Capítulo 145
CAPÍTULO 145
Ainda não tinha saído o sol na madrugada. Marvin, de pé diante da escrivaninha ao lado da janela, contemplava em silêncio a cidade sobre a qual descia o amanhecer.
Se fosse antes, teria colocado imediatamente dois ou três chocolates na boca como se fosse a coisa mais natural, mas hoje era diferente. Embora já tivesse passado um bom tempo desde que acordou, não sentia em absoluto aquela sede de feromônios.
Depois de muito tempo, tinha acordado após um sono profundo. Ontem, depois de se separar de Jang Jin-woo e voltar ao officetel, desabou na cama como se tivesse desmaiado. Sem nem ter tempo de jantar, esse estado se prolongou diretamente até o sono noturno, de modo que, se não fosse pela ligação de Woo Hyun-woo, provavelmente teria passado o dia inteiro mergulhado no sono.
Afortunadamente, mesmo depois de acordar, sua condição era muito boa. Sua mente, que esteve nublada como se coberta por uma película borrada, parecia limpa e clara, como se tivesse sido completamente ordenada, e até sentia uma fome saudável, a ponto de ter preparado e comido o café da manhã.
Tinha pensado que, à sua maneira, estava resistindo bem, mas pelo visto não era assim. Após experimentar pela primeira vez em muito tempo a plenitude de se sentir preenchido, foi como se só então se desse conta de quanto esteve ansiando, sedento por essa carência.
Sabia que o vínculo após a marcação era importante, mas não imaginou que seria a esse nível. Sem nenhum contato físico especial, apenas por ter compartilhado feromônios, seu corpo voltou completamente ao normal. Ao terminar esse estado de vigília forçada que tinha mantido todo esse tempo, a única coisa que restou foi se entregar ao sono acumulado.
“Será que ele também percebeu?”
Embora tivesse se reduzido a um nível fraco e miserável, Marvin também tinha liberado seus feromônios. No entanto, talvez a distância tivesse sido grande demais. Jang Jin-woo não demonstrou em momento algum qualquer sinal de estar percebendo-os, e Marvin também já não tinha motivo para ficar, então simplesmente foi embora.
Pensar que talvez não tivesse servido de ajuda alguma o fazia se sentir um pouco em dívida. Embora soubesse que ele não era alguém que se detivesse nesse tipo de coisa, não deixava de dar voltas e mais voltas ao que tinha acontecido ontem.
Nesse constante repassar, o que girava sem parar em sua mente era a expressão dele. Sua voz, quando lhe exigia saber se moravam juntos, e seu rosto franzido ao dizer que, claro, sentia ciúmes, eram o que mais vividamente lembrava.
“Realmente é um homem impossível de entender. O que ia ganhar dizendo uma coisa dessas?”
A esta altura. Para quê?
Marvin contorceu os lábios em uma careta de deboche enquanto observava em silêncio a estrada vazia da madrugada. No entanto, sua mente continuava ancorada no dia anterior.
“Será que desde o começo ele me segurou para me dar seus feromônios?”
Não, sabia que ele não era uma pessoa tão gentil a esse ponto. Sem dúvida o tinha segurado porque sentia curiosidade sobre o processamento posterior da amostra. E também teria querido checar se havia um espaço em que ele pudesse se intrometer.
Ainda assim, se olhasse com atenção, ele não tinha obtido absolutamente nada no dia anterior. Porque deste lado nada lhe tinha sido explicado nem respondido corretamente.
Jang Jin-woo estava levando a cabo sua própria investigação de forma independente. Desde o início, seu objetivo era retornar a Seul, então, a esta altura, tampouco tinha necessidade de mencionar o caso da Maxona.
Já tinha desmantelado uma organização marítima, trazido à tona o problema dos estimulantes de manifestação a curto prazo vinculados ao crime organizado e inclusive conseguido escancarar o escândalo de uma grande farmacêutica, então, para ele, o caminho de volta a Seul já estava mais do que pavimentado. A menos que deste lado se tivesse implorado por ajuda se agarrando a ele, de sua perspectiva, agora era completamente um assunto alheio.
E, mesmo assim, continuava mostrando interesse neste assunto. Tinha curiosidade pelo paradeiro da amostra e queria saber qual seria a decisão de Marvin.
Na mente de Marvin não deixava de rondar a pergunta: por quê? Foi uma mensagem de Woo Hyun-woo que interrompeu seus pensamentos.
[Veículo se aproximando da frente do estacionamento. SUV preto.]
Os pensamentos emaranhados que preenchiam sua cabeça se dissiparam de estalo. Marvin afastou-se da escrivaninha, abriu o notebook e sentou-se corrigindo a postura. Era momento de se concentrar.
A mulher parou o carro na entrada do estacionamento, ainda mergulhada na penumbra, e depois caminhou arrastando os pés em direção ao interior do parque do rio Han.
O ar da madrugada era frio, de modo que seus ombros se encolheram de forma natural. Foi nesse momento que se arrependeu de ter saído apenas com uma jaqueta leve, pensando que o início da primavera já tinha passado.
— Táxi aquático….
Murmurando para si mesma enquanto olhava ao redor, a mulher encontrou algo e mudou de direção. Após caminhar uns 200 metros, apareceu o píer do táxi aquático. Na entrada fechada havia um cartaz de suspensão de operações, e os arredores estavam em completo silêncio, sem rastro de presença humana.
— Aproximou-se do destino. Equipe alfa em espera.
Pelo fone de ouvido interno ouviu-se a voz de um membro da equipe de segurança.
— Ainda não se confirma o alvo.
— Secretária, por favor continue se deslocando para a esquerda a partir de sua posição atual.
Park Sang-hee caminhou seguindo as instruções ao longo da margem. O vento do rio soprava com força incomum, de modo que avançou uns 100 metros com o corpo ligeiramente inclinado. No entanto, não se via ninguém.
Ela soltou um suspiro com uma expressão que parecia dizer que já esperava por isso. Em seguida murmurou, como se alguém estivesse escutando:
— Não parece que ele tenha vindo…
— Esperemos mais um pouco. Ele pode estar observando a situação, é um agente treinado. Finja esperar da maneira mais natural possível.
— Ai, que frio.
Exagerando de propósito, começou a bater os pés no chão no mesmo lugar.
Tinham escolhido aquele local porque ele queria um ponto cego sem câmeras de segurança. Ainda assim, o rosto que devia aparecer não se mostrava por lado nenhum.
O horário combinado era seis e meia. Já tinham se passado dez minutos. O céu escuro começava a clarear à medida que o sol nascia, e o amanhecer estava por chegar.
“Parece que sentiu o cheiro de algo e caiu fora. Se dizia que podia fazer sozinho, para que trazer tanta gente atrás…?”
Nesse momento, de repente, o som agudo de um telefone quebrou o silêncio. Ela abriu os olhos com surpresa e olhou rapidamente ao redor. Sobre um banco instalado à frente, um celular emitia uma luz.
Correu imediatamente e atendeu a chamada.
— Sim.
— Quanto tempo, secretária.
Era ele, sem dúvida. Sentiu as forças fraquejarem, mas ao mesmo tempo foi invadida pelo alívio de que a situação ainda não tinha terminado.
— Nem se deixa ver e diz que faz tempo?
Park Sang-hee respondeu em um tom ligeiramente irritado. Era para marcar desde o início que, se fosse agir assim, a negociação seria difícil. No entanto, sua intenção deu em nada quando Marvin soltou uma leve risada do outro lado da linha.
— Eu consigo ver a senhora, secretária. Deveria ter se agasalhado melhor. Dá para ver que está com frio.
Ela franziu a testa, descontente, e olhou ao redor. Com certeza ele tinha escondido alguma câmera em algum lugar. Mas logo parou de procurar. Agora aquilo não era o importante.
Park Sang-hee sentou-se no banco e trocou o telefone de mão.
— Você me liga enquanto estou aqui congelando, e você aí confortavelmente em algum lugar quente, não é? Então, vai fazer o acordo ou não?
— Vou fazer. Mas parece que há alguns ouvidos escutando do seu lado. Tudo bem quanto a isso?
Como quem dá seu consentimento, Park Sang-hee tocou em seu fone de ouvido e falou:
— Recuem e passem para o plano B.
Se não podiam pegá-lo, ao menos deviam receber o objeto. Não era conveniente que os funcionários da segurança ouvissem os detalhes da transação, então ela tirou o fone e o dispositivo de escuta. Também retirou a microcâmera que tinha escondido dentro do cachecol. Por via das dúvidas, tinha preparado outro plano, e foi uma sorte.
— Assim está bom? Agora vamos ao ponto. Desde a semana passada começou o programa do novo fármaco Tanfeimbrzol para Kim Ji-ah. Você sabe disso? Se não sabe, pode ligar para o centro e checar.
Como ele tinha pedido para mostrar boa-fé primeiro, permitiu que iniciassem o tratamento. Havia múltiplos compradores no leilão, então era como uma taxa de participação. Não implicava gastar dinheiro, então obteve a aprovação com facilidade, mas o problema começava agora.
— Quando termina o tratamento?
— Bom, pelo que ouvi, vai levar cerca de um ano. Eu também não sei os detalhes. A única coisa que podemos fazer é incluí-la na lista. Mas que fique claro: a condição não era curá-la por completo. Você sabe disso, não sabe?
— Sei.
Park Sang-hee cruzou as pernas e encostou-se no banco. Ao longe, um cidadão que se exercitava passou correndo. Ela o observou com suspeita, mas não parecia ter relação alguma.
— Certo. Então passemos para a segunda condição. Para começar, a mudança de identidade é impossível. Em vez disso, se deseja ficar na Coreia, faça isso. Não vamos mexer com você. E, além disso, lhe forneceremos quinze milhões por mês, em forma de pensão, durante o resto do mandato do VIP.
Era uma quantia de aproximadamente setecentos milhões de wones. Se aceitasse, seria uma sorte, mas até para Park Sang-hee parecia pouco demais. Não lhe restava senão persuadi-lo com a condição de garantir sua segurança pessoal sem deportá-lo para o exterior. Esperava que fosse verdade o que o subdiretor Choi Hyeong-il tinha dito, que ele não era alguém ganancioso com dinheiro.
— Em outro lugar me ofereciam sete bilhões. E em um único pagamento.
Park Sang-hee contorceu os lábios.
Déjà vu? Sentia que no ano passado já tinha escutado exatamente a mesma coisa de alguém.
Ela soltou um suspiro, expressando seu pesar.
⚖ ─── 𝛂 · β· Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello