Capítulo 138
CAPÍTULO 138
— Vocês não estavam planejando fazer algo juntos? Parece que a parceria acabou, não foi?
Choi Hyeong-il enxugou a umidade na borda da manga com o lenço de papel. Como não recebeu resposta, soltou uma risadinha e endireitou o tronco.
— Bem, neste mundo não é sempre assim? Hoje com este, amanhã com aquele. Todos apostam no que lhes convém. Suponho que ele também esteja procurando uma forma de sobreviver. Não precisa levar tão a sério.
Depois de jogar o lenço no lixo, estufou o peito e respirou fundo. O olhar debochado dos dois se cruzou através do espelho. Ele tinha sido quem fizera Marvin escutar a gravação de Jang Jin-woo, então era fácil deduzir que a relação entre os dois tinha acabado mal.
Jang Jin-woo curvou levemente o canto da boca. Sentia desgosto pelo tom debochado, mas, por outro lado, o simples fato de o nome Kim Marvin reaparecer em sua vida após dois meses lhe parecia… reconfortante.
De qualquer forma, o fato de ter voltado para a Coreia significava que aquilo que ele dissera que precisava “fazer antes de ir embora” já tinha sido resolvido, de uma forma ou de outra.
Sentiu, de maneira muito simples, curiosidade.
— Então, acha que ele encontrou o seu caminho?
Não era uma pergunta sobre se aquele assunto influenciaria positiva ou negativamente o caso. Queria saber como estava o ser humano Kim Marvin.
Dentro dele conviviam duas emoções contraditórias: o desejo de que tudo tivesse dado certo para ele… e a expectativa de que continuasse perdido. E, ao mesmo tempo, não queria que o homem à sua frente soubesse a resposta. Era um ridículo sentimento de ciúme.
— Supostamente. Fui eu quem o treinou. Ele se virou sozinho. Enfim, já não precisa se preocupar com ele, promotor Jang. Nós decidimos como encerrar esse assunto entre nós.
— A que se refere com isso?
Jang Jin-woo se pôs no caminho de Choi Hyeong-il bem no momento em que este já ia embora após soltar seu comentário de passagem.
— A que se refere com encerrar o assunto? Ele vai se reincorporar ao Serviço de Inteligência?
No rosto de Choi Hyeong-il passou um lampejo de incômodo pelo obstáculo.
— O que ele não te conta, não sou eu quem vai contar. É melhor parar de se meter nesses assuntos e se concentrar em preparar sua acusação. Se vai se meter com um conglomerado, no mínimo consiga algo. Se perder o julgamento logo na primeira instância, vai ser uma vergonha.
— As sentenças quem dá é o juiz. Não tenho nada do que me envergonhar. E se não houver crime, melhor para todos.
Jang Jin-woo meteu as mãos nos bolsos da calça enquanto respondia com uma declaração de princípios. Choi Hyeong-il riu com incredulidade, pelo nariz.
— Ouvir algo assim da boca de um promotor sul-coreano… é a melhor piada que ouvi no ano.
Com isso, deu um par de tapinhas no braço de Jang Jin-woo, como quem encerra a conversa, e virou o corpo. Era um sinal para que se afastasse. Mas foi o oposto: esse braço ficou preso pela mão de Jang Jin-woo.
— Ainda não recebi minha resposta. O Kim Marvin vai se reincorporar?
“O que tem de errado com esse maldito imbécil?”, pensou Choi Hyeong-il.
Com o rosto incrédulo, Choi Hyeong-il olhou para ele. Era a primeira vez que um civil — e nem se fala alguém como ele — se atrevia a exercer força física contra sua pessoa. Mas Jang Jin-woo não pareceu se importar e continuou falando com calma.
— Se fosse assim, seria estranho, não acha? Tentaram matá-lo, inclusive explodiram o carro dele, e agora resulta que vão reincorporá-lo. Não faz sentido. Além disso, ele não é alguém que caia em armadilhas tão grosseiras.
— Promotor Jang Jin-woo.
— Não entendo em absoluto o que quis dizer com “encerrar o assunto”. Ah. Ou por acaso disse isso só para me irritar?
— Acabou. Chegue para lá. O quê, quer brigar?
— De forma alguma.
Jang Jin-woo recuou um passo e soltou o braço de Choi Hyeong-il que estava segurando. Sorriu com suavidade, como quem diz “por acaso eu tentaria brigar contra um ex-agente do Serviço Nacional de Inteligência?”.
Choi Hyeong-il, que por dentro tinha engolido xingamentos várias vezes, conseguiu finalmente se acalmar. Sacudiu o braço com irritação, pensando que aquele desgraçado tinha um dom para tirar qualquer um do sério.
— E daí? O que você quer saber? Jogou com ele pensando em usá-lo e depois jogá-lo fora, mas quando o perdeu se deu conta de que doeu?
Enquanto falava, sacudiu o paletó e arrumou a roupa. Jang Jin-woo inclinou a cabeça com uma expressão de leve pesar.
— Eu também recebi um mal-entendido similar da parte dele, mas nunca pensei assim. Só queria que trocássemos o que ambos precisávamos.
— Parece que ele já não precisa de nada vindo de você, promotor Jang.
Diante disso, ele assentiu sem hesitar.
— É muito provável.
— Mas você, promotor Jang, parece que ainda precisa dele, não é?
Uma expressão de orgulho passou pelo rosto de Choi Hyeong-il, como se tivesse acertado em cheio. Jang Jin-woo respondeu com um sorriso enigmático, sem dizer nada.
— Mas, se formos ao caso, diria que é o senhor, subdiretor, quem precisa de Kim Marvin. O que está disposto a dar a ele em troca?
Antes de ir embora, Marvin tinha lhe dito algo. Que já não estaria do lado de ninguém. E que, como tinha acabado de fazer algo pior com Choi Hyeong-il, não tinha por que se sentir intimidado se o encontrasse no futuro.
Ele já tinha cortado seus vínculos pessoais: estava profundamente decepcionado com sua própria organização. E, mesmo assim, se tinha entrado em contato, tinha que ser por pura necessidade. Talvez para sondar, ou talvez para negociar.
— Não é algo que você precise saber.
Choi Hyeong-il abriu a porta do banheiro sem dar margem para réplica. Tinha uma expressão que dizia claramente que, se o parassem outra vez, desta vez não ficaria quieto.
O que Kim Marvin precisava era voltar. Recuperar sua honra. E o que Choi Hyeong-il precisava…
— …Era a amostra da Maxona.
Jang Jin-woo murmurou como se falasse consigo mesmo. Depois, como se acabasse de confirmar sua intuição, acrescentou uma frase em tom seguro.
— Então parece que ele a encontrou.
Choi Hyeong-il, completamente exposto, virou-se com um olhar fulminante.
— Promotor Jang Jin-woo. Estou te avisando: não se meta mais. Se voltar a se interpor, vou te derrubar custe o que custar.
Em seguida, empurrou com força as portas do banheiro, que se abriram de par em par, e foi embora. Quando o som de seus passos foi desaparecendo, Jang Jin-woo esfregou a bochecha e deixou-se cair no sofá. Apesar da ameaça feroz que acabara de receber, em seus lábios flutuava um sorriso tênue.
Tinha obtido uma informação que não esperava.
De verdade… Já sabia que ele não era um cara qualquer.
— Kim Marvin, você é realmente impressionante.
Reclinando o corpo contra o encosto do sofá, Jang Jin-woo soltou uma risada baixa, como se sentisse uma satisfação indireta difícil de explicar. Em suas pupilas, um brilho dourado vibrou com intensidade.
Caiu uma nevada intensa e inesperada. Fazia frio demais para justificar apenas como uma rajada final de inverno.
Também no estacionamento principal em frente ao prédio da promotoria de Oseong, a neve tinha se acumulado em camadas grossas. As rodas dos carros derrapavam uma após a outra sobre uma área completamente congelada. Quando o alvoroço aumentou no estacionamento, os gritos se esgueiraram inclusive pela janela hermeticamente fechada do gabinete da promotora-chefe no terceiro andar.
Os promotores reunidos para a reunião olhavam para baixo, sob a janela, comentando entre si. “Primeiro tem que tirar o caminhão.” “Não, dali ele não consegue esterçar tanto, o ângulo não dá.” “É normal derrapar.” Enquanto discutiam e davam opiniões, todos voltaram aos seus assentos quando a chefe de divisão, a promotora Park Yoon-jeong, terminou sua ligação e deu a ordem.
— Vamos começar.
Seis pessoas se sentaram em círculo nos sofás e abriram seus notebooks. Exceto uma.
— Promotor Jang.
— ……
— Promotor Jang Jin-woo.
Só depois de a chefe chamá-lo pela segunda vez é que ele virou lentamente a cabeça.
— O quê? Está esperando alguma ligação?
Desde cedo, Jang Jin-woo estava absorto olhando pela janela, com o celular na mão. Ao ouvir que, se estivesse esperando uma ligação, saísse para atender, balançou a cabeça levemente.
— Não. Vamos começar.
Ele também abriu seu notebook. Os promotores sentados ao seu lado o olharam de relance. Ultimamente, todos estavam sentindo uma inquietação instintiva pelo tratamento preferencial que a chefe parecia ter com o promotor Jang Jin-woo.
A reunião ordinária de segunda-feira teve início. Os promotores revisaram os casos atribuídos automaticamente naquela manhã e relataram o progresso dos principais casos em andamento.
Como era de se esperar, a maior parte do tempo foi dedicada ao caso do contrabando de ativadores de traço de curta duração por parte da Jinkang Shipping. Embora houvesse três promotores trabalhando nele, incluindo Jang Jin-woo, era claramente insuficiente para a dimensão do caso.
Da promotoria de Seul tinham prometido enviar cinco investigadores para reforçar a equipe de julgamento, mas ainda assim não era suficiente. Toda a promotoria de Oseong vinha arrastando uma sobrecarga de trabalho severa desde o ano anterior.
— A ideia é transferir apenas o contrabando. A agressão qualificada e a venda de ativadores ficariam aqui. Separam-se os réus. Jinkang por um lado e Dongyang por outro.
— Vamos ficar com a pior parte e eles levam tudo? Droga, com essa miséria na província, como querem que a gente viva?
De Seul estavam usando a desculpa da falta de pessoal para tentar absorver o caso completo. Dado o nível de atenção pública, queriam que a sede central o liderasse, tanto por imagem quanto por escala. Diante dessa atitude descarada, não apenas a promotoria de Oseong, mas também a polícia, que tinha feito o trabalho inicial, estavam furiosas.
— Eu também estou com dor de cabeça. Mas todos sabem: uma vez que a unidade especial for formada, tudo o que for relacionado vai para lá.
— Nós fazemos todo o trabalho e os outros levam os méritos.
— Mas ao menos vão colocar o promotor Jang como primeira opção.
A promotora-chefe olhou para Jang Jin-woo. Ele apenas curvou levemente o canto dos lábios, sem dizer nada.
Para uma promotoria sem um único chefe de distrito, isso já era um resultado considerável. Afinal de contas, um deles sim seria enviado para a central, então servia como consolo simbólico. Diante de todos aqueles que se animavam mutuamente, Jang Jin-woo não mencionou que sua seleção como primeira opção já estava garantida há tempos.
O tabuleiro estava avançando conforme o previsto, e agora era uma etapa em que se precisava de mais aliados do que inimigos. Não fazia sentido quebrar o ânimo desnecessariamente.
Seria bom se mais um se somasse.
Jang Jin-woo baixou o olhar para o celular por hábito.
— Enfim, não saiam por aí vazando coisas só porque têm algum jornalista amigo. Vamos fazer isso direito. Qual é o próximo? Era o caso de homicídio por negligência no salão de festas? Promotor Song, algo a relatar?
Naquele momento, *drrrk*, o telefone da promotora-chefe começou a tocar.
— Ah, esse velho, por que está tão insistente?
Franzindo a testa, levantou-se para atender a ligação em outro lugar.
A reunião foi interrompida, e os promotores começaram a conversar entre si novamente. O olhar de Jang Jin-woo, de forma natural, voltou-se para a janela. Observou em silêncio o estacionamento, que continuava um caos.
Ali não havia nenhum homem com uma altura e porte físico notáveis, nem alguém tremendo de frio com as roupas feitas um trapo. Jang Jin-woo soltou um sorriso seco.
Pelo visto, considerando o quanto seus olhos se voltavam para lá só pelo fato de que, uma vez, ele tinha ficado ali esperando sem aviso prévio, pode ser que Choi Hyeong-il estivesse certo: ainda havia algo que ele precisava daquele homem.
⚖ ─── 𝛂 · β· Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello