Capítulo 149
CAPÍTULO 149
Diante de um tratamento inesperadamente generoso, Kim Marvin ergueu levemente o canto dos lábios, ostentando um sorriso ambíguo.
— Fico feliz em ver que você ainda tem interesse nesse assunto.
Depois de meses se preparando para uma luta solitária, a atitude ativa de Jang Jin-woo fazia tudo aquilo parecer inútil. No entanto, ele inclinou a cabeça diante da resposta de Kim Marvin.
— Por que achou que eu tinha perdido o interesse? Nada foi resolvido ainda.
— Mesmo sem se envolver a esse ponto, você não consegue alcançar tudo o que quer? Parece que não está longe de sair de Oseong.
Diante dessas palavras, Jang Jin-woo soltou um leve bufo. Com o polegar apoiando o queixo e o indicador e o médio pressionando a ponte do nariz, o ar escapou entre seus dedos. Seus lábios não podiam ser vistos, mas ele claramente estava sorrindo.
— Às vezes, Kim Marvin, você tem um lado incrivelmente ingênuo.
— …Não é bem um elogio agradável.
— Ou talvez esteja simplificando demais o que é a promotoria como organização.
— Ah, é?
Kim Marvin murmurou como se falasse consigo mesmo e desviou o olhar com indiferença. Não era alguém que tivesse refletido tão seriamente sobre aquela organização.
Jang Jin-woo, que o observava em silêncio, passou a língua devagar pelos lábios que ainda se curvavam num leve sorriso.
— Com um caso que nem sequer teve sentença em primeira instância, o que você acha que eu posso alcançar? Não se ganha nada só pela fama de ter mexido com um grande conglomerado. Na verdade, se a equipe especial não der resultados, vou terminar carregando a culpa de ter feito a promotoria passar vergonha.
Era verdade que as coisas avançavam de acordo com o plano dele, mas bastava um pequeno desvio para a SN Bio contra-atacar.
Já circulavam comentários de que a promotoria estava conduzindo uma investigação direcionada baseando-se apenas em depoimentos de criminosos. Se não houvesse provas sólidas que sustentassem isso, poderiam ficar presos na narrativa de um ataque injustificado contra um grande conglomerado e tudo terminaria numa acusação morna que não daria em nada. Por isso, para Jang Jin-woo, ainda era necessário ter um último trunfo se a situação se complicasse.
Seu olhar, carregado de intenção, fixou-se em Kim Marvin.
— Não diga isso. Depois de ter preparado tudo durante tanto tempo, você acha mesmo que vai perder?
Kim Marvin, que olhava para a frente, lançou um olhar de canto de olho, e o canto dos lábios de Jang Jin-woo voltou a se erguer levemente.
— Você me superestima. A única coisa que tenho agora é, no máximo, o depoimento do líder da gangue Dongyang. Se esse elo se quebrar, tudo o que preparei até agora não vai servir de nada. E não posso simplesmente sair revelando segredos de Estado só porque as coisas não saíram do jeito que eu queria.
Era uma ameaça disfarçada de gentileza. Estava dizendo, de forma ambígua, que embora tentasse não usá-lo, essa possibilidade continuava aberta. Kim Marvin não tinha como não entender.
Kim Marvin esboçou um sorriso seco e encolheu levemente os ombros. Ao mesmo tempo, algo incômodo, cravado num canto de sua mente, rangeu.
Era como um subproduto que tinha surgido desde o início daquela relação. Não eram amantes, nem amigos, e tampouco podiam se chamar de companheiros. Um elo estranho. O que os tinha unido era a utilidade que tinham um para o outro, e embora essa utilidade estivesse começando a desaparecer aos poucos, não podiam se livrar tão facilmente daquele resíduo.
As palavras que Jang Jin-woo tinha acabado de dizer também se encaixavam nesse mesmo sentido. Para ele, ainda havia razões suficientes para continuar vendo Kim Marvin. Até mesmo aquele desejo de se obcecar e controlá-lo podia ser explicado dentro do mesmo contexto: ele ainda tinha valor como ferramenta.
Kim Marvin sentiu uma certa amargura, mas ao mesmo tempo percebeu que ele também queria se refugiar dentro da justificativa que Jang Jin-woo tinha criado. Graças a isso, não parecia estranho que pudesse aparecer na frente dele a qualquer momento sem implicações pessoais. Chegou até a pensar que era uma sorte ainda ser tratado por ele como um trunfo útil.
Ambos, envoltos por uma penumbra escura, ficaram se encarando em silêncio por um momento.
— Obrigado por cumprir a promessa.
Foi Kim Marvin quem quebrou o silêncio primeiro. Jang Jin-woo sorriu levemente e se ajeitou no banco.
— Não é pra tanto. Continue com o que estava dizendo. O que você quer dizer com o fato de que, mesmo com a amostra, eles não conseguiriam desenvolver o remédio? Você ouviu alguma coisa em algum lugar?
— Não exatamente. É só uma dedução minha, mas…
Kim Marvin parou por um instante.
Não tinha garantia de que suas conjecturas, construídas sem conhecimentos profundos na ciência de traços, não soariam como meras fantasias para alguém que baseava todo o seu raciocínio em provas e depoimentos.
Mas precisamente por isso queria ouvir uma opinião objetiva dele. Talvez, no fundo, também quisesse validar sua própria hipótese.
— Daquela vez, na exposição em que fomos juntos, o professor da Universidade Donghwa não disse que, no estado atual, é difícil existir um remédio de manifestação permanente? E que, mesmo se existisse, não passaria de algo descoberto por acidente?
Jang Jin-woo assentiu como quem se lembrava.
— Sim, ele disse. Mas isso nós já analisamos uma vez, não foi? Mesmo que fosse fruto do acaso, concluímos que a SN Bio provavelmente iria querer testar, já que eles têm histórico em desenvolvimentos parecidos. Não foi isso?
— Sim, mas… e se desde o começo a amostra da Maxona fosse falsa?
Com uma voz não muito alta, Kim Marvin lançou uma hipótese que invertia completamente a premissa fundamental. Em seguida, observou em silêncio a reação de Jang Jin-woo.
Ele simplesmente o encarou, sem responder de imediato. Mas aquele silêncio pesado parecia mais um convite tácito para continuar, então Kim Marvin prosseguiu.
— Dizer que é falsa soa extremo. Mas… e se essa amostra não passasse de um estimulante de manifestação a curto prazo que não se dissolve facilmente a longo prazo?
Afinal de contas, a própria substância dos estimulantes consistia em revestir proteínas para criar artificialmente uma sequência de bases. Ambos se lembravam do que o professor tinha dito: se dissolvia rápido, era um estimulante de curto prazo; se fazia isso devagar, podia parecer um permanente.
— Não é impossível. Mas sendo especialistas, é difícil acreditar que eles não soubessem disso.
— Podiam não saber. A amostra ainda não foi entregue a eles. Provavelmente lá em cima só receberam o relatório de que eu manifestei o traço.
Uso experimental e resultados clínicos. Era uma boa forma de demonstrar que algo era real sem precisar entregar diretamente à outra parte.
Jang Jin-woo inspirou fundo e se encostou para trás. De braços cruzados, seu rosto começou a ganhar uma seriedade densa. Como se encontrasse uma certa lógica no que ouvia, seu olhar já tinha mudado.
— Para além do desgosto pessoal, sempre me pareceu suspeito o motivo pelo qual o veterano Do-jin me fez manifestar como ômega. Era uma escala grande demais para atribuir simplesmente ao desejo. Por isso pensei que talvez ele tenha usado a amostra com antecedência para mostrar a alguém. Claro que, naquele momento, não tinha coerência lógica. Eles iam levá-la para o laboratório de qualquer jeito, então não fazia sentido desperdiçá-la assim.
Era isso. Por mais que considerasse Kim Do-jin um completo louco fora de toda lógica, só isso não explicava tudo o que tinha acontecido.
A menos que quisesse arruinar a transação, não havia razão para que, antes mesmo de voltar ao país, ele administrasse a amostra em Kim Marvin sem mais nem menos. Ele nem sequer tinha recebido ainda os sete bilhões que o governo tinha lhe prometido.
Mesmo que tivesse planejado roubar a amostra junto com Hong Gyeong-uk, não havia necessidade de provocar um incidente tão chamativo naquele momento. Desde o início eles não eram estranhos, então ele teria tido muitas outras oportunidades para administrar a substância nele.
Mas Kim Do-jin forçou a situação e, assim que Kim Marvin manifestou o traço, foi assassinado como se fosse mentira. Como se não tivesse mais utilidade.
— Depois de ouvir a secretária Park Sang-hee, senti que uma peça que faltava no quebra-cabeça se encaixou. E se “eles” nunca tiveram a intenção de entregar a amostra desde o começo? Mesmo assim, precisavam que a outra parte acreditasse que era real, então fizeram o veterano Do-jin usar uma das amostras. Com o alvo mais fácil de manipular.
Um cão fiel do Estado. Um rut baby sem família. Uma existência fantasma que nem sequer podia abrir uma linha telefônica em seu nome na Coreia. De quem teria sido a ideia de sacrificar alguém assim?
Para “eles”, Kim Do-jin provavelmente não passava de uma peça. Como carregou toda a culpa e morreu, nem mesmo Kim Marvin conseguiu imaginar que havia algo a mais por trás. Tinha ficado obcecado unicamente pelo fato de que ocorreu um incidente inesperado e que, por isso, a operação fracassou. Também influenciou o fato de seu ressentimento pessoal em relação a Kim Do-jin ser grande demais, nublando sua perspectiva.
— Seguindo o seu raciocínio, Kim Marvin, chega-se à conclusão de que a operação Maxona foi projetada para fracassar desde o começo…
Jang Jin-woo deixou escapar essas palavras como se fossem mecânicas e depois guardou silêncio. Afundou-se em seus pensamentos. Estava reorganizando de forma lógica as informações que tinha reunido nos últimos meses junto com o que Kim Marvin tinha acabado de expor. Algumas peças se encaixavam perfeitamente, enquanto outras ainda deixavam lacunas.
— Nesse tipo de crime, sempre aparece um grupo beneficiário. E o que move esse grupo quase sempre é dinheiro. Suponhamos que a sua hipótese esteja correta e a amostra seja falsa. Nesse caso, tanto o governo coreano quanto a SN Bio seriam os prejudicados. O único que obteria benefício financeiro seria o laboratório Maxona.
— Mas não é difícil considerar que eles estejam envolvidos nisso?
— Essa parte também me confunde. A origem e a motivação de tudo isso parecem cada vez mais nebulosas.
Não estava claro quem tinha dado as ordens, com qual propósito nem até que ponto. Ainda assim, tinha pensado que, por trás da operação, ao menos existia uma causa maior: transformar a Coreia em uma potência avançada na ciência de traços. Acreditava que o incidente tinha acontecido por culpa daqueles que tentaram se aproveitar disso pelo caminho.
Mas agora, nem sequer isso ele podia afirmar com certeza.
⚖ ─── 𝛂 · β· Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello