Capítulo 146
CAPÍTULO 146
— Agente Kim. Vou te dar um conselho: você deveria julgar bem as coisas. De quem você acha que são esses sete bilhões? Também eram sete bilhões que o falecido agente Kim Do-jin ia receber. Acha que ele levou esse dinheiro como ajuda de custo para o além? Não, né? Foi embora sem nem conseguir tocar no dinheiro. Não tem nenhuma lição a tirar disso?
“Tomara que desta vez ele entenda o que estou dizendo.”
Park Sang-hee sentiu um calafrio ao se lembrar do pesadelo do verão passado. Como era possível que os seres humanos, todos sem exceção, ficassem tão estúpidos diante do dinheiro?
— Enfim, para nós é difícil fazer isso em um único pagamento. Os assessores da Assembleia Nacional estão muito afiados para detectar esse tipo de coisa ultimamente. Eu fiz o meu melhor, então preferia que você não recusasse.
Não tinha mais argumentos para persuadi-lo. A cifra que tinha proposto era apenas uma décima parte da outra, então parecia que quase não tinha chances.
Como era de se esperar, do outro lado da linha só houve silêncio. Quase sentia que deveria agradecer-lhe por ao menos fingir que estava considerando.
— Vou lhe fazer uma pergunta. Se eu entregar a amostra para o seu lado, secretária, para onde ela vai parar? Não me diga que o destino final também será a SN Bio.
Park Sang-hee soltou um suspiro e passou as mãos pelo rosto várias vezes. O mais difícil era quando tinha que dar um jeito de encobrir assuntos que estavam fora de sua alçada.
— Isso eu não posso te dizer. Mas gostaria que você pensasse no motivo pelo qual acha que estamos fazendo esta transação agora mesmo. Eu não estou tentando provocar nada, estou tentando conter. Então não estamos na posição de usar esse objeto, e sim na de impedir que qualquer um o use.
Por um momento pensou que talvez tivesse revelado demais, mas se ele era alguém que colocava a moral entre os valores mais importantes da vida, talvez não fosse má ideia deixar-lhe ao menos algo em que pensar.
— Se entendeu, vá tomando uma decisão. Estou com frio.
Esfregando as coxas com as mãos, deixou escapar um longo suspiro. A essa altura, o sol já tinha nascido por completo e a manhã tinha chegado. Parecia que faria bom tempo, porque a luz do sol já atravessava as nuvens.
Pensou que logo chegaria um desfecho. Provavelmente, desta vez também tinha sido um esforço em vão…
— Mais uma coisa. Da última vez a senhora disse que não estava do mesmo lado que o investigador Ko Hyeong-jun. Então, e quanto a Hong Gyeong-uk? Tampouco estão no mesmo barco?
Ao ouvir o nome Hong Gyeong-uk, Park Sang-hee pigarreou sem perceber. Vendo como ele dizia o nome tão abertamente, sentiu que tinha sido uma excelente decisão afastar o pessoal da segurança.
— No mesmo barco…? Bom, agora mesmo não estamos.
— Soa como se antes estivessem do mesmo lado, mas agora não.
— Interprete como quiser. Por enquanto, não estamos do mesmo lado. Isso é tudo o que vou te dizer. Sério… isso parece uma entrevista sob pressão, não acha?
Park Sang-hee deixou escapar uma risada carregada de irritação.
Era verdade que estavam em desvantagem na negociação. Reconhecia que não tinha outra escolha a não ser se deixar arrastar até certo ponto, mas sentia que há tempos estava implorando demais, e isso a desagradava bastante. Era tão irritante quanto quando, no final do ano passado, descobriu que Marvin tinha pego o passaporte que ela lhe entregara e fugira para a Suíça.
Após um breve silêncio, a voz de Marvin foi ouvida do outro lado da linha.
— Entendido. Vamos fechar o negócio.
Naquele instante, os olhos dela se arregalaram enquanto segurava o telefone.
“Sério?”
— Verifique o objeto debaixo do banco em que está sentada agora mesmo.
Ela se ajoelhou imediatamente no chão e olhou debaixo do banco. Tal como ele dissera, havia uma pequena caixa, presa com fita adesiva, colada na parte inferior do banco. Esquecendo-se inclusive da sujeira, engatinhou rapidamente para baixo e pegou o objeto.
Dizem que o lugar mais escuro é debaixo do candeeiro; quase foi embora sem se dar conta de que estava ali. Ao abrir a caixa, efetivamente, dentro estava a amostra da Maxona. Com o rosto cheio de emoção, mordeu o lábio.
Finalmente.
No entanto, a alegria durou apenas um instante, porque logo sua testa se franziu. Algo não estava certo.
— Não tínhamos negociado duas?
Havia apenas uma amostra. Ao contrário do que tinha visto na foto, um dos tubos de vidro estava vazio.
— O restante eu entregarei quando terminar o tratamento de Kim Ji-ah. A senhora disse que leva um ano, então terá que esperar um ano.
— Ah…
Park Sang-hee levou uma mão à testa e deixou escapar um suspiro. Pensou que, ao contrário de outros, desta vez poderia raciocinar com ele, mas acabou se revelando que ele se apegava a algo em um ponto completamente inesperado.
Ainda assim, era melhor do que romper a negociação.
— Um ano é demais. Vamos reduzir para meio ano. Verei se há alguma forma de acelerar o tratamento.
— Por mim tudo bem.
Ao ver que ele aceitava de imediato, como se estivesse esperando por isso, sentiu que de algum modo tinha caído em uma armadilha dele, mas decidiu não dar importância.
— O custo foi pago claramente por duas, então você sabe que não pode vendê-la em outro lugar, não sabe? Vamos fazer isso como um acordo de confiança. Não vamos complicar as coisas desnecessariamente.
— Sim. É isso o que eu também desejo. Se depois de receber tudo a senhora decidir cortar a relação, convocarei imediatamente uma coletiva de imprensa. Chegando a esse ponto, eu também não terei mais nada a perder.
Não, na verdade, isso era algo que ela mesma deveria dizer.
Se as coisas chegassem a esse nível, seria ela quem já não teria como conter a situação. Antes que as consequências a alcançassem, renunciaria imediatamente e nunca mais olharia para a Casa Azul.
— Bom, faça o que quiser quanto a isso. Decidir se cortamos ou não não depende só de mim. A transferência será feita assim que confirmarmos o objeto, então espere um pouco.
Park Sang-hee levantou-se do seu lugar e guardou profundamente no bolso interno de seu sobretudo acolchoado a caixa com a amostra. Era um acordo pela metade, mas de qualquer forma ela o tinha fechado. Quase dava vontade de apertar as mãos, mas como não havia ninguém à frente, acabava sendo um pouco frustrante.
— Para o contato, como sempre, pode usar o e-mail.
— Está bem. E isto… o que faço com o telefone? Escondo em algum lugar?
— Pode deixar aí. Vamos recolhê-lo em breve.
Diante dessas palavras, Park Sang-hee olhou de rabo de olho para trás. Foi porque teve a sensação de que ele poderia estar muito perto.
No entanto, a única coisa que via diante dos olhos era um idoso que acabara de sair para fazer exercício e uma mulher passando de bicicleta.
Park Sang-hee deu de ombros e virou-se. Pensando bem, tinha chegado bastante longe enfrentando o governo sozinha.
Então, afinal de contas, não deveria ao menos deixar um presente antes de ir embora?
Antes de partir, ergueu um envelope de documentos que levava dentro do sobretudo acolchoado, como se estivesse mostrando para alguém.
— Isto é um bônus que preparei para comemorar que o negócio foi fechado. Não é que eu tenha investigado de propósito, simplesmente fiquei sabendo enquanto trabalhava. E, humanamente, não me parecia certo fingir que não sabia.
Park Sang-hee deixou cuidadosamente o envelope sobre o banco.
— …O que é?
— Descobrirá quando vir. Dependendo do caso, pode se transformar em uma caixa de Pandora, mas você mesmo é quem terá que julgar. Embora, se tiver medo, nem abra e simplesmente queime. Às vezes, conhecer a verdade pode ser mais doloroso, não acha? Bom, estou indo.
Park Sang-hee subiu a margem a passos rápidos. E em seguida desapareceu na direção do estacionamento.
No lado oposto do banco que ela tinha deixado, o canto de uma cerca brilhou. Ali, uma lente minúscula, do tamanho da ponta de um lápis, observava fixamente um ponto sem piscar, como o olho de um peixe.
A imagem captada por essa lente viajou através de uma frequência ultra-alta e chegou até um officetel de grande altura em Gwanghwamun em menos de 0,1 segundo. Marvin, que estava sentado diante da escrivaninha no officetel, levantou-se e pegou seu sobretudo.
Logo, com um estalo seco, a porta principal se fechou. No entanto, o notebook sobre a escrivaninha ficou abandonado, focando continuamente o banco vazio.
Na tela, várias pessoas apareciam e desapareciam. O tempo passou, corredores cruzaram o local, mas ninguém prestou atenção ao velho celular nem ao envelope de documentos.
Por volta da hora do almoço, um casal sentou-se no banco, passou cerca de trinta minutos ali e depois foi embora. À tarde, um grupo de jovens caminhou ruidosamente pela margem. Ao anoitecer, alguém ficou um bom tempo bebendo enquanto reproduzia um vídeo no celular no volume máximo.
E, já tarde da noite, quando a equipe de limpeza chegou para esvaziar as lixeiras próximas, os objetos sobre o banco já tinham desaparecido. Ninguém pôde saber quem os levou nem quando.
Na cozinha do officetel, onde um micro-ondas preto ocupava seu lugar com imponência, os macarrões de lámen ferviam borbulhando.
Woo Hyun-woo tirou todo o macarrão com os palitinhos e deixou cair dois ovos dentro da panela, deixando-os ferver mais uma vez.
— Hyung, eu estouro os ovos?
Tinha que cozinhar os ovos antes que o caldo espumoso do lámen reduzisse demais. Mas Marvin não respondia.
— Hyung! Estouro os ovos ou não?
Woo Hyun-woo virou-se com os palitinhos na mão. Marvin estava sentado sobre a escrivaninha, olhando pela janela. Era seu novo passatempo e o que sempre fazia quando tinha algo em que pensar.
Como parecia difícil esperar uma resposta, Woo Hyun-woo deixou os palitinhos. Em seguida serviu o caldo e colocou um ovo cozido inteiro sobre o macarrão em cada uma das duas tigelas.
— Uf…
Emitiu um som estranho com a boca enquanto levava as tigelas para a mesa. O vapor subia intensamente do lámen quente, até os recipientes estavam quentes. Tirou o kimchi e terminou de pôr a mesa, mas Marvin, junto à janela, não se movia.
— Hyung, vai passar do ponto. Hyung!
Só depois de ele erguer a voz várias vezes é que Marvin virou a cabeça para o lado. Seu olhar dirigiu-se para a mesa.
— Você fez lámen?
Marvin olhou para Woo Hyun-woo como se estivesse diante de algo completamente desconhecido. A boca de Woo Hyun-woo escancarou-se, desconcertado.
— Ah, o que é isso? Eu te perguntei se íamos comer juntos e você disse que sim.
Claro, não é que ele realmente tivesse respondido em voz alta “sim”. Era uma força de expressão. Ainda assim, quando lhe propôs comer lámen, acaso ele não tinha assentido uma vez como se tanto fizesse? Para Woo Hyun-woo, isso significava que ele tinha aceitado.
Por sorte, parecia que Marvin estava com fome, porque desceu da escrivaninha e aproximou-se da mesa. O rosto que, sem que se notasse, estivera rígido e sério há tempos, já tinha voltado à normalidade de sempre.
⚖ ─── 𝛂 · β· Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello