Capítulo 141
CAPÍTULO 141
À mesma hora. Cruzamento da Sejong-daero.
Jang Jin-woo, parado pela segunda vez no mesmo semáforo, apoiava o braço no painel da porta enquanto batia os dedos no volante. Embora fosse fim de semana e isso pudesse justificar um pouco do trânsito, o fluxo estava mais pesado do que o habitual. Graças a isso, ele repassou mentalmente a ligação telefônica de ontem.
‘Não vejo o Marvin desde o ano passado. Ele disse que viria me visitar, mas surgiu algo urgente e de repente ele foi para o exterior. Ah, então você é o amigo do endereço? Eu insisti tanto para enviar um cartão que ele acabou me dando essa localização. Falei que, se ele não quisesse receber direto, eu enviaria para lá. Você ainda não foi buscar?’
A voz de Kim Ji-a soava claramente decepcionada.
Ela contou que estava frustrada porque queria dizer a Marvin que tinha sido selecionada para um programa de novos medicamentos financiado pelo governo, mas não conseguia falar com ele: nem chamadas, nem e-mails. Acrescentou, quase suplicando, que por favor pedisse para ele entrar em contato, pois ela o estava esperando.
“Pois é, por aqui também não é como se estivéssemos conseguindo falar com ele…”
Jang Jin-woo soltou o volante e esfregou os lábios em silêncio. Não tinha tirado grande coisa daquela ligação. A única certeza era que Marvin continuava fazendo algo relacionado a essa misteriosa irmã gêmea.
E, no entanto, não conseguia tirar isso da cabeça. Às vezes a intuição é ativada sem motivo aparente, e esta era uma dessas vezes. Desde o primeiro momento em que Marvin lhe falou dela, algo tinha parecido estranho, como uma espinha entalada na garganta.
Embora dissesse a si mesmo que não era da sua conta, acabou buscando um número na tela do veículo.
— Secretário Kang, sou eu. Sim, quanto tempo. É uma pergunta um pouco estranha, mas… quais são as condições para consultar os registros de nascimento armazenados no Centro Ômega? Sim, o de Sejong. Não, só quero ver os registros, nada mais.
Não entendia por que estava fazendo tudo aquilo e, mesmo assim, escutou com atenção as palavras que chegavam pelo alto-falante do carro. Não parecia um processo simples, mas tampouco completamente impossível. Claro, ainda precisava pensar se realmente iria adiante com isso ou não.
Naquele momento, o semáforo mudou. O carro de Jang Jin-woo virou à direita em direção à estação da Prefeitura e desviou para a entrada de um hotel localizado em Euljiro.
Ele não tinha vindo passear por Seul. Se não se ocupasse, mesmo que minimamente, da parte política do assunto, tudo se tornaria mais difícil. Estava apenas fazendo o melhor que podia.
A diferença entre um lugar onde devia dar as caras e outro onde não precisava era sempre tão fina quanto uma folha de papel. E hoje era dia de ser visto.
Diante do salão de festas, a maioria dos convidados reunidos era de profissionais da área jurídica. Como se tratava do casamento da filha mais velha do atual chefe da Promotoria do Distrito Central de Seul, quase ninguém tinha faltado. Era uma daquelas ocasiões em que se devia comparecer mesmo sem tempo, e até quem não tinha sido convidado oficialmente rondava os arredores, buscando ser notado.
Jang Jin-woo aproximou-se da entrada e cumprimentou o chefe Song Byeong-u e sua esposa, que estavam recebendo os convidados. Não puderam trocar mais do que algumas breves palavras devido à multidão que continuava chegando. Foi apenas um aperto de mãos e um agradecimento por ter vindo de tão longe.
Entregou o envelope com a quantia para os noivos e recebeu o número da sua mesa. Ao entrar no salão, notou que já havia cinco ou seis homens de meia-idade sentados na mesa designada. Como não conhecia nenhum deles, sentou-se em silêncio.
— Nós nos conhecemos?
Um deles foi o primeiro a falar. Não era provável que tivessem colocado alguém de fora naquela mesa, então devia se tratar de alguém da Promotoria. Provavelmente, o fato de um jovem se sentar ali despertou sua curiosidade.
— Estou na Promotoria de Oseong. Sou Jang Jin-woo.
— Oseong?
O rosto do homem se contorceu em uma expressão de desconcertamento, como se pensasse “e o que é isso?”. Levou alguns segundos para se lembrar e, em seguida, soltou uma exclamação de outro tipo.
— Ah… Oseong.
Só então apertou a mão que Jang Jin-woo lhe tinha estendido.
— Ora, ora. Encontra-se uma verdadeira superestrela por aqui.
Dirigiu-lhe um sorriso carregado de intenção e, então, os demais, que estavam conversando entre si, também viraram a cabeça. Pelo visto, eles também tinham reconhecido o nome “Oseong” e se apressaram a oferecer a mão.
— Quem diria que era você? É o famoso colega mais jovem. É uma honra. Eu estou na Promotoria do Leste, e ele está ralando agora mesmo em Busan.
— Busan é boa, o que está dizendo? Um prazer.
— Você é bem afeiçoado, hein. Pessoalmente parece melhor ainda. Ouvi dizer que ultimamente tem se esforçado bastante.
Só depois de ter apertado a mão de todos ele pôde voltar a se sentar. A maioria era de promotores de alto escalão, com mais de vinte anos de experiência. Alguns provavelmente poderiam se tornar bons apoios se os conhecesse de antemão; outros estavam perto de serem ultrapassados por promoções de seus próprios subordinados e logo deixariam a instituição.
Fosse como fosse, não se interessava muito. Se até agora não tinham tido contato, isso significava que podiam continuar sem se conhecer. A única razão pela qual estava ali era para não ficar mal perante o futuro novo dono do seu ninho, para o qual retornaria dentro de alguns meses.
Jang Jin-woo pegou o folheto informativo sobre a mesa. Em suas páginas decoradas com esmero, detalhava-se a ordem da cerimônia e os pratos do banquete. Um comediante bastante popular seria o mestre de cerimônias, haveria um discurso a cargo de um professor de Direito da Universidade de Seul e duas apresentações especiais. Se tudo seguisse o programa, duraria pelo menos duas horas. O mais provável era que procurasse um momento oportuno para se retirar no meio do evento.
Justo quando voltou a deixar o folheto na mesa, o homem que tinha dito estar na Promotoria de Busan aproveitou para puxar conversa, como se estivesse esperando o momento.
— Você deve ter bastante diferença de turma em relação ao senhor Song… Vocês se conhecem pessoalmente?
A julgar pelo tom, estava intrigado. A maioria nem tinha conseguido entrar e ficava perambulando do lado de fora, e ele não podia evitar se perguntar que tipo de conexão aquele jovem teria para estar convidado dentro do salão.
— Estive na equipe de acusação do caso Dasan Gate quando era recém-empossado. Naquela época, o chefe da promotoria me ensinou muito.
— Ah, então daí vem a conexão. Certo, certo. Lembro-me de que ele dizia que havia um cara que trabalhava bem, mas que não obedecia de jeito nenhum. Seria você, promotor Jang?
— Provavelmente sim.
Jang Jin-woo encerrou a conversa com um leve sorriso. O outro homem, que percebeu que Jin-woo não era o tipo de pessoa que riria feito bobo se lhe dissessem que o chefe falava dele, limpou a garganta sem jeito. Então, o homem que tinha falado primeiro retomou o fio da meada.
— Tem estado ocupado ultimamente?
O olhar de Jang Jin-woo, que esteve dirigido ao corredor central do salão onde se celebraria o casamento, voltou-se para ele. O homem o encarava fixamente, encostado com o queixo apoiado na mão, como se o observasse com interesse.
— Estou bem.
— Claro, se estivesse realmente tão ocupado, não teria conseguido vir até aqui. Então parece que você tem mais tempo livre do que se pensaria vendo as notícias, não?
Jang Jin-woo não respondeu. Limitou-se a sorrir com calma. Embora as palavras do homem viessem carregadas de veneno, não tinha intenção alguma de reagir nem de se rebaixar ao nível dele.
O homem soltou uma risadinha ao ver a resposta e, baixando o braço que sustentava o queixo, reclinou-se para trás.
— De qualquer forma, se você está sentado aqui dentro e não dando voltas lá fora, quer dizer que o senhor Song te estima bastante. O resto dos colegas da sua turma deve estar lá fora. Será porque você é uma *rising star*?
— ……
— Você é próximo do Byun Jeong-hoon? Dizem que ultimamente vocês estão trabalhando juntos em algo, não é?
A cada alfinetada, o ambiente na mesa ficava mais desconfortável. Um dos presentes, incapaz de suportar mais, tentou intervir.
— Já chega, o que há com você? É um dia de comemoração.
Mas o homem não parou. Continuou provocando Jang Jin-woo sem trégua.
— É que dá para ver de longe o que esse novato desgraçado vai ser. Um daqueles que tira proveito dos superiores e engole tudo sozinho. Finge que se importa com a instituição, mas na verdade vai ser o filho da mãe que vai vender a promotoria para o partido Min-sa-dang.
Jang Jin-woo permaneceu em silêncio, com um leve sorriso num canto da boca. Pelo comentário sobre o ex-subdiretor geral Byun Jeong-hoon, era evidente que aquele homem tinha vínculos com o procurador-geral Ahn Sang-soo.
E o que se poderia fazer? Byun Jeong-hoon, que tinha desafiado o procurador-geral e deixado o cargo, estava agora trabalhando intensamente para devolver o favor a Jang Jin-woo por ter lhe enviado um generoso pacote como presente de entrada no mundo político.
Graças a isso, o partido de oposição tinha proposto uma negociação: não levar o escândalo da SN Bio como uma investigação especial externa, mas deixar que fosse gerido por uma unidade especial interna da promotoria. O procurador-geral aceitou, com a condição adicional de não transferir para o Ministério da Justiça a autoridade para impor sanções internas, surgida a partir do caso de corrupção na Promotoria de Ulsan. Não era algo que ele pudesse recusar.
O líder fraco da organização, embora lhe doesse ver o subordinado rebelde progredir, viu-se obrigado a sorrir e estender-lhe a mão para proteger a própria posição. O homem à sua frente estava manifestando, em forma de ira, a humilhação alheia de seu superior.
— O que é isso de termos que fazer com o partido de oposição? E ainda por cima com o Byun Jeong-hoon? Isso é dizer ao procurador-geral que ele não vale nada, ou não?
— ……
— O que foi? Você também vai entrar para a política depois? Dizem que ser promotor é só o seu hobby, então por que continua usando a toga? É melhor renunciar de uma vez.
— Já chega, basta. Vai arruinar o ambiente sozinho? Está bêbado ou o quê?
Enfim, alguns dos colegas franziram a testa, incapazes de aguentar mais. A cerimônia estava prestes a começar a qualquer momento. Vendo-se pressionado por todos, o homem soltou um suspiro bruto e fechou o rosto.
— Tenho anos de promotoria, caramba. Nem posso dizer uma coisa dessas para um novato? Está bem, desculpem por arruinar o ambiente. Estou saindo.
— Não é necessário. Fique tranquilo. Eu me retiro.
Jang Jin-woo levantou-se um segundo antes do outro homem. Afinal de contas, só tinha vindo para ser visto. Não tinha por que ficar mais tempo ouvindo esse tipo de comentário.
— Mas o que deu em vocês dois? Se acabaram de se conhecer, o que têm a fazer é se dar bem daqui para a frente. Promotor Jang, tenha um pouco de paciência e sente-se.
— Estou bem. Por favor, digam ao chefe da promotoria que tive um assunto urgente e precisei ir embora antes.
— Ah, sério…
— Deixe, que vá. Ele também deve estar se sentindo desconfortável. Eu me encarrego de explicar ao Song sunbae.
Um dos presentes, que tinha observado em silêncio, assentiu várias vezes como quem diz para ele não se preocupar e ir embora. Jang Jin-woo fez-lhes uma leve reverência de despedida, olhou mais uma vez para o homem que continuava com cara de emburrado e saiu do salão sem olhar para trás.
Não era a primeira vez que acontecia algo assim. Desde os seus primeiros dias como promotor, a organização o tinha cuspido e engolido repetidamente. Se trazia um caso importante, tratavam-no com todo o cuidado; mas se notavam que não obedeceria sem questionar, baniam-no para longe imediatamente. Se fosse do tipo que levava tudo para o lado pessoal, provavelmente não teria sobrevivido por tanto tempo.
Jang Jin-woo saiu do hotel para tomar um pouco de ar. O tempo tinha ficado bem mais ameno. Mesmo assim, a neve que caíra nos últimos dias não tinha derretido de todo e continuava amontoada nas beiras do caminho.
O ar estava limpo, então pensou que não seria má ideia caminhar um pouco. Com as mãos metidas nos bolsos do sobretudo, começou a passear lentamente pela rua.
Vindo da direção de Cheonggyecheon, começou a se ouvir música. Devia haver algum evento, pois uma grande quantidade de pessoas se aglomerava no local. Apesar de não gostar de multidões, seus passos se dirigiram para lá quase sem perceber.
⚖ ─── 𝛂 · β· Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello