Capítulo 156
CAPÍTULO 156
22 de março, Seul.
Jang Jin-woo observava em silêncio o suspeito. Vestido com uma espécie de terno por cima de uma camiseta com a gola laceada, o suspeito bebia a sorvos o café que o investigador tinha lhe trazido por cortesia, enquanto não parava de mover os olhos de um lado para o outro. E, não importava o que lhe perguntassem, apenas franzia os lábios e olhava para o advogado que estava presente.
Era um verdadeiro espetáculo. Se o advogado assentia, ele respondia com um ou dois “sim” ou “não”; se balançava a cabeça negativamente, optava pelo silêncio. Se o investigador, frustrado, aumentava o tom de voz, ele encolhia os ombros com uma expressão de terror, como se fosse morrer de susto. Então, o advogado intervinha imediatamente, mencionando o artigo 309 do Código de Processo Penal e falando sobre interrogatórios coercitivos.
— Coerção coisa nenhuma! Esse cara acha que pode soltar qualquer besteira e pronto?
O investigador olhou para o advogado sem acreditar. Mas o outro se limitou a repetir mecanicamente o seu discurso e depois voltou a ficar à margem.
Com a voz irritada, o investigador voltou a se dirigir ao suspeito.
— Então, vocês nunca realizaram nenhum exame de rastreio genital nessas pessoas?
— ……
— Está negando todas as acusações? Distribuição de ativadores, administração ilegal, coerção, ameaças, tudo?
— ……
— Fale alguma coisa, homem. Não estou te perguntando nada complicado.
— …Sim. Não parece uma pergunta difícil.
— Eu não estou pedindo para você dizer isso! Enfim…
O investigador suspirou, olhando para o vazio com exaustão. Então, vindo de trás, onde observava a uma certa distância, Jang Jin-woo soltou um riso curto. O investigador, sem jeito, olhou para trás e limpou a garganta. Não estava conseguindo cumprir sua tarefa, então a situação era desconfortável.
Jang Jin-woo puxou a cadeira e se aproximou da mesa. Em seguida, sentou-se na frente do suspeito, apoiou o queixo e esfregou a bochecha com sua mão grande.
— Interessante. Senhor Go Hyeong-jun, o senhor sempre foi assim?
O canto de seus lábios, onde ainda restava um traço de riso, estava torto para cima de forma peculiar. Go Hyeong-jun piscou, como se não estivesse entendendo nada.
— Estou dizendo que vocês montaram bem o papel. Parecem ter ensaiado bastante juntos. Para fazer algo assim, também precisa pagar mais a eles?
Como continuava sem obter resposta, seu olhar se deslocou para o advogado sentado ao lado de Go Hyeong-jun. Encarou-o por um bom tempo, como se lhe dissesse que ele podia responder, mas o advogado não se mexeu nem um centímetro, feito uma estátua. Não parecia ter a menor intenção de reagir às provocações do promotor encarregado.
Jang Jin-woo voltou a virar a cabeça na direção de Go Hyeong-jun.
— Tudo bem. Não tenho a intenção de obrigar alguém que quer exercer seu direito de permanecer em silêncio a confessar. Continue com o seu papel.
Enquanto falava, deslizou com o dedo um dos documentos espalhados sobre a mesa e o colocou na frente de Go Hyeong-jun.
— Sua licença médica é americana. Morou muito tempo lá?
Go Hyeong-jun olhou em silêncio para o documento com seu histórico, inflou as bochechas e balançou a cabeça negativamente.
— …Não. Só desde a faculdade.
Parecia ter decidido que a isso sim podia responder.
— Teria sido melhor para o senhor continuar por lá como médico, não acha? Por que voltou para a Coreia? Imagino que na sua empresa atual te paguem muito bem, não é?
— Promotor, peço que se abstenha de fazer perguntas sobre a vida pessoal que não têm relação com as acusações.
O advogado voltou a intervir do lado. O olhar de Jang Jin-woo, que estava sobre Go Hyeong-jun, deslocou-se para ele.
— E como o senhor sabe se esta pergunta tem ou não relação com as acusações? Quem está conduzindo a investigação sou eu.
— Considero que é uma pergunta distante do conteúdo da acusação.
— Por isso mesmo, por que é o senhor quem faz essa avaliação?
— ……
O advogado, que tinha perdido o momento de intervir e se retirar, fechou a boca com força. Seu desagrado ficou evidente, mas discutir com um promotor nunca tinha sido uma boa ideia. Apertou a mandíbula e se jogou ligeiramente para trás, dando um passo para o lado.
O olhar de Jang Jin-woo voltou para a frente. Tirou uma fotografia que estava num canto da mesa e a deslizou na frente de Go Hyeong-jun.
— Esta foto… é de quando o senhor era residente na Pensilvânia, não é? Todo mundo aqui é do hospital?
Diante da pergunta, claramente pessoal, o rosto de Go Hyeong-jun voltou a se virar para o lado. No entanto, o advogado não interveio como antes; apenas balançou a cabeça em silêncio. Seguindo esse sinal, Go Hyeong-jun voltou a exercer seu direito de permanecer em silêncio.
Como esperava, Jang Jin-woo recolheu a foto com calma. Depois tirou outra que estava meio escondida debaixo do monitor e a mostrou. Desta vez, houve uma leve mudança no olhar de Go Hyeong-jun.
— Esta mulher… era sua companheira? Vocês parecem bem próximos.
Na imagem, um Go Hyeong-jun mais jovem abraçava pelos ombros uma mulher branca. O fundo era o mesmo hospital da foto anterior, e ela vestia roupas de paciente.
Mais uma vez, Go Hyeong-jun não disse nada. Mas também não olhou para o advogado. Como se não precisasse buscar a opinião ou aprovação de ninguém, escolheu o silêncio por conta própria.
— Ficou curioso para saber o quanto mais eu sei?
Jang Jin-woo se inclinou e buscou o olhar de Go Hyeong-jun, que mantinha a cabeça baixa. O rosto do pesquisador que supostamente só sabia estudar tinha voltado à sua expressão original, a de alguém que fingia ser o mais inteligente do mundo.
Tendo obtido a reação que queria, Jang Jin-woo sorriu levemente. Então Go Hyeong-jun também curvou lentamente os lábios, devolvendo o sorriso.
— Não. Não me interessa nem um pouco.
Ignorando com leveza a tentativa de interrogatório direcionado, ergueu a cabeça. Sua expressão continuava excessivamente despretensiosa, mas seu olhar estava mais claro do que antes.
Jang Jin-woo também endireitou o tronco.
— Claro. Cada um tem interesses diferentes.
Depois puxou o ar profundamente e começou a organizar os documentos sobre a mesa.
— Paramos por aqui. De qualquer forma, parece que não há mais nada a dizer. Não vamos perder tempo. Podem se retirar.
— ……?
No rosto de Go Hyeong-jun apareceu uma ligeira surpresa. Tinha pensado que, após pegar o fio da meada, o promotor começaria o verdadeiro jogo psicológico. O advogado também o encarou fixamente, surpreso. Tinham vindo preparados inclusive para um interrogatório noturno. Não esperavam que tudo terminasse em menos de uma hora.
Um dos investigadores, rápido de reflexos, levantou-se e abriu a porta.
— A saída é por aqui.
Ainda assim, os dois hesitaram em sair e se levantaram sem jeito, olhando para Jang Jin-woo. Mas ele já estava concentrado em outra coisa, e não parecia ter a menor intenção de voltar atrás.
Com uma expressão constrangida ao extremo, Go Hyeong-jun mexeu os lábios como se fosse dizer algo, mas voltou a fechá-los com força. Sabia que continuar falando ali não lhe traria nem um grama de benefício.
No fim, os dois saíram e, deixando-os no corredor, a porta da sala de interrogatórios se fechou. Ao mesmo tempo, os investigadores se aproximaram rapidamente de Jang Jin-woo.
— Promotor, tem alguma coisa aí, não tem? A cara do suspeito mudou completamente.
— Ele tentava disfarçar, mas dava para notar demais. Mas isso… não era só uma foto que nós encontramos recolhendo material? Acho que alguém marcou o Go Hyeong-jun nas redes sociais e apareceu no rastreamento.
Observavam com curiosidade a fotografia que tinha ficado no assento onde Go Hyeong-jun estava sentado. Por mais que olhassem, não conseguiam adivinhar o que Jang Jin-woo tinha encontrado em uma imagem que parecia tão comum.
— É o que parece. Teremos que investigar a partir de agora.
Jang Jin-woo reuniu os documentos ordenados e bateu-os levemente contra a mesa, murmurando. Os olhos dos dois investigadores se abriram de par em par.
— Hã, promotor? Então o senhor só estava sondando?
Pensavam que ele sabia de alguma coisa, mas não era isso.
— Ele pode fechar a boca de propósito, mas enquanto estiver com os olhos abertos, as pupilas têm que se mover constantemente. Desde antes, ele não parava de olhar para essa foto de vez em quando. Embora tentasse disfarçar, no fundo continuava preocupado sem perceber.
Por isso tinha permanecido todo o interrogatório reclinado para trás, limitando-se a observar.
Ao compreenderem a intenção, os dois investigadores se olharam com expressão de espanto, esticando o buço num “oh”. Enquanto isso, o rosto do investigador Kim Ho-seok, que tinha trabalhado com ele em Oseong, mostrava internamente um ar de “viu? eu te avisei”.
— Por isso dizem que, seja suspeito ou testemunha, primeiro tem que trazer e sentar aqui. Olhando para a cara dele, sempre sai alguma coisa, não sai?
— Então, começamos por descobrir o nome dessa mulher?
Jang Jin-woo assentiu.
— Sim. E, além disso, investiguem também os casos sem solução que aconteceram na Pensilvânia durante o tempo em que Go Hyeong-jun esteve lá. Desaparecimentos, mortes suspeitas, tudo isso. Se procurarem em notícias na internet, com certeza aparece alguma coisa.
Nesse momento, alguém bateu à porta da sala e colocou a cabeça para dentro.
— Promotor, o subdiretor está te procurando.
Era um funcionário do gabinete do chefe. Jang Jin-woo assentiu indicando que iria imediatamente, e depois voltou a se dirigir aos investigadores.
— Descubram sobre os colegas do hospital que saem nesta foto. Se encontrarem algo que possa servir como ponto fraco, me informem imediatamente. E houve resposta do lado da Dongyang?
— Ah, isso ainda não. Agora que o senhor falou… esses caras estão meio suspeitos, não estão? Não vão mudar o depoimento a esta altura do campeonato, vão? São uns mafiosos, não dá para confiar neles.
— Entrem em contato de novo com o advogado Taegwan e, se mesmo assim não houver movimentação, solicitamos o mandado de prisão.
Diante dessas palavras, os dois investigadores se olharam com um “eita!”. Sabiam das circunstâncias internas: tinham obtido o depoimento sob a condição de continuar a investigação sem prisão preventiva.
Mas, conhecendo a personalidade de Jang Jin-woo, não disseram mais nada. O depoimento já estava nas mãos dele e a equipe especial já tinha sido formada. O fato de não estarem respondendo às intimações era completamente culpa deles, então estava claro que ele diria que podiam proceder com a prisão imediatamente, sem problemas.
Deixando para trás os investigadores que se dispersavam para seus respectivos postos, Jang Jin-woo pegou o celular e saiu. Enquanto se dirigia ao gabinete do subdiretor promotor, checou a hora e verificou as mensagens. Entre elas havia uma de Kim Marvin.
[Já fui ao hospital. Disseram que os resultados vão demorar cerca de uma semana. Também disseram que vão processar como estrangeiro sem cobertura para não ficar registro no Ministério da Saúde. Obrigado. Estou em débito com o senhor, promotor.]
Era uma mensagem que tinha chegado havia uma hora. Jang Jin-woo respondeu imediatamente.
[Se está grato, me pague um almoço]
Estava prestes a acrescentar ‘se for possível, hoje à noite’, quando alguém se aproximou pelo lado.
— O subdiretor também te chamou?
Era um promotor colega da sala ao lado.
— Sim.
— Vamos juntos.
Não havia razão para recusar, então Jang Jin-woo ajustou o passo ao dele. Nesse momento, seu celular vibrou outra vez.
[Então, o que acha de hoje à noite?]
Um sorriso de satisfação começou a se desenhar no rosto de Jang Jin-woo. Apagou o que estava escrevendo e respondeu imediatamente.
[Nos vemos às 18h]
Guardou o celular no bolso da calça e entrou no gabinete do chefe junto com o colega. Lá já havia outros três promotores.
O subdiretor promotor fez um gesto para que entrassem. Em seguida, pediu ao funcionário que estava ao seu lado que fechasse bem a porta ao sair. Assim que a porta se fechou com um estalo seco, o rosto do subdiretor, que até então estivera sorridente, ficou sério. Todos os presentes, antecipando a notícia que ele ia dar, deixaram escapar um suspiro.
⚖ ─── 𝛂 · β· Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello