Capítulo 187
CAPÍTULO 187
— Agora, para onde você está indo? As suas pendências em Daegu foram resolvidas?
— Não. Deu em nada. Fui ao encontro do diretor Jo Yang-heon, da facção Dongyang, mas ele mudou de paradeiro de novo. Pelo visto, parece que está tentando contrabandear a si mesmo para a China.
— Por que Jo Yang-heon?
— Não temos que pegá-lo?
Kim Marvin enfiou a mão com a qual tocava o queixo de volta no bolso.
Pensava que, fosse chantageando ou obtendo uma confissão, era preciso encontrar o diretor Jo para descobrir a verdade. Afinal de contas, foi a partir dali que a investigação da promotoria começou a se enrolar.
Com a morte de Tae-gwan, o elo decisivo que podia vincular o caso de contrabando do agente de manifestação da Jingang Shipping à SN Bio foi cortado. Talvez por isso a equipe especial tenha sido dissolvida tão facilmente.
Jang Jin-woo também estava em uma posição difícil no momento para fazer algo que desagradasse ao chefe de gabinete Lim Sang-wook. Como a poda de pontas já havia sido concluída sob a mediação dele, se voltasse a demonstrar interesse, era óbvio que levantaria suspeitas desnecessárias.
Por isso, aquilo era algo que ele mesmo devia fazer. Era preciso ter certeza de quem estava controlando a situação a tal ponto, e se por trás disso estava a SN Bio ou o gabinete do chefe de gabinete.
— Quer capturá-lo para entregar ao nosso lado?
— Se ele disser que vai testemunhar direito. Se parecer inútil, eu mesmo dou um jeito nele por conta própria.
Respondeu levemente, mas não era algo que dizia totalmente em tom de brincadeira.
Os caras da facção Dongyang não tinham nada de confiável. Se os colocasse no tribunal sem necessidade, a chance de mudarem de ideia no meio do caminho e causarem confusão era alta. Mais do que isso, fazê-lo cumprir sua parte e eliminá-lo silenciosamente poderia ser mais útil a longo prazo.
— Às vezes, sério… sinto tontura só de pensar por quem fui me apaixonar.
Haha.
Kim Marvin riu alto.
— Se mais tarde der vontade de me enterrar, me prometa que vai me dar uma chance ao menos uma vez. Se tem algo que faço bem é aprender rápido. Juro que não farei de novo o que você pedir para não fazer.
— Imagina. Nem quando o promotor agia de forma consistentemente insuportável comigo eu cheguei a odiá-lo de verdade. O que era um problema ainda maior.
Como se tivesse ouvido algo interessante, ele perguntou de volta imediatamente:
— Que problema?
— Porque eu vivia balançando. Esse também foi o motivo de eu ter decidido que não podia mais ficar ao seu lado. Em vez de ser manipulado toda vez dessa forma, achei que seria melhor seguir sozinho.
O motivo de ter decidido se afastar dele veio à tona como se fosse novidade. Era preciso selar esse sentimento que só traria prejuízo a si mesmo se continuasse crescendo. Caso contrário, parecia que enfrentaria um amor não correspondido avassalador, que iria muito além de uma simples simpatia e interesse.
— Quanto mais falamos do passado, mais eu me sinto insignificante. E me dá ainda mais saudade do Kim Marvin. Se o seu objetivo é me envergonhar e me punir, ouvirei o quanto quiser, mas fique sabendo que, se isso se intensificar, posso ir atrás de você de repente. Ultimamente tenho agido de forma irracional com frequência.
Kim Marvin riu baixinho e baixou o olhar em direção às pontas dos pés.
— Esse tipo de coisa não combina nada com o promotor.
Mas engoliu a frase de que, no fundo, até gostava disso. A honestidade dele, que vinha se destacando desde algum tempo, parecia infinitamente humana.
Um veículo passou levantando poeira pela estrada de terra seca. Ao levantar a cabeça, percebeu que já havia chegado à entrada do restaurante. O estacionamento estava bastante movimentado com as pessoas que vieram de carro até os arredores da cidade. De repente, deu-se conta de que era hora do almoço.
— O senhor precisa almoçar.
— Mais tarde. Agora tenho uma reunião do departamento.
— Ah.
Espertamente, caiu na real ao pensar que estava atrapalhando sem se dar conta. Será que ele se atrasou por minha causa?
— Está tudo bem. Graças a alguém, subi de cargo e vivo sofrendo menos pressão dos outros. Vão achar que tenho outro assunto importante. E na verdade tenho mesmo.
— Vá logo. Eu também preciso me mover agora.
Kim Marvin atravessou o amplo quintal que se estendia à frente do restaurante. Sob o letreiro grande onde se lia “Hyeonrim Chueotang”, havia um imóvel construído como uma casa térrea de dois andares e, ao lado, um anexo separado.
— Se cuide.
— Sim, o promotor também.
Deixando o lamento para trás, Kim Marvin terminou a ligação e vasculhou os arredores. Havia algo que procurava, mas não tinha certeza. No entanto, felizmente, na posição mais à frente estava parado um carro de médio porte com o sinal de táxi particular fixado. Viu um homem na casa dos 50 anos caminhando em direção ao veículo com uma bala de hortelã na boca.
— Motorista, está trabalhando?
— Hã? Para onde vai?
Como se estivesse prestes a usar a hora do almoço para tirar um cochilo, o homem olhou surpreso.
— Cidade de Enseada de (Incheon.
— Incheon? Puxa…
O taxista colocou as mãos na cintura e entrou em um dilema interno por um momento. Era uma distância longa demais…
— Pago 200 mil won em dinheiro, incluindo o pedágio.
— Ah, então vamos sim! Pode subir.
Como se não precisasse pensar mais, o motorista caminhou apressadamente para o banco do condutor. O visitante indesejado que apareceu de repente, sem reserva, transformou-se em um instante em um nobre cliente carregando um maço de dinheiro. Além do pedido para ouvir o noticiário do rádio no caminho, não havia nenhuma outra exigência. O táxi rodou pela estrada não pavimentada e logo entrou na rodovia principal.
Olhando de qualquer jeito, o P morreu. Desde ontem não se movia, como se estivesse dormindo o tempo todo, até que todas as atividades vitais pararam.
Sendo assim, este era o décimo caso de morte no total. Os experimentos apontavam todos para uma única conclusão:
“Se o fator de classe convergir a 0, o indivíduo acabará morrendo.”
Não parecia haver necessidade de matar mais camundongos.
O professor Kim Ju-young se espreguiçou, saiu do laboratório e foi em direção ao café anexado ao alojamento. Pensando que devia trocar os chinelos por causa do frio que subia do chão de cimento gelado, limpou o nariz.
No momento em que passou o crachá para sair, o telefone tocou. Era a pessoa que havia solicitado o estudo. Parecia ter ligado bem a tempo após verificar o parecer enviado por e-mail com um resumo prévio.
— Aqui é Kim Ju-young. Ah, sim. Conseguiu ler?
Continuando a ligação, o professor Kim passou pela porta automática que se abriu sozinha, saiu do prédio e rapidamente voltou para dentro. Estava muito mais frio do que imaginava, então parecia difícil sair sem casaco.
Sem opção, pegou um café em lata quente na máquina de bebidas ao lado da escada do segundo andar. Segurando a lata de café com ambas as mãos, que caíra para baixo com um barulho metálico, prendeu o celular entre o ombro e a orelha.
O cliente do outro lado da linha continuava fazendo perguntas semelhantes, mudando apenas a forma de falar.
— Pois é. Sim, está certo. Como o senhor disse, parece que a deformação ocorreu devido à manifestamfetamina, fazendo com que se desprendesse. Não existem mamíferos sem o fator de classe. Seja 5% ou 10%, é algo que se tem desde o nascimento por padrão, mas se tudo isso desaparecer, entra em morte cerebral e eventualmente todas as atividades vitais são interrompidas. Morte biológica.
O professor Kim abriu a tampa com um clique e tomou um gole da bebida. Não passava de água com açúcar aromatizada com café, mas como estava bebendo apenas para esquentar o corpo, não importava muito.
— Mas, como eu disse antes, o medicamento que me entregou não parece ter reproduzido perfeitamente a teoria do cone. Ou seja, mesmo que esse medicamento tenha sido administrado em humanos, a manifestação vai se desfazer antes que o índice do fator de classe caia totalmente. Não é algo com que se deva preocupar muito.
Ainda assim, possuía um nível de conclusão bastante alto. A durabilidade era várias vezes maior do que o agente de manifestação de curto prazo de estágio 1 conhecido anteriormente, e os camundongos que se transformaram em ômegas mostraram uma capacidade reprodutiva tão avassaladora quanto os outros camundongos que se manifestaram congênitamente. Eles passaram por nada menos que quatro períodos de cio ao longo de mais de um mês antes de morrerem.
— No caso de humanos, no máximo três ou quatro meses? Nesse nível a manifestação deve se desfazer. Sim, é isso. Se estiver durando mais de 1 ano, aí sim seria um agente de manifestação permanente de verdade. Mas algo assim não tem valor de pesquisa. Afinal, mesmo que a manifestação seja permanente, o indivíduo que tomou a medicação vai morrer de qualquer jeito.
O professor Kim arrastou os chinelos de volta para o laboratório.
— A velocidade de desprendimento vai variar de acordo com o indivíduo. Parece que cai cerca de 1 a 2% a cada período de cio. É altamente provável que isso se acelere com o passar do tempo. Quando aumenta a quantidade de fatores de classe flutuando no corpo, os que estavam intocados também têm o hábito de amolecer juntos. Se cair para menos de uns 10%, dá para considerar que a morte ocorre em um ou dois meses.
Caminhando a passos lentos pelo corredor para abrir a porta do laboratório, o professor Kim chamou a pessoa no telefone que de repente ficara silencioso:
— Promotor?
Achando que a ligação tinha caído, olhou para a tela do celular, mas não era o caso. O tempo de chamada ainda estava sendo registrado. Chamou mais uma vez: “Promotor?”, mas não obteve resposta.
Esperou um pouco e conferiu novamente; desta vez a ligação tinha caído de vez. Parecia que a bateria tinha acabado ou ele tinha ido para um lugar onde o sinal não pegava bem. O professor Kim voltou para o laboratório sem pensar muito a respeito.
Entre os olhos de Jang Jin-woo, que segurava o celular estupidamente, o foco oscilou.
O que diabos essa pessoa está dizendo?
“Se cair para menos de uns 10%, dá para considerar que a morte ocorre em um ou dois meses.”
Ele tratava algo que ouvia pela primeira vez como se fosse senso comum, dizendo aquilo de forma tão tranquila.
O fator de classe de Kim Marvin, que já havia chegado a 67%, já tinha caído para 49%. Além disso, o medicamento que entregara ao professor Kim Ju-young era o agente de manifestação de curto prazo de estágio 2 obtido da facção Dongyang. A amostra de Maxona que Kim Marvin tomou não era um falso desses que desfazia a manifestação em três ou quatro meses.
Se, como disse o professor, houver até mesmo uma aceleração na queda dos índices, o tempo restante para Kim Marvin parecia ser de menos de 1 ano agora.
Entendeu com a cabeça, mas não sabia de maneira alguma como deveria absorver aquilo. Queria tratar como uma besteira, mas a existência das vítimas sacrificadas pelo agente de manifestação até agora ecoava em sua cabeça.
Por que diabos tiveram que ir a esse ponto? O que raios era uma manifestação afinal…
Naquele momento, alguém se aproximou por trás de Jang Jin-woo.
— Ah, promotor Jang. Chegou bem na hora. Vou te dar 5 minutos. Não fique enrolando e acabe rápido.
A promotora-chefe Choi Eun-jin, da Promotoria do Distrito Leste, parada em frente à porta onde se lia “Sala de Interrogatório 2”, deu um conselho ao ver Jang Jin-woo imóvel.
Ela estendeu o braço e abriu a porta da sala de interrogatório. Lá dentro estava Hong Kyung-wook, parecendo não ter dormido direito há dias, sentado com uma cara cansada. A promotora Choi Eun-jin olhou para os investigadores atrás dela e disse:
— Antes de entrarmos, o promotor Jang Jin-woo disse que tem algo para perguntar. Vou liberar 5 minutos. Liguem as câmeras da sala de gravação.
Uns três ou quatro investigadores acenaram com a cabeça e entraram na sala de gravação de vídeo logo à frente. Em meio aos preparativos desordenados, Jang Jin-woo caminhou em silêncio para dentro da sala de interrogatório. Ao virar a cabeça, a figura de Hong Kyung-wook entrou em sua visão embaçada.
Um homem beta de feições bastante marcantes. Na cara dele, sentado meio reclinado na cadeira com uma expressão insatisfeita, sobrepunha-se a figura de Kim Do-jin, cujo rosto nem conhecia. E também Ko Hyeong-jun, Lim Sang-wook, Choi Hyeong-il. As formas de todos aqueles que não hesitavam em arruinar a vida de alguém estavam ali.
Um maremoto começou a se formar em seu coração. A onda de raiva que subia cada vez mais alto cobriu as pupilas de Jang Jin-woo. Em seus ouvidos, a voz do professor Kim Ju-young ecoava infinitamente como um eco:
“Não existem mamíferos sem o fator de classe… eventualmente todas as atividades vitais são interrompidas. Morte biológica.”
Morte. Falecimento.
A morte daquela pessoa.
Jang Jin-woo trancou a porta com um clique. Ao ouvir o barulho, Hong Kyung-wook mudou o olhar para a porta de entrada. Foi o momento em que percebeu que a atitude de Jang Jin-woo, aproximando-se dele com um ar significativo, tinha algo de estranho.
— O que é isso, por que está assim? O que está fa… Khek!
Com um soco que veio do nada, a cabeça de Hong Kyung-wook virou bruscamente. Em seguida, a cadeira tombou e ele levou um chute no abdômen.
— Porra, o que é isso! Por que do nada… Khak!
— Opa, opa, o que deu naquele cara?
— Promotor? Promotor!
Diante do repentino ato de violência, bateram à porta assustados do lado de fora, mas era tarde demais. Jang Jin-woo agarrou o colarinho de Hong Kyung-wook caído no chão e desferiu mais um soco.
⚖ ─── Α · Β · Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello