Capítulo 130
CAPÍTULO 130
— [Ah, ah… por cima? Ou por baixo? Eu topo os dois, na verdade.]
O vapor do hálito embaçava os óculos do homem, que estava aceso de excitação. Tudo tinha começado quando, depois de jantarem e enquanto esperavam a sobremesa, ele perguntou a Marvin se ele morava perto.
Movel os olhos com uma expressão insinuante. Explicou que sua casa ficava a cerca de dez minutos caminhando e propôs irem tomar algo lá. Marvin tinha lhe sorrido de lado. O homem interpretou aquilo como um sinal e não demorou a segurar sua mão para arrastá-lo.
Durante todo o trajeto, seus movimentos eram exagerados. Disse que seu apartamento ficava no terceiro andar. Na escada, cruzaram com um vizinho que descia. Os dois, prensados contra a parede para deixá-lo passar, terminaram com o corpo completamente encaixado um contra o outro, e a virilha do homem inchou como se fosse estourar.
Inquieto, como se não pudesse esperar mais, contorceu-se enquanto subiam. Marvin soprou com suavidade sobre a bochecha dele. O outro, com uma expressão de êxtase a ponto de derreter, começou a esfregar a pélvis contra ele.
— [Estou te perguntando, qual você prefere? Haa… Você não parece ser dos que ficam por baixo. Estou errado?]
Marvin olhou para ele em silêncio de cima, depois segurou seu queixo.
— [Por quê? Está com vontade de ser montado?]
— [Ahh… se for possível, sim.]
Ao ver como Marvin curvava os lábios em um sorriso amplo e tranquilo, o homem soltou um suspiro.
— [Merda! Você é exatamente o meu tipo, vou colapsar. Desde que te vi pela primeira vez no café não parei de pensar em você. É que você se parece um pouco com aquele cara, sabe, o Ki quando era jovem…]
— [Você fala demais.]
Marvin pressionou os lábios dele com o polegar, silenciando a enxurrada de palavras. Depois, como quem diz “suba logo”, apontou com o queixo para cima.
O homem, com o rosto completamente vermelho, assentiu como se estivesse enfeitiçado e começou a subir os degraus com passos trêmulos.
— [Minha casa é pequena. Mas não atrapalha em nada o que vamos fazer. Ah, mas tenho que arrumar um pouco, então entre em cinco minutos. Não, três. Melhor um.]
— [Leve o tempo que precisar.]
— [Mas sério, com o que você trabalha? É modelo? Ou ator? É famoso no seu país e eu simplesmente não te reconheci? É por isso que você está vestido assim tão simples, para se sentir como um civil?]
— [Minha roupa está ruim?]
— [Se você fosse hétero, eu nem teria reparado. Mas entre nós você sabe que essas coisas importam.]
Marvin sorriu com pena. Vir até o outro lado do mundo para ouvir lhe dizerem que tem mau gosto para se vestir…
— [Menos mal, não? Se além de tudo eu me vestisse bem, ontem no Dänsen todo mundo teria se jogado em cima de mim. Você não era o único que estava me olhando, tinha mais de um me de olho. Para isso eu tenho bom instinto. Mas me diga, a gente trocou olhares ontem mesmo? Você estava me olhando, não estava? Por que foi embora assim do nada?]
— [Parecia que você estava com alguém.]
— [Maldição! Eu sabia que você pensaria isso! Mas aquele cara é sério, só um amigo! Eu… huh…]
Tinham chegado diante da porta do apartamento, mas o homem continuava falando sem parar. Marvin, sem dizer nada, cobriu-lhe a boca com uma mão. Ao mesmo tempo, envolveu-o com a outra pela cintura e o atraiu para si. Inclinou-se, como se fosse beijá-lo, e roçou o dorso da mão — a que lhe tapava a boca — com o nariz. Depois disse:
— [Não vai entrar?]
O homem, que tinha derretido feito sorvete em pleno verão, tirou a chave às pressas e abriu a porta.
— [Haa… vou enlouquecer. Só espere um momento, tem algo que fico com vergonha que você veja, vou recolher rápido. Um minuto! Não vá embora! Tá bom?]
Os rastros da “autocompaixão” que o homem tinha se concedido sozinho até de manhã — pensando no peixe grande que lhe tinha escapado na noite anterior no bar gay — continuavam espalhados por toda a sala. Mesmo que fosse só uma aventura de uma noite, queria manter as aparências. Ou talvez fosse mais do que isso: desejava no fundo que não fosse só uma noite, mas dez… ou mil noites.
Assim que o homem desapareceu, Marvin, que tinha ficado sozinho no corredor, tirou calmamente seu celular e fez uma chamada. A outra parte atendeu assim que começou a tocar.
— Sim, hyung.
— Ligue em cinco minutos.
— Entendido.
Após dar a ordem, Marvin guardou novamente o celular no bolso do sobretudo. Não tinha se passado nem um minuto quando o homem abriu a porta. Apenas Marvin cruzou o umbral, ele se jogou em cima dele. Pelo jeito como foi direto para a fivela da calça, parecia que já queria baixar suas calças imediatamente.
— [Você disse que íamos tomar algo.]
Marvin empurrou-o com cortesia enquanto avançava pelo apartamento, e o homem, envergonhado, corou.
— [Ah… verdade. Primeiro vamos beber. Temos tempo. Mas não tenho uísque nem nada do tipo… só cerveja…]
— [Eu gosto de cerveja.]
— [Espere um segundo.]
Foi até a geladeira e tirou umas cervejas, depois começou a recolher de forma atrapalhada os jornais e panfletos espalhados pelo sofá. Depois, sedento, bebeu a cerveja quase de um gole só. Ao mesmo tempo, lançava olhares furtivos a Marvin, que o imitava dando pequenos goles.
— [Haah…]
De novo com a paciência esgotada, o homem deixou a cerveja de lado e se aproximou de Marvin. A pequena sala, com um sofá barato encaixado à força, rangeu e afundou com um som estridente.
O homem já estava prestes a se lançar para beijá-lo quando algo o deteve: seu telefone, que começou a tocar com um toque escandaloso dentro do bolso, não na vibração. Recuando uns passos, tirou o celular.
— [Um momento. É um número desconhecido. Alô?]
Franzindo a testa, atendeu a chamada, mas não se ouvia nada do outro lado.
— [O que foi isso?]
— [Deve ter sido um engano. Não dê importância. Quer tomar um banho? Se possível, eu gostaria de ir até o fim.]
Com um sorriso gentil, Marvin tirou o celular suavemente das mãos dele. O homem, iluminado pela emoção, levantou-se de golpe.
— [Tomo um banho e volto num instante!]
E já quase entrando no banheiro, virou-se de repente.
— [Mas faz tempo que não faço isso, então pode ser que demore um pouco. Mas não vá embora, tá?]
Quando Marvin ergueu sua cerveja do sofá, como quem diz que esperaria, o homem finalmente desapareceu. Assim que a porta do banheiro se fechou completamente, Marvin ergueu com cuidado o celular que continuava desbloqueado.
Abriu o navegador e digitou um endereço IP, conectando-se a algum lugar. Na tela apareceu de imediato a mensagem “Conectando com gateway”. Do banheiro, começou a se ouvir o som alto do chuveiro.
*Tac, tac.* Marvin tamborilava os dedos na lata de cerveja por costume. Justo nesse momento, apareceu a mensagem de “Conexão concluída”. Simultaneamente, recebeu uma mensagem em seu próprio celular.
「Conectado. Agora saia daí.」
Após ler a mensagem, Marvin apagou o histórico de navegação do telefone do homem e deixou-o sem cuidado sobre o sofá. Em seguida, levantou-se em silêncio e caminhou em direção à saída.
Colocou o cachecol e o boné que tinha tirado descuidadamente ao chegar e abriu a porta. O velho portal de ferro rangeu com força, mas do banheiro só se ouvia o cantarolar alegre de uma música; não tinha notado nada do que acontecia do lado de fora.
Marvin desceu as escadas bebendo um gole da cerveja que ainda levava na mão e começou a caminhar em direção à praça. Lá fora, já tinha anoitecido por completo, e a escuridão tinha se instalado.
Então, um carro apareceu do nada e parou suavemente ao seu lado. Sem virar a cabeça, Marvin estendeu o braço com total naturalidade, abriu a porta do carro e subiu em um único movimento.
— Uau, hyung. Com essas roupas e esse boné de turista você parece um louco — comentou de imediato Woo Hyun-woo, sentado ao volante.
— E quem foi que disse que usar a compra do boné como sinal era uma boa ideia?
— Ah, eu disse para comprar, mas nunca para vestir! Mas bom, como foi? Não pareceu perceber nada, né?
— Não.
Marvin assentiu com suavidade. Enquanto isso, Woo Hyun-woo virava o carro em direção à estação de trem.
— Dei uma olhada rápida no e-mail dele e tinha de tudo. Quase todos os anúncios eram de descontos em brinquedos sexuais e coisas assim. Parece que o cara gosta de sexo com uma intensidade grotesca.
— Graças a isso pudemos entrar fácil. Dê mais um par de voltas por aqui antes de irmos.
O carro entrou em uma rua cada vez mais congestionada. Ao contrário dos carros que avançavam lentamente tentando sair do centro, eles giravam em círculos pela mesma área repetidas vezes, pegando desvios intermináveis. Finalmente, encaminharam o carro para a acomodação localizada no centro da cidade.
Depois de estacionar, subiram para o quarto pelo elevador. Dentro, Woo Hyun-woo, apoiado na parede do elevador, observou em silêncio o braço de Marvin.
— Que bom que é inverno. Assim ao menos dá para cobrir seu pulso, hyung.
Marvin não respondeu. Apenas seguiu o olhar dele e olhou para o próprio braço. Como tinha puxado um pouco a manga do sobretudo, a marca do vínculo que lhe rodeava o pulso ficava parcialmente exposta.
— Mas quem é, sério? Com quem você fez o vínculo?
Era uma pergunta que Woo Hyun-woo já tinha feito muitas vezes, mas nunca tinha recebido uma resposta clara. A única coisa que sabia era que Marvin era um portador de traço, que estava vinculado a alguém, e que tinha vindo à Suíça procurando um objeto que tinha perdido.
Mas mesmo assim, Woo Hyun-woo tinha pego o avião sem hesitar. Não era um trabalho especialmente bem pago, mas quando lhe disseram que seriam apenas os dois, sem nenhum outro membro da equipe, não fez mais perguntas. Considerou uma experiência de campo que não podia ser comprada com dinheiro, e sua decisão não foi errada.
Um mês depois de terem chegado à Suíça, e dez dias depois de iniciar o trabalho, tinham conseguido identificar o alvo. E hoje, finalmente, tinham feito contato. O atraso devia-se ao quão importante era que o sujeito não soubesse que estava sendo investigado.
— É um homem, não é? Não sei por quê, mas me dá essa impressão.
Depois de sair do elevador e retornar à acomodação seguindo Marvin, Woo Hyun-woo deixou as chaves do carro sobre a mesa e tirou o sobretudo. Marvin, sem dizer nada, foi direto para o quarto, de onde saiu com seu notebook nos braços.
— Você não vai fazer nenhuma ligação? Acho que não te vi contatar ninguém na Coreia, hyung.
— Não ligo.
Marvin largou-se pesadamente sobre o sofá sem tirar o sobretudo. Em seguida, ligou o tablet que tinha trazido do carro e compartilhou a tela com seu notebook.
Logo, o que estava vendo no tablet apareceu também no notebook. Era a tela do celular do carteiro loiro. Graças ao código que Marvin tinha instalado enquanto ele tomava banho, agora podia controlá-lo a distância.
— Por quê? Por que não liga?
Inundado pela curiosidade, Woo Hyun-woo puxou a cadeira e sentou-se perto, insistindo na pergunta. Marvin, sem tirar os olhos da tela, murmurou com voz tranquila:
— Porque roubei uma coisa.
— Hã? O quê?
Woo Hyun-woo inclinou-se com uma expressão de desconcerto, mas as mãos de Marvin não paravam de se mover sobre o teclado.
⚖ ─── Α · Β · Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello