Capítulo 154
CAPÍTULO 154
O que saiu da boca de Jang Jin-woo, no entanto, não foi sobre Woo Hyun-woo, mas algo que incomodou diretamente Kim Marvin.
— Posso perguntar por que moram juntos?
Embora a cozinha e a sala estivessem bastante separadas, o olhar dele parecia afiado. Kim Marvin, fingindo não perceber, abaixou a cabeça e enviou primeiro a mensagem que já tinha escrito para Woo Hyun-woo.
— Por nada demais. Como trabalhamos juntos, ele acaba tendo que vir me buscar com bastante frequência.
Guardou o celular no bolso de trás com naturalidade e se aproximou. Em seguida, sentou-se na frente de Jang Jin-woo, apoiando as costas na cadeira.
— Ele tinha outro lugar onde morava originalmente?
— Sim.
Por todos os motivos, Woo Hyun-woo também tinha seu próprio apartamento em Seul. Mas, como ia e vinha para o officetel de Kim Marvin quase todos os dias, isso já não fazia muito sentido. Além disso, ultimamente ele tinha até deixado sua escova de dentes e seu pijama lá, e às vezes ficava para dormir sem pedir licença.
Visto por esse lado, também não estava totalmente errado dizer que estavam morando juntos.
Claro, eles nunca haviam conversado sobre isso desse jeito. Simplesmente, se ele vinha, vinha; se ia embora, ia embora. Kim Marvin tinha deixado as coisas assim, sem dar importância. Por isso, achava curioso que aquilo incomodasse Jang Jin-woo.
— Incomoda você eu morar com ele?
Lembrando que ele tinha dito que estava com ciúmes, Kim Marvin soltou uma risada fraca.
— Incomoda. É a primeira vez que deixo alguém entrar na minha casa, e agora parece que Kim Marvin é o tipo de pessoa que, basta se aproximar um pouco, já pode morar com qualquer um.
— Não diga isso. O seu caso é diferente.
Há comparações que nem vêm ao caso.
Para Kim Marvin, era absurdo que ele próprio se colocasse no mesmo nível de alguém como Woo Hyun-woo.
— Em que é diferente?
Jang Jin-woo se inclinou para a frente. Como se estivesse disposto a ouvir, entrelaçou os dedos e apoiou os cotovelos sobre a mesa.
— Se está curioso, podemos ir ponto por ponto. Embora a mim me interesse mais isto.
Sem perder a oportunidade, Kim Marvin direcionou o olhar para o envelope que estava sobre a mesa, deixando claro qual era o seu verdadeiro interesse.
Jang Jin-woo curvou levemente o canto dos lábios, como quem diz “nada mau”, e estendeu a mão para o envelope. Tirou o relatório e o dobrou mostrando a última página antes de entregá-lo a Kim Marvin.
— Leia.
Ali estava um resumo comparativo das análises de sangue de Oh Jae-young e Kim Marvin:
[O indivíduo A apresenta um nível de fator de traço de 58%, estado de manifestação adquirida, atualmente em processo de marcação.
O indivíduo B apresenta um nível de fator de traço de 34%, estado de manifestação adquirida.
Identificam-se múltiplos padrões idênticos na sequência de bases do fator de traço entre os indivíduos A e B.]
Após revisar rapidamente o conteúdo, Kim Marvin ergueu o olhar para Jang Jin-woo com uma expressão significativa. Era uma pergunta silenciosa: se tinha entendido direito.
Jang Jin-woo assentiu e acrescentou uma explicação.
— Em termos normais, dizem que a probabilidade de a sequência de bases do fator de traço ser igual entre pessoas diferentes é praticamente inexistente. Mas, mesmo assim, entre vocês dois foram detectados múltiplos padrões idênticos. Isso indica uma alta probabilidade de ser uma manifestação artificial causada por um fármaco específico.
— Isso significa que Oh Jae-young e eu recebemos o mesmo remédio?
— Não dá para garantir, mas a probabilidade é alta.
Diante daquele resultado inesperado, Kim Marvin mergulhou em seus pensamentos por um momento.
Isso significava que eles já tinham conseguido, na SN Bio, criar por meio de um esquema um remédio comparável à amostra da Maxona.
No entanto, continuava incerto se era ou não um ativador permanente. Ou seja, se era falso, o mais provável era que ambos fossem; e se era real, também não se podia descartar que a manifestação de Oh Jae-young fosse permanente.
— Disseram que parece um ativador temporal? Ou…?
— Eu também queria saber isso, mas lamentavelmente dizem que com uma análise de sangue não dá para determinar. Seria preciso enviar o remédio que se suspeita ter sido administrado.
— Faz sentido.
Kim Marvin assentiu, compreendendo. Também não tinha esperado que todas as suas dúvidas fossem resolvidas com uma única coleta de sangue.
De qualquer forma, chegou a uma conclusão: tanto ele quanto Oh Jae-young tinham se manifestado de maneira aparentemente normal, sem que houvesse diferença visível.
Então, o remédio que deram a ele era falso, afinal de contas?
Se o que deram a Oh Jae-young tivesse sido um ativador permanente perfeito, não haveria razão para se esforçarem tanto para conseguir a amostra. De repente, lembrou-se das palavras de Go Hyeong-jun: de que não seria estranho se ele morresse a qualquer momento. Se aquilo era verdade, ele também não estava em uma situação para ficar tranquilo.
Com razão as dores de cabeça eram tão intensas.
Uma risada amarga lhe escapou de repente.
— Tem algo te preocupando?
perguntou Jang Jin-woo, que o observava fixamente.
— Não. É só que ainda há coisas demais envoltas em mistério. Chega a ser frustrante.
Kim Marvin desconversou como se não fosse nada. Não tinha necessidade nem obrigação de mencionar o que Go Hyeong-jun lhe tinha dito.
Como se estivesse percebido seus pensamentos, Jang Jin-woo deu uns toques com o dedo sobre uma parte do relatório e falou.
— Eu sim. Aqui, esta parte.
Apontava para a porcentagem do fator de traço de Kim Marvin.
— O nível do fator de traço de Kim Marvin está completamente diferente. Antes você me disse que era 67%. Agora é 58%. Caiu demais.
Franziu a testa enquanto o encarava, como se perguntasse por que ele não tinha mencionado isso se claramente tinha percebido.
Kim Marvin piscou, ligeiramente surpreso, mas logo entendeu.
Era alguém cujo trabalho consistia em guardar tudo o que via e ouvia. Enganá-lo pela metade parecia impossível. Kim Marvin puxou o ar uma vez e se ajeitou na cadeira.
— Sim, é verdade. E, além disso, caiu mais 1% em relação ao exame do mês passado.
— Do mês passado? Onde você fez esse exame?
— Em um ônibus de doação de sangue. Fizeram uma análise rápida antes da coleta.
Poderia ser um erro em algum dos lugares. A diferença não era grande, mal chegava a 1%. Mas se o valor continuava diminuindo, mesmo que fosse aos poucos, então sem dúvida algo estava mudando em seu corpo.
Não era algo que pudesse ignorar.
— Não parece algo que se possa deixar passar sem mais nem menos. O que acha de fazer um acompanhamento uma vez por mês? Não precisa enviar para o laboratório de Donghwa, conheço outros lugares onde podemos pedir.
— Está se referindo à esposa do seu amigo, a que veio à sua casa daquela vez?
— Sim. Ela é discreta, então não haverá problema.
— Da minha parte, se você está disposto a ajudar, não há razão para recusar.
Kim Marvin não objetou. Se dessa forma podia vigiar o estado do seu corpo, o certo era fazer isso.
Jang Jin-woo pegou o celular imediatamente e escreveu uma mensagem curta. Poderia ser para Seo Yi-gyeong, ou talvez estivesse resolvendo outro assunto sem relação. Com uma expressão indiferente, como se fosse parte do seu trabalho, digitou com rapidez.
Naturalmente, Kim Marvin acabou esperando. A comida sobre a mesa começava a secar, mas nenhum dos dois tinha sequer pego na colher. Nem quem tinha pedido a refeição, nem quem tinha ficado com aquele pretexto, prestavam atenção ao banquete diante deles. O galbijjim, que tinha exalado um aroma saboroso e salgado, agora esfriava, já tendo perdido seu propósito inicial.
Finalmente, Jang Jin-woo deixou o celular e ergueu a cabeça.
— Já expliquei a situação. Vamos fazer um exame de sangue esta semana. Depois, um por mês para acompanhamento. É no Hospital Hyundai de Gangnam, não fica longe daqui.
— Entendido. Então posso ir por conta própria.
Jang Jin-woo não respondeu. Apenas cruzou os braços e o encarou fixamente, como se esperasse algo.
— Então agora é a sua vez de responder à minha pergunta.
— Hã?
— O que você ia dizer antes. Disse que o seu caso era diferente, não foi?
Ah…
Aquilo sobre morar com Woo Hyun-woo.
O assunto que tinha esquecido voltou. Kim Marvin soltou uma risada fraca.
— Continua igual. Faz perguntas cujas respostas já conhece.
— Qualquer informação não passa de uma suposição até que eu a ouça da própria pessoa.
Tão próprio dele que Kim Marvin, sem perceber, assentiu.
Se ele insistia em perguntar, também não havia razão para não responder.
— Moro com ele simplesmente porque é prático. É algo que tanto faz fazer ou não. Em compensação, a razão pela qual estive com você… bem… como sabe, naquela época eu estava bastante desesperado.
Kim Marvin murmurava olhando para algum ponto da cozinha, depois ergueu os olhos para Jang Jin-woo.
— Eu queria me apoiar em alguém.
Era uma forma indireta de dizer que havia sentimentos envolvidos. Mas não funcionou com ele. Jang Jin-woo balançou a cabeça, como se não pudesse concordar de jeito nenhum.
— Não, não parecia. Nem antes nem agora, Kim Marvin nunca foi alguém que precisasse da ajuda dos outros.
À primeira vista soava bem, como se estivesse dizendo para ele não subestimar sua independência. Mas, visto por outro lado, também significava que o que tinha acabado de dizer não passava de besteira.
Não deixa passar nem uma.
Kim Marvin deu de ombros.
— É, bom, como você diz, não era necessário que eu ficasse na sua casa. Não precisa me lembrar das minhas intenções pessoais dessa maneira.
— Nisso nós somos iguais. Você sabe muito bem que eu não sou alguém bom o suficiente para ajudar os outros só por pena.
— ……
O olhar intenso de Jang Jin-woo começou a apertar a garganta de Kim Marvin. Havia algo de incômodo naquilo.
Que ele já sabia?
Então, de que adiantava dizer tudo aquilo agora?
Kim Marvin apertou os lábios. Não tinha vindo para falar disso. Com ele, a relação continuava sendo puramente de troca: ainda tinham coisas para dar um ao outro. Se não fosse por isso, nunca teria vindo até ali.
— Vou ao banheiro.
Levantou-se inventando uma desculpa, pensando em ganhar tempo lá dentro antes de ir embora. Mas logo Jang Jin-woo entrou no seu caminho e segurou seu pulso.
— Você está fugindo disso?
A força com que ele segurava era considerável; não conseguiu se soltar de imediato. Kim Marvin lançou-lhe um olhar como quem diz “nem ao banheiro posso ir como quero?”, mas não adiantou nada. Parecia que ele já tinha lido completamente o que se passava por sua cabeça.
— Te incomoda que eu fale disso?
— …Se eu disser que sim, você vai parar?
Diante da atitude firme de Kim Marvin, a expressão de Jang Jin-woo se fechou. Era evidente que o irritava não poder impor sua vontade.
— No caminho para cá eu pensei. Que, vai que eu voltasse a sentir aquele impulso de antes, seria melhor evitar falar de coisas pessoais. Parecia que você já não queria mais se envolver comigo nesse tipo de assunto.
A pressão da mão que segurava Kim Marvin foi aumentando aos poucos. O braço de Kim Marvin também se tensionou, resistindo a ceder.
— E mudou de ideia?
Naquele equilíbrio precário, seus corpos foram se aproximando cada vez mais. Naquele espaço invisível, continuavam se empurrando e se segurando mutuamente.
— Estou tentando fazer com que não seja assim. Por enquanto.
— Por enquanto?
— Ver você chegar de casaco, como se só quisesse resolver o seu problema e ir embora… me irrita. E também me incomoda que, por uma coisa tão simples como uma refeição, você pegue o celular em seguida, como se tivesse que dar satisfação ao seu companheiro.
Com o lábio inferior torcido, ele torceu com força o pulso dele.
— Eu sei que de qualquer forma você não pode transar com outro… mas não entendo por que continuo remoendo isso.
⚖ ─── 𝛂 · β· Ω ─── ⚖
Continua….
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello