Capítulo 142
CAPÍTULO 142
O que lotava a praça era um evento de caminhões de comida organizado pela cidade de Seul em conjunto com fazendas de pecuária, para celebrar a chegada da primavera. O festival gastronômico, com um nome bastante burocrático — “Espante o Frio Go” —, tinha sido tomado pelos cidadãos que saíram para passear no fim de semana, e os ingredientes se esgotaram muito antes do previsto. Por isso, a maioria dos caminhões já estava fechando e limpando tudo há mais de uma hora.
Marvin também estava prestes a se levantar e ir embora. No entanto, Woo Hyun-woo se recusava completamente. Apesar de já ter comido um hambúrguer grátis com o cupom de cortesia e até ter comprado frango com o próprio dinheiro, não tinha intenção alguma de partir.
— Vamos só ver isso antes de ir. Dizem que tem prêmios.
Woo Hyun-woo mostrou-lhe um panfleto, apontando no final para um jogo de perguntas e respostas com prêmios anunciado em letras pequenas. Dizia que estava prestes a começar, então, se os prêmios fossem fracos, iriam embora; mas se fossem bons, poderiam tentar.
Contudo, aos olhos de Marvin, não apenas os participantes, mas até os organizadores do evento pareciam ter se esquecido completamente do concurso.
O clima no local já era de encerramento. A maioria dos cidadãos se dirigia à estação de metrô, e os funcionários enviados pela cidade de Seul passavam pelos *food trucks* incentivando os vendedores a terminarem os últimos preparativos. Naquele cenário, era difícil imaginar que fossem realizar qualquer tipo de atividade.
— Não vão fazer mesmo?
Woo Hyun-woo coçou a cabeça. Dez minutos depois, até a música de fundo que mantinha o ambiente animado se apagou.
Com uma expressão decepcionada, jogou a caixa vazia do frango em uma lixeira e sacudiu a roupa. As migalhas do empanado caíram no chão com um estalo seco.
Foi nesse momento que, em vez de música, começou a soar um teste de microfone.
*Som de batidas no microfone.*
— Ah, ah. Olá, vamos fazer um jogo rápido de perguntas e respostas. Se quiserem participar, aproximem-se do palco.
Sobre um tablado de cerca de 20 cm de altura, alguém subiu para anunciar o início do evento.
— Caramba, vai começar mesmo!
Woo Hyun-woo disparou para a frente. Embora a condução do evento carecesse completamente de entusiasmo, pelo visto havia outras pessoas como ele esperando pelos prêmios, e umas vinte se reuniram rapidamente diante do palco.
Chegava a ser cômico ver que, bem ao lado, outros encarregados já estavam desmontando placas e faixas. Marvin soltou uma risada seca. Perguntava-se seriamente se era possível fazer algo com tão pouca firmeza.
Tinham planejado aquilo como um evento participativo para os cidadãos, mas claramente não havia orçamento para contratar um apresentador profissional, então improvisaram no final, empurrado às pressas. Era evidente que um dos organizadores tinha subido ali simplesmente para distribuir os prêmios e acabar o quanto antes. Com certeza quem tinha ficado sabia perfeitamente disso.
— Aproximem-se um pouco mais do palco. Vocês que estão ali, venham para o centro também.
Diante das instruções do apresentador, que claramente só queria terminar e ir embora, as pessoas se aproximaram do meio como alunos obedientes. Entre elas, alguém perguntou:
— Quais são os prêmios?
— Dez vales-presente de cem mil wones para a loja Se-gyeong. Está frio, então vamos começar rápido.
— Uau, que legal!
Embora as respostas fossem dadas sem vontade, os que se reuniram em frente ao palco gritavam de emoção e aplaudiam encantados. Woo Hyun-woo, claro, não ficou para trás; dava pulos de alegria enquanto chamava Marvin.
— Hyung, participa também! Estão dando vales-presente!
Fazia acenos como se precisasse somar cabeças para aumentar as chances de ganhar. Por si só, já vinham dizendo há tempos que o *officetel* parecia vazio demais, que deveriam ao menos comprar um micro-ondas. E agora, com um vale-presente do shopping em jogo, tinha a motivação perfeita.
Mas Marvin não sentia nem de perto o mesmo entusiasmo. Mantinha a distância, observando a atividade de longe. A essa altura, já tinham se reunido umas trinta pessoas, e sua pequena liga exclusiva estava prestes a começar. Todos tinham o olhar aceso. Podia-se notar a firme determinação de se apoderar do orçamento público da cidade de Seul, custasse o que custasse.
O apresentador lançou a primeira pergunta:
— Quantos ovos uma galinha põe por dia, em média?
Alguém gritou rapidamente “um” e ganhou um vale. Ouviram-se exclamações de decepção por todo o local. A pergunta tinha sido fácil, mas perderam pela velocidade. Todos começaram a entender que, além do acerto, ganharia quem levantasse a mão mais rápido.
A segunda pergunta foi: “Diga o nome de qualquer filme em que apareça um porco”. Desta vez, uma mulher que estava ao lado de Woo Hyun-woo levou o prêmio.
A terceira e a quarta perguntas também foram uma corrida de velocidade. Woo Hyun-woo, que errou em ambas, já estava com cara de tragédia. Olhava para Marvin repetidamente, como pedindo para ele se aproximar, mas foi inútil. Marvin apenas o observava de braços cruzados, sem intenção de se mover.
Finalmente anunciaram a quinta pergunta: “Como se diz carne de porco em francês?” Pela primeira vez, ninguém levantou a mão de imediato. Um estudante do ensino médio que estava na frente a ergueu após alguns segundos, repetindo várias palavras parecidas até que, com certas voltas, aceitaram a resposta como válida e ele ganhou o vale.
Woo Hyun-woo soltou um gemido de frustração enquanto levava as mãos à cabeça. Virou-se para Marvin com uma expressão cheia de ressentimento, como se tivesse acabado de perder seus preciosos cem mil wones para um ladrão. Claramente, o que queria dizer era: “Hyung, você sabia a resposta desde o começo, não sabia?”
Marvin suspirou e riu. Se o deixasse continuar assim, com certeza começaria a dar uma bronca, então deu alguns passos em direção ao palco. E, deixando um pouco de lado a atitude distante, começou a prestar atenção na voz do apresentador.
— Certo, vamos para a sexta pergunta. Esta vai ser um pouco difícil. É de matemática. O primeiro que disser a resposta correta, ganha.
O apresentador ergueu um painel. Estava cheio de operações aritméticas e números trançados. Todos esticaram o pescoço como idosos com lupa, tentando focar. Embora murmurassem tentativas de cálculo mental, ninguém se encorajava a levantar a mão.
O apresentador, querendo animá-los, começou a ler os números um a um para que pudessem calcular devagar. Graças a isso, Marvin teve sua oportunidade.
— Duzentos e setenta e seis vírgula três?
Diante de sua resposta, o apresentador olhou ao redor imediatamente, surpreso.
— Oh, quem disse isso agora?
— Ali, ali! O do sobretudo preto!
Woo Hyun-woo apontava para Marvin fazendo um escândalo.
— Sim, o senhor, o cavalheiro do sobretudo preto. Poderia repetir a resposta?
Não gostava de chamar atenção, mas não tinha escolha. Marvin ergueu a voz e repetiu a resposta.
— Duzentos e setenta e seis vírgula três.
A razão pela qual todos tinham hesitado era que a última divisão não dava um resultado exato. O apresentador ignorou as queixas de quem perguntava por que estavam fazendo perguntas de matemática e agitou o vale-presente sinalizando que a resposta estava correta. Que viesse buscar.
Além disso, mencionou que 2763 era o número final do telefone do sindicato de pecuaristas de Seul. Que todas as perguntas tinham seu sentido, então que não discutissem.
Woo Hyun-woo, que foi buscar o prêmio no lugar de Marvin, voltou correndo cheio de emoção.
— Qual é a lógica disso? No exame para ser um Corvo também pedem matemática? Como você faz para calcular tão rápido?
Marvin teve que acalmá-lo enquanto Hyun-woo pulava e se agarrava ao seu braço. Já tinham ganhado um, então pensou que finalmente poderiam ir embora, mas Hyun-woo balançou a cabeça.
— Me deixa ganhar mais um par. Seria uma pena desperdiçar isso. Se vamos comprar um, que ao menos tenha função de forno, não?
“E o que isso tem a ver?” Marvin achou que não fazia sentido, mas não podia contê-lo. Justo no momento em que a sétima pergunta ia começar. Woo Hyun-woo voltou a correr para a frente. O apresentador tentava esquentar o clima dizendo que aquela também seria difícil.
— Ahn… vou descrever uma pintura com uma vaca. Adivinhem de que obra e de que artista se trata. É de noite, há lua. No meio de um campo, mulheres e crianças cercam um grande touro com chifres enormes. Qual é o nome desta obra-prima pintada na Europa no final do século XVIII?
Fez-se silêncio. Um touro? Chifres? As pessoas começaram a pegar os celulares às pressas para pesquisar na internet. Woo Hyun-woo, como sempre, virou-se para olhar para Marvin, mas desta vez ele apenas deu de ombros. Como se supõe que alguém adivinhe com tão pouca informação?
E, como era de se esperar, ninguém conseguiu encontrar a resposta. Começaram a pedir mais pistas, alguns inclusive pediam para mudar a pergunta. Marvin, com as mãos nos bolsos do sobretudo, matava o tempo batendo suavemente a ponta do sapato no chão. “Talvez eu deva ir embora agora…”
Foi então que uma grande sombra cobriu seu pé. Alguém tinha parado ao seu lado. E naquele instante, ouviu uma voz familiar demais.
— Deve estar falando de Francisco Goya, “O Sabá das Bruxas”. Mas desde o princípio a pergunta está errada. Aquele animal de chifres no centro não é um touro, é um bode.
Os olhos de Marvin, que estavam fixos no chão, abriram-se de estalo. Embora não tivesse olhado, sabia perfeitamente quem era.
— ……
A sombra que estava ao seu lado se moveu. Sentiu que essa pessoa virava a cabeça em sua direção. Mesmo sem ter cruzado o olhar, suas orelhas já queimavam de calor.
Marvin endireitou-se lentamente e olhou para o lado. Jang Jin-woo o observava com uma expressão serena. Como se soubesse desde o início que ele estava ali.
— ……
Marvin não disse nada. Um reencontro assim nem tinha passado por sua cabeça, e não sabia nem como começar a cumprimentá-lo.
Tinham se passado dois meses e meio desde a última vez que o vira. Queria que, quando se reencontrassem, sua expressão fosse mais fria, mais composta… mas estava claro que tinha falhado. Embora não se visse em um espelho, podia imaginar com exatidão como devia estar sua cara naquele momento.
— Não pensei que estivesse em Seul…
— Quem era?
— Como?
Assim que Marvin conseguiu abrir a boca, a pergunta que recebeu foi tão fora de contexto que anulou seu esforço. Em seu rosto apareceu uma expressão de total perplexidade.
Se Jang Jin-woo ficasse irritado, Marvin estava disposto a aceitar. Afinal de contas, ele tinha sido quem fôra embora após a marcação sem dar nenhuma explicação. O único que saiu ganhando naquela situação foi ele, não Jang Jin-woo.
Mas o olhar de Jang Jin-woo naquele momento não continha esse tipo de censura.
— O homem que estava ao seu lado. Quem era?
Aquilo era um interrogatório.
Como se tivessem se visto ontem, Jang Jin-woo omitia por completo tudo o que tinha acontecido entre os dois até então, e a primeira coisa que perguntava era sobre aquele sujeito que rondava ao seu lado.
⚖ ─── 𝛂 · β· Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello