Capítulo 131
CAPÍTULO 131
— É por dinheiro? Não, impossível. Se fosse por isso, o nosso hyung não viveria tão duro assim. Então o que foi que você roubou? Ah, por que você esconde tantas coisas de mim?
— Cale a boca um segundo. Ele acabou de desbloquear o celular.
A tela do celular do carteiro, projetada no notebook, começou a se mover por conta própria.
— Oh, parece que ele vai falar com alguém, não é?
— A gente deveria gravar a tela?
— Ah, espera, espera! Se a gente manipular ao mesmo tempo, pode ser que trave tudo.
Marvin franziu a testa, sem entender a que vinha aquilo, e olhou para Woo Hyun-woo.
— Foi o que me disse o cara chinês que me vendeu o programa. Que quando o usuário estiver usando o telefone, a gente não toque em nada do nosso lado, só olhe. Ah, não tinha orçamento, não teve outro jeito. Mas mesmo assim consegui bastante barato, por que você está me olhando assim?
Murmurando com cara de vítima, Woo Hyun-woo levantou-se e foi para a cozinha. Voltou abrindo um pacote de lámen instantâneo. Marvin tinha jantado com o carteiro, mas ele, que tinha ficado na espera esse tempo todo, só tinha comido um sanduíche. Queixava-se de fome enquanto passava o lámen cru no pó do sachê de sopa e o comia aos bocados.
— Mas falando nisso… — *croc, croc.* O som do lámen seco se quebrando acompanhava suas palavras —. A gente já não está quase sem dinheiro? Se formos ficar mais tempo, temos que pagar de novo esta acomodação. Também temos que devolver o carro que alugamos. Como é caro pra caralho tudo na Suíça. Comer comida coreana aqui custa como se fosse de luxo.
— Não planejo ficar muito tempo. Assim que tiver o objeto, voltamos para a Coreia.
— Você tem algum dinheiro guardado lá?
— Não.
— Sério, hyung, às vezes você parece um cara que vive sem pensar em nada. Como se só vivesse o dia. A propósito, o que eles estão dizendo? Não estou entendendo nada.
O carteiro estava trocando mensagens com um conhecido. Inclusive quando escrevia em inglês falava muito, mas sua velocidade escrevendo em alemão era de nível profissional. Era difícil acompanhar a conversa enquanto as mensagens rolavam sem parar para cima. Parecia estar desabafando sobre o que tinha acontecido naquele dia, embora nem Marvin pudesse entender com clareza os detalhes.
Não importava. De qualquer forma, não estavam ali para espiar a vida pessoal dele. O que Marvin esperava era que o homem acessasse, como fazia todos os dias, a rede interna do sistema de entregas dos correios suíços.
Para alguém que não fosse um hacker, acessar diretamente a rede de uma instituição pública era impossível. Mas Marvin tinha prestado atenção ao fato de que os carteiros autenticavam seus dispositivos de entrega usando seus celulares pessoais. Assim, selecionou um alvo vulnerável e passou cerca de uma semana preparando tudo. Agora só esperava que o carteiro usasse seu certificado digital.
— Pelo jeito, ele vai passar a noite conversando. Com certeza está se desabafando porque você deu um bolo nele. Olha só isso, não para de mandar emojis chorando.
Mastigando o lámen cru, Woo Hyun-woo observava a tela. Mas como era um conteúdo que não entendia, ficou entediado rapidamente e acabou indo para o seu quarto.
O zumbido de um alarme fez Marvin abrir os olhos em silêncio, deitado no sofá. Era 5:30 a.m. Com a sala ainda mergulhada na escuridão, desviou o olhar para a tela do notebook que continuava ligada.
O celular do carteiro voltava a estar em movimento. Após checar as notícias, o clima e suas redes sociais, em pouco tempo ativou seu passe mensal do bonde. Estava se preparando para ir trabalhar.
Marvin esticou o braço e ligou o tablet. Em seguida, com um endereço IP que já tinha garantido com antecedência, acessou o sistema interno de funcionários dos correios suíços.
Esperou pouco mais de dez minutos nesse estado. Finalmente, o carteiro abriu um aplicativo que ficava na parte inferior de sua tela. Logo depois, um código QR ocupou toda a tela após uma verificação facial.
Marvin não deixou passar a oportunidade e escaneou o QR com a câmera do seu tablet. Uma vez concluída a autenticação, o servidor do sistema de funcionários — que tinha deixado preparado com antecedência — abriu-se. O tempo era limitado. Se o sistema contasse com um bom nível de segurança, não permitiria conexões simultâneas com uma mesma ID de funcionário. Marvin apressou-se a realizar a busca de um endereço.
[Falkenstrasse 12a, 8008]
Mas antes que pudesse pressionar o botão de busca, foi expulso do sistema. Ao mesmo tempo, o carteiro também foi desconectado e via-se como tentava executar o app de autenticação de novo. Marvin capturou mais uma vez seu novo código QR.
Reingressando no sistema, desta vez conseguiu inserir rapidamente o endereço. Uma avalanche de resultados apareceu na tela. Reduziu a faixa de datas e fez uma nova busca. Só apareceu um. Um único código de rastreio registrado para aquele endereço.
Desde o princípio, Kim Do-jin não podia sair do cativeiro. O fato de estar livre dentro da residência tinha sido apenas por generosidade pessoal de Marvin. Para todos os efeitos, continuava sendo um objeto de vigilância. Como nunca tinha saído, se tinha enviado a amostra que recebeu de Maxon, devia ter utilizado o serviço de coleta dos correios suíços. E Marvin tinha acertado.
Copiou rapidamente em um papel o endereço de destino que aparecia no comprovante. Logo em seguida, foi expulso do sistema novamente. Na tela, o carteiro tentava gerar novamente seu código de autenticação, desconcertado.
Mas já não havia mais nada de que precisasse dele.
Com o papel do endereço em mãos, Marvin vestiu-se rapidamente. Pegou as chaves do carro que Woo Hyun-woo tinha deixado ao lado da porta e desapareceu lá fora.
Na mesma hora, em Oseong.
Tae-gwan desceu do carro. Ao mesmo tempo, o flash das câmeras estourou ao seu redor. Já estava se acostumando a essa fama inesperada e indesejada que o perseguia ultimamente.
E não era só ele. Sua cidade natal, agora marcada com o estigma de ser “a cidade do crime”, estava experimentando sem querer um peculiar auge turístico. Tudo começou quando, dia após dia, jornalistas e criadores de conteúdo independente inundaram os arredores da promotoria com notícias e transmissões em redes sociais, o que inevitavelmente arrastou consigo uma onda de comentários do público.
— Vão a Oseong e experimentem o mandu de Gaeseong. Comprem duas vezes. É uma joia.
— Aí não, em Bidam-dong tem um hotel turístico com bom ambiente. Até ômegas aparecem com frequência.
Desde o princípio, o caso tinha captado a atenção do público por ser tão sensacionalista, mas agora tinha se tornado ainda mais popular graças à zoeira nos comentários das redes sociais. Por culpa disso, a facção Dongyangpa, que até pouco tempo era apenas um pequeno grupo criminoso local, tinha terminado ficando conhecida em nível nacional.
— O senhor sabia que o medicamento podia provocar a morte como efeito colateral?
— Dizem que há mais vítimas. O senhor admite?
— É verdade o rumor de que entre os nomes dos que receberam a substância ilegal há celebridades?
O caminho do estacionamento até a entrada da promotoria parecia especialmente longo. Tae-gwan pensou no diretor Cho, que costumava se queixar dizendo que tinham construído aquele trajeto assim de propósito, só para humilhar os acusados. Esse desgraçado descarado que vendeu meu nome ao promotor para se livrar com uma pena suspensa…
— Sim, sim. Lamento ter causado problemas. Comparecerei com responsabilidade.
Tae-gwan fez uma mesura apenas formal e acelerou o passo.
— Afastem-se. Abram caminho.
— Estão surdos?! Abram caminho!
Homens corpulentos abriam caminho entre os repórteres que bloqueavam o trajeto. Embora tivesse dito muitas vezes para pararem de agir como capangas, não adiantava nada. O estacionamento já estava lotado de sedãs pretos. Até tinham vindo até aqui para seguir seus passos, como se quisessem anunciar a gritos “olhem, somos mafiosos”. Não pôde evitar suspirar.
— Força, hyungnim!
— Volte bem, chefe!
Ignorando as saudações estrondosas, Tae-gwan entrou no prédio da promotoria. Como se estivessem esperando por ele, dois investigadores saíram de imediato e o guiaram em direção ao elevador. Subiram juntos para o terceiro andar.
A sala de interrogatórios para a qual o levaram era pequena. Não era sua primeira vez comparecendo diante da promotoria, mas desta vez tinha um mau pressentimento. Tae-gwan sentou-se sozinho diante de uma mesa isolada e fechou os olhos em silêncio.
As coisas estavam saindo do controle, mas o escritório de Seul mantinha-se impassível. Inclusive antes de comparecer, tinha falado com Ko Hyeong-jun, mas não houve nada relevante. Disse-lhe que o promotor com certeza estaria interessado na lista de fornecimentos, que tentasse negociar com isso, e desligou o telefone soltando um “Fighting!” como se não fosse nada. Em outras palavras: não conte com a nossa ajuda.
Malditos desgraçados. Não entendem que se este barco fizer um furo, eles também têm que preparar seu bote salva-vidas?
O rosto de Tae-gwan, ainda com os olhos fechados, contraiu-se levemente. Não era um ambiente em que pudesse sair livre apenas entregando alguns nomes e esperar um arquivamento sem denúncia. Nesse caso, teria que arriscar tudo no julgamento… Um momento. Havia algum juiz nessa lista?
Então, de repente, a porta abriu-se com força. Um homem alto entrou com passos firmes e foi direto para a janela.
— Aí não. Sente-se aqui. Está tudo sendo gravado.
Com brusquidão, abaixou a persiana. Em questão de segundos, a sala ficou mergulhada na penumbra.
Seguindo suas indicações, Tae-gwan mudou de lugar. A lente da câmera de vigilância no teto girou silenciosamente. O homem sentou-se diante dele.
— Sou o promotor responsável, Jang Jin-woo. Isso está apenas começando, então acompanhe o meu ritmo.
Sem sequer olhar para Tae-gwan, o promotor abriu seu notebook e começou a digitar com rapidez. Estava tratando-o como alguém insignificante. Embora com certeza estivesse perseguindo-o há mais de um mês com a intenção de denunciá-lo, não havia nem rastro desse esforço refletido em sua atitude.
“Está tentando marcar território desde o início?”, pensou Tae-gwan, enquanto endireitava lentamente o tronco e entrelaçava os dedos sobre a mesa.
— Promotor, eu…
— Estou ocupado, então nada de bobagens. Você o conhece?
O promotor interrompeu-o sem rodeios e tirou uma fotografia de uma pasta, mostrando-a para ele.
— …….
Tae-gwan alternou o olhar entre o promotor e a fotografia, levantando uma sobrancelha com um leve tic no rosto. Ao ver que não respondia de imediato, o promotor empurrou a foto bem diante dos seus olhos.
— Perguntei se conhece esta pessoa. Responda apenas sim ou não.
O que é isso? Pensei que perguntaria pela lista…
Era completamente diferente do que tinha antecipado.
⚖ ─── Α · Β · Ω ─── ⚖
Continua….
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello