Capítulo 150
CAPÍTULO 150
— Acho que é necessário detalhar um pouco mais esse grupo de interesse de que você falou. Se eu pensar bem, até agora o único lugar que enfrentei como se fosse “o governo” foi o gabinete do chefe de gabinete presidencial. Nenhuma outra instituição governamental enviou ninguém.
Nem mesmo o Serviço de Inteligência se moveu diretamente. No máximo, enviaram um informante por ordem do subdiretor Choi Hyeong-il. E, pelo que ouviu, até isso foi uma ação pessoal por medo do que o gabinete do chefe de gabinete poderia fazer com Kim Marvin.
Por mais que pensasse, o gabinete do chefe de gabinete estava agindo de forma independente demais.
— Isso me faz duvidar até que ponto eles realmente representam a postura do governo coreano. Por isso fiquei curioso. Se o chefe de gabinete Im Sang-uk é alguém capaz de agir por conta própria, à margem da vontade do VIP… ou se, por outro lado, é o tipo de pessoa tão leal que executaria ordens mesmo que significassem jogar trilhões de wones na lata do lixo.
A primeira pergunta que tinha feito a Jang Jin-woo reapareceu. Kim Marvin queria saber a avaliação dele sobre Im Sang-uk. E também queria ouvir a opinião dele sobre todas essas suspeitas. Afinal de contas, neste momento, ele era a única pessoa que conhecia com mais detalhes este caso.
Jang Jin-woo assentiu levemente, como quem indicava que compreendia o pano de fundo da pergunta.
— Não tenho uma relação pessoal com ele, então não o conheço a fundo. Quando eu ainda estava na promotoria, ele pegou o caso de forja de espionagem do Park Byung-jun e, depois, fez uma declaração de consciência e entrou para a política. Já mudou de partido uma vez. Não é nem de esquerda nem de direita, por isso sempre gera opiniões divididas. É o único político ex-promotor que odeia a promotoria. Sem facção nem cor, um lobo solitário… e ambicioso.
Sua voz grave preencheu o interior do carro. Ao mesmo temps, um caminhão passou de frente raspando o veículo e projetou uma luz intensa antes de desaparecer. O aquecedor já estava desligado, e a tela também tinha escurecido automaticamente após um tempo sem uso. Ambos já tinham se acostumado com a escuridão.
— E o que achou quando o conheceu pessoalmente? Lembro que te mandaram chamar uma vez por minha causa.
— Foi isso mesmo.
Jang Jin-woo olhou pela janela por um momento, vasculhando suas memórias.
— A atitude dele foi muito cortês, mas o conteúdo não foi. Basicamente, me disse que se eu continuasse me interessando por Kim Marvin, ele garantiria que eu não pudesse voltar a exercer a profissão de promotor.
— Ah… você disse que te “quebraram”, não foi?
Ele admitiu com um sorriso seco.
— Sim. Mas, sendo honesto, no momento em que ouvi aquilo, senti uma certa empolgação. Foi como se tivessem me dado uma desculpa para perturbar abertamente alguém que, por alguma razão, não parava de me chamar a atenção.
Kim Marvin o olhou em silêncio, vendo como a expressão dele ganhava um tom estranhamente animado. Jang Jin-woo respondeu àquele olhar.
— Naquele mesmo dia fui direto para o hotel. Como você acha que estava a minha cara? Lembro que me custou bastante disfarçar o quanto meu coração estava acelerado. Você não percebeu?
O rosto de Kim Marvin se encheu de desconcertamento.
“O que ele tá falando…”
— Nem um pouco. Naquela época eu também estava atolado até o pescoço e não tinha margem. Estava fazendo o possível para não me enrolar com você.
— Mesmo assim, acabaram se enrolando de forma bastante persistente. Posso te perguntar o que acha disso?
O mau gosto dele continuava intacto. Talvez porque não temia a opinião alheia, sempre soltava exatamente as dúvidas ou curiosidades que lhe surgiam.
— Bom… imagino que seja uma sorte. No fim, foi você quem me deu a “pílula vermelha”. Graças a isso pude encarar a realidade e sobreviver até agora.
Fosse qual fosse a razão pela qual o tirou de seu estado confortável em Oseong, o resultado foi que o arrastou para fora da superfície. Se não tivesse sido assim, provavelmente teria terminado como um sapo numa panela, morrendo aos poucos sem perceber o calor.
— Não. Isso é completamente mérito seu, Kim Marvin. Mesmo se não tivesse sido eu, você teria acordado e saído por conta própria. É a pessoa com o maior instinto de sobrevivência que já conheci.
Era claramente um elogio, mas mesmo assim escapou um riso curto de Kim Marvin.
— Desde que nasci, minha vida tem sido pura sobrevivência.
Kim Marvin respondeu com um tom autocrítico, debochando da própria situação.
Na escuridão, o olhar de Jang Jin-woo permaneceu fixo nele durante um momento. Como se estivesse processando aquela resposta carregada de cinismo, observou-o sem sequer piscar. No fundo daquele olhar, algo parecido com uma leve compaixão piscou.
Mas foi só um instante. Logo, como se nada tivesse acontecido, Jang Jin-woo inspirou fundo uma vez e mudou o clima.
— Certo, e agora, qual é o próximo passo? Vai invadir o gabinete do chefe de gabinete?
Parecia realmente interessado em seu próximo movimento. Batia levemente no volante enquanto esperava a resposta de Kim Marvin, como se quisesse ouvir todos os seus planos.
— Ainda não. Mesmo se eu fosse, não acho que iriam me dizer nada de útil.
No fim das contas, se a outra parte não colaborasse, não obteria nada. E ele sabia disso, por isso não queria agir sem sentido agora.
— Em vez disso, planejo ver o Hong Gyeong-uk. Ainda tenho uma amostra comigo. Qual é a situação do Go Hyeong-jun agora? Ele está incluído entre os réus?
Diante da sequência de perguntas, Jang Jin-woo assentiu devagar.
— Então vou ter que me apressar. A relação entre esses dois também é bastante delicada. Por enquanto parecem estar do mesmo lado, mas dá a impressão de que escondem algo. Pelo menos, como eles acreditam que a amostra é real, vão poder tentar qualquer coisa.
— Ainda não foi provado que é falsa. Seria bom você não agir baseando-se apenas nas suas próprias suposições.
— E você, de que lado está? Se falarmos de probabilidades.
— Pelas circunstâncias, eu diria que está cinquenta-cinquenta. Se partirmos da premissa de que a amostra é falsa, muitas coisas se explicam de uma vez. Mas o mesmo acontece se for real. Você não deveria deixar isso passar.
— …….
— Por acaso você quer que seja falsa…? Tem algum interesse pessoal nessa suposição, Kim Marvin?
Ao ver que Kim Marvin guardava silêncio, Jang Jin-woo perguntou sem rodeios. Kim Marvin mordeu levemente a parte interna do lábio e soltou um riso seco. Como sempre, ele não era alguém que deixava as coisas passarem facilmente.
— Pode ser que tenha sido inconsciente.
Como nunca tinha gostado de sua vida como ômega, talvez, sem perceber, quisesse que o efeito da amostra fosse desaparecendo aos poucos.
E, mesmo assim, por outro lado, também coexistia o medo.
Não era o único que tinha conseguido uma manifestação artificial. Sabia que Oh Jae-young continuava vivendo como ômega. E as palavras de Go Hyeong-jun, dizendo que a dele ainda não era um estimulante completamente aperfeiçoado e que não seria estranho se morresse a qualquer momento, não saíam de sua cabeça.
Ele também tinha sofrido fortes efeitos colaterais. As dores de cabeça eram constantes e, quando o cio chegava, mais do que desejo, vinha acompanhado de dor. Se o remédio que Oh Jae-young tomou tinha uma composição parecida, não havia garantia de que Kim Marvin não terminaria do mesmo jeito.
— Tem uma coisa que quero testar, e preciso da sua ajuda, promotor.
Jang Jin-woo assentiu, indicando para que continuasse.
— Você encomendou ao professor Kim Joo-young da Universidade Donghwa a análise do mesmo remédio que Oh Jae-young tomou, não foi? O estimulante de segunda fase que te levei do subdiretor Heo.
— Sim. Se precisar dos dados, te envio.
— Mais uma coisa. Quero fazer um exame de sangue. Tanto eu quanto o Oh Jae-young.
Pensou que, comparando com alguém em quem sim era certo que o remédio era defeituoso, poderia obter alguma pista. Jang Jin-woo, que captou de imediato a intenção dele, aceitou sem hesitar.
— De acordo. Vou fazer os trâmites. Mas vai ter condições que devem ser cumpridas no momento de tirar o sangue. Vou organizar e te enviar, então traga. Já localizou o Oh Jae-young? Ultimamente parece que ele não faz mais lives.
Como ele dizia. Em algum momento, o paradeiro de Oh Jae-young se tornou incerto. Depois de fazer lives todas as noites dizendo que tinha se manifestado como ômega, desapareceu de repente. Naturalmente, também não respondeu às tentativas de contato de Kim Marvin.
— Tenho a quem perguntar.
Se não estivesse morto, era certo que Go Hyeong-jun sabia onde ele estava. Podia usar a amostra como pretexto para criar um ponto de contato.
Jang Jin-woo não pediu mais detalhes. Permaneceu pensativo por um momento e, como se decidisse que devia dizer, abriu a boca.
— Pode ser que isso soe como se eu estivesse jogando um balde de água fria na sua expectativa, mas…
Fixando o olhar em Kim Marvin, continuou com calma:
— Não acho que essa amostra seja falsa. Porque tenho certeza de que você se manifestou completamente como ômega.
O tom tão firme o pegou de surpresa.
— Diz isso como alfa natural?
— Digo isso como o alfa dominante que se marcou com você. Então não venha com essa de que os genes de traço estão se dissolvendo por dentro. Eu percebo isso cada vez mais com o passar do tempo.
— …….
— Te digo isso para que não fique decepcionado demais quando vir os resultados.
Kim Marvin não conseguiu responder de imediato.
Era alguém que, desde a primeira vez que o viu, tinha reconhecido seu traço num piscar de olhos. Talvez, como naquela época, possuísse algo difícil de explicar cientificamente. Ou talvez simplesmente não quisesse ouvir que o ômega com quem tinha se marcado pudesse ser falso.
Fosse qual fosse a razão, já não lhe importava. Alfa ou ômega, já não tinha grande significado para ele. Na verdade, começava a pensar que o melhor seria que seus genes de traço se dissolvessem por completo e ele terminasse se tornando um beta. Tudo isso de manifestação… já lhe parecia insuportável.
Nesse momento, o celular vibrou em algum lugar. O olhar de Jang Jin-woo se dirigiu para o casaco que tinha deixado no banco traseiro. Parecia que estavam procurando por ele por causa de algum compromisso agendado.
Kim Marvin puxou o boné de volta até os olhos.
— Me desculpe. Tomei tempo demais do seu dia. Vou embora.
Quando estava prestes a descer do carro, Jang Jin-woo o segurou levemente.
— Onde você vai? Eu te levo.
— Não precisa. Eu desço aqui. Você deve estar ocupado, continue com as suas coisas.
Diante do tom firme de Kim Marvin, que não deixava margem, Jang Jin-woo não teve outra opção a não ser soltar a mão que o segurava.
Kim Marvin fez um breve aceno com a cabeça e desceu do carro, caminhando com passo firme em direção à avenida principal. Depois se inclinou um pouco para tentar pegar um táxi.
Era tarde da noite, e as ruas de Oseong estavam praticamente vazias. Mesmo assim, Kim Marvin esperou um bom tempo com as mãos enfiadas nos bolsos do casaco, até que finalmente conseguiu parar um táxi.
Jang Jin-woo observou, pelo retrovisor, a figura de Kim Marvin desaparecer por completo de sua vista. Depois, inspirou fundo os feromônios que preenchiam o interior do carro e se afundou no banco.
Poderiam ter se falado por telefone, mas com certeza essa não era a razão pela qual ele tinha vindo até Oseong para procurá-lo.
Feromônios.
Desde o momento em que subiu no carro, Kim Marvin vinha liberando cuidadosamente seus feromônios. Como se quisesse devolver o que tinha acontecido na cafeteria, deixou camadas de seu suave aroma cítrico impregnando o espaço fechado do veículo antes de ir embora.
Não queria ficar em dívida.
Esse era o tipo de pessoa que Kim Marvin era. Mesmo sabendo disso, achava incômoda essa mudança dele, essa forma de não lhe deixar nenhuma brecha. Embora, para ele, as coisas já não fossem como há alguns meses, quando só pensava em ir para a cama com ele ou em como manipulá-lo para tê-lo ao seu lado.
Perguntou-se até onde ele seria capaz de ir. Queria ver como cumpriria aquela promessa de se encarregar ele mesmo de sua vingança.
Era isso um sentimento de apoio? Ou…?
Jang Jin-woo soltou uma risada entrecortada e fechou os olhos devagar. Percebeu que estava completamente absorvido por Kim Marvin, a ponto de querer se envolver profundamente em sua vida.
O celular voltou a vibrar. Mas Jang Jin-woo não ligou o carro; em vez disso, ficou ali, saboreando devagar os rastros que Kim Marvin tinha deixado no interior do veículo, enquanto fechava os olhos.
⚖ ─── 𝛂 · β· Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello