Capítulo 179
CAPÍTULO 179
Apoiando o queixo na mão enquanto escutava em silêncio, Jang Jin-woo direcionou o olhar para Go Hyung-joon.
— Eliminar Kim Do-jin?
Como se ele tivesse acertado a resposta, Go Hyung-joon assentiu com a cabeça e bateu duas palmas. 1 ponto para o nosso promotor.
— A morte de Kim Do-jin não foi por causa de um desentendimento com Hong Kyung-wook?
— É verdade que a gente montou o palco para parecer isso, mas não. Quem ordenou a eliminação de Kim Do-jin foi a Secretaria da Presidência.
Jang Jin-woo franziu o cenho. Era tudo novidade para ele. O que sabia sobre o paradeiro do dia do incidente da Maxona limitava-se ao que ouvira de Marvin há muito tempo — e, mesmo assim, boa parte fora encurtada devido ao trauma ativado da própria vítima.
Para começo de conversa, havia muitos pontos envoltos em mistério sobre a morte de Kim Do-jin. Em relação à causa que levara Marvin a ingerir o reagente de proliferação, ele também tinha apenas suposições parciais; era a primeira vez que ouvia isso diretamente da boca de alguém.
O fato de Go Hyung-joon saber disso desde o início devia-se a uma missão de extrema importância dada pelo idealizador, e o motivo de estar desembuchando essa verdade agora devia ser por ter se desentendido com esse mesmo idealizador.
No fim das contas, Im Sang-wook estava por trás de tudo mesmo?
— Quem mandou trazer o agente dopado vivo também foi a Secretaria da Presidência. Como precisavam ver o prognóstico para saber a intensidade do efeito, não havia necessidade de matá-lo. Naquele dia, o agente perdeu a consciência várias vezes e, toda vez que acordava, ficava me pedindo para meter nele, sabe? Acho que o heat dele demorava um pouco para vir. Se o Kim Do-jin tivesse esperado só mais um pouquinho antes de abaixar as calças, talvez tivesse conseguido. Enfim, cara afobado é foda…
— Chega. Por que mandaram matar o Kim Do-jin? Se era para queima de arquivo, não teria sido tarde se fizessem isso depois que tudo estivesse resolvido? Por terem matado ele antes da hora, acabaram perdendo o paradeiro da amostra, não foi?
Jang Jin-woo cortou a fala dele, demonstrando não querer ouvir detalhes irrelevantes.
— Pois é. Nem eu sei o porquê. É só perguntar diretamente. Vocês dois não são próximos do Chefe da Secretaria da Presidência?
Go Hyung-joon provocou-o com um deboche velado, tentando sondá-lo. Contudo, Jang Jin-woo parecia não dar ouvidos a isso, buscando apenas confirmar o ponto que havia compreendido:
— Então, resumindo: o senhor Go Hyung-joon era um homem da Secretaria da Presidência desde o início. Aproximou-se de Hong Kyung-wook, vazou a conversa sobre o reagente de proliferação permanente e sugeriu roubar a amostra durante a operação para induzir a intervenção dele. Só que Hong Kyung-wook não fazia a menor ideia de que estava sendo usado? E isso continua no presente?
— Provavelmente. Aquele sujeito não é lá muito inteligente. Ovi dizer que anda se escondendo e tremendo de medo ultimamente. Deve ter levado uma bronca do caralho do papai.
Go Hyung-joon riu sozinho, como se a cena fosse óbvia sem nem precisar ver.
Jang Jin-woo mergulhou em seus pensamentos por um momento.
O filho do Presidente.
Era exatamente essa parte que ele não conseguia entender desde antes. De qualquer forma, a Secretaria da Presidência trabalhava para o Presidente, e Hong Kyung-wook era filho dele. Se a Secretaria havia projetado o incidente da Maxona desde o início, não havia razão para envolver o filho do Presidente. Qual seria o contexto para terem inserido Hong Kyung-wook nessa operação, mesmo assumindo um risco interno?
— Quando mandaram você se aproximar de Hong Kyung-wook, qual foi a condição oferecida pela Secretaria da Presidência?
— O reagente de proliferação permanente. Disseram que me deixariam produzi-lo diretamente se fizéssemos um trabalho juntos.
— E quando soube que isso envolvia o filho do VIP, também não perguntou o motivo?
— Não era da minha conta.
Go Hyung-joon deu de ombros. Em seguida, ainda de pernas cruzadas, encostou o corpo no encosto do sofá, olhou para o alto e continuou:
— Bom, deixei para lá achando que devia haver algum motivo político, complexo e variado que eu desconhecia. Eu não me importo com esse tipo de coisa. Só queria fazer a pesquisa do reagente de proliferação mesmo. Mas quando abri a tampa para ver, era uma farsa total.
Ele contorceu os lábios e estalou a língua com um som de tsc.
Pensando bem, nunca tinha ouvido nada sobre os resultados da pesquisa. Chegara a se perguntar se valia a pena queimar trilhões em impostos para isso, mas, a julgar pela reação dele, parecia que realmente não valia.
— Quer dizer que não havia nenhum conteúdo relevante?
— Não é bem isso; é que o esquema fornecido tinha furos. Criar o reagente de proliferação permanente exige reproduzir infinitamente uma sequência de bases específicas que leva à manifestação, mas não importava o quanto a gente tentasse, não dava certo. Mesmo que ocorresse a manifestação, os sintomas desapareciam logo ou dava uma sobrecarga que as cobaias dos testes clínicos não aguentavam.
Compreensível.
Jang Jin-woo assentiu com a cabeça, convencido.
— Por isso tentaram encontrar a amostra para cloná-la?
— Não. Isso é impossível. Não dá para clonar a sequência de bases do fator genético. Esse já é um nível de tecnologia para criar clones humanos.
Go Hyung-joon coçou o pescoço com uma expressão amarga. Em seguida, olhou para o teto com um olhar que parecia quase nostálgico, como alguém que ainda aguarda um desejo não realizado.
— O que a gente queria saber eram as condições que levam à manifestação. Ou seja, se o resultado final precisasse ser 50, por exemplo, para chegar lá existe tanto 49 mais 1 quanto 25 multiplicado por 2. A ideia era encontrar essas combinações infinitamente e transformar em um produto. Só que nos esquemas de pesquisa que a Maxona entregou, as fórmulas estavam todas sutilmente erradas. Puta que pariu, isso foi no nível do governo sul-coreano levar um golpe.
Seu olhar, que estava voltado para o alto, retornou lentamente para Jang Jin-woo. Ele continuou com uma expressão de quem mostrava que a parte que o outro queria saber estava justamente ali:
— Por causa disso, acabamos sentindo falta da amostra mais tarde. A gente precisava analisar um caso de sucesso. Mesmo não dando para copiar fielmente, pelo menos daria para obter dicas do que tínhamos deixado passar. Eu tentei desviar a amostra antes que fosse parar na boca do Hong Kyung-wook. Foi por isso que fiquei bajulando aquele sujeito até o fim.
Mas, no fim das contas, todas as amostras restantes acabaram indo parar nas mãos da Secretaria da Presidência.
— Caralho, mesmo que as coisas tenham se desgraçado desse jeito… Se me tirassem com uma suspensão condicional da pena e me deixassem continuar a pesquisa, eu ia calar a boca e viver mansinho. Em prol do avanço da medicina genética do nosso país. Mas eles me traíram dessa forma.
A raiva reprimida parecia estar vazando de novo, fazendo o rosto de Go Hyung-joon se contorcer. Sentia-se indignado por ter levado uma rasteira de quem confiava.
Ele não tinha o menor remorso pelos crimes que cometera. Se surgisse uma oportunidade, era do tipo que repetiria exatamente as mesmas atrocidades. Pensando bem, embora o tivessem prendido primeiro pressionados pelas circunstâncias, no fim acabou sendo o melhor a se fazer. Go Hyung-joon estava completamente louco pelo desenvolvimento do reagente de proliferação permanente, a ponto de ser óbvio que continuaria aprontando se estivesse solto.
Jang Jin-woo levantou-se do sofá. O relógio já marcava 11h40. Ele caminhou devagar até a janela.
— Então por que não desembuchou tudo desde o começo? Parece que não teve coragem de virar a mesa sozinho, né?
Afastou um pouco a cortina e olhou para fora. Viu um veículo familiar estacionado na entrada. Parecia que o investigador Kim Ho-seok já havia chegado.
— Sinceramente, eu achei que o promotor fosse fazer alguma coisa. Ficava investigando a vida do nosso agente pelas costas, agia como se fosse fazer um escândalo enorme de mãos dadas com ele…
Go Hyung-joon, ainda sentado de pernas cruzadas no sofá, soltou as palavras sem hesitar.
Dava a entender que esperava que o promotor resolvesse o problema por conta própria, sem que ele precisasse se expor. Naquele cenário onde tudo se conectava desde a SN Bio até a Casa Azul, devia achar que não passava de um peixe pequeno.
— Se ia ser assim, para que criaram aquela equipe de investigação especial? Ficaram fuçando por cima com uma investigação mequetrefe e depois encerraram tudo. E ainda dizem que nem dá para indiciar de novo pelo mesmo caso. Levei uma rasteira das grandes, isso sim. E depois disso acabou promovido sozinho, né? Esse estilo do promotor é o tipo que eu mais odeio. É o próprio protótipo da promotoria sul-coreana.
Jang Jin-woo deu um riso abafado. A atitude dele de falar mal na cara do próprio sujeito estava ultrapassando o absurdo e chegando a parecer quase revigorante.
— Fica só fazendo pose o tempo todo. O nosso agente também deixava na cara que gostava do promotor. Nem precisa dizer: com certeza comeu ele algumas vezes e jogou fora, né? Que dó do caralho. O que ele anda fazendo agora? Deve estar puto da vida com o Hong, né? Eu sabia que aquele desgraçado ia fazer merda. Naquele dia, o Hong Kyung-wook também me chamou para ir ao hotel. Mas eu não fui. Eu não queria fazer aquilo com o nosso agente.
O olhar de Jang Jin-woo fixou-se de forma inclinada e severa sobre Go Hyung-joon, que não parava de tagarelar.
— Mas por que você está usando esse tipo de tratamento desde mais cedo?
— O quê? O problema é meu.
Go Hyung-joon retrucou sem se deixar intimidar.
— Eu gosto do agente como pessoa. Puta que pariu, o cara tem uma garra do caralho, é cheio de moral. É estiloso. É meio que… o tipo que dá vontade de deitar na mesa e dissectar para ver como é por dentro.
— …
Achei melhor parar por aqui, pensou Jang Jin-woo. Ele tirou a mão da cortina que havia puxado e colocou o sobretudo que havia tirado sobre o braço. Não havia necessidade de continuar conversando com um psicopata.
— Se já disse tudo o que tinha para dizer, vamos encerrar por aqui. Pelo que ouvi, nem parece grande coisa.
— Isso não é grande coisa?! Não, promotor. Por acaso o senhor acha que vai dar para viver em paz para sempre com a Casa Azul? Nunca se sabe quando as coisas vão azedar, então devia aproveitar oportunidades como esta para juntar boas informações!
Surpreso com a interrupção repentina, Go Hyung-joon levantou-se num pulo do sofá.
— A Coreia do Sul adota o princípio do julgamento baseado em provas. Se não houver material para comprovar, não passa de conversa fiada. Bom, ouvir a história até que foi divertido.
— Não, mas eu sou a testemunha! A Secretaria da Presidência até arrumou um emprego de fachada para mim na SN Bio, sabia?! Eu vi com meus próprios olhos eles fazendo maracutaia juntos e desviando dinheiro público!
— Tem alguma gravação?
— Não, mas eu ouvi!
Jang Jin-woo soltou uma risadinha debochada, como se estivesse ouvindo a coisa mais ingênua do mundo. Em seguida, caminhou a passos firmes em direção à porta.
Eita, porra. O que é isso?
Diante de uma reação diferente da esperada, a aflição stamped-se no rosto de Go Hyung-joon.
— Quer dizer que você está do mesmo lado da Secretaria da Presidência afinal de contas? Ou por acaso o promotor também vai se candidatar a algum cargo?
Quando Jang Jin-woo tentou segurar a maçaneta sem responder, Go Hyung-joon colou rapidamente na porta para bloquear a passagem.
— Não, se ia embora assim, para que veio me visitar?! Veio só para me fazer de bobo mesmo? Porra, se ouviu a história, não devia pelo menos pagar pelo preço antes de ir embora?!
Olhando com desdém para o rosto dele, que alternava entre o absurdo e a ansiedade, Jang Jin-woo abriu a boca como se não tivesse outro jeito:
— Daqui a uma semana é a auditoria parlamentar, então a oposição pode demonstrar interesse. Se estiver tão desesperado assim, ligue para a sede do Partido Democrático Social e peça para conectar com qualquer assessor de deputado da Comissão de Administração da Assembleia Nacional. Se eles se interessarem, virão te visitar.
Diante daquela informação entregue como quem dá uma esmola, Go Hyung-joon arregalou os olhos e pediu mais detalhes:
— Comissão de Administração da Assembleia Nacional? Okey. E depois? O que acontece se a história sair na auditoria parlamentar?
— Se chamar a atenção lá, vira pauta. E virando pauta, pensando nas eleições, a oposição vai fazer uma denúncia formal à promotoria. Aí a gente analisa e, se houver elementos para indiciar, a gente intervém.
Em outras palavras: observariam a situação primeiro para só então decidir se pegariam o caso ou não. Todo aquele papo de princípio do julgamento baseado em provas era pura desculpa. No fim das contas, não passava de esperar o momento conveniente para eles próprios.
O olhar de Go Hyung-joon foi se estreitando aos poucos até que, de repente, ele soltou um suspiro de compreensão:
— Uau… Puta que pariu. Eu não sou de me achar inferior a ninguém em inteligência, mas a malandragem da promotoria sul-coreana eu realmente não consigo acompanhar. Entendi. Então veio me procurar só para dar uma sondada desse jeito. Impressionante, impressionante mesmo.
Ele bateu palmas com deboche. Jang Jin-woo fez um gesto com a mão com uma expressão indiferente, mandando-o sair da frente da porta. Contudo, Go Hyung-joon abriu os braços de vez, bloqueando a passagem.
— …É o que o senhor achava que eu ia dizer, né?
Diante da mudança repentina de atitude dele, Jang Jin-woo também franziu o cenho por um instante. Go Hyung-joon deu um sorriso de canto.
— O promotor tem outras segundas intenções, não é? Finge que não está nem aí, diz para eu ir atrás da oposição, mas na verdade veio porque está preocupado pra caralho com isso, não é? Não é verdade?
O olhar penetrante de Go Hyung-joon fuzilava-o. Mantendo o rosto tenso como se não quisesse perder uma única expressão de Jang Jin-woo, ele continuou a provocação:
— Dá para enganar os velhos da Casa Azul, mas os meus olhos não engana. De que lado o promotor realmente está? Qual é o seu objetivo? Que tipo de maracutaia você está planejando?
Ele colou as costas na porta e não se mexeu nem um milímetro, deixando claro que não sairia dali até ouvir uma resposta. Jang Jin-woo, que observava em silêncio Go Hyung-joon demonstrar uma determinação inabalável, baixou a cabeça. E abaixou o tom de voz ao máximo:
— É por não saber disso até agora que você está preso aqui.
Como se dissesse “se entendeu, saia da frente”, Jang Jin-woo estendeu o braço longo e bateu na porta que Go Hyung-joon cobria. Em seguida, o carcereiro que aguardava no corredor abriu a porta pelo lado de fora e entrou. Com a abertura brusca, o corpo de Go Hyung-joon inclinou-se para trás.
— Terminaram?
— Sim. Pode algemá-lo novamente e levá-lo.
Jang Jin-woo passou pelos dois e caminhou na direção da saída. Vestiu o sobretudo que trazia no braço e levantou o colarinho.
“Ah, puta que pariu. Pensando bem, é verdade.”
Ouvindo o monólogo murmurado por Go Hyung-joon às suas costas, Jang Jin-woo deu um riso abafado.
⚖ ─── Α · Β · Ω ─── ⚖
Continua….
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello