Capítulo 155
CAPÍTULO 155
Kim Marvin não pôde tirar os olhos do confronto direto e forçou o olhar. A marca da impressão exposta sob a camisa tinha ficado avermelhada, como se estivesse sido arranhada por uma ponta afiada. Já tinha acontecido antes. Toda vez que enfrentava Jang Jin-woo, a região ficava irritada como se a ferida estivesse se reabrindo.
Como se soubesse, Jang Jin-woo o segurava com uma força tão intensa que parecia cortar a circulação. Como se estivesse descarregando ali todas as ondas de algum conflito que se agitava dentro dele.
— Está doendo — disse Kim Marvin, franzindo a testa.
— Essa é toda a sua resposta para a minha confissão?
Diante daquela escolha absurda de palavras, Kim Marvin ficou sem fala por um momento.
Confissão…?
Já tinha passado várias vezes por isso de ele soltar esse tipo de frase para sondar sua reação. Ter sido arrastado e depois rejeitado não tinha sido uma experiência agradável, e não queria repetir isso.
— Não sabia que você esperava uma resposta. E também não senti como se fosse uma confissão. Isso de “estou com ciúmes”, “estou incomodado”… não são só emoções que surgem porque você não tem um caráter particularmente generoso?
Devia ser por causa da marca. O instinto de alfa gravado no fator de traço de Jang Jin-woo simplesmente gerava um desejo de posse em relação ao ômega com quem estava marcado. Era algo a que ele não estava acostumado, então era natural que ficasse confuso.
— Da outra vez você mesmo disse. Que não gosta que o ômega marcado com você more com outro. Isso não passa de uma extensão disso, então acho que não precisa pensar de forma tão profunda.
Jang Jin-woo, que tinha ficado escutando em silêncio, deu um sorriso sutil, como se achasse lamentável. Sua respiração, tão próxima, tocava os lábios de Kim Marvin.
— Essa sua rigidez pode até ser bonitinha, mas não é muito convincente. Acha que eu não pensei nisso?
murmurou em tom baixo, inclinando a cabeça um pouco mais. Seus olhos, de um castanho-escuro brilhante, percorriam cada canto do rosto de Kim Marvin, analisando suas reações, qualquer mudança em seu estado. Sob aquele olhar, Kim Marvin não conseguia mexer nem um músculo ao redor dos olhos, e sua respiração ficou pesada.
— …Me solta.
Tentou sacudir o braço aproveitando o pulso preso.
— Está doendo de verdade. Não vou fugir, então… me solta um pouco.
Para alguém tão acostumado à violência, reclamar assim parecia quase ridículo, mas também não podia começar a lutar contra ele. Só queria se libertar e conseguir respirar normalmente.
O olhar de Jang Jin-woo desceu para o pulso de Kim Marvin, avermelhado pelo seu aperto. Parecia como se uma teia caótica estivesse se espalhando pela pele, como se estivesse sido exposta a algum tipo de toxina.
— Dói quando há contato — murmurou, como se também acontecesse com ele.
— Mas se você desaparece completamente da minha vista, isso também se torna insuportável.
O olhar que estava em seu pulso voltou para o rosto de Kim Marvin. Essa forma ambígua de falar, sem deixar claro o sujeito, deixou Kim Marvin em silêncio novamente.
— …….
Ao se manter em silêncio, sem negar nem assentir enquanto sustentava seu olhar, ele deu uma risada por conta própria.
— É só comigo que acontece?
E, como se estivesse se dando por vencido, soltou o pulso de Kim Marvin.
Kim Marvin deu um passo para trás, esfregando lentamente o pulso como se acariciasse uma queimadura. Sentia como se mal tivesse conseguido sair de um turbilhão profundo.
Embora tentasse disfarçar, ele parecia confuso. Essa atitude impulsiva e emocional lhe parecia estranha, mas ao mesmo tempo estimulava Kim Marvin.
— Parece que o interesse que você tinha por mim aumentou.
Certa vez, no dia em que Jang Jin-woo lhe propôs transar pela primeira vez, tinha dito algo parecido. Que pelo menos havia um certo interesse, então que não se preocupasse.
Naquela época, o Jang Jin-woo que oferecia o mínimo de emoção necessário para o sexo não demonstrava absolutamente nada. Era como enfrentar algo anormal, completamente coberto, impossível de decifrar, e aquilo lhe parecia desagradável.
Comparado a isso, o de agora parecia até humano. Nada menos do que sentindo ciúmes por algo tão trivial.
— Parece?
— Sim.
Para sua surpresa, ele não negou e aceitou com naturalidade.
— Eu também acho.
Jang Jin-woo voltou a se sentar diante da mesa e abriu as tampas dos recipientes. Parecia que ia comer.
— Pensei que pudesse ser pena, mas você já sabe que não sou alguém que tenha isso. Então só resta uma conclusão.
— Deve ser pela marca.
Diante da atitude de Kim Marvin, que voltava a impor distância, Jang Jin-woo sorriu de forma significativa.
— Vamos supor que sim.
De certa forma, aquilo soou como se dissesse que por hoje chegavam até ali. Apontou para o assento à sua frente com o queixo.
— Mesmo que seja tarde, vamos comer.
Serviu galbijjim no prato de Kim Marvin. Este, segurando o pulso que já começava a se acalmar, aproximou-se lentamente da mesa. A essa altura, não havia motivo para se levantar e ir embora. Tinham trocado golpes bastante fortes, mas nenhum tinha saído machucado, e a situação tinha se acalmado.
Jang Jin-woo começou a comer com uma postura estável. Como se todas as emoções agitadas tivessem voltado para o lugar, já tinha retornado ao promotor que Kim Marvin conhecia.
— Você se encontrou com Hong Gyeong-uk?
A conversa voltou a esse tema.
— Sim. É mais pervertido do que eu pensava.
Kim Marvin lembrou da impressão que ele tinha deixado no hotel e fez uma avaliação nada favorável. Jang Jin-woo assentiu, concordando.
— Já tinham comentado algo durante as prévias. Que o segundo filho tinha certos comportamentos estranhos. Naquela época era só bagunça na vida privada, mas agora que o pai está na Casa Azul, parece que está perdendo o controle. Descobriu alguma coisa?
— Ele está convencido de que logo poderá se manifestar como alfa. Pelo que vi, Go Hyeong-jun está instigando ele pelos cantos. Quando planeja chamá-lo? Pode ser que Go Hyeong-jun tenha mais cartas do que parece. Fica indo de um lado para o outro feito um morcego.
O galbijjim frio ainda estava aceitável. Jang Jin-woo, que também parecia estar com fome, não parava de mexer os palitinhos.
— O cronograma não bate totalmente, então estou vendo o momento certo. Ele entrou na SN Bio bastante tarde. Ainda não está claro por que o seguiu até a Suíça antes mesmo de entrar na empresa, então estou investigando isso.
— Entendi.
Kim Marvin assentiu, compreendendo, e levou uma garfada de arroz à boca. Enquanto mastigava com calma, Jang Jin-woo ergueu a cabeça de repente. Depois deixou os talheres de lado e o encarou fixamente antes de falar.
— Não precisa se esforçar tanto. Mesmo que não faça isso, de qualquer forma não vou dormir muito.
Os olhos de Kim Marvin, ao encontrarem os dele, se encheram de dúvida por um instante, mas logo compreendeu o significado e assentiu levemente para o lado.
Falava das feromônios. Como tinham decidido não transar, o que podiam fazer um pelo outro era limitado. Por isso, quase como uma rotina natural, toda vez que se viam ambos liberavam primeiro seus feromônios.
Claro que, comparados aos de Jang Jin-woo, que tomavam a casa inteira, os de Kim Marvin mal flutuavam fracamente no ar. Desde o começo não era algo que pudesse se equiparar, mas, por não querer ficar devendo, ele os liberava até mais do que o necessário. E como ele sabia que aquilo não era nada fácil, dizia a ele que aquilo bastava.
— Você deve estar cansado. Veio de carro?
— Não. Vou pegar um táxi.
Kim Marvin afrouxou um pouco a tensão do seu corpo. Jang Jin-woo, percebendo que os feromônios dele diminuíam, assentiu levemente, como quem diz que podia contê-los mais. No fim, Kim Marvin soltou completamente o controle. Seu corpo, que tinha estado em estado de alerta, relaxou por completo.
Jang Jin-woo não lhe exigiu responsabilidade pelo rut que já não respondia bem aos supressores, nem se queixou das noites de insônia. Não sabia se era consideração ou indiferença, mas essa atitude lhe parecia, sinceramente, agradável. A cada encontro, o peso que sentia ao vê-lo ia desaparecendo.
O resto da refeição passou em silêncio. Apenas trocaram alguns comentários leves sobre o trabalho, sem tocar em temas pesados. O som de mastigação e dos utensílios colidindo, e alguma risada fraca diante de piadas sem profundidade, preencheram o espaço.
Ao terminar, Jang Jin-woo se levantou por um momento para atender uma ligação. Kim Marvin, após pedir um táxi, sentou-se no sofá e olhou pela janela onde a chuva continuava caindo com força.
A voz de Jang Jin-woo, vinda do escritório, espalhava-se suavemente até a sala. Não entendia o que ele dizia, mas parecia como escutar uma música agradável. Kim Marvin fechou os olhos por um momento.
Tudo aconteceu em um instante.
Adormeceu de repente, sem nem perceber. Não foi por vontade própria. Seu corpo, relaxado sob os feromônios de seu parceiro de marcação, afrouxou e se inclinou suavemente sobre o sofá. E não acordou nem mesmo quando o táxi chegou e seu celular começou a tocar insistentemente.
Recuperou a consciência muito tempo depois. O teto da sala, escuro e silencioso, estava iluminado por uma luz indireta. A chuva tinha parado e do lado de fora tudo estava calmo. Ao seu lado, alguém digitava em um notebook.
Kim Marvin não se mexeu. Sem se levantar nem dar sinais de estar acordado, voltou a fechar os olhos em silêncio. O cansaço que tinha se acumulado sem que percebesse derretia de vez naquela sensação de langor, e não pôde resistir.
Mesmo naquele estado de consciência difusa, percebia a presença de Jang Jin-woo ao seu lado. O som do teclado não parava, mas talvez ele já tivesse percebido que ele estava acordado.
Ainda assim, Kim Marvin voltou a se deixar cair no sono. O celular, que começou a vibrar outra vez ao seu lado, foi silenciado imediatamente por Jang Jin-woo. Não se soube se ele o desligou, mas não voltou a emitir som algum.
E passou-se um bom tempo.
Com a noite já avançada, sob a luz fraca da sala que tinha se escurecido por si só, não havia nada em movimento. Jang Jin-woo também tinha adormecido, com a cabeça reclinada no encosto do sofá. Uma mão descansava sobre o notebook desligado, e a outra segurava suavemente o cabelo de Kim Marvin, que respirava profundamente ao seu lado.
Sem se mexer, ambos dormiam profundamente, enquanto seus feromônios flutuavam no ar ao redor. A marca, que antes estava avermelhada, tinha se acalmado por completo, e as sensações que durante meses tinham estado em tensão entraram finalmente em um descanso total.
Aquele sono profundo, sem sequer ter sonhos, prolongou-se até o amanhecer. Como se estivessem unidos por um fio invisível, moviam-se ao mesmo tempo e respiravam em uníssono.
E quando a manhã chegou por completo, Kim Marvin já não estava.
O notebook que tinha estado sobre os joelhos de Jang Jin-woo, que ainda não tinha acordado de todo, tinha sido colocado sobre a mesa. Suas mãos, organizadamente apoiadas, estavam fechadas sem força, como se tivessem deixado escapar algo.
⚖ ─── 𝛂 · β· Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello