Capítulo 129
CAPÍTULO 129
— Nossa, você realmente levou uma porrada forte da merda que o ex-promotor-geral deixou.
Jo Sang-oh deu um par de tapinhas no ombro de Shin Jeong-min, que rangia os dentes com uma expressão de impotência.
— Pronto, deixe isso para lá. Parece que aquele cara não gostou de como as coisas estavam se movendo. Se você continuar batendo de frente com ele, não vai se dar bem. Se até o promotor-geral se mexeu por causa disso, é porque a pressão por trás foi grande. E se ele mesmo está metendo tanto as mãos, deve ser porque tem algo a esconder, não? Melhor não mexer nisso. Deixe passar.
Jo Sang-oh, que era do tipo que gostava de traçar linhas de hierarquia, já parecia convencido de que o melhor era desistir. Mas Shin Jeong-min lembrou-se de repente do tom arrogante do homem que lhe tinha soltado aquela pergunta: se ele tinha muito dinheiro em casa.
‘Então este caso, melhor você não continuar. Pegue outra coisa. Já está atribuído, não tem jeito, mas finja que não há provas suficientes e arquive sem denúncia. Esse tipo de coisa você sabe fazer bem, não?’
O verdadeiro propósito do homem, que tinha tentado intervir abertamente na investigação, era sem dúvida encobrir tudo. E, pelo visto, como o novato não dava sinais de obedecer, tinha decidido mostrar do que era capaz. Mas o orgulho do verme pisoteado tinha sido ferido. Desde o mais fundo do diafragma, a raiva começou a subir-lhe com força.
— Vou apresentar uma objeção formal ao promotor-geral.
A voz de Shin Jeong-min, carregada de determinação, recebeu uma resposta imediata e clara de Jo Sang-oh:
— Você enlouqueceu?
O investigador, que continuava sentado, pensou o mesmo. Será que ele quer ser mandado no próximo ano para algum vilarejo perdido no fim do país? Mesmo assim, a decisão de Shin Jeong-min parecia firme.
— E por que não? Como promotor responsável, tenho o direito de apresentar uma objeção formal. É um tratamento claramente injusto. É para eu ficar aqui, vendo me tirarem o caso e ficando igual a um cachorro que persegue uma galinha e fica olhando para o teto?
Jo Sang-oh correu os olhos de cima a baixo em Shin Jeong-min, que apertava os punhos com força, e estalou a língua.
— Ei, você diz isso porque desde o início estava perseguindo algo que nem podia pegar. Aquilo não é uma galinha, é um pássaro. Só precisa voar e pronto. Ah, sei lá. Faça o que quiser. Chefe Heo, coma tranquilo. Nós viemos atrapalhar, desculpe o incômodo.
Já não restava mais nada para ver no espetáculo, então Jo Sang-oh saiu do Departamento de Informação a passos cansados, como deixando claro que estava se retirando. Shin Jeong-min seguiu-o às pressas.
— Ah, agora o senhor também vai fazer isso? Não era o senhor que dizia que não se deve deixar intimidar por esses nascidos em berço de ouro e enfrentá-los de cabeça erguida? Passo a informação para o subdiretor Oh, sim?
— Façaaa o que quiseeeer. Eu não sei de nada.
— Ah, chefe!
A nuca de Shin Jeong-min, seguindo-o como uma criança levada atrás de um adulto que tinha perdido todo o interesse, dava pena. O investigador, que os observava em silêncio, voltou a virar-se para o seu monitor.
No fim, os promotores são os mais infantis.
Estalando a língua, abriu de novo a marmita que tinha deixado de lado. Por sorte, só tinham tirado uma fatia de omelete. O resto continuava morno.
Pegou uma colherada de arroz e voltou a abrir a tela que estava processando. O som dos feijões pretos estalando entre os dentes saiu sem querer por sua boca.
Mas o movimento do mouse, que em tese deveria voltar a acelerar com energia, tornou-se lento. Ao final, parou por completo. Hesitando por um momento, o investigador deu uma olhada discreta para trás. Ao confirmar que ambos já tinham ido embora de vez, abriu com sigilo uma pasta do disco rígido.
Como é óbvio, todo vídeo trabalhado no Departamento de Informação é salvo no disco rígido local como cópia de segurança. Mas como ninguém tinha perguntado, não havia necessidade de contar.
O investigador clicou no vídeo apresentado do caso número 21-RA-4154.
Apareceu na tela o subsolo escuro de um edifício. Após uns dez segundos sem nenhum movimento, de repente um homem apareceu em cena. E em seguida desapareceu. Foi só isso.
No vídeo, o homem estendia o braço esquerdo. Provavelmente tinha jogado um panfleto em direção à câmera do painel de um carro que estava estacionado ao lado.
O papel caiu em cerca de três segundos. Durante esse breve intervalo, o rosto do homem não chegou a ser captado por nenhuma parte da gravação.
Nossa… mesmo vendo de novo, é impressionante.
Enquanto mastigava os grãos de arroz, o investigador murmurou para si mesmo ao olhar para o monitor.
Provavelmente, aquele homem já sabia da existência desta câmera de segurança. E deve ter pensado que não se importava que captassem apenas suas costas.
Reproduziu esses três segundos dezenas de vezes. Algo devia ser possível tirar dali, mas além das roupas escuras e do boné, não havia nada visível. Na parte traseira do boné de beisebol do homem, dava para ler uma pequena frase:
*I love Zurich.*
Quando descobriram isso pela primeira vez, ele e o promotor deram-se as mãos e soltaram um grito de alegria. Pensaram que, mesmo sendo algo pequeno, poderia servir como uma pista. Mas o boné do homem não passava de uma típica lembrança turística que se podia comprar em qualquer loja local. Checaram os registros migratórios, mas não havia nem uma única saída para a Suíça registrada sob esse nome.
O promotor Shin Jeong-min sentiu-se frustrado, e ele não tinha como ajudá-lo. Não será que comprou em alguma loja de artigos usados? Mal pôde oferecer uma suposição desse nível.
Ah, e quantos casos como este existem?
Mesmo que o pegassem, não havia provas de que aquele homem tinha cometido o assassinato. A olho nu, parecia um caso que terminaria arquivado, e a conclusão foi que era uma perda de tempo.
No monitor voltou a aparecer o CFTV da creche de Sanggon-dong, com o qual estava trabalhando até um momento atrás. Com os palitos nos lábios, o investigador pegou outro bocado de sua marmita. Logo, as teclas de atalho do teclado começaram a soar como um piano, uma após a outra. Ao mesmo tempo, o vídeo do homem que continuava sendo reproduzido em um canto da tela desapareceu por completo.
Nove meses antes, 13 de fevereiro. Zurique.
— [Você vai comprar esse boné? Para você é cafona demais.]
A voz cortou o ar frio e deteve a mão que estava prestes a pegar o boné. Marvin, que estava diante de uma barraca de lembranças turísticas, virou-se.
Um homem loiro-escuro, de rosto corado — talvez pelo frio, talvez pela vergonha — com óculos e um sobretudo marrom. Marvin soltou lentamente o boné e girou todo o seu corpo em direção a ele.
Quando seus olhares se encontraram em cheio, o homem engoliu em seco.
— [Na verdade, eu conheço você. Você também sabe quem eu sou, não é?]
Diante do olhar fixo de Marvin, que não dizia nada, o homem ajeitou a gola do cachecol. Tinha reunido coragem para iniciar a conversa, mas não parecia ter forças para mantê-la. Hesitou, pensou, e ao final voltou a falar como se finalmente tivesse se decidido.
— [Não finga. A gente vem se cruzando este tempo todo. Na semana passada você estava bem na minha frente na fila do café aqui perto. E ontem… ontem você também estava tomando algo no Dänsen.]
Marvin inclinou um pouco a cabeça, como perguntando o que é que devia ter de errado nisso.
— [Não me diga que foi coincidência!]
O homem levantou a voz de repente, como se se sentisse injustamente acusado. A mensagem implícita era clara: se você estava bebendo em um bar gay, então você também é gay, não é?
Marvin soltou uma risada suave. Depois, com a mão que esteve prestes a pegar o boné, enfiou-a fundo no bolso do seu sobretudo e começou a se aproximar do homem lentamente. Através dos óculos, viam-se olhos que tremiam com uma mistura de tensão, expectativa e emoção.
— [Você tem razão. Agora que penso nisso, era você quem estava bebendo ao meu lado ontem. O que veio com o seu a…]
— [O que veio comigo não era nada! De verdade. Eu juro.]
Apressou-se em interrompê-lo antes que terminasse. Era evidente o que significava: justificar esse tipo de coisa para alguém que mal conhecia revelava suas verdadeiras intenções. Marvin correu os olhos por ele de cima a baixo, e o homem, dando-se conta de que era o momento de arriscar, pigarreou um par de vezes antes de soltar, finalmente, o que queria dizer:
— [Você quer… tomar um café comigo?]
Marvin esboçou um sorriso ambíguo, difícil de ler se era afirmativo ou negativo, e checou a hora em seu relógio. Teria se rido pelo absurdo da situação? Ou talvez já tinha outro compromisso? O homem, que não perdia nem um só de seus gestos, sentia que dentro dele estourava uma guerra. Hipócrita! Se ontem tinham trocado olhares várias vezes…
— [Nada de café. Melhor jantarmos. Conhece algum lugar por aqui? Eu pago.]
Marvin deixou o homem, cujo rosto começava a se iluminar de emoção, esperando por um momento, e voltou à barraca para pagar o boné que esteve prestes a pegar antes. Enquanto isso, o outro arrumava as roupas com nervosismo.
— [Vamos.]
Marvin começou a caminhar com passos firmes, e o homem apressou-se a segui-lo.
— [Você não parece turista. Está aqui a trabalho?]
— [Se quiser ver assim, sim, dá para dizer que é a trabalho.]
— [Com o que você trabalha?]
— [E você?]
— [Sou carteiro.]
Marvin deu-lhe um olhar de relance, mas não disse mais nada.
— [Moro por ali, a dois quarteirões daqui. Esta zona é a minha rota. Mas esse boné… de verdade não combina nada com você.]
O homem não pôde conter-se e voltou a dar uma opinião. Então Marvin, de repente, estendeu-lhe o boné bem diante dos olhos.
— [Quer?]
— [Eu? Mas se eu nem amo Zurique.]
Diante de sua piada, Marvin soltou uma leve gargalhada e guardou de novo o boné. Os dois desapareceram logo no fim da rua.
N/R: Diálogos em [ ] em alemão
⚖ ─── Α · Β · Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello