Capítulo 160
CAPÍTULO 160
Do outro lado da linha, Jang Jin-woo deixou escapar uma breve risada.
— O que é que te deixa tão inquieto?
— Os movimentos daquele lado não são normais. Inclusive parece que o Taegwan foi eliminado pela própria S&N Bio. Não é isso?
— Sim, mais ou menos nós também vemos dessa forma.
Kim Marvin assentiu e sacudiu a cinza do cigarro.
— Se até um chefe ativo da máfia termina “operado”, então as testemunhas que o senhor garantiu vão começar a se cuidar uma por uma. E aquele lado também terá levado isso em conta.
Matar Taegwan não era apenas para virar a opinião pública e reduzir a credibilidade do seu depoimento para nublar o julgamento do juiz.
Era para incutir medo.
Afinal de contas, naquele mundo todos estavam conectados de uma forma ou de outra. Sabendo perfeitamente como as coisas funcionavam, ninguém pensaria que o diretor Cho tinha eliminado seu superior por um simples rancor pessoal.
Era, em outras palavras, um aviso. Um exemplo para dizer que qualquer um que se apresentasse no julgamento terminaria da mesma forma.
Graças a isso, agora enfrentavam a possibilidade de levar o julgamento sem uma única testemunha. Esse era o verdadeiro problema que a morte de Taegwan tinha deixado para a promotoria.
— Você é esperto.
Jang Jin-woo sorriu levemente, como se achasse admirável que Kim Marvin compreendesse tudo sem necessidade de explicações. Mas não acrescentou mais nada. Parecia que ele também ainda não tinha encontrado uma saída clara.
— O que vai fazer?
— Bom. Terei que pensar nisso a partir de agora.
— Ainda tem uma carta segura na mão, não tem?
Kim Marvin falou com tom indiferente enquanto dava outra tragada profunda no cigarro. Essa “carta” se referia, por suposto, a ele mesmo.
Os pensamentos de Kim Marvin eram tão complexos quanto os de Jang Jin-woo. Se ele não podia usar a conexão que tinha construído através de Taegwan, como promotor encarregado era muito provável que tivesse que recorrer à próxima carta.
No final, quisesse ou não, para provar a culpa da S&N Bio teriam que trazer à tona a operação Maxona. Embora ele fingisse não ter interesse.
— Já te disse antes que não pretendo usar essa carta.
Kim Marvin esmagou a cinza caída no chão com o sapato e voltou a pressioná-lo um pouco mais.
— Mas a situação mudou, não mudou?
A fumaça do cigarro se dispersou, nublando seu campo de visão. Embora dissesse isso, se ele realmente chegasse a denunciar o caso Maxona, aquilo que tinha temido desde Oseong após conhecê-lo se tornaria realidade.
Seu valor como agente de campo desapareceria por completo ao se tornar pública a informação, e carregaria o rótulo de ser um ômega cuja natureza tinha mudado a partir de alfa, talvez condenado a viver como um primata em um zoológico.
Era o pior final possível, o que mais queria evitar, e mesmo assim achava ridículo continuar provocando-o dessa maneira.
Provavelmente queria confirmar. Dizer-lhe que no final ele tinha razão, que depois de tudo o que aconteceu — marca e tudo o mais —, a essência da relação entre eles não tinha mudado em absoluto.
Kim Marvin franziu as bochechas enquanto aspirava com força o filtro do cigarro. Sua mente estava completamente agitada. Embora já tivesse se preparado assumindo o pior cenário, sentia que ainda lhe restavam remorsos demais.
Jang Jin-woo, adivinhando que ele tinha ficado em silêncio, falou com calma.
— Dá para ouvir o suspiro até aqui.
Mentira.
Nem sequer tinha respirado fundo por medo de que ele pensasse isso.
— Então você está pensando que eu vou vender o Kim Marvin, não é?
Kim Marvin desviou o olhar ao redor, evitando responder. Pensou que menos mal não podiam ver os rostos um do outro enquanto sacudia lentamente o cigarro entre os dedos.
— Bom, não lhe resta outro método.
Voltou a levar o filtro úmido aos lábios.
— Parece que você não se lembra bem, mas há seis meses também não havia métodos. E mesmo assim chegamos até aqui.
Foi assim?
Kim Marvin encostou-se contra a parede do edifício, inclinando a cabeça para trás. Fechou os olhos com o cigarro na boca. A voz baixa de Jang Jin-woo infiltrou-se em seus ouvidos. Dizia coisas que resultavam agradáveis de ouvir.
— Desde o início, essa carta eu limitei a apenas fingir que a tinha na mão. Não preciso vender a informação do Kim Marvin para ganhar, então não se preocupe. Te pareço tão incompetente assim?
Diante dessa brincadeira tingida de autocrítica, os lábios de Kim Marvin se curvaram levemente.
Não, não era isso. Mesmo quando criticava sua personalidade sem reservas, nunca tinha duvidado de sua capacidade.
— De forma alguma.
— Então, por quê?
Kim Marvin exalou a fumaça lentamente, ganhando tempo.
Apesar de continuar jogando-lhe a isca de que a situação era a pior possível, ele não mordia. Isso só fazia com que seu ânimo se tornasse mais turbulento.
Para onde tinha ido parar essa eficiência de que ele sempre falava?
Era alguém que, pelo menos no trabalho, eliminava as emoções pessoais de forma quase assustadora. Desde o início de sua cooperação, nem sequer tinham definido em detalhes seus papéis. Ele só tinha feito uma proposta ambígua: ajudá-lo a voltar. Que Kim Marvin não quisesse revelar sua identidade e se tornar um denunciante interno era, em todo caso, um desejo seu, não uma obrigação que Jang Jin-woo tivesse que cumprir.
E mesmo assim, ele estava escolhendo dar rodeios desnecessários. Ninguém tinha feito algo assim por ele antes. Embora balançasse a cabeça sem compreender, algo quente começava a se acumular em seu peito.
— Suponho que queria ouvir da sua própria boca. Que não ia me vender, que eu podia ficar tranquilo.
Kim Marvin soltou isso sem esconder.
Esse era o seu verdadeiro sentimento. No final, todo esse teatro de dureza era só para ouvir isso. O fato de tê-lo chamado apressadamente, falando sobre como estava a situação, na verdade não importava. Mesmo que tudo tivesse se torcido assim, a única coisa que queria era uma resposta: que ele continuaria estando do seu lado.
Kim Marvin, debochando de si mesmo por ser tão idiota, esmagou a bituca do cigarro até apagá-la.
— Às vezes você é incrivelmente sincero, até dá medo.
A voz de Jang Jin-woo, mais calma do que antes, ouviu-se do outro lado do telefone.
— Acho que já se deu conta sem que eu diga nada. Por isso se deu ao trabalho de explicar tudo, não foi?
— Só estou pondo em prática o que você disse, aquilo de demonstrar por mim mesmo. Além disso, se você voltar a fugir, desta vez sim seria problemático.
Diante desse comentário com um matiz estranho, Kim Marvin, que olhava para o chão, levantou a cabeça. Mas ele não lhe deu tempo de perguntar o motivo e encerrou a conversa de imediato.
— Tenho que ir. Saí fingindo que ia ao banheiro.
Diante dessa desculpa tão humana, escapou de Kim Marvin uma risada fraca sem que percebesse. Tal como ele disse, tinha-o prendido por tempo demais.
— Entendido. Se surgir algo em que eu possa ajudar, me avise.
— Justamente há algo em que estou pensando. Acho que vou precisar da sua ajuda, então quando tiver tudo organizado entro em contato. Atenda o telefone.
Como sempre, terminou a chamada sem se despedir.
Que habilidade.
Murmurou Kim Marvin para si mesmo. Não sabia em que teria que ajudar, mas agora ficava na posição de esperar sua ligação. Mesmo assim, sentia-se muito mais leve. Com as mãos nos bolsos, regressou ao restaurante arrastando os pés.
Jang Jin-woo ficou quieto com os braços estendidos como um espantalho. Um dispositivo pequeno e plano percorreu seu corpo, como em um controle individual de segurança no aeroporto. Só depois de entregar inclusive o relógio e o telefone o deixaram passar. Parecia que a segurança estava mais rígida do que da última vez.
— Pode entrar.
Seguindo a indicação do funcionário do gabinete presidencial, abriu a pesada porta de madeira de pinho. Ao entrar, sua impressão foi a mesma da vez anterior.
Espaçoso demais.
O gabinete do chefe de gabinete transmitia uma sensação desnecessariamente autoritária e opressiva.
Uma mesa de trabalho, e no centro do grande salão, um sofá e uma mesa de centro. Sem lugar para se esconder nem para pousar o olhar, era como estar flutuando no meio de um oceano aberto. Como se as conversas mantidas ali não pudessem sair para o exterior, a área de recepção estava localizada longe da porta.
Ali havia um rosto conhecido, um que parecia familiar, e outro completamente desconhecido.
Pelo visto, Jang Jin-woo sim era conhecido para eles. Os três que se viraram o olharam ao mesmo tempo, como se estivessem esperando por ele.
— Bem-vindo, promotor Jang. Pensei que seria mais rápido conversar entre todos, então os chamei. Tudo bem para você?
O chefe de gabinete Im Sang-wook abriu a conversa e indicou-lhe o assento diante dele. Jang Jin-woo sentou-se no sofá com uma leve inclinação de cabeça e olhou para a pessoa à sua esquerda.
Park Sang-hee.
Que estivesse ali lhe era conveniente. Assim não haveria necessidade de explicar tudo do zero.
Mas o deste lado era a primeira vez que via. Jang Jin-woo observou em silêncio o jovem sentado à sua direita e cruzou olhares com ele. Não se apresentou. Era uma forma de dizer-lhe para se apresentar por si mesmo.
⚖ ─── 𝛂 · β· Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello