Capítulo 137
CAPÍTULO 137
Ko Hyeong-jun levantou-se de seu assento. Saiu do quarto barulhento do hotel e dirigiu-se à piscina, localizada no final do corredor. Havia um funcionário na entrada, mas, ao apontar para dentro com um gesto, deixaram-no passar sem problemas. A piscina, com a porta fechada, estava em absoluto silêncio. Inclusive o som da música que ecoava por todo o corredor tinha desaparecido por completo.
Não havia outros hóspedes no interior. Apenas uma pessoa a ocupava.
Ko Hyeong-jun observou Hong Gyeong-uk nadar sozinho, cruzando com calma pelo centro de uma das raias. Pelo visto, devia estar metido outra vez em alguma de suas lutas internas. Nestes casos, o melhor era esperar com paciência. Subiu em uma espreguiçadeira e, de pernas cruzadas, ficou olhando como Hong Gyeong-uk nadava como uma foca.
Seus ombros e braços musculosos, suas pernas esticadas, abriam caminho com força entre a água. Não havia nenhuma falha em sua técnica. A única coisa fora do comum era que estava completamente nu, sem um único fio de roupa. Essa era precisamente a razão pela qual se proibia a entrada de pessoas alheias.
Deve incomodar e doer isso com as ondas… será que ele tem aquilo blindado ou o quê? Ko Hyeong-jun soltou uma risada nasal e pegou o celular. Outra vez estava cheio de notícias que não queria ver.
A empresa estava enfrentando sérios problemas por culpa da promotoria. Tudo estava saindo do plano por culpa de um desgraçado escorregadio.
Por isso dizem que quando um rico começa a ter ânsia por honra, é uma tragédia. Se as coisas dessem errado, as faíscas podiam atingi-lo também, então ultimamente andava com muito cuidado. Com cara de quem engole remédio amargo, Ko Hyeong-jun jogou o celular sobre a espreguiçadeira.
Depois de dar mais três voltas, Hong Gyeong-uk saiu da água. Caminhou em sua direção sem sequer secar o corpo, do qual continuava pingando água.
— Vista algo, sim? Fico com pena do funcionário.
Sem responder, Hong Gyeong-uk deixou-se cair com todo o corpo esticado na espreguiçadeira ao lado. Talvez por ter terminado de se exercitar, ainda respirava com dificuldade.
— Não está com frio?
Diante das censuras contínuas, ele o olhou de relance. Mas, como sempre, não respondeu grande coisa. Ko Hyeong-jun, já acostumado a esse tratamento, continuou falando sem dar importância.
— O que faz nadando tanto em pleno inverno? Da outra vez vi que a água nem estava tão morna. Eu te disse para voltar ao quarto para se divertir. Ou será que não há nenhum de quem tenha gostado?
Hong Gyeong-uk, com a cabeça inclinada para trás e os olhos fechados, fez um gesto com a mão para o funcionário do hotel que esperava à distância. O funcionário correu em sua direção e começou a secar seu corpo com uma toalha. Depois, com total familiaridade, ajoelhou-se e começou a chupar seu pênis.
— Ah, por Deus…
Ko Hyeong-jun, que estava sentado ao lado, franziu a testa como se acabasse de ver algo que não queria. Com uma das mãos cobriu parcialmente o rosto e desviou o olhar para outro lado.
— Não faça essa cara de merda. Caia fora.
A voz de Hong Gyeong-uk saiu baixa, profunda, vinda do fundo. Com força, agarrou o cabelo do funcionário e o puxou para si, como se indicasse para fazê-lo com mais intensidade.
— Você sabe sequer de quem recebi a ligação para vir até aqui? Depois vai se arrepender para caralho, sabe?
Hong Gyeong-uk, que estava soltando um gemido baixo, olhou de relance para Ko Hyeong-jun. Vendo que a maneira como preparavam o terreno não era normal, perguntou-lhe de quem era a ligação.
— Pois é, você sabe. O cara em quem Kim Do-jin tentou meter o pau e falhou.
O olhar lânquido de Hong Gyeong-uk mudou por completo.
— Não disseram que ele tinha escapado?
— Eu achava que sim. Mas… droga… diz que encontrou a mercadoria. Que estava na Suíça. E me perguntou se nós é que íamos comprá-la.
Naquele momento, o corpo de Hong Gyeong-uk parou. Deu uns tapinhas na cabeça do funcionário que estava entre suas pernas, chupando com diligência seu pênis. Era o sinal de que devia se levantar.
— Volte depois.
O funcionário fez uma reverência e saiu. Quando a porta se fechou, só restaram os dois dentro da piscina. Hong Gyeong-uk sentou-se, como quem diz que agora podia lhe contar tudo em detalhes.
— Ele disse que encontrou a amostra? Certeza? Você viu a mercadoria?
— Só me mandou a foto, mas não parece mentira. Ele é assim. Achei que fosse ingênuo, mas quando você o pisa, ele se retorce como louco, e é daqueles que colocam todo o esforço em cada coisa. É bonitinho. Já entendi por que Kim Do-jin estava tão obcecado.
No rosto de Hong Gyeong-uk, ao ver a foto que Ko Hyeong-jun lhe mostrou, apareceu uma leve excitação. Era autêntica, sem dúvida. Ambas as peças estavam intactas.
— Se é certeza de que ele as tem, é só trazê-lo. Para que fazer uma transação?
Então Ko Hyeong-jun cruzou os braços com uma expressão frustrada.
— Ah, este meu irmão outra vez com amnésia de curto prazo… Você se esqueceu? Você também enviou gente atrás dele, e o Park Sang-hee contratou uma PMC várias vezes. E funcionou? Droga, da última vez até explodiram o carro dele e nem assim ele morreu. Esse cara é uma fênix. Não faça essas coisas e é melhor trazê-lo com calma.
Hong Gyeong-uk soltou uma risada curta. Que exagero, só teve sorte algumas vezes. No fim das contas, era apenas um simples agente do governo.
— Diga a ele que aceitamos todas as condições. Que nós vamos comprá-la, com certeza. Como você disse, traga-o com calma para o hotel.
Voltou a se recostar com tranquilidade sobre a espreguiçadeira e chamou novamente o funcionário.
Seria algo complicado de executar, mas pagando mais e contratando três ou quatro adicionais, bastava. Gente assim costumava ser bebês de cio sem família nem contatos. Inclusive o Serviço de Inteligência o tinha descartado, então não havia por que hesitar.
— É uma pena matá-lo assim do nada.
Ko Hyeong-jun murmurou enquanto coçava a bochecha. Era difícil simplesmente descartar o primeiro caso que tinha conseguido uma mudança de tipo bem-sucedida. E ainda mais uma mudança do traço A para o traço O, que tinha um nível de dificuldade alto. Se fosse possível, queria levá-lo vivo e examiná-lo a fundo.
Para ver se não tem nenhuma fraqueza.
Como dizia Hong Gyeong-uk, ao não ter laços, não servia nenhum tipo de ameaça, e realizar qualquer coisa se tornava difícil. Se ao menos fosse um desgraçado obcecado por dinheiro ou sexo, teria sido fácil.
Como se respondesse a esses pensamentos de Ko Hyeong-jun, Hong Gyeong-uk começou a rolar com o funcionário do hotel outra vez. Enquanto os dois se beijavam de maneira intensa, Ko Hyeong-jun afastou o olhar e falou ao ar.
— Preciso de dinheiro.
Só se ouviam sons úmidos: chuup, chuup.
— Me dê dois milhões. Vou usá-los com cuidado.
— Vendam ações da sua empresa. Subiram bastante. A Comissão de Supervisão Financeira está com os olhos bem abertos, então eu nem posso tocar nesse dinheiro. Estes dias sou um pobre.
— Por favor… onde você viu um pobre viver assim?
— Tire a roupa e suba.
Hong Gyeong-uk, ignorando por completo o que Ko Hyeong-jun dizia, deu umas palmadinhas nas nádegas do funcionário do hotel. Em resposta, o funcionário tirou as calças e subiu na espreguiçadeira. Parecia ser um ômega, pois se percebia o aroma de seus feromônios.
Em seguida, ambos começaram a ter sexo com penetração, sem mudar a postura em que estavam sentados sobre a espreguiçadeira. Diante dos gemidos que explodiram de imediato, Ko Hyeong-jun levantou-se.
— Ah, merda, sério mesmo…
Franzindo a testa com força, Ko Hyeong-jun dirigiu-se caminhando em direção à saída.
Se já está assim agora, não sei se, ao converter esse cara em alfa, o pau dele vai se gastar até desaparecer. Pensando nisso, Ko Hyeong-jun saiu arrastando os pés da piscina e regressou ao quarto onde se celebrava a festa.
Jang Jin-woo estava contemplando em silêncio o exterior do terraço. Ali se encontrava o jardim de inverno estilo inglês, preparado com esmero pelo hotel mais famoso de Seul por ter as tarifas de quarto mais caras.
Uma estufa cheia de hortênsias cultivadas com dezenas de milhões de wones, entre as quais se destacavam aqui e ali talos de astilbe brotando como fogos de artifício. No centro do lago, uma fonte jorrava água em forma de cascata e, ao seu lado, as trepadeiras de Hera se estendiam de forma ameaçadora.
Só de ver, parecia que a pessoa ia se asfixiar pela umidade. No momento em que se virou bruscamente, teve um esbarrão infeliz com alguém.
— Ah! Nossa, sinto muitíssimo.
Uma funcionária do hotel que estava servindo comida no banquete se assustou e não sabia o que fazer. Por sorte, o terno se salvou, mas a parte superior de sua mão ficou cheia de molho.
— Deixe-me limpá-lo!
— Não se preocupe. É só lavar.
Jang Jin-woo, aproveitando como desculpa a mão pegajosa, saiu do salão do banquete. Justo agora estava desconfortável com seu assento.
As reuniões familiares eram sempre exaustivas. Fingir que eram excessivamente harmoniosos, agir como se fossem modestos apesar de ser uma família chaebol… Como alguém que sabia que todo esse comportamento era cálculo premeditado, não queria fazer parte.
Também influenciava o lamentável engenho da equipe de mídia, que só esperava que, por acaso, se produzisse alguma anedota exemplar contada por funcionários do hotel. Pensava que seria melhor dar uma gorjeta de um milhão de wones a cada um: isso teria muito mais impacto. Chamar a atenção sempre custa dinheiro.
Jang Jin-woo entrou no banheiro, decorado como uma sala de estar. Um espaço desmesuradamente luxuoso, com sofás incluídos. Demasiado quente, acolhedor e inclusive perfumado. Ali lavou as mãos, sujas de molho de soja.
Naquele momento, alguém puxou a descarga dentro de um dos cabines e saiu. Jang Jin-woo olhou-o de relance através do espelho, e suas sobrancelhas se arquearam ligeiramente. Foi um encontro tão inesperado que quase soltou uma risada incrédula.
— Nossa, que surpresa. Quem imaginaria nos encontrarmos aqui?
Choi Hyeong-il aproximou-se do lado de Jang Jin-woo.
— É verdade. Não é um lugar onde a gente se cruze facilmente.
— Eu venho com frequência. Costumo ter reuniões aqui. É tranquilo, boa comida… Não parece que o senhor tenha vindo por trabalho, não é, promotor Jang?
— É uma reunião familiar.
Choi Hyeong-il assentiu de imediato, como se estivesse totalmente de acordo. Uma reunião familiar…? Repetiu mentalmente aquelas palavras, saboreando o que implicavam, e sorriu.
— Agora que penso nisso, promotor Jang… se a gente se encontrar com o senhor fora daqui, sem insígnias de cargo nem nada, é o tipo de pessoa com quem eu dificilmente poderia me cruzar, certo? Passei dos limites várias vezes com o senhor, não acha?
Embora elogiasse alguém de uma família chaebol, seu tom escondia um golpe sutil. Jang Jin-woo soltou uma risada seca, incrédula. Estava a ponto de ir embora, irritado, quando Choi Hyeong-il tirou um lenço de papel e acrescentou mais uma frase.
— Sabe que o Marvin está na Coreia?
Os passos de Jang Jin-woo, que já se dirigiam para a porta, pararam de estalo.
— O quê, ele não te contatou? Já faz um tempo que ele entrou.
Talvez tenha sido o tom debochado com que disse isso, ou talvez tenha sido o próprio conteúdo de suas palavras, mas o rosto de Jang Jin-woo ficou sombrio de imediato.
⚖ ─── 𝛂 · β· Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello