Capítulo 143
CAPÍTULO 143
— Ah…
Marvin hesitou por um momento, sem encontrar as palavras. Explicar tudo seria longo demais, mas se simplesmente dissesse que era “alguém que conhecia”, não parecia que Jang Jin-woo deixaria passar tão facilmente. Embora mantivesse uma expressão serena enquanto o olhava, a intensidade que Marvin sentia naquele olhar era afiada como uma agulha.
“E por que estou me sentindo culpado, se não fiz nada de errado?”
Marvin decidiu falar em um tom deliberadamente despreocupado:
— Bom, é só… da Suíça.
— Da Suíça?
— Sim, digamos que é um amigo com quem trabalhei lá.
— ……
Jang Jin-woo franziu ligeiramente o cenho. Instalou-se uma nova pausa, tensa como um duelo de titãs, mas Marvin não acrescentou mais nada. Finalmente, foi Jang Jin-woo quem falou primeiro.
— Acha que sou idiota? Esse não é o jovem que foi liberado por falta de provas no dia do desaparecimento de Oh Jae-young, no abrigo de montanha? Acaso esqueceu que você e eu fomos juntos àquele lugar?
Diante dessas palavras, Marvin entreabriu os lábios, mas voltou a fechá-los sem dizer nada. Era verdade. Ele tinha razão.
“Essa maldita memória…”
Tinha esquecido completamente que Jang Jin-woo já tinha conhecido Woo Hyun-woo. Foi há vários meses e nunca mais voltaram a falar dele desde então, por isso tinha lhe passado despercebido.
Ainda assim, naquele momento na montanha estava tão escuro que era difícil acreditar que ele tivesse conseguido reconhecê-lo com apenas um olhar. Surpreendia-o que se lembrasse com tanta precisão.
— O senhor tem uma memória incrível, promotor.
Marvin voltou a tomar consciência de quão meticuloso era Jang Jin-woo. “E eu, tentando dar um golpe em alguém assim…” Não sabia se devia se sentir orgulhoso por ter conseguido, ou preocupado com o que viria a seguir.
— Também me lembro de você ter dito que ele era um dos envolvidos no ataque ao *officetel*. E agora andam juntos por aí? O que aconteceu, reestruturaram por completo os lados?
Perguntou isso sem olhá-lo diretamente, com a cabeça virada para o palco, onde parecia estar observando Woo Hyun-woo levantar a mão com entusiasmo.
— Bom, em parte o senhor tem razão. Dizem que neste mundo não há inimigos nem amigos eternos, não é? Naquela época tínhamos uma relação tensa, mas agora nossos interesses coincidem, então estamos trabalhando juntos.
“Com quem decido me me aliar é problema meu. E o que você vai fazer a respeito?” Era isso o que Marvin estava lhe dizendo com aquela resposta.
Jang Jin-woo soltou uma risada seca e depois voltou a virar a cabeça para Marvin.
— Entendo. Pelo visto, também há muitas histórias suas que eu não conhecia, senhor Kim Marvin… E mesmo assim, por que foi tão cruel só comigo?
Lançou-lhe aquele reproche disfarçado de brincadeira, como quem revive o passado em tom leve. Mas Marvin não respondeu.
“Porque naquela época eu gostava de você. Porque, ao contrário de você, eu tinha expectativas.”
Esteve a ponto de dizer, de explicar que havia uma diferença, mas se conteve. Sabia perfeitamente qual seria a pergunta que viria a seguir.
‘E agora?’
Era um tema em que não queria tocar. Na verdade, tinha decidido ir embora sem avisar justamente porque já não queria continuar tremendo nem se desgastando por essas emoções. Já não se importava com sentimentos. A única coisa que queria agora era usar Jang Jin-woo o justo e necessário para desenredar o caos de sua vida.
— O senhor tem razão. Sinto muito.
Diante da desculpa indiferente de Marvin, Jang Jin-woo franziu ligeiramente o cenho. Não parecia estar satisfeito com a atitude cortante com que Marvin tinha traçado uma linha entre os dois. No entanto, como se entendesse também as razões pelas quais ele agia assim, assentiu levemente.
Então deu um passo em sua direção.
— Existe um ditado: se você faz um comentário em brincadeira e a outra pessoa responde com uma desculpa séria, isso significa que ela não quer voltar a ter nada a ver com você.
— ……
— Diga-me. Se não tivéssemos nos encontrado assim, quando pensava em me procurar? Ou simplesmente decidiu nunca mais me ver?
A sombra projetada por Jang Jin-woo estendeu-se sobre o rosto de Marvin. Estava tão perto que sua presença o cobria por completo.
— Não é isso. Só queria encontrar o momento adequado. Pensei que tinha que esperar por um dia em que o senhor estivesse de bom humor.
— Por quê?
Jang Jin-woo voltou a dar um passo, mas Marvin não recuou. Assim, ambos ficaram se olhando nos olhos a pouquíssima distância.
— Não acho que eu seja alguém especialmente agradável para o senhor, promotor.
Um aroma familiar o alcançou. Aquele cheiro que sempre parecia envolvê-lo, mais do que qualquer feromônio.
Houve um tempo em que pôde senti-lo muito de perto. Várias lembranças, guiadas pelo olfato, preencheram de golpe a cabeça de Marvin.
— Você continua tirando conclusões a seu bel-prazer.
A voz de Jang Jin-woo caiu suavemente sobre seu ouvido.
— Por quê? Acaso o senhor fica feliz em me ver, promotor?
— Com certeza. Mas acaso você e eu éramos do tipo de pessoas que se preocupavam com coisas como essa para se encontrar?
— ……
“Não éramos, não é…?” A frase flutuou na ponta de sua língua. “Então, o que éramos?” Essa outra pergunta rondava sua mente.
Pessoas passavam ao lado deles. Pelo visto, o jogo de perguntas e respostas tinha terminado. O grupo que se tinha reunido começava a se dispersar. Marvin soltou um longo suspiro e se afastou de Jang Jin-woo. Não era um bom lugar para continuar aquela conversa.
Justo nesse momento, Woo Hyun-woo chegou correndo.
— Hyung! Adivinhei a última pergunta! Você viu? Duzentos mil wones! Com isso podemos comprar o micro-ondas, não é?
Diante de sua interrupção repentina, Marvin desviou o olhar e disfarçou a expressão. Woo Hyun-woo, completamente alheio ao clima, agarrou-o pelo braço com entusiasmo.
— Vamos! Compramos de uma vez no caminho para casa! O Se-gyeong Department Store é aqui do lado.
— Hyun-woo, espera um segundo.
Marvin deteve Woo Hyun-woo, que puxava seu braço. E sem querer, buscou com o olhar a expressão de Jang Jin-woo.
Este o observava com uma sobrancelha erguida, percorrendo com a vista, em ordem, o vale-presente que Woo Hyun-woo segurava, a mão que agarrava o braço de Marvin e, depois, o rosto deste último.
— O quê? Hã?
Só então Woo Hyun-woo se deu conta de que Jang Jin-woo estava ali, olhando para eles com uma expressão claramente incomodada. Sua hostilidade era evidente para qualquer um.
— É… alguém que você conhece, hyung?
Woo Hyun-woo olhou para os dois com nervosismo, tentando ler o ambiente. Então, seus olhos se abriram aos poucos. Pelo visto, também tinha reconhecido Jang Jin-woo. E provavelmente não graças à sua memória, mas ao efeito que a presença dele exercia diretamente sobre o cérebro.
— Ah… o promotor daquela vez…
Woo Hyun-woo virou-se bruscamente para Marvin. Seus olhos mostravam uma pressão sutil, como se esperasse alguma resposta. Devia fugir imediatamente ou pedir um aperto de mãos para se encontrarem de novo no futuro?
Marvin suspirou levemente e balançou a cabeça. Nenhuma dessas opções estava correta. Aquela não era uma pessoa que pudesse ser explicada com relações simples. Claro, tampouco queria demonstrar isso a Woo Hyun-woo.
— É melhor eu ir. Hoje não é o dia adequado; nos veremos em outra ocasião.
De qualquer forma, não era como se fossem compartilhar um reencontro emotivo. Tendo trocado cumprimentos, parecia suficiente.
— Se não mudou de número, eu entrarei em contato.
Diante das palavras de Marvin, Jang Jin-woo ficou pensativo por um instante e de repente se aproximou com rapidez, tirando o celular do bolso de Marvin.
Diante do rosto surpreso de Marvin, Jang Jin-woo ligou a tela e desbloqueou o telefone. Em seguida, digitou seu próprio número. Após escutar a vibração do aparelho confirmando a ação, devolveu o dispositivo ao bolso de Marvin.
Marvin franziu a testa no mesmo instante; seu número já tinha sido copiado.
— Vou mudar de número.
Embora Marvin tenha advertido com voz firme, Jang Jin-woo não pareceu dar importância e respondeu com indiferença:
— Vamos mudar de lugar.
Ao mesmo tempo, virou o corpo primeiro. Então seu olhar pousou brevemente sobre Woo Hyun-woo, que estivera observando com os olhos arregalados desde antes. Quando Woo Hyun-woo moveu os lábios, como quem quer consultar a opinião do acompanhante, Jang Jin-woo voltou a virar a cabeça.
— Vamos.
A aba do sobretudo de Jang Jin-woo levantou-se com o vento. Sua atitude arbitrária fez com que o olhar de Marvin endurecesse.
— Não. Eu me recuso. Quando for necessário, eu irei. Espere. Ainda não é a sua vez, promotor.
Não havia nada de novo a acrescentar; Marvin ainda não tinha decidido completamente sua posição em relação à promotoria. Tinha considerado o caminho de implorar por sua vida e o de enriquecer, mas tornar-se um cidadão justo carecia de fundamento. Sabia muito bem que não era uma pessoa tão consciente da moral.
No entanto, Jang Jin-woo, como sempre, não se preocupava com os assuntos alheios.
— Pare de dizer bobagens e me siga. Se não, farei com que esse amigo seja procurado no país inteiro.
Woo Hyun-woo, que tinha permanecido imóvel, piscou confuso diante da ameaça, sem entender por que a bronca caía sobre ele. Não pôde dizer nada.
O olhar de Marvin encheu-se de força.
— Promotor.
Ao escutar essa voz pressionada chamando-o, Jang Jin-woo virou-se e aproximou-se de Marvin, ao mesmo tempo erguendo seu pulso como se o capturasse de um puxão.
— ……
Nesse momento, ficou à mostra a marca de impressão de Marvin, oculta na extremidade da manga do sobretudo. Após observar o rosto completamente tenso de Marvin além da marca, Jang Jin-woo falou:
— Você deve ter algo a me dizer, não é mesmo?
— ……
Diante do interrogatório de Jang Jin-woo, que insinuava que ele tinha feito algo de errado, Marvin não teve mais nada a dizer. Viu a linha vermelha claramente marcada através da manga da camisa de Jang Jin-woo, no pulso que segurava o seu.
Era a mesma marca de impressão que ele tinha.
Sentiu seu pulso preso se torcer. Quente e doloroso, puxou-o de volta com todas as suas forças. O braço voltou à posição original em um arco pelo reboco. Marvin endireitou a lapela do sobretudo e olhou para Woo Hyun-woo.
— Vá na frente.
Em seguida, passou roçando por Jang Jin-woo e disse:
— Vamos.
O pulso que tinha sido agarrado ainda lhe queimava. Marvin meteu ambas as mãos profundamente nos bolsos do sobretudo e saiu rapidamente da praça.
⚖ ─── 𝛂 · β· Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello