Capítulo 151
CAPÍTULO 151
Em contraste com sua aparência luxuosa por fora, o interior do hotel era vulgar. No lounge do clube, onde retumbavam os graves, a maioria dos que dançavam estava sob algum tipo de efeito. Metade se esbarrava por causa do álcool, e a outra metade, drogada, soltava risadas estranhas.
— Onde você vai?
Um homem com o olhar perdido apoiou a mão no peito de Kim Marvin e sorriu feito um bobo. “Caramba, totalmente meu tipo.” O homem, completamente solto, se inclinou e se colou ao corpo de Kim Marvin. Kim Marvin o tirou de perto imediatamente, o devolveu ao seu grupo e seguiu seu caminho. Só depois de passar por situações parecidas mais um par de vezes conseguiu finalmente descer para o segundo subsolo do qual Go Hyeong-jun tinha lhe falado.
A iluminação era fraca. Além do som abafado do ritmo que descia do teto, havia outro tipo de barulho que se espalhava suavemente pelo ambiente. Era um corredor longo e, pelas frestas das portas, vazavam gemidos.
“Então o filho do presidente tem esse tipo de gosto.”
Sem dificuldade, Kim Marvin deduziu o uso daquele lugar enquanto caminhava devagar até o fim do corredor. Nisso, alguém o parou vindo por trás.
— Ei, você. Veio depois de ganhar o leilão? Cartão.
Um homem corpulento, maior do que se esperaria de um funcionário de hotel, estendeu a mão para Kim Marvin. Parecia ser um segurança encarregado do lugar. Pela forma como falava de leilões e cartões, parecia tê-lo confundido com um cliente do sistema de designação.
— Tô procurando o quarto 4.
— O quarto 4?
O rosto do homem se franziu. Seus olhos, cheios de suspeita, percorreram Kim Marvin de cima a baixo bem devagar, marcando rugas na testa. Após um momento, levou disfarçadamente o transmissor à boca e chamou alguém.
— Tem um cliente aqui indo pro quarto 4. Tem alguma reserva externa pra hoje?
Depois de um bip, ouviu-se uma voz: “Um momento, por favor.” Passaram-se alguns segundos antes que a resposta viesse.
— Sim, disseram pra acompanhar.
A resposta foi clara. Mesmo assim, o homem voltou a encarar Kim Marvin com desconfiança. Por mais que o observasse, não se parecia em nada com os clientes habituais que frequentavam o lugar.
Mas não havia muito mais que pudesse fazer. Finalmente, fez um gesto com a cabeça para que o seguisse.
Enquanto caminhava atrás dele, Kim Marvin pegou o celular. Na tela havia uma mensagem de Jang Jin-woo que tinha chegado há duas horas.
[Duas amostras de 10 ml de sangue coletadas logo após gozar. Envie para este endereço.]
[Província de Gyeonggi, Suwon, Universidade Donghwa, Departamento de Ciências Biológicas, laboratório A-3]
Kim Marvin deslizou a tela e abriu a conversa com Woo Hyun-woo. Em seguida, enviou rapidamente uma mensagem.
[Vou entrar. Fica a postos.]
Ao ver que a mensagem foi lida de imediato, guardou o celular no bolso. Nesse momento, um homem saiu correndo de um dos quartos e foi arrastado de volta para dentro. Seu corpo pelado estava coberto de marcas avermelhadas por toda parte. Ouviam-se discussões entre o homem, que dizia que não aguentava mais, e o cliente, que exigia que ele cumprisse o que tinha pago.
Era uma cena que via todas as noites no Hotel Daegyeong, então não o surpreendeu. No entanto, não esperava que em pleno centro de Seúl ainda existissem lugares que operavam um sistema ilegal de designação de forma tão descarada. Era quase certo que também se consumiam estimulantes de manifestação a curto prazo ali.
Embora se dissesse que, após o caso de contrabando da Jinkang Shipping, todo esse setor vinha se segurando por um tempo, parecia que não era bem assim.
Apesar do anúncio do governo de que tomaria medidas severas contra a distribuição de estimulantes ilegais, eles não pareciam nem um pouco abalados e continuavam aproveitando como bem entendiam.
Parecia que tinham algum teto protetor em quem confiar.
E, de fato.
Quando o homem que guiava Kim Marvin abriu a porta que dava para o lounge, esse teto protetor apareceu diante de seus olhos.
Um grande arco de mogno e, mais adiante, um sofá amplo de onde se podia ver a piscina de relance. Ali, sentado, estava o dono que governava aquele reino selvagem.
Kim Marvin tocou a ponta do nariz, invadido por uma sensação estranha.
O segundo filho do presidente em exercício. Finalmente, o homem que sempre tinha aparecido em suas suspeitas estava diante dele em pessoa.
— Oh, já chegou? Entra, entra.
Go Hyeong-jun, que estava perto da entrada, deu um pulo e se aproximou de Kim Marvin. Hong Gyeong-uk, que estava bebendo, também ergueu o olhar para ele. E ao seu lado, sentado com aparente familiaridade, estava Oh Jae-young.
Vestido como um idol masculino que vende o corpo, servia bebida obedientemente para Hong Gyeong-uk. Parecia que não era de hoje que fazia parte daquela bagunça.
A porta do lounge se fechou e o homem que o tinha guiado saiu. Go Hyeong-jun sorria abertamente enquanto se plantava na frente de Kim Marvin.
— Caramba, nosso agente. Fazia tempo que eu não te via, mas você tá com uma cara melhor do que antes. Perdeu peso? Eu gosto de ômega com mais carne, mais fofinho ao toque. Que pena.
Kim Marvin ignorou as palavras descaradas de Go Hyeong-jun e olhou para Oh Jae-young.
Pela falta de reação diante do fato de ele ser ômega, parecia que ele também conhecia, até certo ponto, a situação de Kim Marvin. Pensou que, de certa forma, era melhor assim. Explicar tudo seria uma amolação.
— E a amostra? Trouxe?
O olhar de Kim Marvin se afastou de Oh Jae-young e voltou para Go Hyeong-jun. Sem dizer nada, tirou um pequeno tubo de vidro do bolso interno.
— Oh.
Os olhos de Go Hyeong-jun brilharam como se tivesse encontrado uma presa. Bem no momento em que estendeu a mão para pegar a amostra, Kim Marvin deu um passo para trás e perguntou:
— Trouxe o dinheiro?
— Claro. Me passa a exchange e a conta.
Com ar arrogante, Go Hyeong-jun ergueu o celular. Mas Kim Marvin apenas inclinou a cabeça e o encarou sem responder. Go Hyeong-jun franziu a testa.
— O que foi? Não me diga que você não sabia que ia ser em criptomoeda. Não seja antiquado. Se não tem conta, cria uma agora. É rápido.
Impaciente, pressionava-o com o celular na mão, mas ao ver que Kim Marvin continuava em silêncio, ficou frustrado.
— Ah, rápido, o endereço de e-mail…
— Prepare os sete bilhões em dinheiro vivo. Eu só confio no que posso ter nas mãos.
— Hã?
Go Hyeong-jun o encarou com incredulidade, erguendo o lábio superior. Era como se dissesse: “Que porra de besteira você tá falando?”. Mas Kim Marvin não deu mais explicações, como se quisesse que ele levasse ao pé da letra.
Enquanto o impasse entre os dois continuava, Hong Gyeong-uk, que estava no sofá bebendo, soltou uma risada debochada.
Ao seu lado, Oh Jae-young, que o servia, também mordeu o lábio e olhou de canto de olho para Kim Marvin. A atmosfera estava ficando tensa e ele não podia deixar de ficar atento ao que acontecia.
— Ei, fala algo que faça sentido. Em que época você acha que a gente vive pra preparar isso em dinheiro vivo? Mesmo socando muito bem em caixas de maçã, dá mais de sete caixas.
Go Hyeong-jun colocou as mãos na cintura com uma expressão incrédula. Mas, como se não fosse da sua conta, Kim Marvin apenas deu de ombros. Nesse momento, Hong Gyeong-uk interveio.
— Ah, tá de boa. Eu preparo pra você. Não se preocupa.
Reclinado com calma no sofá, respondeu com um sorriso debochado para Kim Marvin. Ao ouvi-lo, Go Hyeong-jun virou bruscamente a cabeça para ele, como se perguntasse que diabo ele estava falando. Mas Hong Gyeong-uk o ignorou e continuou falando com Kim Marvin.
— Parece que você gosta mais de dinheiro do que aparenta. Vou deixar tudo pronto depois de amanhã, então espera um pouco. A propósito, o que achou daqui? Já que veio, senta e se diverte um pouco. Quer que eu reserve um quarto? Você disse que encontrou esse cara, não foi?
Hong Gyeong-uk sorriu enquanto dava uns tapinhas em Oh Jae-young, que estava sentado ao seu lado. Kim Marvin se aproximou devagar deles.
— É. A gente se conhece de antes.
— Ah é, fiquei sabendo. Vocês saíam juntos?
Kim Marvin olhou em silêncio para Oh Jae-young, mas este acenou rapidamente negando com as mãos para Hong Gyeong-uk.
— Não, de jeito nenhum. A gente não tinha nada, só colegas de trabalho, algo assim.
Oh Jae-young negou com firmeza, engolindo em seco como se se sentisse injustiçado. Parecia querer agradar Hong Gyeong-uk.
Kim Marvin ignorou a resposta dele e se dirigiu a Hong Gyeong-uk:
— Vou levar ele emprestado um momento.
Depois olhou em direção à porta do lounge, indicando que o levaria para um quarto. Go Hyeong-jun se aproximou com uma expressão desconfiada.
— Por quê? O que você vai fazer? Faz aqui.
— Você quer mesmo que eu faça aqui? Não gosto muito de ter plateia.
Kim Marvin demonstrou uma expressão de desconforto. Sua resposta, com um tom ambíguo, fez os olhos de Oh Jae-young se arregalarem.
— O quê? Não me diga que vocês vão fazer isso. Você não parece esse tipo de pessoa, agente.
Go Hyeong-jun franziu a testa como se estivesse presenciando algo nojento. Mesmo assim, não parava de alternar o olhar entre Kim Marvin e Oh Jae-young, incapaz de afastar suas suspeitas.
Ficava preocupado de que, ao levá-lo, ele dissesse alguma coisa estranha…
Não conseguia decifrar as intenções de Kim Marvin e isso o deixava quieto de ansiedade.
— Se não tem intenção de cumprir as condições do negócio, eu também não tenho mais nada pra fazer aqui.
Kim Marvin o lembrou do que já tinha dito pelo telefone. Go Hyeong-jun, com um gesto incômodo, olhou para Hong Gyeong-uk, como se pedisse sua opinião.
Hong Gyeong-uk lambeu os lábios e lançou a Kim Marvin um olhar interessado. Era muito mais divertido do que tinha ouvido falar. E sua aparência também não batia com o que Kim Do-jin tinha descrito.
Dizia que ele era bonitinho pra caralho.
Mas não tinha nada daquilo. Tinha uma personalidade bem forte.
“Tentar comer uma porra dessa… não é à toa que acabou morto, desgraçado louco.”
Com o braço sobre os ombros de Oh Jae-young, Hong Gyeong-uk ergueu o olhar para Kim Marvin.
— Leva ele. Ver dois ômegas se pegando também pode ser interessante. Embora, com a experiência que você tem, imagino que você vá ter que se encarregar de meter o pau, né?
— Não, sério, a gente não é assim…
Oh Jae-young voltou a negar gesticulando com as mãos, mas Hong Gyeong-uk não deu moral e o empurrou para a frente.
— Vai. Que sorte a sua, Jae-young. Um hyung bonito tá dizendo que vai te dar o que é seu.
Embora fosse tratado como um objeto vendido a preço de banana, Oh Jae-young nem sequer pôde responder. Sabendo que não tinha escolha, levantou-se de seu assento. Kim Marvin pegou o pulso do hesitante Oh Jae-young e o conduziu diretamente para a saída.
Lá fora, dois seguranças já tinham chegado. Quando tentaram pará-los, Hong Gyeong-uk ergueu a voz lá de trás e abriu caminho para eles.
— Tá de boa. Dá um quarto pra eles. Não precisa colocar nada lá.
— Sim.
Os dois saíram do lounge sem problemas. Às suas costas, ouviam-se as reclamações de Go Hyeong-jun, protestando por que ele ficava dando corda para tudo. Mesmo assim, Hong Gyeong-uk apenas se limitou a sorrir e dizer para ele se acalmar.
Como se tudo estivesse calculado, encostou-se com tranquilidade no sofá. Seu rosto desapareceu por completo da vista junto com a porta que se fechava.
⚖ ─── 𝛂 · β· Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello