Capítulo 133
CAPÍTULO 133
Tae-gwan endireitou-se rapidamente em seu assento.
— O senhor pode confiar em mim. Este negócio não pode ser feito sem confiança, o senhor sabe. Mantenho um registro pessoal para gerenciar melhor meus clientes. Se lhe interessar, posso mostrar ao senhor, promotor. Com certeza reconhecerá alguns nomes. E bom, também seria do agrado do partido Min-sa, sem dúvida.
O promotor arqueou uma sobrancelha perfeitamente delineada. Mas não disse mais nada.
— Entendido. Apresente por escrito. Analisaremos depois.
— Como? Não, promotor, se o senhor ver o conteúdo, vai ficar surpreso de verdade…
— O que foi? Está aí o nome do filho do presidente ou o quê?
— ……
Tae-gwan tentou dizer algo, mas mordeu a língua. O promotor saber da existência da lista era uma coisa, mas já conhecer o seu conteúdo… isso ele realmente não esperava. Que desastre.
O promotor, como se tivesse lido o colapso mental que se apoderava de Tae-gwan, soltou um comentário cortante:
— Quando fizemos a busca e apreensão na Jin-gang Shipping, já garantimos uma lista parecida. Parece que a comunicação interna de vocês não está muito boa por lá, hein?
Maldição… Então o pessoal da Jin-gang estava agindo por conta própria. Com razão tudo esteve tão suspeitamente calmo.
— A nossa é mais precisa. Quero dizer… se quem entregou foram eles, o que eles saberiam se quem distribuiu fomos nós?
— Não importa. Não tenho interesse algum em listas de celebridades ou coisas do tipo. Não servem para esclarecer o caso, e a única coisa que causam é me ligarem de todos os cantos pedindo para tirar seus nomes da mídia. Só me trazem amolação.
Voltou a pegar o notebook que tinha deixado sobre a mesa. Desesperado, Tae-gwan levantou-se de golpe e voltou a pará-lo.
— Então, o que é que realmente lhe interessa? Vamos, se o senhor me chamou a sós é por alguma razão, não é? Eu mesmo decidi vir sem advogado, justamente porque quero colaborar. Me dê uma única oportunidade. Farei o que for necessário.
Tae-gwan curvou-se profundamente, apagando do rosto qualquer vestígio de descontentamento. Se depois de tudo isso não funcionar, então esse desgraçado é um eunuco. Um que não sabe aproveitar o que lhe é entregue de bandeja.
Ao ver esse ato de submissão total, o promotor finalmente virou-se para ele. Deixou o notebook e os documentos de lado, apoiou-se com calma na quina da mesa e, dando as costas para a câmera de segurança no teto, apontou com o queixo para um dos papéis diante de Tae-gwan.
— Isto. Me fale sobre isto. Isto é o que realmente me interessa.
Era o laudo de análise do ativador de segunda fase. As sobrancelhas de Tae-gwan se franziram. Então era isso o que ele cobiçava mais do que a lista?
— Parece que a Dongyang selecionou pessoas com certas condições para aplicar o fármaco e monitorar sua evolução. Sabiam que era um ensaio clínico ilegal, não sabiam? Quem é o fabricante? Me diga o nome da empresa.
Tae-gwan ergueu lentamente a cabeça para olhar diretamente para o promotor. Estalou a língua e esticou o som com os lábios, pensativo.
O que fazer? Pela atitude que demonstra, está claro que vai cutucar um vespeiro e quer que seja eu a dar a primeira paulada.
— Se não sabe, não tem problema.
— Não, eu sei sim! Chama-se Ko Hyeong-jun. É um pesquisador intermediário que faz a ponte com a farmacêutica, e era ele quem gerenciava os medicamentos. Este… é o fármaco que supostamente “transforma em ômega”, ah, embora eu também tenha ouvido que há uma versão que transforma em alfa, mas diziam que este dava mais dinheiro, então decidiram começar por este.
Temendo perder a oportunidade, Tae-gwan apressou-se em soltar tudo o que sabia. Então o promotor, de repente, abriu um vídeo em seu notebook e virou a tela para mostrar a ele. Era o vlog de um ômega masculino, falando animado diante da câmera.
— Este indivíduo também foi transformado com um fármaco da mesma origem, correto? Incluindo se é ou não o mesmo composto que o gel DAP20 desenvolvido pela SN Bio… aqui.
O promotor colocou de repente uma folha de depoimento e uma caneta bem diante de seus olhos. Os olhos de Tae-gwan se escancararam.
— Ouça, promotor… eu nunca mencionei a SN Bio.
— E daí? Vai mencionar de qualquer jeito.
— Ahn?
— Inclua o que acabou de dizer e, além disso: o nome da pessoa que gerencia o medicamento em Seul, como se contatam, como são selecionados os voluntários para o teste, quem toma essa decisão e como são feitos os pagamentos ou comissões. Detalhes. Se terminar antes da hora do jantar, eu pago uma refeição para você.
Tae-gwan, atônito, ergueu a cabeça. Algo não se encaixava. Se o promotor já sabia de tudo, por que tanto esforço só para conseguir um depoimento por escrito? Será que…?
— Então isso… significa que…?
O promotor assentiu com a cabeça.
— Estamos fabricando a bomba para montar uma força-tarefa especial. É assim que a lei funciona. Não basta saber de algo: alguém tem que assinar e dar um depoimento legal para que tenha efeito. É isso o que você está fazendo agora. Mais para a frente podem até chamar isso de “Caso Tae-gwan”, então capriche. Inclua todos os nomes de que se lembrar.
Maldição… caí feito um patinho. Eles já tinham toda a investigação subterrânea pronta, e só estavam usando a questão do tráfico de manifestanfetamina como uma simples pesca acidental para justificar a abertura de uma investigação derivada. Queriam manter o informante deles em segredo e usar o nome de Tae-gwan como escudo.
— É que… me deixa um pouco desconfortável. E o oponente é uma grande empresa…
— O quê? Já amarelou? Agora mesmo dizia que queria se esforçar. Estou lhe dando uma oportunidade. Tenho certeza de que se sairá bem. Quando terminar, bata na parede.
O promotor recolheu seus documentos e preparava-se para sair, mas Tae-gwan deteve-o apressadamente.
— E o que eu ganho em troca? Vão me dar uma pena suspensa ou algo assim?
A testa do promotor se franziu ao virar-se.
— Eu não faço acordos de redução de pena.
Naquele momento, uma onda de raiva subiu no peito de Tae-gwan. Não faz acordos? Então tudo isso foi uma farsa e ele esteve dançando sozinho?
— Mas não vamos carregar você com culpas que não lhe correspondem, então pense bem. Se não escrever o depoimento, carregará tudo sozinho. Se escrever, dividiremos entre todos. Entende?
É claro que entendia. Mas não queria aceitar.
Maldito promotor. Há um tempão não disse uma única mentira… mas que vontade dá de quebrar a cara dele.
— Está bem. Não vou fazer. Que me deem a pena máxima se quiserem, não me importa. Eu também tenho advogado.
Tae-gwan levantou-se, ajeitando o paletó com uma expressão contrariada. Pensava que, de qualquer forma, tudo se resolveria no julgamento, então não via motivo para continuar perdendo tempo ali. No entanto, o promotor continuava apoiado contra a porta, sem se mover.
— É aqui que o senhor está melhor, não acha?
Antes que pudesse entender o significado daquela frase enigmática, o promotor pegou o telefone e ligou para alguém.
— Traga aquilo para mim, por favor.
Pouco depois, a porta deu um clique e abriu-se. Um homem que parecia ser um investigador entrou com uma folha de papel na mão. Pelo visto, esteve acompanhando a situação na sala ao lado. De imediato, Tae-gwan viu cair suavemente diante de seus olhos um mandado de prisão.
Por sorte, ainda não tinha o selo do tribunal.
— Já falei com o juiz de plantão de hoje. E o tribunal fica a apenas dez minutos de corrida daqui.
— ……
— Não seria melhor comer um prato de comida quente aqui e depois voltar para casa para descansar, em vez de ser preso em condições desagradáveis quando o mandado for emitido?
Haa…
Tae-gwan desviou o olhar e suspirou brevemente. Então a sugestão era de que, se cooperasse, evitaria uma prisão preventiva…
Se já a tivessem emitido, não haveria nada a fazer, mas ao dizer-lhe que ainda não tinha sido expedida, sua determinação começou a vacilar.
— Por mais que pense sobre isso, não lhe restará outra opção. Ao menos poderá recorrer a circunstâncias atenuantes se for considerado que colaborou com a investigação. Pense bem.
Será isso o correto? Só de imaginar passar um inverno no centro de detenção sentia calafrios.
— …Quero fazer uma ligação para o meu advogado.
— Vá em frente.
O promotor deixou a responsabilidade com o investigador e saiu da sala de interrogatórios sem um único olhar de dúvida. Enquanto observava a figura dele se afastar, Tae-gwan compreendeu que tinha sido completamente arrastado para o jogo.
‘Esse hyung tem um problema: finge ser esperto. Pensa demais, e quando se encontra com alguém realmente inteligente, acaba virando pó. Haha, por que está me olhando assim? Estou te dizendo isso porque me preocupo com você.’
A voz de Ko Hyeong-jun voltou a ecoar em sua cabeça. Estes desgraçados ou os outros, são sempre os malditos crânios que arruinam a minha vida.
— Quando terminar de falar ao telefone e tiver escrito todo o depoimento, pode bater na parede ou levantar a mão. Quer que eu peça algo para o jantar?
O investigador entrou e perguntou. Tae-gwan, que estava mergulhado na autocompaixão, virou lentamente a cabeça. Seus olhos cruzaram-se com os de um funcionário público acostumado a ver diariamente pessoas enfrentando a maior crise de suas vidas.
— Vocês têm sopa de chouriço?
— Sim. Se terminar de escrever tudo antes das sete, trago para você.
O investigador fechou a porta e saiu. Totalmente sozinho na sala, Tae-gwan ficou sentado em silêncio. Saíam-lhe xingamentos e sentia raiva, mas não havia forma de desabafar. Ainda assim, o que mais o empolgava naquele momento era que lhe trouxessem a sopa de chouriço às sete, e essa ironia fez com que soltasse uma risada seca.
Finalmente, do outro lado do receptor, que não parava de chamar, o maldito advogado atendeu. “Sim, senhor.”, disse, ao mesmo tempo em que se ouvia o barulho de macarrão sendo tragado. Esse desgraçado… como pode estar engolindo comida neste momento? Tae-gwan encostou-se no encosto da cadeira e apertou os lábios com desgosto.
Dez minutos depois.
O investigador, que observava Tae-gwan através do espelho espião na parede, soltou um suspiro de admiração ao vê-lo terminar a ligação e, finalmente, pegar a caneta.
— Já está. Caiu!
Ao mesmo tempo, ergueu o polegar para Jang Jin-woo, que estava ao seu lado.
— Nossa, o nosso promotor sim sabe como quebrar alguém. Ele está entendendo a situação sem opor muita resistência, hein? Suponho que, por ser o chefe, dá para conversar melhor com ele do que com os pé-de-chinelo.
— Quanto ele vai escrever para a gente? Quando pretendem soltar isso para a imprensa? Há pouco cruzei com o promotor-chefe e ele estava empolgado.
A promotora Park Jeong-eun, que estava ao fundo, sorriu como se estivesse vendo um espetáculo divertido e colocou as mãos nos bolsos da calça. Em seguida, dirigindo-se a Jang Jin-woo, que inclinava a cabeça com uma expressão cansada, disse-lhe:
— Promotor Jang, não acha que está se forçando demais? Enquanto esse cara se diverte escrevendo a obra dele, vá para a sala de descanso fechar um pouco os olhos. Não dormiu nada?
— Não, quase nada.
Então o investigador entrou rapidamente na conversa:
— Ah, promotor, é que na fase inicial de um vínculo, isso é normal. A pessoa fica em estado de alerta constante e não consegue dormir bem. Vocês têm que liberar feromônios dormindo juntos, mas… seu parceiro ainda não voltou?
— Ahn? Promotor Jang, você se vinculou? Ah, parabéns!
A promotora Park Jeong-eun abriu os olhos de par em par e aplaudiu suavemente com a ponta dos dedos. Enquanto isso, olhava para o pulso de Jang Jin-woo, embora a marca do vínculo mal aparecesse pela manga.
— Os soníferos não fazem efeito em mim. Quando se supõe que termina este estado de alerta?
Jang Jin-woo pediu conselho ao investigador, que já era alguém vinculado e com experiência. Como dizia, já estava há dois meses sem conseguir dormir bem.
— O primeiro ano inteiro é assim. Depois a gente vai ficando mais insensível, sobretudo se passar por vários re-vínculos. Seu parceiro está longe?
Diante da pergunta, lançada sem maior intenção, Jang Jin-woo respondeu em voz baixa:
— Na Suíça.
— Na Suíça?
— Sim… provavelmente.
E depois riu sozinho, com incredulidade. Confessar que nem sequer sabe onde está seu parceiro vinculado… que ridículo eu sou. Não tinha vontade de continuar falando.
— Estou saindo. Me avisem quando ele terminar.
Saiu sozinho, deixando os dois para trás. Voltou a sentir aquela sede. Já tinha se acostumado, mas durante o primeiro mês andou perdido muito tempo sem saber como acalmá-la.
— Ah, já terminou? Agorinha mesmo o promotor-chefe passou por aqui.
— Sim.
Jang Jin-woo cumprimentou brevemente o agente de plantão ao retornar à promotoria e dirigiu-se à sala do fundo. Depois sentou-se diante de sua mesa e abriu o pequeno refrigerador que tinha atrás de si. Estava lotado até a boca com latas de bebida gelada.
Como de costume, abriu uma e bebeu de um trago. Em seguida, o aroma gelado de limão percorreu sua garganta e espalhou-se por todo o seu corpo, ao ponto de fazê-lo fechar os olhos.
— Haa…
Deixou-se cair no fundo da cadeira, aliviado, como se finalmente pudesse respirar de novo.
⚖ ─── Α · Β · Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello