Capítulo 144
CAPÍTULO 144
Os dois entraram no café e deram uma olhada ao redor. Havia justamente uma mesa vaga em um canto. Marvin, vendo que Jang Jin-woo dirigia o olhar para lá, disse-lhe:
— Não, melhor irmos para ali.
Após verificar a localização das câmeras de segurança, apontou para a mesa do centro. Era um lugar onde podiam sentar-se de costas para as câmeras. Jang Jin-woo assentiu, como quem entendia a indicação.
— Sente-se.
Dirigiu-se ao balcão para pedir as bebidas. Não perguntou o que Marvin queria, mas este não se preocupou; de qualquer forma, iriam se levantar logo.
Desde o início, não havia como ter uma conversa séria em um lugar assim. Um café em Gwanghwamun em um sábado estava cheio de ouvidos atentos. Mencionar o serviço de inteligência ou a promotoria teria atraído todos os olhares imediatamente.
Por isso tinha dito que entraria em contato mais tarde, em particular. E, como sempre, não parecia que alguém como ele fosse ouvir razões.
Marvin afrouxou o cachecol com uma expressão visivelmente incomodada. Ainda assim, manteve o sobretudo, desabotoando apenas um botão. O café estava quente o suficiente para tirar o agasalho, mas queria deixar claro que não planejava ficar muito tempo.
Assim que Jang Jin-woo voltou com duas bebidas, sentou-se à sua frente e lhe estendeu uma xícara de café com naturalidade, perguntando:
— Como tem passado? Pelo que vejo, parece que conseguiu algo importante na Suíça.
Então ele já sabia. Marvin pegou a xícara devagar.
— Obrigado. Mas não seria um pouco incômodo falar disso agora?
— Por quê?
— Como pode ver, este lugar é péssimo para conversar.
Marvin ergueu ligeiramente os ombros, indicando para olhar ao redor. Cada mesa estava cheia de clientes fazendo barulho. Isso ajudava a fazer com que a conversa passasse despercebida, mas, ao mesmo tempo, havia olhares curiosos demais.
Era inevitável. Desde que tinham entrado, ambos chamavam atenção sem querer.
A estatura dos dois os tornava visíveis, Jang Jin-woo tinha ficado em frente ao balcão pedindo as bebidas e Marvin, ao tirar o cachecol, tinha mostrado o rosto de repente.
Quando Jang Jin-woo notou que o casal da mesa ao lado os observava de rabo de olho, desviou o olhar e voltou a encarar Marvin.
— Eu não me importo. Mas se te incomoda, quer que a gente procure um quarto de hotel?
Parecia desnecessário.
— Poderíamos falar no seu carro, não seria melhor?
O casal da mesa ao lado arregalou os olhos diante dessa sugestão. Jang Jin-woo, divertido pelo mal-entendido, soltou uma risada. Marvin apressou-se em esclarecer:
— Não, o que quero dizer é…
Deu-se conta de que até mesmo explicar o que queria dizer soava absurdo e fechou a boca de estalo. Um desconhecido poderia ter interpretado com conotação sexual. E Jang Jin-woo, que desde o início tinha insinuado sutilmente essa possibilidade, parecia-lhe irritante.
Jang Jin-woo, parando de rir, explicou com calma:
— Lá é um pouco perigoso. Há sujeitos problemáticos demais reunidos. Se por minha causa chamarmos atenção, mais tarde tudo pode se complicar.
— …Suponho que tivessem algum tipo de reunião, não?
Marvin conteve a palavra “promotores” ao perguntar, e Jang Jin-woo assentiu enquanto tomava um gole de sua bebida.
— É um grupo que gosta de andar em bando.
Naturalmente, Marvin levou a xícara aos lábios. Esperava o sabor amargo do café, mas seu nariz reagiu primeiro.
— O que é isso?
O que entrou em sua boca junto a um aroma doce foi chocolate quente morno. Marvin hesitou e interrompeu o gole. Ao olhar para Jang Jin-woo, este pousou a xícara com uma expressão de “por que você está tão surpreso?”.
— Supus que estivesse com vontade disso.
Marvin então se deu conta de que na xícara de Jang Jin-woo flutuava uma rodela de limão. A situação, tão concreta e real, atingiu-o em cheio. Seu próprio aspecto era ridículo, mas ver Jang Jin-woo tomando chá de limão era algo que jamais teria imaginado.
Sem querer, Marvin deixou escapar uma pequena risada.
— A situação parece um pouco cômica.
Ainda assim, Jang Jin-woo parecia se encaixar bastante bem… Marvin não tinha tanta certeza. Só conseguia pensar nas broncas de Woo Hyun-woo, dizendo-lhe para parar de comer tanto chocolate por causa da diabetes.
Ao ver Marvin rir, Jang Jin-woo franziu a testa.
— Me irrita um pouco você dizer que não foi intencional.
Obviamente, não estava bravo de verdade. Marvin apoiou o queixo na mão e murmurou como quem confessa:
— Planejei isso, mas não prestei muita atenção às consequências secundárias.
Dado que a situação já estava assim, Marvin decidiu agir de forma descarada. Sabia que pedir desculpas não teria grande efeito sobre ele.
— Pode ficar bravo. Aceito até um soco. Mas prefiro que paremos o interrogatório e simplesmente esqueça isso. Dizem que, de qualquer forma, tudo desaparece depois de um ano, não é?
— Recuso. Não tenho o hábito de bater nas pessoas.
Jang Jin-woo encostou-se no espaldar da cadeira, cruzando as mãos sobre as pernas.
— Você parece bem. Disse que desejava uma vida sem inibidores. E então? Dá para viver assim?
— Sim, uma maravilha.
Marvin levou a xícara aos lábios novamente, com um gesto que deixava claro que tinha conseguido sobreviver muito bem mesmo sem ele.
— Em mim os inibidores não funcionavam direito. Foi tão difícil que tive que tirar férias da Sannahol. Era como se um fantasma me atormentasse por não poder ter sexo.
— Ah… sim.
Marvin sorveu seu chocolate quente sem dar ouvidos. Vendo a esquiva, Jang Jin-woo acrescentou:
— Se ao menos tivéssemos uma foto, teria sido de grande ajuda. Mas não há nada.
— Tiramos uma hoje. Essa sai de graça.
— Por que eu faria isso estando na sua frente?
Marvin parou de repente com os lábios na xícara. Os olhares de ambos se cruzaram no ar, e sobre a mesa pairou um silêncio, como se se comunicassem sem palavras.
Finalmente, Marvin pousou a xícara e falou:
— Não vai acontecer nada do que o senhor espera.
— O que eu espero?
— Que o senhor não tem interesse algum em mim, promotor.
Marvin deixou claro com palavras precisas que não faria mais jogos de palavras. Novamente, um silêncio se instalou.
O casal da mesa ao lado arregalava os olhos, sem entender do que se tratava a conversa. Não pareciam incomodados por ouvir a vida privada alheia; pelo contrário, pareciam prestes a enlouquecer de curiosidade, acompanhando cada palavra da conversa.
Jang Jin-woo, percebendo vagamente a situação, mudou de assunto.
— O objeto que encontrou na Suíça… para onde pensa em enviá-lo?
Marvin esboçou um leve sorriso, como se já tivesse previsto. Provavelmente esse era o verdadeiro motivo pelo qual tinha sido detido ali: quase todo o interesse de Jang Jin-woo estava nessa pergunta.
— Não sei. A oferta ainda não atingiu o preço que quero.
— Colocou em leilão?
Jang Jin-woo sondou Marvin, como quem quer confirmar algo. Marvin encarou-o em silêncio.
Perguntou-se como ele saberia que tinha encontrado a amostra. Sua capacidade de obter informações era tão impressionante assim, ou ele próprio tinha sido descuidado demais? Afinal de contas, só duas pessoas sabiam da amostra: o subdiretor Choi Hyeong-il e Ko Hyeong-jun. A probabilidade apontava claramente para o primeiro.
— Encontrou-se com o subdiretor Choi?
— Sim, por acaso. Mas quero dar uma olhada no leilão também.
— Tem intenção de comprá-la?
— Não, só quero pegar quem a levou.
Marvin soltou uma risadinha. Essa forma de pensar era tão característica dele.
Jang Jin-woo colocou as mãos entrelaçadas sobre a mesa e disse:
— Entendo que queira vendê-la e encerrar o assunto, mas você não vai ficar fugindo a vida inteira. Por que não pensa mais uma vez, pelo bem público?
— Não sei… Já me dei mal vezes demais tentando fazer isso sozinho.
Como não podiam sequer chamar um ao outro pelo nome, a conversa girava em círculos. Sujeitos e nomes precisos eram omitidos, de modo que qualquer um que escutasse não conseguiria entender o contexto.
Ainda assim, ambos entendiam perfeitamente o que o outro queria e como calculava suas intenções.
— De qualquer forma, vou considerar. Na verdade, parte da razão pela qual não entrei em contato antes é porque ainda estava pensando nisso.
Marvin achou que já era momento de se levantar.
— Quando eu tiver meu caminho definido, vou incluí-lo no plano. Até lá, espere um pouco.
Enrolou o cachecol nas mãos, pegou a xícara e levantou-se do assento. Nesse momento, Jang Jin-woo segurou seu braço.
— Sente-se. Ainda não terminei de falar.
Inclinado levemente, Jang Jin-woo olhava para ele de baixo para cima.
— O que o sujeito que está com você sabe? E por que ele compraria um micro-ondas? Vocês moram juntos?
Outro interrogatório. Marvin apertou os dedos e contorceu os lábios.
— Sim. Moramos juntos.
Não era verdade, mas simplesmente respondeu assim. As sobrancelhas de Jang Jin-woo ergueram-se, arqueando-se ligeiramente.
— A sua expressão, promotor, é perfeita para ser mal-interpretada. Antes eu teria me deixado enganar.
— Não, é realmente desagradável.
Seu rosto demonstrava incômodo, garantindo que não era atuação.
— Está com ciúmes?
— Com certeza. Não é estranho eu não estar, quando o homem com quem tenho a marca mora com outro?
De repente, ouviu-se um barulho ao lado. O jovem casal que esteve ouvindo toda a conversa finalmente se deu conta da natureza da relação deles e cobriu a boca.
Jang Jin-woo soltou uma leve risada. O casal pareceu perceber que tinha se tornado um espetáculo e, envergonhado por demonstrar tanto interesse, recolheu rapidamente as coisas e vagou a mesa. Marvin, que tinha ficado de pé por um bom tempo, suspirou. Em que situação tinha se metido?
— Chega. Vou embora.
— Fique mais um pouco.
Marvin olhou para ele, desconcertado. Já tinha dito tudo o que Jang Jin-woo queria saber. Por que ignorava seu pedido para ir embora?
— Não tenho mais nada a dizer.
— Não precisa falar mais nada. Só sente-se e fique um pouco. Foi para isso que te chamei.
— Hã?
— Para que, ao menos hoje, você possa descansar um pouco.
Nesse instante, um aroma de canela roçou a ponta de seu nariz. A princípio pensou que fosse coisa de sua imaginação, mas a fragrância se intensificou até que não pudesse duvidar: Jang Jin-woo estava liberando feromônios.
Marvin parou, ficando imóvel como uma imagem congelada, inalando sua essência. Nada do que tinha bebido, nem mesmo o chocolate quente, comparava-se àquilo. De imediato, seus nervos tensos relaxaram e sua mente, que estivera em alerta constante, desceu a uma calma profunda. Seus pés, naturalmente, não conseguiram se mover.
Assim permaneceu ao seu lado por um bom tempo. As pessoas passavam, outros clientes ocupavam a mesa vizinha que tinha ficado vaga, mas Marvin não se mexeu.
Quando finalmente a sensação de plenitude, que preenchia todos os vazios de seu corpo, envolveu-o por completo, Marvin deu um passo. Jang Jin-woo permaneceu sentado, e ambos se separaram sem sequer trocar um cumprimento.
⚖ ─── 𝛂 · β· Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello