Capítulo 178
CAPÍTULO 178
A porta com a placa “Sala de Recepção do Diretor” se abriu com um ranger. Junto com a voz do carcereiro dizendo para não enrolar e ir logo, um detento deu as caras. Quando a pessoa que olhava pela janela dentro da sala se virou para eles, o detento desatou a reclamar como se estivesse apenas esperando por isso:
— Ah, promotor. Sério, não dá mais para ficar aqui. Troca todas as minhas roupas íntimas por novas, faz favor. Eu sou muito sensível com higiene. Esse sabonete também não limpa porra nenhuma. É só uma pedra, uma pedra! Não, mas onde já se viu os direitos humanos estarem no fundo do poço em pleno século 21? A Coreia do Sul tem um longo caminho pela frente, sério.
Dizendo isso, ele colocou o pulso algemado bruscamente debaixo do nariz do carcereiro. O carcereiro, com uma expressão relutante, olhou de relance para Jang Jin-woo, que estava parado perto da janela, e soltou as algemas.
— O diretor disse que seria complicado se o senhor ficasse muito tempo, então pediu para terminar o mais rápido possível.
Somente após confirmar a reação de Jang Jin-woo, que concordara com um leve aceno de cabeça, o carcereiro fechou a porta e saiu. Ficando a sós, o detento sentou-se no sofá do jeito que bem entendeu. Em seguida, esfregou os olhos como se estivesse exausto e jogou a cabeça para trás, largando-se todo.
— Puta que pariu, que grande merda.
A atitude debochada desapareceu sem deixar vestígios e, de repente, palavras rudes saltaram de sua boca. Jang Jin-woo observava em silêncio o detento Go Hyung-joon, que estava espalhado no sofá. Parece que tinha passado por maus pedaços, pois seu estado não parecia nada bom.
— Veio fazer o quê? Veio assistir de camarote a minha seca até a morte?
Go Hyung-joon expressou sua insatisfação de olhos fechados. Os botões do uniforme presidiário com o número de identificação “Seul-Ra 910” já estavam desabotoados de forma desleixada. Os calçados de borracha, que estavam meio calçados em seus pés que chutavam a parte inferior do sofá, também já tinham voado para algum lugar. Se fosse numa sala de visitas oficial, jamais ousaria sonhar com isso, mas como não havia ninguém vendo, estava escancarando o foda-se.
— Quando era para bancar o paladino da justiça ficava daquele jeito… Ha, a promotoria é sempre a mesma coisa.
Ele resmungava de propósito para que o outro ouvisse. Mesmo assim, como não vinha resposta alguma de Jang Jin-woo, ele entreabriu os olhos e virou o pescoço na direção da janela. Ao ver a aparência impecavelmente vestida dele, soltou um bufo desdenhoso pelo nariz.
— Parece que as coisas andam indo bem para o seu lado ultimamente, né? Esse relógio aí não é caro? Por acaso arrumou um patrocinador? Não, poxa, para o promotor seria o oposto, né. Quem o senhor está patrocinando para usar até a sala privada do diretor da casa de custódia desse jeito? Se estiver sobrando dinheiro, coloca uma grana no meu fundo de reserva. Para eu pedir um frango frito para comer.
Go Hyung-joon colocou o pé encardido de sujeira preta bem em cima da mesa de centro do sofá e começou a mexer os dedos do pé. Contudo, Jang Jin-woo permanecia em silêncio.
— Porra. Tinha que ter alguma reação para ter graça arrumar briga, pelo menos.
Go Hyung-joon virou a cabeça bruscamente, mexendo o queixo para lá e para cá com cara de poucos amigos. Quando ele calou a boca, a sala de recepção ficou em silêncio. Ouvia-se apenas o som do ponteiro dos segundos do relógio analógico pendurado na parede. Jang Jin-woo encostou as costas no batente da janela, cruzou os braços e o observou com atenção.
De fato, parecia ter vindo no momento certo. Embora fingisse estar calmo, a forma de falar de Go Hyung-joon já transparecia ansiedade.
Ele estava tenso. Estava louco para saber por que o promotor viera procurá-lo, se por acaso ainda restava a menor chance de se safar, mas fingia ser durão de propósito para esconder a expressão.
Por mais inteligente que um sujeito seja, quando a situação fica preta, não tem jeito. O estado de espírito de um réu não julgado a dois dias da data da sentença em segunda instância jamais conseguiria ser racional.
— Ficando aqui dá uma vontade do caralho dessas coisas. Itens de uso pessoal, sexo, esse tipo de coisa. Bebida eu nunca gostei muito, então nem penso. Tenho uma vontade desgraçada de comer comida bem condimentada também. Ah, é mesmo. Não pode me dar uma xícara de café? Um negócio desses também é raro pra caralho.
Para esconder suas verdadeiras intenções, ele ficava cada vez mais falante. Jang Jin-woo deu um sorriso fraco ao ver Go Hyung-joon demonstrar exatamente o estado que ele havia diagnosticado.
Ele indicou com o queixo o balcão de apoio preparado ao lado da porta. Ali havia opções simples como café solúvel, chá de cidra e chá-verde. Era um sinal para ele próprio preparar e tomar.
Go Hyung-joon procurou pelos sapatos de borracha, calçou-os pela metade amassando os calcanhares e caminhou a passos pesados até o balcão. Vendo que havia até uma chaleira elétrica, parecia ser para uso dos visitantes. Mexendo de um lado para o outro no balcão, encontrou um sachê de café coado num canto. Como aquilo fazia mais o seu estilo, despejou água mineral na chaleira imediatamente e colocou para ferver.
Go Hyung-joon era o único resultado da equipe de investigação especial desmantelada há três meses. Na qualidade de pesquisador sênior da SN Bio, ele fora indiciado pela promotoria junto com a empresa sob a acusação de ter desviado os principais componentes do gel DAP20 para fabricar e distribuir reagentes de proliferação ilegais.
Nesse processo, a SN Bio se safou apenas com uma multa de cerca de 20 milhões de won por indiciamento sumário pela responsabilidade de gestão desleixada, e Go Hyung-joon sozinho acabou envolvido até no caso da morte de Park Joo-sung, sendo condenado a um total de 13 anos de prisão em primeira instância.
Chocado, ele obviamente recorreu. O estopim fora confiar nas palavras do advogado, que dissera que seria melhor ficar na Coreia do que ser extraditado e responder perante um tribunal federal americano por conta do que aprontara nos Estados Unidos.
O advogado fora indicado por Hong Kyung-wook. Prometera que conseguiria uma pena inferior a três anos, mas o resultado fora desastroso. Percebendo tardiamente que levara uma rasteira, Go Hyung-joon contratou um grande escritório de advocacia com seu próprio dinheiro.
No entanto, como já era difícil retratar o conteúdo do depoimento prestado em primeira instância, a direção da defesa na segunda instância não pôde mudar muito. Para piorar a situação, até a equipe de investigação especial fora desmantelada para manter o direito de acusação, restando apenas o promotor-adjunto Shin Chang-ik.
A Coreia do Sul mudava de pauta muito rápido. Restando apenas como réu de um caso ao qual ninguém mais prestava atenção, já se vão sete meses de vida na casa de custódia. Julgando não ter mais nada a perder, Go Hyung-joon começou a abrir a boca que mantivera fechada, dizendo que revelaria tudo sobre o filho do presidente.
Mas o timing falhou mais uma vez. Curiosamente, por volta daquela época, vários escândalos envolvendo Hong Kyung-wook começaram a estourar no ambiente externo. Diante da enxurrada de informações, o distrito financeiro de Yeouido virou de cabeça para baixo, e nenhum jornalista se deu ao trabalho de ir até a Casa de Custódia de Seul. Nesse meio-tempo, a promotoria pediu a mesma pena de 13 anos de primeira instância contra o isolado Go Hyung-joon.
E hoje, a dois dias da sentença, Jang Jin-woo, que fora o promotor principal da equipe de investigação especial, veio procurá-lo.
Taq.
O interruptor da chaleira elétrica que fervia desarmou. Em seguida, ouviu-se o som da água sendo despejada aos poucos. O cheiro amargo de café coado barato espalhou-se suavemente pela sala de recepção enquanto a caneca começava a encher.
Go Hyung-joon despejava a água com paciência. Controlando a quantidade devagar e coando o café com capricho, ele de repente colocou a chaleira com força na mesa, fazendo barulho, e soltou um xingamento:
— Ah, puta que pariu. Mofo!
Parecia que a data de validade do café coado que encontrara no canto já tinha passado há muito tempo. Com uma expressão de quem estava morrendo de raiva, Go Hyung-joon começou a xingar o diretor da prisão. Logo em seguida, xingou o carcereiro sem hesitar. Ficou bufando sozinho perguntando por que nem isso gerenciavam direito e, no fim das contas, xingou a promotoria e o tribunal que o prenderam, além da empresa e de Hong Kyung-wook que lhe deram uma rasteira.
Seu gatilho fora acionado. Sem conseguir conter a raiva que explodira de vez, ele dava pulinhos no mesmo lugar e chegou a dar um soco no sofá. Então, como se não aguentasse mais esperar, encarou Jang Jin-woo com o rosto empoado de vermelho.
— Porra, não fica só olhando assim e me fala um jeito. O que eu tenho que fazer?
Jang Jin-woo inclinou a cabeça para o lado com uma expressão de quem não estava entendendo do que se tratava.
— O que eu tenho que fazer para conseguir diminuição da pena na segunda instância e sair em liberdade condicional?! Ah, porra. Você sabe de tudo, não fica brincando com a minha cara!
Go Hyung-joon despejou sua raiva em Jang Jin-woo com uma expressão de quem estava prestes a enlouquecer de tanta frustração. Mesmo esbravejando sozinho, bufava e ofegava como se estivesse morrendo de indignação por as coisas terem chegado àquele ponto.
Jang Jin-woo soltou uma frase com uma expressão de lamento, como se não tivesse nada em especial para ajudar:
— Não existe esse negócio de jeito para diminuir a pena. A audiência de encerramento já acabou, como é que vai reduzir a pena? E bom, nós também não inventamos uma culpa que não existe para te indiciar. Tem que pagar pelo crime.
— Então porra, por que só eu tenho que pagar?! Se é para morder e despedaçar, vamos morder e despedaçar todo mundo junto!
Go Hyung-joon continuou aumentando o tom de voz.
— O senhor também deve ter um motivo para ter vindo me procurar escondido assim, não é? Por acaso a gente está num namoro secreto agora? Veio porque tem algo que quer ouvir, não foi?!
Hmm.
Jang Jin-woo puxou o ar profundamente e endireitou a parte superior do corpo que estava curvada. Caminhou até ele como se dissesse que, já que era um pedido tão grande assim, escutaria a história uma vez. Ele manteve as mãos metidas nos bolsos, sentou-se em silêncio no sofá e encarou Go Hyung-joon.
— Fala. A história da sua injustiça.
Logo em seguida, acrescentou mais uma frase:
— Chega de falar comigo de forma informal.
Sentindo uma pressão velada no olhar seco dele, Go Hyung-joon contorceu os lábios.
— Não, mas quando foi que eu falei informal… Haah… É que fico com tanta raiva que acabo falando assim.
Promotooor.
Dando um puxão de leve na pronúncia no final da palavra para reforçar o tratamento, ele esfriou a raiva por um momento. Ao mesmo tempo, soltou um longo suspiro com uma expressão sufocada.
— É, bom. Okey. Se não der para diminuir a pena na segunda instância, o jeito é ir para a Suprema Corte. Beleza, porra. Na Coreia do Sul tudo é na terceira tentativa mesmo. Mas só eu não posso morrer desse jeito, né?
— E quem mais você quer que morra junto?
— O Hong Kyung-wook! Aquele filho da puta. Não tem um pingo de gratidão.
Go Hyung-joon, que tremia com os punhos fechados, enfureceu-se ao pronunciar o nome do seu inimigo. Como o que os dois haviam planejado juntos acabou caindo apenas nas costas de Go Hyung-joon, era de se esperar. Para piorar, como na primeira instância fora calado sob o pretexto de estar sendo ajudado, o sentimento de traição estava em dobro.
— Lá já virou uma terra arrasada, então não adianta nada acrescentar mais. Ele vai ser indiciado em breve. Não tem mais ninguém?
— Nesse caso, temos que ir para a Secretaria da Presidência.
Diante daquelas palavras, Jang Jin-woo arqueou as sobrancelhas. Tinha uma expressão de surpresa, mas na verdade estava achando divertido. Afinal, era a parte que ele mais aguardava. Definitivamente, o ser humano só esvazia todos os bolsos quando é empurrado para a beira do precipício.
— Tem provas concretas para pegar alguém?
— Quem me mandou se aproximar do segundo filho do VIP para vazar informações sobre a amostra da Maxona foi o Assessor Park Sang-hee. Foi daquele lado que mandaram induzir o segundo filho a roubar a amostra junto, alegando que ele com certeza cobiçaria o produto.
Diante do conteúdo inesperado, Jang Jin-woo mudou de postura. Tirou as mãos dos bolsos, inclinou a parte superior do corpo para a frente e apoiou o queixo na mão.
Pensara, naturalmente, que o plano sofrera interferências por causa da aproximação de Hong Kyung-wook. Jamais imaginara que até a intervenção dele fora totalmente projetada pela Secretaria da Presidência.
— Quem mandou pedir um agente da Agência de Segurança e Informação para me acompanhar no plano também foi o Assessor Park Sang-hee. O tonto do Hong achava que tinha mandado o próprio homem dele, mas não foi isso. O fato de os dois serem colegas de turma também era de conhecimento total da Secretaria, que foi empurrando o sujeito aos poucos. Ou seja, cada uma das pessoas envolvidas na Operação Maxona foi escalada e colocada lá de propósito. Ah, com exceção de uma única pessoa.
Go Hyung-joon esfregou levemente a parte inferior do nariz e soltou uma risadinha debochada.
— O nosso agente Kim Marvin não estava nessa lista. Como não era um papel importante, era só uma peça descartável para usar e jogar fora. O agente foi indicado pessoalmente pelo Kim Do-jin. Pelo lado da Agência de Segurança e Informação, eles apenas fecharam os olhos. Responsabilidade de gestão, sabe como é. Deveriam ter mandado escolher de novo alguém mais simplório e sem sequelas. Puta que pariu…
Mesmo xingando, ele parecia achar graça, pois deu uma risadinha sozinho.
— Sinceramente, eu acho que toda essa desgraça começou a partir dali.
Go Hyung-joon subiu os pés no sofá e cruzou as pernas. Em seguida, endireitou as costas e pigarreou uma vez como um mestre prestes a contar uma história antiga. Como se dissesse para prestar bem atenção porque a parte realmente divertida começaria agora.
— O cenário original era apenas comprovar o efeito da amostra no local e retornar ao país. Quando a manifestação começa, o primeiro impacto vem forte pra caralho. Ou seja, dane-se o estupro ou qualquer outra coisa: se houver um alfa na frente, não tem jeito a não ser fazer sexo. Mas, por incrível que pareça, isso não funcionou com o nosso agente.
Go Hyung-joon soltou uma exclamação de admiração e relembrou o acontecido daquela época por conta própria.
— De repente, os dois começaram a dar tiros no segundo andar e virou um caos. Eu subi desesperado. Não dá para arrumar confusão em país alheio. Por coincidência, os guardas colocados pela Secretaria da Presidência também estavam de prontidão no prédio da frente, então contivemos a situação juntos e liguei para a Coreia. Perguntei: “Deu um probleminha aqui, o que a gente faz?”.
Ele fez uma pausa proposital antes de continuar:
— E sabe o que o Assessor Park Sang-hee respondeu?
⚖ ─── Α · Β · Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello