Capítulo 186
CAPÍTULO 186
O homem resistia muito. Diferente dos outros, ele chegou a fazer um contra-ataque bem significativo. Marvin amarrou o homem mais uma vez enquanto limpava o sangue que escorria pelo queixo. Se tivesse reagido um pouco mais devagar, a artéria carótida teria sido perfurada.
— Vai com calma aí. Vai acabar cortando meus pulsos.
Mesmo com umas duas costelas quebradas, o homem falou com uma voz bastante inteira. Marvin apertou bem a abraçadeira de nylon que prendia os pulsos dele e depois cobriu os olhos do homem com o pano que deixara pendurado na maçaneta da porta.
— Por causa de coisa que já passou, porra. Para que fazer tudo isso? Não parecia ser a primeira nem a segunda vez que você passava por algo assim.
Como se o campo de visão escurecido estivesse incômodo, o homem balançava a cabeça para lá e para cá. Ao mesmo tempo, a cadeira onde estava sentado balançou com um solavanco. Marvin amarrou silenciosamente a cintura e as pernas do homem na cadeira, e então tirou o celular do bolso. Em seguida, tirou algumas fotos imediatamente. Com o som dos cliques, o homem olhou ao redor.
— O que você está fazendo? Ah, falou que ia tirar foto, então era verdade mesmo. Para onde vai enviar isso? Vamos fazer isso rápido e terminar logo.
Como se alguém já o tivesse avisado, o homem já conhecia o procedimento. Achando que tudo tinha acabado, ele cuspiu um escarro com sangue no chão e até teve a audácia de perguntar se não podia dar um cigarro a ele. Marvin, sem dizer nada, colocou um cigarro na boca dele.
— Não vai me perguntar meu nome? Eu posso te contar tudo.
Como não podia usar as mãos, o homem tragava o cigarro com a boca, soltando fumaça em baforadas.
Não havia mais necessidade de perguntar nomes. Com exceção de Hong Kyung-wook, aquele cara era o último da lista.
Talvez por isso, ele cometeu um erro atípico. Marvin entrou no banheiro, limpou o ferimento no queixo e colocou um curativo descartável. Depois, abriu a ducha do chuveiro para lavar o banheiro inteiro antes de voltar ao depósito onde o homem estava amarrado.
— Poxa, meu cigarro caiu. Coloca outro na minha boca aí.
No entanto, Marvin pisou devagar no cigarro que ele havia deixado cair e o apagou. A essa altura, ele devia ter baixado a guarda o suficiente.
— Mas vem cá, encontrar todo mundo desse jeito só ouvindo um nome? O parceiro é realmente incrível. Me ensina o segredo aí. Para eu aprender também.
— Nunca procurei ninguém só com o nome.
— Então como?
Marvin respondeu enquanto vestia as luvas de couro preto nas mãos novamente:
— Comecei o processo já com a identificação de todos concluída. Pedir para falarem nome por nome era um tipo de verificação. Eu odeio cometer erros.
Terminados os preparativos, Marvin empurrou uma mordaça na boca do homem. Ao pressentir que algo estava prestes a recomeçar, ele se debateu em pânico.
— Por que isso de novo, não tinha acabado? Mmm-mmm…
— É porque preciso de umas fotos do antes e depois focando no rosto. Vão voar alguns dentes, mas vou garantir que você não fique cego. Morda com força.
Puk!
Desferiu um soco imediatamente. O rosto do homem virou para o lado sem piedade. Diante do impacto forte a ponto de fazer o cérebro sacudir, o homem soltou um gemido de dor.
Da boca amordaçada saíam palavras incompreensíveis. Ele se sentia injustiçado. Achava que para todo mundo bastava tirar a foto para acabar, então devia estar se perguntando por que só ele tinha que passar por aquilo mais uma vez.
— O mundo é injusto por natureza. É cheio de coisas incompreensíveis.
Puk!
Com o novo soco que voou, a mordaça que o homem mordia ficou manchada de vermelho. Ele era o próprio indivíduo que, há 7 meses, esfaqueara o abdômen de Marvin para dar tempo de Hong Kyung-wook escapar. Mas Marvin não se deu ao trabalho de trazer essa história à tona. Em vez de uma punição justa, um sorteio injusto seria muito mais doloroso.
Puk!
Colocou bastante força no último golpe. Tirou mais uma foto do nariz quebrado, de onde o sangue escorria sem parar. Em seguida, soltou as mãos do homem e enfiou o celular dele em sua palma. O homem, mesmo soltando gemidos de dor, segurou o aparelho como se fosse uma linha de vida.
— Entre em contato com alguém para te ajudar. Se chamar a ambulância ou a polícia, vai ser desgastante para ambos de novo.
Marvin abriu a porta do depósito e saiu.
Eram 13h. O homem estava escondido em uma oficina mecânica na província de Gyeonggi.
Dentro do alojamento de plantão da oficina, que era praticamente desativada, ele estava prestes a cozinhar um lámen sozinho quando deu de cara com Marvin. Mesmo em meio ao pânico, ele avançou segurando uma faca, então levou um certo tempo para subjugá-lo.
Marvin franziu o cenho diante do sol radiante. A temperatura estava fria, mas o clima permaneceu ensolarado. Marvin caminhou a passos lentos ao longo da estrada secundária onde se estendiam campos desolados. As abas do sobretudo, desajeitadamente desabotoadas por conta da briga, esvoaçavam ao vento. Era um bairro extremamente silencioso, por onde passavam apenas alguns caminhões de carga.
Como caminhava pelo acostamento de uma pista sem calçada, os carros que passavam reduziam a velocidade perto de Marvin. Havia motoristas que o encaravam demoradamente, pensando se ele queria uma carona. A cada vez, ele virava o rosto ligeiramente para fora para não ser capturado pelas câmeras de bordo dos veículos.
Era um clima estranho em que a testa exposta ao sol ficava quente, apesar de sentir nitidamente o frio. Palhas secas estalavam sob seus pés. Embora não conhecesse bem a geografia do local, de acordo com o aplicativo de mapas, havia um restaurante por perto. Marvin estava caminhando em direção a ele.
Na verdade, desde há pouco, ele vinha mexendo em algo com a mão enfiada no bolso do sobretudo. Sempre que surgia um momento vago, conferia se tinha guardado direito e acabava olhando várias vezes para ver se não havia chegado nenhuma mensagem.
“Ele não disse que não havia perigo de escuta?”
Ficou curioso sobre ele, que, embora tivesse perguntado se podia ligar toda vez que sentisse saudade, não dava notícias há dias.
No fim, Marvin tirou o celular do bolso. O tempo estava bonito demais, e calhou de ele usar a desculpa de que os chocolates também haviam acabado.
Tocou no único contato salvo, “Número 1”, e fez a ligação. O sinal não tocou nem poucas vezes e a outra pessoa atendeu imediatamente.
— O que você foi fazer em Gyeonggi?
Jang Jin-woo perguntou isso diretamente, sem nem dizer um olá. Marvin hesitou por um instante, mas logo compreendeu a situação e deu uma risada baixa, soltando o ar.
— Por acaso o senhor não esteve o tempo todo olhando para a minha localização?
Parecia estar sendo rastreado por ele em tempo real.
— Vou responder com sem comentários.
Sem saber se fazia de propósito ou se realmente não queria contar, ele se esquivou sutilmente. Marvin manteve um sorriso suave enquanto olhava para a frente. Conseguia ver o telhado do restaurante de longe. Ainda faltava uma certa distância, mas seu corpo cansado já começava a ganhar energia apenas com a voz dele.
— Achei que o senhor fosse ligar, mas como não ligou…
Caminhando a passos pesados para a frente, confessou primeiro que não havia um motivo em especial para ter ligado.
— Eu me contive de propósito. Toda vez que eu ficava ganancioso, você desaparecia. Agora estou praticando a paciência e a moderação.
Marvin ergueu os cantos da boca mais uma vez e sorriu. Parecia que suas ações anteriores haviam deixado um trauma nele, sem intenção.
— Não foi porque o senhor estava ocupado? A inspeção governamental está fazendo bastante sucesso.
Na inspeção governamental que começara há dois dias, o partido de oposição apresentou matérias de peso considerável. Os contratos de R&D firmados ao longo dos últimos anos entre o Ministério da Saúde e Bem-Estar e a SN Bio estavam sendo desenterrados.
Os ataques direcionados ao chefe de gabinete Lim Sang-wook e os escândalos envolvendo Hong Kyung-wook também ganharam espaço na mídia aos poucos. Entre eles, havia conteúdos que até Marvin escutava pela primeira vez.
— Como juntaram muita coisa, é fácil levantar suspeitas, mas falta o ponto central. Estou esperando que eles mesmos marquem um gol contra.
— Mesmo assim, o chefe de gabinete parecia bastante desconcertado. Jamais imaginei que haveria um ponto de contato com o laboratório da Maxona. É surpreendente. Até onde o senhor conseguiu descobrir?
— No momento, as suspeitas levantadas pelo deputado Son Byung-je são tudo. Como eu disse, por ser um sujeito minucioso, é difícil cavar algo.
Marvin prestou atenção em silêncio. Sentiu que o ponto central do caso continuava nas mãos de Lim Sang-wook.
— Quando soube que o chefe de gabinete tinha sido o responsável pelo caso da denúncia contra a Maxona no passado, pensei que o fio da meada finalmente se desenrolaria. Mas não sei. Olhando a petição de acusação, parece que há 14 anos uma pessoa chamada Yuk Sang-woo fez um contrato de prestação de serviços com o laboratório da Maxona e acabou fazendo uma denúncia contra eles… alegando que houve conduta ilegal no processo de pesquisa. Yuk Sang-woo, você se lembra de quem é?
— É claro. Eu lhe mostrei o cartão de visitas anteriormente. É a pessoa que busquei pessoalmente na Alemanha para a transferência da pesquisa quando executamos a operação Maxona.
Quando aquele nome surgiu no plenário da inspeção governamental, Marvin ficou genuinamente surpreso. O pesquisador Yuk Sang-woo fora a primeira pessoa investigada quando ele e Jang Jin-woo se uniram pela primeira vez para apurar o caso. Achara que era apenas um médico especialista em segundo gênero comum, sem qualquer característica marcante, mas o perigo estava bem debaixo do nariz.
— Significa que perdemos aquela oportunidade naquela época. Agora o paradeiro dele é incerto. Estamos procurando, mas não está fácil.
— Encontrar pessoas de forma legal é difícil por natureza. Eu faço isso. Me envie as informações pessoais que o senhor tem.
Jang Jin-woo pareceu pensar por um instante, mas aceitou sem recusar. Ambos sabiam, sem precisar dizer, que não era momento para escolher meios.
Em pouco tempo, o caminho para a entrada do restaurante ficou visível. Era uma estrada não pavimentada derivada da rodovia secundária. Ladeando os colmos de capim-estrela que cresciam ao longo do campo vazio, Marvin caminhou com passos firmes.
— Como está o seu corpo?
— Estou bem. Não sinto nada.
Marvin respondeu com uma voz serena enquanto mexia no curativo descartável colado sob o queixo.
— Ouvir dizer que vem um heat forte para um ômega cuja marcação acabou, você sabe disso?
— Sim. Como o período de cio recomeça, ouvi dizer que até mesmo os inibidores podem não funcionar direito nessa hora.
Explicando com a própria boca, parecia que devia começar a se preparar aos poucos. O plano não era grande coisa. Apenas pretendia suportar. Por via das dúvidas, roubaria inibidores do Hotel Daekyung, mas não tinha grandes expectativas. Estava até preparado para se esconder em um quarto de hospedaria isolado e passar alguns dias.
— Assim que os sinais começarem a aparecer, me ligue imediatamente. Eu vou até onde você estiver.
No entanto, agora a situação mudou. Uma vez que decidira não recusar a boa vontade dele, não haveria necessidade de suportar tudo sozinho, haveria? Tinha em mãos um analgésico poderoso que nem se comparava a remédios.
Se realmente não tivesse jeito, bastaria os dois se esconderem juntos em um quarto de hospedaria.
— Sim.
Diante da atitude de Marvin ao aceitar prontamente, ouviu-se uma respiração satisfeita do outro lado da linha.
⚖ ─── Α · Β · Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello