Capítulo 169
CAPÍTULO 169
— Vamos descer. Peguem o do lado.
O homem que estava dentro do elevador falou assim que as portas se abriram.
— Ah, mas a gente também vai descer…
Os dois clientes que esperavam estavam completamente bêbados. No momento em que tropeçavam tentando colocar os pés para dentro do elevador, o homem estendeu a mão e os bloqueou. Quando os dois ergueram a cabeça com os olhos turvos, um rosto de fisionomia fechada surgiu bem diante deles.
— Eu disse para pegarem o do lado.
— …Ah, tá bom.
Com o clima ficando subitamente tenso, a intoxicação alcoólica passou no ato e eles recuaram, atentos. Foi quando se chocaram contra alguém que apareceu logo atrás.
— Opa, me desculpe!
Como já estavam totalmente encolhidos, ambos se assustaram e pediram desculpas de imediato. Ao olharem para trás, viram um homem alto de pé. Passando por eles, que vacilavam sem saber o que fazer, o homem subiu no elevador com total calma.
O sujeito dentro do elevador repetiu as mesmas palavras, visivelmente irritado:
— Ah, porra. Pega o do lado.
Ele arregalou os olhos de pálpebras duplas marcadas encarando o homem, mas este não se abalou. Pelo contrário, observou com calma as características do sujeito. Um terno simples preto e um fone in-ear. Ao confirmar que a sacola de papel de um fast-food de hambúrguer vendido ao lado do hotel estava nas mãos do sujeito, o homem assentiu com uma expressão de quem já entendera tudo.
— Porra, você não ouviu para descer…
— Me mandaram vir para o subsolo. Qual andar?
Os olhos do homem, até então cobertos pela franja, ficaram à mostra. Foi a partir daquele instante que a expressão do sujeito que esbravejava mandando sair começou a mudar.
Não era um rosto desconhecido. Ele arrancou a pele ressecada dos lábios com a mão, contorcendo as sobrancelhas. Em seguida, murmurou um baixo “porra…” e pegou o celular.
— Aquele… acho que ele chegou. É, estou descendo junto com ele agora.
O sujeito olhou de relance para o homem mais uma vez e fechou a porta do elevador. Enquanto se dirigiam para o quarto subsolo, ele continuava consciente da presença ao lado, lançando olhares de canto. Não conseguia acreditar na situação em que foi comprar hambúrguer porque todos reclamavam de fome e, de repente, acabou escoltando o próprio alvo.
Pensar na possibilidade de ele sacar uma arma do nada como da última vez trouxe uma onda de ansiedade, mas, surpreendentemente, o homem parecia sereno.
De qualquer forma, o assunto dele não era com eles, mas com o representante. O papel deles era apenas fazer o que mandavam. O representante disse que faria a transação necessária e o liberaria mansamente, então não haveria grande confusão. Apenas lamentava o fato de que a hora de comer o hambúrguer parecia ter ido para o espaço.
Logo os dois desceram no quarto subsolo, onde ficava a lavanderia. Cruzando o ruído das grandes máquinas de lavar em funcionamento, chegaram a uma porta de ferro que parecia uma saída de emergência. Ao abrirem a porta e caminharem por um corredor estreito, logo surgiram em um depósito.
Lá dentro, colchões não desembalados e lençóis de cama cobertos por plásticos estavam empilhados. Homens com vestimentas semelhantes guardavam a entrada, e o sujeito que voltara da missão do hambúrguer se juntou ao grupo.
O sujeito apontou com o queixo para o homem que o seguira. Então, aquele que parecia ser o líder se aproximou e revistou o corpo do homem. Ele encontrou um celular e um tubo de vidro contendo um pó branco dentro da jaqueta, segurou-os na mão e se afastou a uma certa distância.
— Mercadoria garantida. Pode descer.
Ele reportou por telefone para alguém, enquanto os demais permaneceram de prontidão. Havia um total de cinco pessoas reunidas no depósito, excluindo o refém.
Marvin olhou para Woo Hyeon-woo, que estava sozinho, ajoelhado no centro do depósito. Ele estava em um estado muito mais deplorável do que o visto na tela. Mesmo naquela situação, Woo Hyeon-woo pareceu reconhecer Marvin e deu um sorriso fraco. Abaixou a cabeça como se estivesse muito feliz pela vinda do veterano, mas também arrependido por ter se tornado um fardo desnecessário.
Na esperança de que ele não se desestabilizasse, Marvin não demonstrou reação alguma, mas, na verdade, aquela tampouco era uma situação fácil para ele. Não podia provocar um confronto físico carregando Woo Hyeon-woo ferido. Tinha que convencê-los na conversa o máximo possível, mas o problema era que o adversário não era uma pessoa lá muito sensata.
— Não trouxe arma? Que milagre. Parece que decidiu não trapacear hoje?
Bem na hora, o próprio autor da história apareceu.
Hong Gyeong-uk entrou no depósito acompanhado por dois seguranças. Os homens reunidos fizeram uma breve reverência e deram um passo para trás. O homem que revistara o corpo de Marvin aproximou-se dele e estendeu os itens apreendidos. Hong Gyeong-uk acenou com a mão indicando para guardar o celular e pegou apenas a amostra.
— Cadê o Hyeong-jun?
— Ainda não chegou.
Hong Gyeong-uk franziu o cenho, insatisfeito. Ele fez um sinal para o seu segurança.
— Traga água.
Assim que um copo de água mineral foi entregue, ele abriu a tampa da amostra recebida. Em seguida, despejou na água exatamente a quantidade equivalente a um dia do pó contido no tubo de vidro graduado. Como um imperador desejando vida longa e próspera, ele girou o copo no ar, olhou de relance para Marvin e bebeu tudo ostensivamente.
Ao ver o olhar de Marvin oscilar levemente, Hong Gyeong-uk deu uma risadinha debochada. Ele devolveu o copo vazio ao segurança.
— Afinal, fiz o negócio para usar. Se tenho em mãos, preciso tomar na hora, não acha?
Ele guardou a amostra restante com cuidado no bolso interno de sua jaqueta e estufou os ombros. Em seguida, puxou o ar profundamente e fechou e abriu os olhos.
— Hum. Não sinto nada de mais. Será porque é o primeiro dia? Bom, se desse na cara, você também teria percebido na hora. Vamos torcer para o rut vir daqui a uma semana.
Um breve silêncio se instalou. Marvin o encarou e perguntou:
— Acabou agora?
— É, acabou. Espere aqui por sete dias. Tenho que confirmar se faz efeito ou não. Não se preocupe que vou mandar comida.
— …
Marvin permaneceu de boca fechada. Foi algo feito sob o cálculo de que levaria tempo para descobrirem que era falso. Na verdade, ser disposto a esperar sete dias era uma sorte. Se estivesse sozinho, tinha confiança de que daria um jeito de escapar. Por hora, a prioridade máxima era tirar Woo Hyeon-woo dali primeiro.
O olhar de Marvin voltou-se para Woo Hyeon-woo. Ele parecia ter dificuldades para respirar, como se tivesse fraturado as costelas. Como os olhos estavam terrivelmente inchados, a visão estava comprometida e era incerto se conseguiria caminhar sozinho. Restava apenas confiar na garra de quem fora soldado das forças especiais.
— Entendido. Farei isso, então libere aquele rapaz. Parece que ele precisa ir ao hospital.
Os olhos de Woo Hyeon-woo, inchados como os de um sapo, voltaram-se para Marvin. Ele engoliu em seco. Parecia dividido entre a culpa de deixar o veterano sozinho e ir embora. Não queria agir assim, mas sofria por perceber que não teria outra escolha. Ele próprio sabia muito bem que, se ficasse, seria apenas um estorvo.
Hong Gyeong-uk olhou alternadamente para os dois. Deu um de ombros, sem demonstrar grande comoção.
— Bom, não acho que eu tenha algum motivo especial para atender a isso. E ter alguém como ele ao seu lado vai fazer você pensar duas vezes antes de tentar qualquer graça, não é?
Ele deu uma risada debochada, como se tivesse lido os pensamentos de Marvin. Então, de repente, caminhou a passos largos até onde Woo Hyeon-woo estava. Ele chutou com força as costas de Woo Hyeon-woo, que estava encolhido, derrubando-o. O rosto de Woo Hyeon-woo, caído sobre a lona plástica com sangue seco, foi pisoteado pelo sapato de couro de Hong Gyeong-uk.
— Fiquem juntos. É bom que vocês conversam. Afinal, nem sangue vocês compartilham, que diferença faz se ele morrer ou não? E outra coisa. Esse cara aqui não é nenhum inocente. Ele trabalhava para o nosso lado. Seu desgraçado traidor.
— Uuu…
Sob o pé de Hong Gyeong-uk, carregado de todo o peso de seu corpo, Woo Hyeon-woo soltava gemidos agonizantes de dor. Um brilho de urgência passou pelos olhos de Marvin.
— Fui eu quem ofereceu um valor mais alto para tirá-lo de lá. Ele apenas se moveu por dinheiro, então pare com isso. Você já conseguiu a amostra, não conseguiu? Se o liberar agora, eu também não farei mais nenhuma objeção e ficarei de boca fechada aqui.
Diante disso, Hong Gyeong-uk esfregou o filtro labial com uma expressão de incredulidade.
— Ha, que porra de tom de voz é esse? E daí se você não ficar de boca fechada? Ainda acha que é alguma coisa? Porra, que confiança do caralho.
Ele deu uma última pisada forte na cabeça de Woo Hyeon-woo e se aproximou de Marvin. Esticou o pescoço e aproximou o rosto.
— Você ainda não se tocou? A situação chegou a este ponto por sua causa. Se tivesse me entregado a mercadoria desde o começo, nada disso teria acontecido. Por que complicou tanto as coisas? Fingir que negociava comigo enquanto o negócio de verdade era feito com Park Sang-hee. Achou que eu não ia saber?
— …
Marvin não respondeu. Bater boca por causa do passado não traria benefício algum. Hong Gyeong-uk arregalou os olhos e cutucou o ombro de Marvin repetidamente.
— Sabe de uma coisa? Eu odeio gente que tenta me fazer de trouxa. Tanto você quanto Do-jin, um bando de falidos do caralho, por que gostam tanto de bancar os bonitões? Acha que eu sou cego?
Ele encarou Marvin com uma expressão de quem estava prestes a explodir de raiva. Como não obteve resposta, soltou outra frase de repente:
— Fiquei sabendo que aquela mulher morreu.
No mesmo instante, o olhar de Marvin, que estava ligeiramente desviado, voltou-se bem devagar para Hong Gyeong-uk. Não conseguia entender por que aquele assunto surgira ali.
— Isso também é tudo fruto do seu carma. Se não tivesse agido feito um fdp, eu não teria ido tão longe.
O canto dos olhos de Marvin sofreu um breve espasmo.
“O que isso quer dizer?”
Uma confusão extrema se instalou em sua mente enquanto tentava interpretar as palavras de Hong Gyeong-uk.
“Ir tão longe? O quê? Como esse cara sabe disso?”
— …Você foi atrás da Kim Ji-ah?
Vendo o tom de voz de Marvin mudar radicalmente, Hong Gyeong-uk curvou os lábios num sorriso satisfeito.
— É. Eu fui. Aquela mulher pensava pra caramba em você. Eu nem falei grande coisa, mas ela ficou chocada sozinha e começou a chorar. Disseram que vocês eram gêmeos, por acaso vocês também transavam?
Vendo a expressão de Marvin se contorcer assustadoramente, Hong Gyeong-uk sacudiu os ombros achando graça. Ele colocou as mãos nos bolsos da calça e começou a dar voltas ao redor dele.
⚖ ─── 𝛂 · β· Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello