Capítulo 147
CAPÍTULO 147 vaquinha
Kim Marvin começou a comer em silêncio. Sentado à sua frente, Woo Hyun-woo o observava sem dizer nada.
— …….
Enquanto mastigava o macarrão, Kim Marvin parou por um momento, ergueu a cabeça e cruzou o olhar com Woo Hyun-woo. Sua expressão era de surpresa.
— E aí? É bom pra caralho, né? Não parece até que você tá comendo numa conveniência?
Enquanto Woo Hyun-woo esperava sua avaliação com os olhos brilhando, Kim Marvin voltou a colocar um grande bocado de ramen na boca. Em seguida, pegou também alguns pedaços do kimchi que ele havia servido. Só depois de terminar de mastigar disse uma palavra.
— É, é bom. Por que o gosto é diferente de quando eu comia na Suíça?
— Eu coloquei um pouco de alho. E é “ramen Tang, sabor levemente apimentado”. Esse é o que é bom de verdade. Tem que ser feito com esse. Os outros são todos falsificados. Mas no mercado de lá não vendia.
Parecia que ele tinha gostado de ter sido reconhecido por Kim Marvin, porque Woo Hyun-woo sorriu satisfeito enquanto inclinava o rosto em direção à sua tigela.
Começou a comer o ramen fazendo barulho ao sorver o macarrão. Talvez tenha colocado demais de uma vez só, porque ergueu a cabeça e abriu a boca, soltando fumaça.
— Hyung, mas… aconteceu alguma coisa com você? Nesses últimos dias você tá com uma cara péssima.
Para Woo Hyun-woo não era fácil entender. De um jeito ou de outro, a negociação tinha terminado sem problemas e ainda tinham conseguido a promessa de que não o incomodariam por um tempo. Do ponto de vista de Kim Marvin, ele deveria estar aliviado, mas parecia estranho. De certa forma, parecia que ele tinha mais coisas na cabeça do que antes do acordo.
No entanto, Kim Marvin cortou sua intromissão de uma só vez, como se não quisesse que ele continuasse insistindo.
— Não é nada.
Woo Hyun-woo apertou os lábios e respondeu:
— Ah, tá.
Normalmente, quando reagia assim, significava que não pretendia dizer absolutamente nada. Como a colaboração deles tinha começado sob a condição de não bisbilhotar à força o que ele decidisse calar, Woo Hyun-woo não tinha opção.
Ergueu a tigela e sorveu o caldo fazendo barulho, depois engoliu rapidamente o restante do macarrão. Tinha começado depois de Kim Marvin, mas já tinha comido a metade. Não demorou muito para se arrepender de não ter colocado outro ovo.
Não… e se eu fizer outro agora?
Enquanto lançava um olhar de canto de olho para a cozinha, notou que Kim Marvin o observava e sorriu sem graça.
Melhor não. Deixa pra lá.
Por si só, toda vez que vinha sentia um pouco de vergonha por praticamente esvaziar a despensa dele.
— Hyung, ultimamente você tá dormindo bem?
Woo Hyun-woo mudou de assunto como quem não quer nada.
— O saco de chocolates na cozinha continua ali intacto. Parece que você não precisa mais comer aquilo e, mesmo assim, sente o corpo cheio de energia, diferente de antes? Foi exatamente há quatro dias, não é?
Kim Marvin ergueu levemente uma sobrancelha e o encarou uma vez. Diante daquela expressão indiferente, Woo Hyun-woo, medindo o clima, mexeu os palitinhos devagar.
“Será que ele vai me dar um esporro de novo?”
Mas, para sua surpresa, Kim Marvin deu uma risada curta, como se a intenção dele fosse óbvia demais, e continuou comendo.
Só então, aliviado, Woo Hyun-woo voltou a pegar o macarrão e colocou na boca fazendo barulho. Depois, como se tivesse decidido perguntar de uma vez sem rodeios, foi direto ao ponto.
— Aquele promotor daquele dia… é o seu parceiro, né?
A essa altura, chegava a ser ridículo perguntar. Woo Hyun-woo já tinha visto com os próprios olhos a marca de vinculação que tinha surgido no pulso de ambos.
— É.
— Mas então por que vocês rosnam um pro outro como se fossem inimigos? Vocês terminaram?
Na verdade, era isso o que mais intrigava Woo Hyun-woo. Parecia para ele que, para duas pessoas que tinham se marcado, a relação era um pouco anormal.
Não pareciam nem um pouco íntimos, e Kim Marvin estava claramente na defensiva com ele. Só por ter pedido o número de telefone dele, tinha feito uma cara de desconforto enorme.
Por outro lado, também pensou que seu hyung tinha um bom gosto danado para homens, porque eles combinavam surpreendentemente bem. Ele não era o único que olhava para os dois, mas provavelmente eles nem perceberam porque estavam ocupados demais discutindo.
— Desde o começo, não é um relacionamento desses de terminar ou não terminar.
Kim Marvin abriu uma garrafa de água que estava sobre a mesa. Depois, bebendo direto do gargalo, esvaziou a metade antes de fechar a tampa novamente e continuar falando.
— Nos conhecemos por causa do trabalho, e aquilo da marcação foi como uma transação com condições. Eu fingi aceitar e depois cortei o contato unilateralmente e fui embora para a Suíça.
— Nossa, saquei, um verdadeiro cafajeste.
Woo Hyun-woo resmungou com os palitinhos ainda na boca. Então, como se algo tivesse vindo à sua cabeça, bateu na mesa com a mão.
— Ah, por isso você disse que tinha roubado uma coisa? Aquela vez você disse que era por isso que não entrava em contato com a pessoa que te marcou. Mas isso não é roubar… tá mais pra um golpe, não é? Tipo dar o fora depois de tirar proveito.
Kim Marvin parecia não se importar com a forma como ele chamava aquilo, pois simplesmente baixou a cabeça e continuou comendo o resto do ramen. Mas Woo Hyun-woo não parecia disposto a parar. Ainda com os palitinhos na mão, gesticulava no ar enquanto continuava a falar.
— Mas, hyung, tem uma coisa que eu não entendo. A marcação não é algo que acontece tão fácil, né? Uma vez eu conheci um cara na Rússia que levou anos pra conseguir. Mas você conseguiu de primeira?
Kim Marvin assentiu levemente.
— Sim.
— Como?
Assim que fez a pergunta, Woo Hyun-woo percebeu o erro e balançou as mãos apressadamente, dizendo que não precisava responder.
“Como ele conseguiu?”
Era praticamente o mesmo que perguntar abertamente sobre a vida sexual de alguém. Tinha passado dos limites. Woo Hyun-woo, em silêncio, voltou a colocar os palitinhos na tigela de ramen e os girou.
Sobrava pouco macarrão e já estava um pouco mole. No fim, ergueu a tigela e virou de uma vez na boca o restante do macarrão com o caldo, sorvendo ruidosamente. Depois colocou a tigela completamente vazia sobre a mesa e soltou um “ah” de satisfação.
Em seguida, bebeu de uma vez só uma garrafinha de água e deu o assunto por encerrado de forma descontraída.
— Enfim, tanto faz. Aquele dia vocês trocaram feromônios, né? Por isso sua condição melhorou tanto. Entendi… é uma relação de toma lá, dá cá bem clara. Ah, deixa que eu limpo.
Assim que Kim Marvin também terminou seu prato, Woo Hyun-woo se levantou e começou a recolher o que tinham usado. Como se estivesse na sua própria casa, limpou a mesa e levou o kimchi e os pratos.
Enquanto Woo Hyun-woo lavava a louça cantando sozinho, Kim Marvin entrou no banheiro.
— Hyun-woo, vou tomar banho.
— Beleza.
Fechou a porta e, enquanto tirava a roupa, a expressão de Kim Marvin voltou a ficar séria. Já pelado, ficou diante do espelho se encarando em silêncio. Depois, lentamente, começou a passar a mão pelo próprio torso.
Deslizou a mão pelo torso marcado por cicatrizes de tiros e facadas, estendendo-a até as costas. Por fim, tocou uma marca afundada de injeção no vaso sanguíneo, entre a cintura e o quadril. Enquanto mexia naquela marca como se lembrasse de algo, logo balançou a cabeça e soltou um suspiro profundo.
Pegou o celular e checou a hora. 2 horas da tarde. Alisando o queixo, Kim Marvin se afundou em pensamentos e deslizou novamente pelo navegador de internet. Ali estavam abertas várias matérias que vinha lendo desde cedo.
“A promotoria finalmente mira a gigante farmacêutica? Investigação pode se intensificar já na próxima semana”
“Não há ilegalidades, SN Bio anuncia resposta contundente”
“[Coluna] A sociedade coreana é mais uma vez abalada pela influência do crime organizado”
Continuou abrindo uma atrás da outra as matérias relacionadas que apareciam embaixo. Apenas lendo as manchetes, conseguia captar o clima geral.
A lâmina da promotoria finalmente não estava se voltando contra o governo, mas sim contra a SN Bio, e começavam a surgir em massa suspeitas relacionadas ao desenvolvimento de medicamentos de traço, a começar por testes clínicos ilegais.
Também começou a circular o rumor de que o primeiro medicamento de traço deles, o inibidor Tipo A “Enosil”, não era de desenvolvimento próprio, mas que na verdade tinham recebido transferência tecnológica dos Estados Unidos. Entre boatos do mercado financeiro e notícias falsas questionando se eles ao menos possuíam tecnologia original em medicina de traços, a indústria farmacêutica foi engolida por um grande escândalo.
Kim Marvin deixou o celular sobre a pia e entrou no chuveiro. Logo, como se tentasse lavar seus pensamentos, deixou a água que caía encharcar sua cabeça e seu corpo.
— Mas, hyung, o dinheiro já caiu?
Woo Hyun-woo perguntou enquanto observava Kim Marvin, que saía só de cueca enxugando o cabelo com uma toalha. A essa altura, ele já tinha terminado de lavar a louça e estava sentado numa cadeira, abrindo um dos sacos de chocolate de Kim Marvin.
— Ainda não.
— E se aquela senhora pegou a parada e meteu o pé?
Woo Hyun-woo estava ansioso por aqueles quinze milhões mensais que a secretária Park Sang-hee tinha mencionado. Ela tinha dito que iria verificar e fazer o depósito, mas como não havia notícias até agora, ele se sentia inquieto.
— Ela é funcionária pública. Imagino que demore um pouco.
— Então vamos vender pro cara que ofereceu os sete bilhões. Ainda sobra um, não é?
No começo ele tinha protestado feio, perguntando por que ele tinha feito um negócio tão desvantajoso. De qualquer forma, mesmo que fizesse isso, seu hyung não poderia voltar, então pelo menos deveria garantir que recebesse o dinheiro direito, dizia.
Não que não concordasse com isso, mas Kim Marvin continuava se sentindo incomodado com Go Hyeong-uk. Tinha certeza de que estavam escondendo mais alguma coisa. E essa suspeita tinha se intensificado ainda mais depois de se encontrar com a secretária Park Sang-hee no dia anterior.
Depois de terminar de secar o cabelo, Kim Marvin já tinha se vestido e colocado um boné preto.
— Onde você vai?
Woo Hyun-woo ergueu a cabeça ao perceber, um pouco tarde, que ele estava prestes a sair. A essa altura, Kim Marvin já tinha colocado o casaco.
— Vou usar o carro.
— Pera… não, usar tá de boa, mas… onde você vai? Não vai me levar?
— Volto logo.
Kim Marvin tirou as chaves do carro do casaco de Woo Hyun-woo. Sentindo-se frustrado por não poder ir junto, Woo Hyun-woo o seguiu até a porta, coçando a cabeça.
— Você me fez vir porque precisava do carro? Eu podia ter te levado. Não é nada perigoso, é?
— Nem um pouco.
Enquanto se inclinava para colocar os sapatos, Kim Marvin o olhou de canto de olho e logo em seguida se virou. Ao olhar para o relógio, já passava das 2:30 da tarde.
Chegaria por volta das 5. Kim Marvin saiu do officetel enquanto calculava onde ele estaria a essa hora.
⚖ ─── 𝛂 · β· Ω ─── ⚖
Continua….
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello