Capítulo 177
CAPÍTULO 177
— Você não sabe onde fica Jo Won-dong? É aquele beco ao lado do mercado de frutos do mar de Gangdong, onde tinha uma fileira de farmácias. Diretor Hur, o senhor viveu em Oseong à toa, hein.
Marvin rodava o espetinho de cordeiro em tom de provocação. O Diretor Hur, que o encarava fixamente, franziu as sobrancelhas.
— É claro que conheço o beco das farmácias. Mas como eu ia saber qual é o nome do bairro? Não sou nativo de Oseong. Todo mundo chamava de beco das farmácias, então achei que fosse só isso. Mas o Chefe Kim ainda está morando naquele fim de mundo?
— Bom, não era bem isso, mas como precisei de um lugar para ficar por um tempo, acabei voltando para lá. Faz um mês que subi para Seul de novo.
Marvin colocou um espetinho de cordeiro bem assado no prato do Diretor Hur. Em seguida, pegou um para si e comeu.
— E por que levou um tiro? O Chefe Kim não era… o quê, daquela polícia especial? Aprontou alguma coisa por aí?
Marvin apenas deu um sorriso discreto enquanto mastigava a carne, deixando que ele tirasse as próprias conclusões. Diante da atitude dele de nem se dar ao trabalho de dar uma explicação descente, o Diretor Hur pegou um pedaço de conserva de cebola com uma cara de poucos amigos. Foi quando ergueu os palitos novamente, como se tivesse notado outro detalhe estranho.
— Não, mas por mais que você não pudesse ir ao hospital, não faz sentido. Como é que alguém baleado consegue ir até Oseong? Se tivesse morrido no meio do caminho, já seria o esperado, não?
Era uma boa observação. Marvin deu um sorriso amargo ao se lembrar da fuga infernal de Seul. Menos mal que a bala tinha atravessado de lado a lado; se não fosse por isso, como ele disse, teria morrido com certeza.
— Tem um negócio chamado *Ghost Patch* que a gente recebe quando vai para a guerra. Se você colar aquilo, nem sente dor e sai correndo por aí. Quando o efeito passa é horrível, mas…
— O quê? Não era da polícia, era do exército? Onde arrumou um negócio desses?
Como esperado, Marvin apenas deu de ombros mais uma vez sem maiores explicações. Porém, quando perguntou “Ainda restam uns dois, se quiser posso te dar um”, os olhos do Diretor Hur brilharam. Mas assim que Marvin sugeriu trocar pelo paradeiro do Diretor Jo, ele virou a cabeça bruscamente.
Que sujeito mão-de-vaca.
Diante da atitude irredutível dele, Marvin deu uma risadinha e colocou mais espetinhos de cordeiro sobre a grelha. Junto com o som de chiado, a gordura fervia e pingava para baixo, gota a gota. Nesse meio-tempo, o Diretor Hur, que esvaziara o copo, segurava a ponta de um espetinho ainda cru, erguendo e soltando sem necessidade, enrolando o tempo.
Até que mudou de assunto para desviar o foco.
— Falando nisso, Chefe Kim, agora Oseong virou sua segunda terra natal ou algo assim? Normalmente, quando aprontam alguma coisa, as pessoas vão se esconder na casa da família na terra natal.
— Não é bem por isso. É que surgiram alguns contratempos.
Apoiando o queixo na mão enquanto esvaziava o copo em silêncio, Marvin fez uma expressão enigmática. O Diretor Hur, percebendo o clima, pegou a garrafa e encheu o copo vazio até a borda.
— Você tem mais algum contato em Oseong além do Hotel Daekyeong? Ou… sei lá, foi procurar o Presidente Yang?
Marvin tocou levemente no copo e aceitou a bebida servida pelo Diretor Hur.
— Não é nada disso. É que tem um lugar no hotel para onde enviam os caras feridos quando dá problema nos negócios. A gente chamava de posto de saúde. Tem um curandeiro lá que trabalha com medicina oriental e ocidental. Como é tudo ilegal da cabeça aos pés, é perfeito para alguém como eu ir.
Como a situação era urgente, não conseguiu pensar em outro lugar além daquele. O jeito foi confiar no velho ditado de que o lugar mais escuro é debaixo do candeeiro. Por sorte, Nam Jin-yong, com quem tinha proximidade no Hotel Daekyeong, ajudou-o. Por volta do verão, quando seu corpo se recuperou totalmente, cortou o contato com ele também.
Afinal, não podia mais ter ninguém ao seu lado.
— E agora, o que você está fazendo? Ainda está caçando o reagente de proliferação sozinho? E aquele promotor daquela época, o que está fazendo?
— O promotor…
Marvin não conseguiu segurar o sorriso amargo no canto dos lábios e deixou a frase morrer no ar. No entanto, logo voltou a sorrir como se nada tivesse acontecido e esvaziou o copo que o Diretor Hur servira.
— Fui procurar por ele uma vez em julho, mas não consegui encontrá-lo. O acesso estava difícil. Bom, cada um segue seu caminho, né. Eu tenho as minhas coisas para fazer.
Ele falou em tom de quem não se importava muito, mas aquilo era algo bastante doloroso para Marvin. Tinha prometido a si mesmo que jamais entraria em contato até que tudo estivesse resolvido, mas sua paciência não fora tão grande quanto imaginava.
Houve uma única vez em que fora a Seul para vê-lo. Para sua sorte ou azar, havia olhos vigiando Jang Jin-woo. Não sabia quem tinha armado aquilo, mas temendo virar um fardo para ele se entrasse em contato sem necessidade, apenas olhou para as costas dele de longe e foi embora. Restava-lhe apenas acreditar que ele estava se virando bem.
Ainda hoje, com frequência, ele sonha com isso. E se tivesse segurado aquela mão naquela hora? Será que teria salvado a própria vida escondendo-se atrás dele, que dissera que resolveria tudo por conta própria? Ou no fim teria acabado na casa de custódia? Como teria terminado a história da morte de Hyun-woo? Quem faria a vingança?
Quando cenas terríveis se encadeavam uma após a outra, ele acordava do sono encharcado de suor. Depois disso, passava a noite em claro rezando para que sua escolha daquele dia não estivesse errada.
De qualquer forma, não conseguia dormir profundamente. Porque seu corpo marcado sentia uma saudade dolorosa de sua outra metade. É claro que agora era difícil dizer que era apenas o corpo. A dor que sentia quando murmurava sozinho que estava com saudades fora mais profunda do que imaginava.
Toda vez que isso acontecia, torcia para que ele também pensasse um pouco em si, mesmo que não fosse na mesma intensidade. Rezava para que a confissão de que um único beijo o fazia pensar nele o dia todo ainda fosse válida. Vivendo dessa forma há vários meses, agora bastava ouvir a palavra “promotor” de passagem para sentir um aperto no canto do peito.
— Porra, fica aí falando sozinho de coisas que só você sabe. Não estou entendendo é nada. E que cara de dor é essa de repente? Vocês dois namoravam, por acaso?
Se fosse isso, ao menos a mágoa seria menor.
— Não era namoro. Fui eu quem gostei sozinho.
Marvin rebateu a fala do Diretor Hur em tom de brincadeira e estendeu o copo como se quisesse fazer um brinde. O Diretor Hur olhou com pena para Marvin, que tentava mudar o clima de repente.
— Eu sabia. Chefe Kim, você até que é bem apegado a rostinho bonito. Por falar nisso, você devia conhecer um homem como eu, com cara comum, mas com corpo bom e de futuro. Um cara daqueles é só fachada, depois que dorme acabou. Deu para ele quantas vezes? Perdeu o interesse rapidinho, não foi?
Achando graça das bobagens que o Diretor Hur despejava, ele soltou um risinho. Vendo que não havia resposta, o Diretor Hur disse que era óbvio e brindou. Os dois viraram o copo de uma vez só, comeram um punhado de petisco e logo encheram os copos novamente.
A bebida estava adocicada. Pensando bem, não tinha uma relação tão amigável com o Diretor Hur, mas, no fundo, sentia-se confortável. Talvez por estar ouvindo broncas há algum tempo, sentia como se tivesse encontrado um veterano da sua terra natal — algo que ele sequer tinha.
Nesse vai e vem de brindes, a garrafa de baijiu esvaziou. Quando perguntou ao Diretor Hur, já alterado pela bebida, “Então onde diabos o Diretor Jo está e o que está fazendo?”, veio uma resposta um pouco diferente da de antes:
— Aquele sujeito está em Daegu.
Entendo, assentiu ele com a cabeça, fingindo não dar muita importância. Nisso, o Diretor Hur riu debochadamente, dizendo que a cunhada do sujeito tinha um karaokê em Dongseong-ro, em Daegu, e que ele estava escondido lá. O grande Jo Yang-heon reduzido a isso, que fase. Desgraçado. Filho da puta. Marvin deu um sorriso discreto, entregou mais um espetinho de cordeiro e perguntou:
— Quer que eu vá lá e me vingue por você?
— Que vingança o quê, porra…
Apesar de falar assim, já não negava com firmeza. As bochechas do Diretor Hur, que mastigava a carne vorazmente, ficaram vermelhas como no dia em que fora queimado com o ferro. Como se certas cenas estivessem surgindo em sua mente, seu olhar foi se tornando cada vez mais angustiado.
Enganado uma vez, jamais duas.
Mesmo resmungando, ele continuava olhando de relance para Marvin. Chegou a passar os olhos pelo peito dele, que dissera estar inteiro agora mesmo tendo levado um tiro. A bebida continuava descendo. No fim, não demorou muito para que a expressão “Boss Karaoke” saísse de sua boca.
*Queime a cara daquele desgraçado sem falta.* O pequeno murmúrio do Diretor Hur se misturou ao som da carne de cordeiro queimando.
17 de novembro, 10h. Em frente à Casa de Custódia de Seul.
Mesmo com o vento frio vindo pelas suas costas, Jang Jin-woo permaneceu parado por um bom tempo olhando para trás. Seu olhar permanecia fixo no fim da rua cercada por árvores, sem se mover.
— Promotor, não vai entrar?
Sem conseguir continuar assistindo àquilo, o investigador Kim Ho-seok abaixou o vidro do carona a partir do banco do motorista e o chamou. Ficou se perguntando por que ele estava ali parado naquele frio.
— Não sentiu nenhuma presença?
— Como?
Perguntando-se que conversa sem pé nem cabeça era aquela de repente, ele olhou para trás num baque. Obviamente não havia ninguém. Apenas a faixa presa na lateral do prédio da casa de custódia e as folhas secas no chão voavam com o vento. Talvez por ser de manhã, a rua parecia ainda mais deserta.
— O senhor estava esperando alguém vir junto?
Ele não respondeu.
O investigador Kim Ho-seok batucou no volante e esperou por um momento. Desde que haviam se mudado para a Promotoria do Distrito Central de Seul, às vezes ele agia assim. Olhava para trás de repente ou ficava encarando fixamente um beco escuro. Nessas horas, mesmo que falassem com ele, parecia não ouvir e não demonstrava reação alguma.
Por sorte, não demorava muito. Assim que se convencia de que não havia ninguém, voltava ao normal como de costume. Exatamente como agora.
— Não é nada. Pode ir. Nos vemos aqui daqui a uma hora.
— Ah, sim.
Observando Jang Jin-woo entrar sozinho a passos lentos na casa de custódia, o investigador Kim Ho-seok subiu o vidro novamente. Estava claro que ele esperava por alguém, mas já fazia bastante tempo. Nem combinava com a personalidade dele.
Ele deu uma risada fraca sozinho, fez o retorno com o carro parado e seguiu na direção oposta.
⚖ ─── Α · Β · Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello