Capítulo 180
CAPÍTULO 180
O carro do investigador Kim Ho-seok, que estava parado no acostamento, deslocou-se de mansinho na direção de Jang Jin-woo, que saía da casa de custódia. Com o som do destravamento das portas, Jang Jin-woo abriu a porta do carona e entrou.
— Terminou cedo, hein? O que ele disse?
— Disse que foi uma ordem da Secretaria da Presidência.
— De onde da Presidência? Da Secretaria?
O investigador Kim Ho-seok arregalou os olhos e olhou para ele. Fora ele quem ajudara Jang Jin-woo desde Oseong, encarregando-se de todo tipo de investigação de campo. Embora não soubesse todos os pormenores do caso Maxona, estava mais do que ciente de que aquilo não era algo que pudesse ser descartado como um mero desvio ético de uma empresa farmacêutica.
— E aí? O que o senhor vai fazer?
Sem perceber, as perguntas continuavam a sair de sua boca.
— Mandei ele entrar em contato com a oposição. Se eles se interessarem, vão usar isso como pauta na auditoria parlamentar. Aliás, já devem estar de tocaia desde que o escândalo da SN Bio foi abafado, então alguma coisa vão fazer.
Como se não quisesse dar mais explicações, Jang Jin-woo jogou a cabeça para trás e encostou o braço na testa. Olhando de relance para o lado, o investigador Kim Ho-seok deu partida no carro. Nisso, aproveitou para dar uma sondada:
— Pelo visto… o senhor está torcendo para que as coisas sigam por esse caminho, né?
Obviamente, não veio resposta alguma de Jang Jin-woo. Após olhar para o lado mais algumas vezes, o investigador Kim Ho-seok finalmente desistiu e calou a boca. Não dá para fingir que não percebeu a pressão velada para seguirem em silêncio.
Já se passaram alguns meses desde o desmantelamento da equipe de investigação especial. Pensava-se que o caso do reagente de proliferação tinha se encerrado por ali, mas parecia que algo começava a se mover nas sombras novamente. Os passos do promotor Jang Jin-woo, que andavam quietos, tornaram-se bastante suspeitos desde o mês passado.
O investigador Kim Ho-seok havia mudado sua lotação em definitivo para a Promotoria do Distrito Central de Seul no primeiro semestre deste ano, seguindo Jang Jin-woo. Jamais imaginara que o vínculo com ele se estenderia por tanto tempo, o que não deixava de ser algo impressionante.
Como ele próprio tinha muita sede de trabalho, achou desde o início que os dois combinavam. Depois de vir para Seul e conviver com ele mais de perto, acabou pegando uma afeição genuína por ele. Embora mantivesse aquele tom frio e debochado de sempre, afinal de contas, ele não agia assim só com ele.
Aquela atitude de ser criticado de forma justa e igual por todos agora lhe parecia até muito confortável. Por causa disso, nas raras vezes em que ele demonstrava alguma proximidade, seus ombros se erguiam sozinhos sem que percebesse.
Hoje também, quando ele pedira para levá-lo à Casa de Custódia de Seul, o investigador largara o que estava fazendo e o acompanhara prontamente por esse mesmo motivo: para exibir a intimidade de ser “o investigador trazido diretamente de Oseong”. Chegara até a fazer questão de mostrar que já sabia que o carro dele tinha ido para a oficina há alguns dias. Graças a isso, até agora o pessoal da promotoria tratava o investigador Kim Ho-seok como o único homem de confiança do promotor-chefe Jang Jin-woo.
— Sim. É o Jang Jin-woo.
Ele atendeu ao telefone de repente. Parece que enviara uma mensagem a alguém ao sair da casa de custódia, pois começou a explicar a situação por um momento: “Se a reunião vai acontecer ou não é decisão sua, mas não jogue fora uma oportunidade só porque me odeia.” Ele continuou a ligação pressionando as pálpebras com as mãos, com ar de cansaço. Parecia ser alguém da oposição.
Mesmo depois de desligar o telefone, ele passou um bom tempo trocando mensagens pelo celular. Observando aquilo, a língua do investigador coçava de vontade de falar.
— Mas escuta, mesmo que usem isso na auditoria parlamentar, dá para montar o material em poucos dias? A menos que seja algo do nível de “o Presidente deu a ordem diretamente”…
No fim, acabou dando seu palpite. Quando pegava no volante, falava tanto quanto um taxista.
— A oposição já tem informações acumuladas. Passei bastante material para o ex-subprocurador-geral Byeon Jeong-hoon. Há muito o que mostrar, então isso não é problema, mas o público pode se sentir cansado. Afinal, estamos arrastando o mesmo assunto há um ano.
— Então o caso vai acabar abafado?
Diante dessa fala, o canto dos lábios de Jang Jin-woo, que continuava mexendo no celular, ergueu-se sutilmente. Ficou claro que ele não deixaria as coisas terminarem assim.
O bolo já estava assado; agora era o momento em que se precisava de uma vela gigantesca para colocar no topo. Uma última carta que atrairia o olhar de todos queimando com uma luz grande e exuberante.
Uma inquietação incômoda se infiltrou na expressão do investigador Kim Ho-seok, que se esforçava para olhar para a frente. Após morder os lábios algumas vezes, ele finalmente abriu a boca:
— Promotor, desde que vim para Seul eu venho mantendo meus olhos e ouvidos bem fechados, mas… o senhor me permite dizer só uma coisa hoje?
Jang Jin-woo ergueu a cabeça.
— Não sei exatamente o que o senhor está planejando fazer, mas não faça. No fim das contas, quem vai sair machucado é só o senhor.
Essa era a conclusão, para começo de conversa.
— Quando fecharam a equipe de investigação especial, todo mundo meteu o pau no senhor, mas eu entendi tudo. Se o senhor tinha outros motivos velados ou se fez aquilo por ambição de carreira, tanto faz. Por hora, o senhor decidiu se aliar ao governo e ao partido da situação, não foi? Então continue desse jeito. O senhor está nessa correria há mais de um ano, desde Oseong. Descanse um pouco. O senhor parece terrivelmente cansado até agora.
Haha.
Ele riu.
O investigador Kim Ho-seok olhou para o lado, surpreso. Não falara aquilo para ser engraçado, então não entendeu por que ele reagira assim. Por sorte, a expressão dele não era de desagrado. Embora também não parecesse que o conselho tivesse tocado seu coração.
Jang Jin-woo respondeu com um sorriso no rosto, mas com uma voz levemente dolorida:
— Eu não posso fazer isso. Se eu parar por aqui também, ele vai ficar realmente sozinho.
— Como? Quem?
Ele perguntou imediatamente, mas a voz do promotor, que soara como um monólogo, não continuou. Jang Jin-woo fechou os olhos com o rosto ainda trazendo um resquício de sorriso. O resto da interpretação ficava por conta de quem ouvia.
O investigador Kim Ho-seok também não desconhecia totalmente o motivo de sua preocupação. Aquilo provavelmente era a razão pela qual ele parecia sempre cansado desde que voltara para Seul, e também devia ter a ver com o paradeiro de quem desaparecera na Ponte Hannam há sete meses. E estaria ligado ao amigo que ele salvara várias vezes em Oseong.
Ele parecia ser a pessoa com menos dramas pessoais da Coreia do Sul, mas ultimamente seu olhar andava cada vez mais profundo.
— Vamos para a minha casa. É possível que eu não vá trabalhar até amanhã.
Mergulhado em seus pensamentos, Jang Jin-woo mudou o destino de repente.
— Ah, vai para a sua casa? Então preciso virar à esquerda aqui. Vejamos…
O investigador Kim Ho-seok observou o trânsito para pegar a saída rumo a Hannam-dong. Como era hora do almoço, achou que ele fosse comer algo antes de ir, mas parecia ter decidido descansar em casa.
— O senhor fez bem. Desde mais cedo seus olhos estão terrivelmente vermelhos. Não tem conseguido dormir?
— Estou bem.
Como ele era alguém que não gostava de conversas pessoais, deixou por isso mesmo. Mas, ao olhar novamente para o carona, a cor do rosto de Jang Jin-woo estava piorando drasticamente. Pensou em como era uma sorte ele não ter teimado em voltar para a sede da promotoria naquele estado.
— Não quer passar num hospital?
Ia parar no primeiro conselho, mas as palavras saltaram de sua boca sem querer. Contudo, a expressão de Jang Jin-woo, que mantinha os olhos fechados, não mudou.
— Será que é uma gripe? Quer que eu compre algum remédio? Ah, é mesmo… O senhor nem comeu…
Como sua intromissão insistia em se manifestar, achou melhor calar a boca de vez. O investigador Kim Ho-seok esfregou a parte inferior do rosto e pressionou os lábios com força. No momento, concentrar-se na direção para chegar o mais rápido possível era a melhor forma de ajudá-lo.
Por sorte, como era manhã de um dia útil, o trânsito não estava tão engarrafado. Fazendo malabarismos entre as faixas, chegou ao apartamento de Jang Jin-woo mais rápido do que o previsto.
Jang Jin-woo, que mantivera os olhos fechados como se estivesse dormindo o tempo todo, falou baixinho:
— Assim que terminar o segundo depoimento do suspeito do caso de fraude de Heukseok-dong, me ligue. Se eu não atender, deixe uma mensagem.
— Sim, não se preocupe e descanse bastante.
— Se por acaso o vice-procurador perguntar por mim, diga que tirei um dia de folga.
Deixando para trás o investigador Kim Ho-seok, que assentia com a cabeça, Jang Jin-woo desceu do carro sozinho.
Ele soltou um suspiro profundo e caminhou a passos largos em direção ao saguão do prédio. Era um rut que chegara de repente. Embora ainda faltassem alguns dias, ultimamente esse ciclo perdera todo o sentido. Adiantava-se um ou dois dias e, nos casos mais graves, chegava uma semana antes.
Como não fazia sexo, tinha a sensação de que os feromônios estavam estagnados, acumulando resíduos. A cada dia que suportava à base de inibidores, a dor de cabeça se intensificava. O cansaço físico também atingira o ápice. Era como se toda a dor do heat que Marvin enfrentara tivesse se transferido integralmente para si.
Se for isso, menos mal. Pelo menos ele não estaria passando por essa situação.
Reprimir o corpo no cio em si não era algo tão difícil. Bastava se masturbar sem parar e aguentar por cerca de um dia para acabar. O problema não era o corpo, mas as emoções descontroladas. E esse era o verdadeiro motivo para ter se apressado em voltar para casa.
Sentia saudades dele.
Quando o rut vinha, era simplesmente impossível esconder que sentia falta de Kim Marvin. Na cama onde rolaram juntos, sofria buscando qualquer vestígio dele que pudesse ter restado. Não tinha uma única foto de Kim Marvin. Nem mesmo uma prova de que ele estivera ao seu lado havia sobrado.
Ele surgira de repente um dia, entregara-lhe um monte de problemas sem solução e desaparecera como fumaça. Esse era o cerne do seu pavor: a ansiedade de que ele nunca mais reaparecesse diante dos seus olhos. Esse medo, que normalmente mantinha reprimido, explodia junto com o rut.
Assim, a partir de certo momento, o rut deixara de ser o campo do desejo sexual para se transformar no momento em que precisava encarar de frente seus próprios sentimentos. Jang Jin-woo sabia que, mesmo após a marcação estar concluída, esse fenômeno jamais desapareceria. Não sabia até quando conseguiria aguentar.
Tinha vontade de dizer a ele para salvá-lo.
⚖ ─── Α · Β · Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello