Capítulo 190
CAPÍTULO 190
Depois de dirigir por duas horas e meia e chegar à Estação de Busan, Marvin pegou um táxi. Pediu para ir ao restaurante Yonghogwan, mas o motorista tentou convencê-lo do contrário. Disse que, se fosse para comer jajangmyeon, era melhor ir ao Sinseon Banjeom ou ao Deokhwajang em Haeundae. O Yonghogwan tinha muitos frequentadores perigosos, então não era um lugar onde um visitante de fora pudesse comer com tranquilidade.
Como brigas estouravam com frequência e às vezes até saíam facadas por lá, era perigoso, então perguntou se não preferia mudar o caminho em vez de ir até lá sem necessidade. Marvin perguntou se era gostoso, e o motorista respondeu que, francamente, o sabor era espetacular. Marvin então pediu que apenas o levasse para lá e fingiu não ouvir, fechando os olhos.
— Mas ainda assim vai ser desconfortável…
A preocupação do taxista resmungando sozinho chegou aos seus ouvidos. Logo em seguida, ele continuou com mais uma frase:
— Bem, que é gostoso, isso é.
Os lábios de Marvin, que escutava em silêncio, se curvaram ligeiramente. Depois de ouvi-lo falar tanto assim, deu até curiosidade. Seria bom comer uma tigela antes de ir, mas parecia não ter esse luxo. A situação exigia que reduzisse ainda mais sua exposição em locais públicos.
As notícias falavam sobre ele. Por enquanto, era apenas a presença de um agente de campo vitimado na operação. O que mais chamava a atenção das pessoas era a evaporação astronômica de 2 trilhões e 800 bilhões de won em impostos, e ele devia ser visto como a figura que provava que aquela situação realmente existira.
E quem fora apontado como a mente por trás de tudo isso era o segundo filho do Presidente.
Por quê?
Nesse ponto, Marvin se encontrava empacado. Por mais que olhasse, Hong Kyung-wook era apenas uma peça usada no tabuleiro de xadrez, então o motivo de colocá-lo na linha de frente era estranho.
Já sabia por Jang Jin-woo que as provas contra o chefe de gabinete Lim Sang-wook ainda eram insuficientes, mas… se era assim, não deveriam ter esperado mais?
Sentia que, de alguma forma, Jang Jin-woo estava apressando as coisas. Haveria algum motivo para ter que abrir às pressas a tampa de uma panela que ainda nem tinha terminado de cozinhar?
Marvin ainda não tinha respondido à mensagem dele. Muitos pensamentos vinham à mente, mas não conseguia organizar sua posição.
Ele rompera unilateralmente a promessa que fizera de não expor a Operação Maxona. Sentia perplexidade e, ao mesmo tempo, confusão.
Era difícil julgar. Como a relação com ele não podia mais ser chamada de simples colaboração, não queria tirar conclusões precipitadas sobre nada.
Achou que seria até melhor se meter em uma grande briga física para se sentir um pouco aliviado, e por isso viera a Busan. A violência não precisava de lógica. Independentemente do que ele estivesse aprontando em Seul, ele próprio também precisava encerrar esse exaustivo jogo de pega-pega.
Deixou o julgamento sobre aquele assunto temporariamente em suspenso para depois disso.
Ao descer do táxi, Marvin abriu a porta do restaurante chinês onde se lia “Yonghogwan” e entrou. Lâmpadas fluorescentes de baixa intensidade e janelas velhas cobertas de poeira saltaram aos olhos primeiro. Viu também alguns clientes comendo sentados em mesas vermelhas dispostas espaçadamente.
Na parede, cardápios e autógrafos desbotados de celebridades estavam pregados por toda parte. Não havia nenhum funcionário para cumprimentá-lo ou recebê-lo. Apenas um homem na casa dos 60 anos colocou a cabeça para fora de um espaço que parecia ser a cozinha. O homem mediu Marvin de cima a baixo e disse rispidamente:
— Aqui não aceitamos quem não for cliente habitual. Vá comer em outro lugar.
Ao ouvirem aquilo, alguns clientes que estavam comendo ergueram a cabeça e olharam para cá. O olhar de Marvin também se voltou lentamente para eles. Contou mentalmente: três, dois e um.
Não pareciam todos do mesmo bando. Metade deles parecia ter vindo realmente apenas para comer. Felizmente, o teto estava limpo. Pudera, instalar câmeras de segurança era algo que eles próprios preferiam evitar.
Voltando o rosto novamente para o homem da cozinha, Marvin perguntou:
— Vim para me encontrar com o diretor Jo.
As sobrancelhas grossas do homem se franziram.
— Quem?
— O diretor Jo Yang-heon. Ah, claro que agora ele não é diretor nem nada, deve ser só um resto de lixo qualquer.
— O quê, porra. Agora qualquer porcaria fica me desdenhando.
De repente, a porta de correr que ficava no fundo do restaurante abriu-se de golpe e o diretor Jo surgiu de lá de dentro. Marvin olhou para ele como se achasse inesperado. Era uma aparição mais rápida do que imaginava.
Ele passou arrastando chinelos de borracha bem na frente de Marvin. Cheirava a mofo e sua aparência era deplorável. O diretor Jo, que ocupou uma das mesas encostadas na parede, falou em chinês com o homem que estava na cozinha:
— [Frite um prato de arroz para mim aqui. Estou com fome.]
Em seguida, acendeu um cigarro com uma expressão desanimada. Como se já esperasse até certo ponto que Marvin viria procurá-lo, ele indicou com o queixo o assento à sua frente, convidando-o a se sentar.
— Ultimamente tenho acordado muito de madrugada. Talvez porque cometi muitos crimes, vêm muitos rostos à cabeça. Sinto um pouco de pena de caras de quem nem devia. E também me arrependo pra caralho de algumas coisas.
O diretor Jo, segurando entre os dedos o cigarro do qual subia fumaça, desvirou um pequeno copo de vidro que estava virado para baixo no meio da mesa. Depois, inclinou a chaleira posicionada ao lado. O chá quente pré-infusionado começou a encher o copo com um barulho de jorro fino.
— Entre elas, tem uma coisa de que me arrependo em especial. Aconteceu há cerca de 1 ano. Eu precisei carregar uma mercadoria grande, sabe? Mas um rato desgraçado embarcou junto. Baixei a guarda só porque ele estava sozinho, e o desgraçado, porra, fez um monte de buracos na minha mercadoria e fugiu.
Marvin ouvia a história em silêncio enquanto se aproximava lentamente da mesa onde o diretor Jo estava sentado. Ele continuava a relembrar o passado enquanto dava pequenos goles no chá amarelo:
— Ah… Eu devia ter matado aquele rato naquela época. Por não ter feito isso, o meu prejuízo agora não é brincadeira. Pensando bem, se estou passando por todo esse perrengue é tudo por causa daquele desgraçado. Me arrependo de verdade.
Ele desvirou mais um copo e serviu chá para a parte de Marvin. Gesticulou como quem dizia para beber, mas ele próprio fumava em uma postura torta, com o braço apoiado no encosto da cadeira.
Marvin não se sentou. Ficou apenas de pé, olhando para o diretor Jo por cima com uma expressão um pouco impaciente.
— Seu domínio do coreano é péssimo. Arrependimento é uma palavra usada quando se podia fazer algo, mas não se fez. Deixar de realizar algo que desde o início estava fora da sua capacidade é chamado apenas de lamentável.
Os músculos profundamente marcados entre as sobrancelhas do diretor Jo se contraíram. Ele encarou Marvin com os olhos erguidos em sinal de descontentamento e voltou a colocar o cigarro na boca. Substituindo a resposta pela fumaça tragada que saía por sua boca e nariz, ele tomou um gole de chá.
— Por que veio?
Quando a conversa entrou no assunto principal, só então Marvin puxou a cadeira e se sentou.
— Como me fez dar voltas por Daegu, Incheon e Busan, achei que estivesse escondido em algum lugar incrivelmente difícil de encontrar…
Marvin omitiu as últimas palavras, girando a cabeça para olhar ao redor.
O diretor Jo coçou a orelha com força e fingiu desinteresse. Como era de se esperar, havia um mandado de busca contra ele. Devido a circunstâncias dos poderosos, a polícia parecia não ter feito uma busca lá tão ativa, mas, mesmo assim, a própria pessoa parecia ter passado por maus bocados.
Como ficara com o estigma de traidor naquele submundo, devia haver muitos caras se jogando contra ele com facas na mão. Como viveu como nômade por 7 meses, tanto a família que lhe dava cobertura quanto os subordinados que o escoltavam já haviam desaparecido há tempos.
Ouviu dizer que em Incheon seu esconderijo fora descoberto várias vezes por causa de pessoas que se venderam por alguns trocados, obrigando-o a mudar de paradeiro repetidamente. Vendo que aqui ele vivia mostrando a cara abertamente, parecia que ele próprio já tinha praticamente jogado a toalha.
— Ouvi dizer que ia contrabandear a si mesmo para fora do país, mas isso também não parece ter sido fácil, não é? Ou será que na China tem algo pior do que aqui esperando por você? Espere um pouco, vocês dois aí. Quando a conversa terminar, saiam. Ou peçam mais alguma coisa para comer.
O olhar de Marvin, que estava voltado para o diretor Jo, dirigiu-se de repente para perto da porta. Dois clientes que tentavam sair de mansinho do estabelecimento apanharam um susto. Achavam que ele não estava olhando, mas ficaram com expressões perplexas por terem sido pegos no pulo.
*Cof, cof.*
Eles pigarrearam e se sentaram de novo nos assentos. As pessoas das outras mesas também estavam medindo o clima. Havia sujeitos grandalhões que não pareciam clientes comuns, mas eles não se prontificavam a intervir. Não pareciam ter a menor intenção de tomar o partido de ninguém.
Lendo a atmosfera, o diretor Jo soltou um curto suspiro e tragou o cigarro.
— Que vergonha do caralho. Estou perguntando por que você veio.
— Que tal se entregar?
— ……
Ele olhou para Marvin com uma expressão rígida. Apenas mexia levemente o cigarro que mantinha na boca, sem dar resposta. No entanto, parecia que ele próprio já não tinha deixado de pensar nessa hipótese, pois não teve uma reação de surpresa. Começando a ter cada vez mais pensamentos, ele desviou o olhar de de leve.
Naquele momento, um prato de arroz frito fumegante foi colocado à frente do diretor Jo. Fora trazido pelo homem que saíra da cozinha. Como se estivesse ouvindo a conversa dos dois, o homem olhou para o diretor Jo e disse uma frase:
— [A polícia coreana ainda é melhor do que a segurança pública chinesa. Até quando vai viver assim?]
Ele também parecia torcer sutilmente para que o diretor Jo saísse dali. A relação entre os dois não parecia ser vertical. Como disseram que parentes o esconderam em Daegu também, aqui provavelmente era apenas uma relação de parentesco distante ou de conhecidos.
O diretor Jo hesitou por um momento, sacudiu a cinza do cigarro no cinzeiro e esfregou a barba áspera que crescia no queixo.
— Se eu me entregar, o que tem de bom nisso?
— Sei lá. Isso eu também não sei.
— Porra, o que é isso? Quer que eu me autodestrua sozinho sem me garantir porra nenhuma?
Vendo o diretor Jo se irritar de novo num instante, Marvin franziu a testa. Era um pé no saco. Não tinha a menor intenção de ter esse tipo de consideração com ele, então achou que já estava na hora de encerrar o assunto.
⚖ ─── Α · Β · Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello