Capítulo 191
CAPÍTULO 191
— Você parece estar enganado quanto a uma coisa agora. Não vim sob ordens de nenhuma instituição, vim apenas para tratar de um assunto pessoal. Perguntar se vai se entregar é apenas uma última checagem para você mesmo. Porque se tiver a intenção de se entregar e eu te matar, seria um desperdício.
— ……
Um breve silêncio se fez. Os clientes pigarrearam sem necessidade e desviaram o olhar constrangidos, e o homem que trouxera o arroz frito fingiu não ter ouvido e entrou de mansinho para a cozinha.
O diretor Jo soltou um suspiro incrédulo, com um “ha”, e recuou o tronco. Ele apagou o cigarro terminado pressionando-o com força no cinzeiro.
— Esse rato desgraçado… eu fico dando corda e ele fica achando que pode me ferrar, é? Quem é você para dizer que vai me dar um fim, porra? Acha que eu não sei? O ômega que está saindo nas notícias ultimamente… é de você que estão falando, não é? Falando a real, você também não está na merda agora?
— Como a minha vida nunca teve como piorar mesmo, não me importo.
A reação de Marvin, que não piscou um único olho, deixou o humor do diretor Jo ainda mais retorcido.
— Ha, porra. Esse pivete só ganhou petulância. Se você veio até aqui, significa que veio preparado para tudo, não é? Cara folgado do caralho. Mesmo assim, não achei que viria sozinho de verdade. Essa sua coragem eu até reconheço… Khek!
— Chega de conversa.
De repente, com um barulho de estouro, o prato de arroz frito fumegante virou junto com a louça bem em cima da bochecha do diretor Jo. Com o rosto prensado entre a mesa e o prato de arroz frito como um sanduíche, ele se debateu como um pássaro.
— Ah, tá quente, quente, quente…!
Num piscar de olhos, Marvin já estava em cima da mesa. Pressionava as costas dele com o joelho carregado com o peso do corpo, enquanto prendia o rosto e os pontos vitais dele com as mãos. No meio disso, a borda do prato de arroz frito encostada no pescoço pressionava com perfeição até a parte posterior da cabeça do diretor Jo, tornando qualquer contra-ataque difícil.
— Vou perguntar pela última vez. Vai se entregar? Não estou exatamente recomendando.
Marvin realmente não se importava. Se dissesse que não, viera com a intenção de apenas enterrá-lo silenciosamente na terra. Claro que teria que mudar de lugar para fazer isso.
— V-Vou! Eu vou me entregar, khak!
No fim, o diretor Jo levantou a bandeira branca. Mas nem por isso foi solto imediatamente. Marvin tirou o celular que sobressaía do bolso da calça dele. Em seguida, aproximou a tela do rosto dele, meio amassado e pressionado pelo prato de arroz frito, e desbloqueou o aparelho.
Depois disso, Marvin aproximou o celular do rosto do diretor Jo mais algumas vezes, desbloqueando com empenho vários tipos de travas de segurança. Em vez da boca de um humano que não se sabia quando voltaria a trair, uma máquina onde tudo ficava registrado com certeza era muito mais útil. De qualquer forma, mesmo que fosse enviado como prova para a promotoria, só perderiam tempo com perícia forense e coisas do tipo, então era melhor ele mesmo fazer isso de várias formas.
Tendo terminado o que tinha a fazer, Marvin guardou o celular do diretor Jo no próprio bolso e desceu da mesa.
Finalmente livre da pressão, o diretor Jo segurou o tronco enquanto tossia. A bochecha estava vermelha e queimada pelo arroz frito quente. Com uma expressão de quem comeu excremento, ele limpou o arroz e os vegetais grudados e passou um lenço no rosto ardendo. O homem que observava da cozinha aproximou-se estalando a língua e lhe entregou um pano de prato frio.
— [Pensou bem. Dizem que a comida das prisões coreanas hoje em dia até que é boa. Quem sabe? Pode ser que provem sua inocência durante o julgamento.]
— [A promotoria da República da Coreia é uma merda desgraçada, fale algo que faça sentido.]
Rebatendo com irritação, o diretor Jo olhou de relance para Marvin. Embora achasse que ele não tinha como ter entendido, parecia incomodado a ponto de não dar continuidade à conversa.
Marvin continuava de pé em silêncio, de braços cruzados. Diante de uma atitude que parecia a de quem esperava o outro terminar de se preparar, o diretor Jo perguntou com uma expressão de “não me diga que…”:
— O que é isso? Não está dizendo para eu me entregar agora mesmo, está?
— Daqui até o posto policial não demora muito a pé.
— Ha, porra.
Ele mostrou uma reação incrédula, mas Marvin apenas apontou para a porta de saída, transmitindo a intenção de saírem juntos.
O impasse não durou muito. Levantando-se do assento com um suspiro, o diretor Jo colocou mais um cigarro na boca e acendeu o fogo de novo.
— Uff… Deixando bem claro, não estou me entregando por sua causa. De qualquer forma, já estava de saco cheio de viver fugindo. Por um lado e por outro… Porra! Na verdade, nem fui eu que matei o chefe, sabia? Deixa para lá. Não vamos falar disso. De qualquer forma, você vai achar que é tudo conversa fiada mesmo.
Ele soltava a fumaça do cigarro com ar de injustiçado. Contudo, para a sua surpresa, Marvin tomou o seu partido.
— É o que parece.
— Hã?
— Estou dizendo que parece mesmo que te armaram uma cilada. Por que fugiu, afinal? Alguém disse que te daria dinheiro se calasse a boca e sumisse para longe?
— ……
Engolindo a saliva em seco e sem dizer nada, o diretor Jo encarou Marvin fixamente. Sem conseguir confirmar nem negar, ele apenas mascou o cigarro.
— Mas mesmo assim… Por que complicou tanto as coisas? Por causa do diretor Jo, todas as testemunhas que tínhamos preparado foram para o espaço e só fez um monte de gente se ferrar à toa.
Marvin tinha um rosto que realmente o considerava patético. Havia até um pouco de irritação misturada.
O clima estava estranhamente desagradável, mas não vinha nenhuma resposta à mente para rebater.
— Vamos.
Dando os primeiros passos, Marvin seguiu em direção à porta de saída. Então, de repente, mudou de direção e caminhou a passos firmes em direção à mesa de um cliente que estava olhando para eles. O homem, surpreso e de olhos arregalados, baixou disfarçadamente o celular que segurava na mão. Marvin agarrou exatamente esse celular e o arremessou contra o chão.
Pau!
Com um som seco, o aparelho se despedaçou por completo. Pressionando e esmagando o corpo do celular de novo com o sapato, Marvin olhou para o dono do aparelho, que estava estupefato, e disse uma frase:
— A multa costuma ser meio salgada quando se viola o direito de imagem alheio.
Em seguida, olhou de volta para o diretor Jo, como quem dizia para irem embora de uma vez. O diretor Jo, que perdera até a vontade de contestar, moveu-se lentamente atrás de Marvin. Os clientes, cujos movimentos estavam paralisados de forma constrangedora desde há pouco, só puderam respirar aliviados depois que eles saíram e a porta de entrada se fechou completamente.
A preocupação de serem atingidos de graça por uma fagulha durou pouco; assim que a situação terminou, as pessoas pediram bebidas naturalmente. O homem que filmara Marvin com uma coragem fútil olhou para o estado do seu celular estraçalhado e estalou os lábios. O homem da cozinha, sem demonstrar nada, continuou a preparar os petiscos em silêncio.
Era o dia em que mais um conto de bravura se somava ao Yonghogwan.
O diretor Jo só empurrou a porta do posto policial depois de fumar um maço inteiro de cigarros. Enquanto os policiais olhavam pasmados e perguntavam o motivo de sua visita, perceberam sua identidade e o prenderam às pressas. Em seguida, fizeram uma ligação de emergência para algum lugar.
Marvin, que observava de um lugar um pouco afastado o posto policial que se tornara uma agitação, começou a andar lentamente.
A noite já havia caído. Marvin levantou a gola do sobretudo diante do ar frio da noite e atravessou a faixa de pedestres a passos firmes. Estava com os fones de ouvido encaixados. No celular do diretor Jo que segurava na mão, um arquivo de áudio gravado estava sendo reproduzido.
— Até quando quer que eu fique fugindo, porra? Hã? Como vou para a China agora? Se eu for, os parentes do chefe vão me esfolar vivo… Me mande mais 50 milhões de won. O dinheiro acabou todo. Porra, eu também estou de saco cheio. Se você continuar sem entrar em contato assim, eu me entrego de uma vez e pronto… Provas? O que é isso, hã?… Ah, porra.
O diretor Jo parecia estar fazendo um teatro sozinho. A voz do interlocutor não estava gravada em nada. Ele perguntava, respondia e xingava sozinho. No entanto, deduzindo o conteúdo, era evidente que seria uma pista bastante importante.
Ao atravessar a faixa de pedestres, Marvin apressou os passos. Havia enrolado demais. Por enquanto, precisava sair dali. Ele caminhava a passos largos para a frente enquanto manuseava dois celulares com ambas as mãos. Logo guardou o do diretor Jo de volta no bolso e escreveu uma mensagem para Jang Jin-woo no aparelho que segurava na mão direita:
[Estou em Busan.]
[Jo Yang-heon acabou de se entregar no posto policial. Estou enviando um arquivo junto. Parece que a outra parte está usando um aplicativo de bloqueio de gravação, então não sei se é possível restaurar. Deixo o processamento com o promotor.]
[E como acabei expondo meu rosto, pretendo reduzir meu raio de ação por um tempo. Tenho muitas coisas que gostaria de perguntar ao promotor, mas]
Enviar
Marvin escreveu até ali e parou os passos de repente. Olhando fixamente para a caixa de texto que piscava aguardando a próxima digitação, apagou a última frase. A cabeça ainda estava confusa, mas o peito já parecia ter chegado a uma conclusão.
[Tome cuidado.]
Se de qualquer forma não iria cobrar explicações, também não queria colocar acréscimos desnecessários. Afinal, esperava que ele tampouco se tornasse alguém que fizesse longas desculpas e persuasões para si.
“Não temos uma relação tão fútil assim, não é?”
Marvin enviou a mensagem sem remorsos e guardou o celular de volta. Continuou a caminhar a passos pesados. O fato de suas sobrancelhas estarem ligeiramente franzidas desde há pouco era por causa de uma dor de cabeça. O visitante indesejado que havia esquecido por um tempo começava a demonstrar sua presença. Já estava na hora de procurar um lugar para se enfiar.
Para não enfrentar a pior das situações em um lugar estranho, Marvin apressou-se para deixar a cidade.
⚖ ─── Α · Β · Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello