Capítulo 188
CAPÍTULO 188
— Qual é a senha aqui? Abre essa porta rápido!
— Poxa, o que está acontecendo?
— Ei, ei, não vai dar! Traz a chave!
Foi um caos completo. Manter preso um depoente que nem sequer havia sido convertido em suspeito e espancá-lo sem mais nem menos era de enlouquecer qualquer um. O suor frio escorria pelas costas da promotora Choi Eun-jin, que tinha autorizado a visita.
Ela o tinha deixado entrar só porque ele pediu para se encontrarem por um instante. Afinal, não era qualquer um, era o promotor Jang Jin-woo. Mas ela jamais imaginou que ele aprontaria uma besteira absurda dessas.
Um investigador, que buscou a chave na seção de administração às pressas, abriu a porta da sala de interrogatório atabalhoadamente. Todos entraram juntos em bando. Hong Kyung-wook estava rolando pelo chão, e Jang Jin-woo desferia socos nele sem piedade.
— Pare com isso, chega!
— Promotor Jang! Ficou louco? Perdeu o juízo?
As pessoas correram e separaram os dois rapidamente. A promotora Choi Eun-jin gritou com Jang Jin-woo e foi checar o estado de Hong Kyung-wook em seguida.
— Tente se levantar. Está tudo bem?
— Aqui, um lenço!
Sendo amparado para se levantar desajeitadamente, Hong Kyung-wook apalpou o próprio buço com a mão. O sangue escorria sem parar do nariz.
— Caramba… Porra. Nem o meu pai me bateu desse jeito.
Como foi algo que aconteceu de forma tão repentina, ele também ficou bastante chocado. Criara coragem para vir só porque disseram para comparecer pacificamente, prestar depoimento e encerrar o assunto, mas acabou sendo espancado do nada. Se as pessoas não tivessem entrado para separar, seu osso do nariz teria quebrado.
Havia sangue acumulado em sua boca, trazendo um gosto metálico. Hong Kyung-wook esfregou a maçã do rosto dolorida e olhou para cima, encarando o próprio autor daquela situação.
— O nível dos promotores da República da Coreia é uma merda mesmo. Eu vou processar você, sabia? Fez isso preparado para as consequências, não foi?
O olhar gélido caiu sobre ele sem piedade. Jang Jin-woo franziu os olhos para Hong Kyung-wook como se estivesse olhando para algo repugnante.
— Processe. Não me importo.
Hong Kyung-wook abriu a boca sem acreditar em tamanha atitude descarada. Achava que ele não faria se mandasse? Ele resmungou sozinho, tirou o celular do bolso e fez uma ligação para algum lugar. A promotora Choi Eun-jin, que observava ao lado, aproximou-se de Jang Jin-woo com uma expressão frustrada.
— Se isso vazar para fora, é motivo para punição disciplinar. Como pretende resolver isso?
— Não pretendo resolver nada.
Jang Jin-woo dispensou as palavras dela com um tom gélido. Parecia que nem os conselhos da veterana entravam em seus ouvidos. Em seus olhos frios como gelo, uma raiva feroz estava se formando.
— Por que está assim do nada? Tem que haver um motivo, não tem?
Por mais que tivesse agido sem pensar antes ou depois, precisava haver um gatilho. Como ele vinha investigando o caso relacionado há muito tempo, ela pensou que talvez houvesse alguma circunstância desconhecida pelo público.
Contudo, Jang Jin-woo franziu as sobrancelhas e olhou para ela como se perguntasse que motivo haveria.
— Só fiz isso porque, se não o espancasse agora, sinto que acabaria matando ele de verdade mais tarde.
— O quê?
— Porra, o que ele disse?
Hong Kyung-wook, que escutava a conversa dos dois, meteu-se de repente.
— Matar quem? Onde já se viu, um mero promotor… Em que época estamos para ficar espancando os outros assim? O seu rosto vai sair nas notícias e você vai perder a farda! Quer largar o cargo de promotor?
O olhar de Jang Jin-woo se voltou lentamente para ele. Diante dos insultos e ameaças de todo tipo, ele não deu nenhuma resposta. Olhou de forma desprezível como se aquilo não fosse a menor ameaça para si e voltou a falar para a promotora Choi Eun-jin:
— Parece que não há impedimentos para que ele preste depoimento. Podem começar a investigação. Entro em contato mais tarde.
E então, saiu da sala de interrogatório.
— Promotor Jang! Jang Jin-woo!
Não adiantou chamar. Quando o próprio autor da confusão desapareceu, o clima na sala de interrogatório ficou estranhamente constrangedor. Todos trocavam olhares, pensando em como deveriam resolver aquilo.
A promotora Choi Eun-jin soltou um suspiro profundo e resmungou baixinho: “Que desgraçado maluco, sério.” Ao mesmo tempo, olhou para Hong Kyung-wook.
Ele amassou o lenço de papel, tampou a narina e gritava dizendo que chamaria a imprensa. Os braços e pernas estavam intactos, mas ele continuava sentado no chão. Ela pegou ranço dele sem motivo. A vontade era de esquecer o depoimento e pedir a prisão preventiva dele convertendo-o em suspeito imediatamente.
— Sente-se aí. Afinal, nem apanhou tão feio assim.
A promotora Choi Eun-jin se aproximou da mesa e colocou o notebook que carregava debaixo do braço. Ela fez um sinal com os olhos para que os investigadores voltassem aos seus lugares. Hong Kyung-wook fez uma expressão incrédula.
— O que é isso? Agora está defendendo ele só porque é do mesmo cargo? Porra, ainda está doendo aqui. Acho que até alguns dentes estão moles!
— O que tem de mais em um sangramentozinho no nariz? Já fizeram o primeiro socorro, então vai ficar bem. Sente-se aí.
— Não, a pessoa apanhou e o depoimento da testemunha é o problema agora, é?
— E o que você quer que eu faça! Você matou uma pessoa!
Sem aguentar mais, a promotora Choi Eun-jin gritou furiosa. O caso veio das instâncias superiores apontando que era perfeito para ela, mas quanto mais cavava, pior era a gravidade do crime. Ele próprio se esquivou mantendo todas as linhas, mas muitas pessoas ao seu redor morreram.
— Ah, porra. Não estou entendendo nada do que você está falando do nada.
Hong Kyung-wook virou a cabeça, desviando o olhar.
— No dia 10 de maio do ano passado, no quarto suíte do Hotel V1, um aspirante a ator chamado Ryu Seong-won morreu por overdose de agente de manifestação de curto prazo. Disseram que o CEO Hong andou acompanhado dele por um tempo, não foi?
— Eu já devia ter esclarecido tudo sobre isso não ser verdade.
— Para mim não ficou nada esclarecido, então sente-se direito aqui e me explique de novo.
Só então Hong Kyung-wook se levantou do lugar com uma expressão contrariada. Ele se sentou na cadeira de forma desajeitada e puxou pela memória por um instante. Vejamos, como disseram para responder sobre o caso do Ryu Seong-won mesmo?
A bochecha que levou o soco já estava ficando vermelha e inchada.
Jang Jin-woo esterçou o volante mais uma vez. Não sabia nem para onde estava indo. Correndo sem destino, seu carro emitia um som pesado do motor devido às frenagens frequentes e acelerações bruscas. Após dar voltas pelo distrito de Songpa algumas vezes, ele acabou pegando a via expressa Leste e seguiu em direção à província de Gyeonggi.
Seus lábios estavam firmemente fechados. Para não desmoronar diante do pavor que sentia pela primeira vez, esvaziou a mente. Mesmo assim, como se estivesse vivenciando um fenômeno sobrenatural, ouvia o som do ponteiro do relógio fazendo tic-tac em seus ouvidos. Mesmo neste exato momento, o tempo de Kim Marvin estava acabando aos poucos.
Jang Jin-woo deu uma risada de deboche.
Não devia ter virado um mero promotor. Devia ter usado a herança que recebeu para abrir um negócio. Se tivesse ganhado uma quantia astronômica de dinheiro e fosse dono de uma empresa de biotecnologia, teria encontrado uma solução de qualquer jeito.
Ou devia ter ido para a faculdade de medicina? Se tivesse dedicado sua vida à medicina de classe da Coreia e realizado o sonho da manifestação livre que aqueles caras tanto queriam há mais tempo, talvez essa tragédia não tivesse acontecido.
Qualquer coisa teria sido melhor do que a situação de agora.
Qualquer coisa que fosse, melhor do que agora.
*Cantarolar de pneus.*
Pisou no freio bruscamente. Quando caiu em si, tinha parado o carro em um terreno baldio. Nem se lembrava de quando havia entrado na estrada nacional de novo. Achou que não devia continuar dirigindo nesse estado, então abriu a porta de golpe e saiu.
O sangue que fervia ardentemente se esfriou com o ar assustador do inverno. Respirou fundo para acalmar a excitação. Em seguida, tirou um cigarro, colocou na boca e encostou o corpo na porta do motorista. Ao colocar a mão para procurar o isqueiro, esbarrou no celular. Pensando bem, parecia necessário mandar manter o sigilo.
[Por favor, não divulgue para ninguém o conteúdo do que conversamos hoje.]
Depois de enviar a mensagem para o professor Kim Ju-young, procurou o isqueiro e acendeu o cigarro. O fumo queimou com um som de chisco. Jang Jin-woo tragou o cigarro de forma muito profunda e longa, e depois jogou a cabeça para trás, olhando para o céu.
A fumaça se dispersou acima de sua cabeça. Vendo que a direção do vento e do sol havia mudado, mais um dia estava se passando. Todos esses momentos que estava acostumado a deixar fluir agora pareciam valer uma fortuna.
O celular vibrou no bolso.
[Ah, sim. Tudo bem.]
Jang Jin-woo olhou de relance para a resposta do professor Kim Ju-young que apareceu na prévia da tela do celular e voltou a colocar o cigarro na boca. Como já tinha esfriado as emoções superaquecidas, agora era hora de encarar de novo o pavor que havia ignorado.
Era um tipo de medo que nunca tinha vivenciado antes. Do fundo de um abismo profundo e imensurável, todo tipo de cena terrível que jamais gostaria de imaginar começou a surgir. Lá dentro, ele se desesperava e se arrependia sem fim, como um protagonista passando por regressões infinitas. Não sabia que perder alguém era algo tão doloroso.
A ponta do cigarro queimava em um vermelho vivo. Para não ter o mesmo desfecho, precisava encontrar um jeito, mas não era fácil. Algumas coisas já tinham vindo à mente, mas não passavam de desejos.
Calculou as jogadas do adversário e estimou as probabilidades. Se tivesse sorte, talvez conseguisse uma solução. Decidiu não pensar no caso oposto. Aquilo não era uma conclusão do nível que pudesse aguentar.
Naquele momento, sentiu a vibração no bolso mais uma vez. Desta vez era do outro lado. A ligação estava vindo para o pequeno smartphone de 4,7 polegadas que sempre carregava consigo.
Uma hesitação momentânea passou pelo rosto de Jang Jin-woo. Mas, em nenhuma situação, poderia recusar essa chamada. Ele tirou o cigarro da boca e respirou fundo. Em seguida, atendeu a ligação com uma voz normal.
— Sim, é o Jang Jin-woo.
— Eu fico te ligando toda hora, o senhor deve estar incomodado, não é?
Parecia haver algum motivo bom. A voz de Kim Marvin, que parecia especialmente animada hoje, era um alívio e ao mesmo tempo partia seu coração.
— É doloroso. Quando ouço sua voz, fico com vontade de te ver.
Pelo alto-falante, ouviu-se a risada leve de Kim Marvin.
⚖ ─── Α · Β · Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello