Capítulo 159
CAPÍTULO 159
Passaram-se três dias.
Durante esse tempo, Kim Marvin não fez nada em particular. Limitou-se a ir tranquilamente a uma livraria para ler ou pedir uma xícara de café e passar o dia inteiro em uma cafeteria. Como se estivesse de férias, buscava de propósito atividades distantes da realidade e se trancava nelas, vivendo assim o seu dia a dia.
Ainda assim, de vez em quando pensava nele. Mesmo no meio de um filme, como se de repente se reproduzisse uma cena mal inserida, ele aparecia em sua mente. Tentava afastá-lo e ignorá-lo, mas de repente ele ecoava em sua cabeça. Sua voz, a sensação de seus lábios após tanto tempo, surgiam sem aviso, agitando-lhe o peito antes de desaparecer.
Deviam ser efeitos colaterais. Afinal de contas, era uma marca com alguém por quem uma vez tinha inclinado o coração, então era inevitável que começasse a ser afetado. Ou talvez fosse por ter se embriagado com seus feromônios. Se não, não fazia sentido que por um simples beijo estivesse assim durante três dias inteiros…
Kim Marvin deixou escapar um suspiro como se quisesse encerrar o assunto e empurrou a porta do restaurante. Não fazia falta ficar preso tanto tempo a uma ação impulsiva.
Ao entrar, foi recebido por um “bem-vindo” junto com o cheiro salgado e gorduroso de peixe. Era o restaurante a que costumava ir com Woo Hyun-woo.
Como já era quase hora do almoço, as mesas estavam cheias. Woo Hyun-woo estava sentado no centro de uma mesa para dez pessoas, acenando para Kim Marvin com a mão.
— Hyung, aqui. Não tinha lugares.
Era uma situação em que tinha que se encolher em uma grande mesa compartilhada com outros clientes. Como acontecia com frequência, Kim Marvin não se importou.
Apenas se sentou, serviram-lhe uma bandeja individual. Havia pratos com meia cavala e meio carapau assados, sopa de algas, kimchi, omelete enrolada, refogado de massa de peixe, rábano ralado e algas temperadas. Não havia cardápio propriamente dito: comia-se o que a dona preparava naquele dia.
— Não é verdade que o tempo já melhorou bastante? Hoje passei o dia todo trabalhando assim vestido e não senti nada de frio.
— Teve trabalho?
— Sim.
Woo Hyun-woo, dizendo que tinha que economizar enquanto pudesse, às vezes fazia trabalhos temporários: segurança em shows de celebridades ou segurança em eventos locais organizados por agências. Pelo visto, também o contatavam da empresa PMC onde tinha trabalhado antes, mas sempre recusava as ofertas. Dizia que não ia aceitar trabalhos que pudessem prejudicá-lo até que o assunto do seu hyung estivesse completamente resolvido.
— Tenho outro turno de tarde, mas acho que vou deixar passar.
— Por quê?
— Dizem que o segurança de uma boate se machucou e me pediram para cobri-lo por um dia, mas não estou com boa espinha. Não é coisa de estimulantes de manifestação a curto prazo, mas sim há rumores de que lá consomem drogas de verdade. Quer dizer, como não vai ser grave se até o segurança acabou ferido?
— Dizem que ele não pode vir porque o bateram?
perguntou Kim Marvin com indiferença, levantando os talheres.
— Não, isso não dizem jamais. Mas é óbvio. Quanto mais perigoso é o trabalho, menos detalhes te dão. Como aquela vez que fui ao seu officetel, hyung. A nós só disseram que era um ex-militar e que podia ser um pouco bruto, dá para acreditar? Ridículo.
Estalando a língua, Woo Hyun-woo balançou a cabeça e começou a comer com naturalidade. Primeiro mexeu na sopa de algas e provou um gole, depois misturou meio prato de arroz no caldo. Em seguida levou à boca um pedaço grosso de peixe.
As pessoas nas mesas ao lado comiam o mesmo. Olhavam os televisores pendurados em ambos os lados do local ou seus telefones enquanto comiam. A maioria era de taxistas que tinham ido sozinhos, e entre eles viam-se alguns clientes comuns que pareciam morar pela região. Era um lugar perfeito para resolver uma refeição caseira sem complicações.
— Dona, ponha no jornal.
Diante do pedido de alguém, a mulher de meia-idade no balcão mudou o canal da televisão. Era algo habitual porque havia muitos clientes frequentes. Assim, o canal a cabo onde estava em pleno concurso de canto mudou para um telejornal nacional.
Ao mesmo tempo, aumentaram o volume. Logo, a voz do repórter no local ressoou por todo o restaurante.
— … O lugar onde se encontrou o cadáver é precisamente aqui, uma casa independente de luxo de dois andares em Songpa-gu, Seúl. A vítima recebeu um total de dezoito facadas e morreu no local. O principal suspeito é Cho Yang-heon, conhecido como o número dois da organização. A polícia está se concentrando no conflito entre ambos, derivado da sucessão dentro do grupo e dos interesses relacionados ao recente escândalo da SN Bio. Esta manhã foi emitido um mandado de busca urgente contra Cho. Informou Jung Gyu-hyun para a MBS Notícias.
Diante da informação que lhe era familiar, a mão de Kim Marvin, que estava prestes a levar a sopa de algas à boca, parou no ar. Levantou a cabeça de imediato. Na televisão, a apresentadora continuava.
— Por outro lado, a promotoria, que inclusive tinha formado uma equipe especial baseando-se no depoimento da vítima, encontra-se agora em estado de alerta. Antes de começar o julgamento, a morte da testemunha-chave gerou preocupação sobre se será necessário reformular toda a estratégia do zero. Informa a repórter Kim Ju-yeon.
— O líder da facção Dongyang, encontrado morto ontem ao amanhecer, era um suspeito acusado pelo caso de contrabando da Jingang Shipping ocorrido no ano passado em Oseong. Foi em fevereiro que de sua boca surgiu um depoimento inesperado…
Na parte inferior da tela aparecia a manchete: “Morre chefe mafioso vinculado ao escândalo da SN Bio”. Depois foram mostradas imagens da Promotoria Central de Seul e do edifício da equipe especial em Seocho-dong. Também apareceram alguns promotores entrando no prédio enquanto recusavam entrevistas. Parecia material de arquivo gravado logo após a criação da equipe especial. O repórter reutilizava essas poucas imagens enquanto explicava a notícia.
A conclusão era clara. Taegwan tinha morrido. Com isso, desaparecia a testemunha mais importante na investigação do escândalo da SN Bio, e o processo de acusação baseado em seu depoimento entrava em dificuldades.
Além disso, a causa da morte era assassinato. Isso tornava ainda mais evidente que não era uma pessoa comum. Para quem já via com maus olhos que se tentasse derrubar a principal farmacêutica do país baseando-se no depoimento de um mafioso capaz de matar sem hesitar, aquilo se transformou em uma desculpa perfeita.
— Não são esses que vendiam os estimulantes de manifestação e foram pegos? Que pesado.
— Nossa, a promotoria está ferrada.
Os clientes comentavam enquanto comiam. Ninguém tomava partido, mas todos pareciam se divertir um pouco com o “problema” da promotoria.
— Ei, aquele promotor de antes…
Woo Hyun-woo apontou para a televisão e esteve a ponto de dizer algo mais, mas se conteve de imediato. Abaixou um pouco a cabeça e sussurrou para Kim Marvin.
— Hyung, isso também não é nada bom para você, né?
Kim Marvin não respondeu. Seu olhar estava completamente fixo no telefone que segurava. Como se já não pudesse ficar assim, levantou-se do assento.
— Vou sair um instante.
Saiu do restaurante a passos rápidos. Depois, apoiando-se contra a parede do edifício, começou a checar sem parar os sites de notícias.
[Caso de contrabando em Oseong] Facção Dongyang desencadeia uma sangrenta luta pelo poder. Não eram mafiosos comuns.
Dizem que os mafiosos se entendem entre si… por isso também se davam bem com a promotoria?” Partido governista lança ofensiva.
Inúmeras manchetes passavam diante de seus olhos e desapareciam. Com os lábios comprimidos, sua expressão se endurecia cada vez mais. Esse elo instável acabava de se romper por completo. A morte de Taegwan jogaria contra a promotoria.
Desde o início, a investigação tinha sido construída sobre a declaração que Taegwan tinha prestado. Teriam que enfrentar primeira, segunda e até uma terceira audiência, e continuar um julgamento baseando-se unicamente no depoimento de uma testemunha morta, sem provas, não seria fácil.
Sem poder evitar, Kim Marvin voltou a pensar nele. Desta vez era difícil ignorá-lo. Enquanto murmurava para si mesmo que era uma tolice, não pôde se conter e acabou ligando para ele.
Talvez não atendesse. Não, com certeza não atenderia. Ali devia ser praticamente um estado de emergência. Podia inclusive estar com o telefone desligado. Com certeza estariam ligando para ele de todas as partes, e era óbvio que não iria querer falar com ninguém.
No entanto, inesperadamente, atendeu.
— É Jang Jin-woo.
Os olhos de Kim Marvin brilharam.
— Pensei que não pudesse atender. Está tudo bem?
— É contraditório. Você pensou que eu não atenderia, mas mesmo assim ligou. Isso significa que estava preocupado o suficiente. Viu as notícias?
Ao ouvir o tom dele, tão próprio de Jang Jin-woo, Kim Marvin curvou ligeiramente os lábios em silêncio.
Claro… como era de se esperar. Você não era alguém que se abalasse por algo assim.
A pergunta de se estava tudo bem nunca tinha sido necessária.
— Sim, eu vi. As coisas estão tomando um rumo inesperado.
— Então. Ligou porque está inquieto? Ou porque está preocupado comigo?
Kim Marvin mudou o telefone de mão e procurou um cigarro com a direita. Colocou um na boca, acendeu-o e soltou uma tragada de fumaça.
— Por ambas as coisas.
⚖ ─── 𝛂 · β· Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello