentimento popular atingiu o ápice porque a SN Bio vem recusando sistematicamente as convocações da promotoria desde o ano passado e faltou às auditorias do Congresso. Se não responderem a esta convocação para a audiência pública, a oposição não vai deixar barato. Vão fazer todo tipo de ataque baixo.
— E daí? Está dizendo para eu fazer o diretor Ahn comparecer à audiência agora?
— Não. É para transmitir com firmeza a mensagem de que ele jamais deve comparecer. Diga a ele para não ficar com medo, perder o julgamento e agir de forma impensada.
Lim Sang-wook devolveu exatamente as palavras que acabara de ouvir. A irritação não era pouca por ter se tornado parceiro de um sujeito tão atrapalhado.
— Então vou desligar. Entro em contato de novo conforme a situação.
Significava “não me ligue até lá”, mas não sabia se ele entenderia.
Tanto lá quanto aqui, os filhos eram o problema. Tipos insignificantes que, sem ter capacidade, transbordavam ambição a ponto de destruir até as realizações construídas por seus pais. O problema era aquela mentalidade podre de não tentar subir passo a passo com as próprias forças, mas apenas querer explodir algo grande para obter reconhecimento fácil.
“Mesmo com as coisas dando tão errado assim, ainda vem me ligar com essa atitude arrogante? Pivete sem educação.”
Lim Sang-wook resmungou mentalmente e moveu os lábios. Nisso, baixou a cabeça ao sentir a vibração do celular que segurava na mão. Chegara uma mensagem simples de alguém avisando que havia chegado ao local de encontro. Checando o horário, passavam exatamente 10 segundos das 7 horas da noite em ponto.
“Dá para ver a personalidade.”
Lim Sang-wook deu um riso debochado e guardou o celular. Aquele lado também não ficava atrás em termos de dor de cabeça. Porém, era o caso oposto ao do vice-presidente Lee Beom-june. Era um sujeito que, mesmo tendo nascido com muito, não demonstrava interesse algum por nada que não tivesse conquistado por si mesmo. O tipo de cara que se achava o mais inteligente e incrível do mundo.
Pensara que ele já tinha definido totalmente o seu lado, mas estava deixando as pessoas confusas de novo. Por mais que olhasse, só podia ser ele o sujeito capaz de fazer explodir a operação Maxona, mas continuava fingindo que não sabia de nada até o fim.
Contudo, conversando com o procurador-chefe Song Byung-woo, soube que dentro da Promotoria do Distrito de Seul ele era considerado um dos principais pacifistas neste caso. Ele afirmara categoricamente que, por se tratar de um segredo de Estado de Nível 1, nem a promotoria nem o Judiciário poderiam se envolver.
Claro que o promoveu a chefe de divisão justamente para mover esse tipo de opinião interna, mas também era verdade que havia algo incômodo no ar. Por isso, não havia outra escolha a não ser encontrá-lo pessoalmente para mantê-lo sob controle.
Era o momento de lembrá-lo mais uma vez de que, se estivesse tentando aprontar alguma coisa, já era tarde demais; ele já estava no mesmo barco.
— Vamos partir.
Lim Sang-wook abaixou o vidro e chamou o motorista. O motorista que aguardava do lado de fora entrou rapidamente no assento do condutor. Contente com o ar aquecido, deu uma longa puxada de ar. Em seguida, esfregou as mãos geladas e segurou o volante.
— Levo o senhor direto para o Gaondam?
— Não há necessidade de pressa, vamos devagar.
Lim Sang-wook reclinou a cabeça e encostou o tronco sem pressa. Ao lidar com um sujeito inteligente, era preciso manter sempre a calma. O motorista, compreendendo a intenção de Lim Sang-wook, começou a dar uma volta mais longa de propósito.
Jang Jin-woo já estava tomando a segunda xícara do chá de omija servido antes da refeição. Recusara a sugestão do funcionário sobre começar a comer primeiro.
O outro não aparecia e nem sequer enviara um aviso de que se atrasaria, mas ele não deu importância. Usou o notebook que trouxera para adiantar o trabalho e fez chamadas para o investigator, cuidando dos seus afazeres. Só depois de passados mais de 30 minutos a porta de correr do quarto privativo se abriu.
— Ah, me desculpe. A reunião se estendeu. Por que não comeu primeiro? Devia estar com fome.
Lim Sang-wook tirou os sapatos e subiu para o quarto.
— Sem problemas.
Como se estivesse esperando, a funcionária entrou logo atrás e começou a arrumar a mesa para mais uma pessoa. Diante da pergunta “Podemos servir agora?”, Lim Sang-wook pediu para trazer a carne primeiro. Acrescentou também que pedia desculpas por fazer uma pessoa ocupada esperar sem jantar.
Jang Jin-woo organizou os arquivos de trabalho e voltou para a mesa de refeição. Lim Sang-wook, que olhava para Jang Jin-woo enquanto limpava as mãos com a toalha úmida, perguntou de que caso se tratava. Após trocarem algumas conversas sem substância, o ensopado foi servido. Uma pilha de vegetais para embrulho e uns cinco ou seis tipos de molhos também foram colocados. Assim que a funcionária fechou a porta completamente e sumiu, Lim Sang-wook pegou os talheres.
— Vamos comer.
— Sim.
— Por que bateu no diretor Hong?
Jang Jin-woo ergueu a cabeça diante da pergunta lançada sem rodeios. No entanto, logo respondeu enquanto servia o molho, como se não fosse nada demais:
— Achei que assim não levantaria suspeitas e poderia dar suporte por trás.
— Disse que foi encenação? Disseram que o osso do nariz dele fraturou.
— Não fraturou.
Ele o encarou de forma suspeita diante da negação seca de Jang Jin-woo. Claro, ouvira dizer que, mesmo depois de apanhar de Jang Jin-woo, Hong Kyung-wook passou por todo o interrogatório antes de ir embora. Portanto, a história do osso do nariz provavelmente era um exagero de alguém que costumava fazer drama por qualquer coisa.
Mesmo assim, bater nele do nada era algo repentino. Havia necessidade de ir tão longe?
Foi uma atitude fora do comum para Jang Jin-woo.O fato de ele não dar outras desculpas agora, em uma situação em que poderia facilmente ser mal interpretado, também parecia suspeito.
Como esperado, o rumo das coisas parecia estranho de alguma forma.
— Então o caso acabou sendo direcionado para o indiciamento sem prisão preventiva?
Perguntou sutilmente sobre a situação interna, como quem sondava.
— Sim. Felizmente, o próprio indiciamento é incerto. Fizemos o exame de drogas e deu tudo negativo. Surpreendentemente, ele parece ter sido rigoroso quanto a essa parte. Por enquanto, sugiri não alterarmos precipitadamente a condição dele para suspeito e observarmos o andamento da audiência pública antes de definir um rumo. O procurador-chefe também parecia achar pesado prender o filho do presidente em exercício.
— Pois é. Afinal, Song Byung-woo também deve querer virar procurador-geral no ano que vem.
Lim Sang-wook concordou e mastigou a carne que colocara em seu prato para provar. Mantendo a boca em movimento, bateu levemente na mesa.
— Coloque seu celular aqui.
Jang Jin-woo parou de comer e o encarou diante do pedido repentino.
— Vamos conversar francamente. Nem o promotor Jang nem eu temos o tipo de personalidade que fica dando voltas nesses assuntos. Eu também estou tentando cultivar um júnior de quem gosto depois de muito tempo, então se ficarmos com o pé atrás, vai ser desconfortável para ambos e só perderemos tempo.
Significava que falaria sobre algo que seria problemático se vazasse.
Jang Jin-woo parecia pensar por um momento, mas logo concordou com a cabeça e aceitou a proposta. Colocou o celular que estava ao seu lado no local indicado por Lim Sang-wook e recuou um pouco o tronco.
— Fique à vontade para falar. Parece haver algum mal-entendido sobre mim.
— Não é isso.
Lim Sang-wook serviu um copo de cheongju e colocou suavemente diante de Jang Jin-woo. Diante disso, Jang Jin-woo também pegou a garrafa naturalmente e serviu para ele.
— Já te contei a história de quando eu estava no comitê da campanha presidencial?
— Não.
— Foi divertido. É um lugar onde se reúne todo tipo de tipo humano. Especialmente quando a eleição parece estar ficando difícil, sabe? Aí começam a aparecer desde xamãs até todo tipo de golpista. Dizendo que podem ajudar.
Lim Sang-wook deu um riso contido e inclinou o copo. Após molhar a garganta, continuou:
— Não descartamos todos. Procurando bem, às vezes há quem traga um item útil para o candidato. A equipe de apoio em campo faz essa triagem. Dispensam quem deve ser dispensado e, se acham que vale a pena encontrar, ajustam a agenda. Eu fiz isso na última eleição. Nisso, conheci uma pessoa chamada Yuk Sang-woo. Dizia pertencer a algum Centro de Promoção da Saúde da Coreia, mas no começo pensei: “O que é isso, quem é esse charlatão?”
Ele colocou um pedaço de carne na boca como acompanhamento. Jang Jin-woo observava em silêncio Lim Sang-wook, que interrompera a fala por um momento para mastigar a comida. Parecia tentar compreender a intenção por trás daquela história.
— Então me lembrei. Ah! Essa pessoa é aquela de antes. O médico geneticista que pesquisava sobre indutores de manifestação. Eu tinha assumido um caso para ele no passado. Era uma empresa farmacêutica na Suíça chamada Maxona Bio. Esse pesquisador, Yuk Sang-woo, tinha denunciado eles à promotoria dizendo que desenvolviam remédios matando pessoas.
Lim Sang-wook desfez abertamente sua própria declaração feita na auditoria governamental. Yuk Sang-woo. Maxona. Depois de fingir memória vaga, explicava tudo com extrema precisão. E ainda mencionando coisas da época da campanha presidencial, que poderiam ser o seu próprio ponto fraco.
Jang Jin-woo esvaziou em silêncio o seu copo e perguntou:
— Não há problema em contar essa história para mim?
— Qual o problema? O promotor Jang agora é indiscutivelmente meu homem. É preciso conhecer a real relação dos fatos. Na operação Maxona, veja bem, coisas como quem se manifestou como Ômega ou quem morreu não são o importante. Isso é tudo secundário, é preciso ver a floresta. E, dentro dela, é preciso ter uma noção exata de qual é o seu papel e qual foi a sua contribuição para não ser apunhalado pelas costas. Não acha?
Lim Sang-wook sorriu gentilmente e encarou Jang Jin-woo enquanto se reclinava na cadeira de chão. Estava perguntando se ele queria ir mais fundo.
Às vezes, a ignorância dá liberdade às ações. Quanto mais se sabe, mais complexos se tornam os cálculos e surgem momentos em que é preciso encarar verdades incômodas. Especialmente quando se trata dos assuntos do país. Há muito a ganhar e muito a perder.
Por isso, em geral, são os ambiciosos que entram na política. Tendo a ilusão de que jamais perderão, confiam cegamente em si mesmos. Ele fora assim, e seus veteranos também. E o sujeito sentado diante dele não devia ser muito diferente.
— O senhor está coberto de razão. Por favor, continue. Afinal, eu estava curioso. Como começou essa floresta, afinal?
Vendo Jang Jin-woo servir o próprio copo vazio em seguida, como se estivesse apenas esperando por aquilo, Lim Sang-wook deu um sorriso enigmático. A coragem de rebater sem mudar uma única expressão facial realmente o agradava.
⚖ ─── Α · Β · Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello