Capítulo 128
CAPÍTULO 128
17:45. Promotoria do Distrito Oeste de Seul.
O andar de alguém que acabava de passar por um interrogatório atroz era desengonçado. O promotor Shin Jeong-min caminhava pelo corredor a passos lentos, deixando escapar um som abafado pela garganta. Estava confuso. Pensou que era uma história de ação e espionagem, mas do nada começava a cheirar a novela dramática.
Fosse qual fosse o gênero, o correto nesses casos era manter distância e observar tudo como se estivesse assistindo a um filme. Mas claro, essa maldita curiosidade sua parecia decidida a arruinar o futuro promissor deste jovem promotor novato.
Mas isso realmente cabe a mim?
Aspirou com força pelo nariz ressecado e, após parar, voltou a caminhar. O que o deteve enquanto avançava pelo corredor com as costas curvadas foi o promotor Jo Sang-oh, da Segunda Divisão de Crimes.
— Aonde vai?
Shin Jeong-min inclinou-se em sinal de saudação e apontou com o queixo para algum lugar.
— À info…
A palavra travou por causa do copo de papel que tinha na boca, mas Jo Sang-oh entendeu de imediato que ele se referia ao Departamento de Informação.
— Vai buscar algo? CFTV?
Acenou com a cabeça, e Jo Sang-oh, gentil, tirou o copo da boca dele e checou o conteúdo. Café frio. Poderia ter jogado fora sem mais nem menos, mas ficou com pena de ver seu colega mais jovem carregando aquilo como se fosse água da vida.
Levava ambas as mãos ocupadas com um notebook e uma pasta de documentos. Vendo que não se notava nenhum volume sobressalente onde deveria estar a documentação, era fácil adivinhar com quem acabava de se reunir.
— É aquilo que ia pedir ao promotor central como testemunha? Já se reuniu com ele?
O sorriso ambíguo que deu o entregou.
— E o que ele disse?
Estava claro que não tinha conseguido um resultado favorável. Mas sentia curiosidade pessoal para saber como ele tinha lidado com a situação. Afinal de contas, até mesmo entre promotores havia categorias: os de elite, com conexões e privilégios, quando eram encurralados por suas fraquezas, que tipo de desculpas inventavam?
— Disse que era apenas um parceiro sexual.
— Ah?
Até a ele mesmo deu graça, e Shin Jeong-min soltou uma leve risada, com uma expressão de incredulidade.
— Disse que, como era ômega, transaram um par de vezes, e daí? Se havia algum problema. Foi tão direto que nem soube o que responder.
Ao notar que o rosto de Shin Jeong-min não mostrava mentira alguma ao contar o que tinha ouvido, Jo Sang-oh fechou a boca que tinha aberto de surpresa. Os dois se olharam por um momento antes de rir com desconforto e continuar caminhando.
Dado o tipo de trabalho, não era nada novo inteirar-se até mesmo dos assuntos sexuais alheios que alguém preferiria não saber. Mas mesmo assim, entre promotores, não podiam ao menos dar uma enrolada no assunto?
— E se ele estiver apenas falando por falar? Se agora surgir algum escândalo, poderia ficar de fora do caso Hong Gyeong-uk. Ouvi dizer que na promotoria central estão com a disciplina no máximo, proibidas até reuniões privadas. E que nem sequer estão respondendo chamadas de jornalistas.
— Pode ser… mas como o vi pessoalmente, em particular me pareceu bastante plausível.
— Ah?
Jo Sang-oh virou a cabeça para ele, querendo saber o que queria dizer com aquilo.
— Ele era bonito pra caralho. Não me admira se me dissesse que tem uns dez parceiros sexuais.
— Ah, por favor… — murmurou Jo Sang-oh, e abriu por ele a porta do Departamento de Informação, já que seu colega não tinha as mãos livres.
— Seu idiota. Não deveria se deixar enganar por algo assim. Você acha que ele mesmo não sabe que é atraente? Está jogando todo tipo de coisa só porque te viu meio inseguro. Está falando da vida privada dele para tentar calar a sua boca, não vê? Ah, boa tarde.
Enquanto abriam caminho entre as bancadas cheias de monitores enormes, ambos cumprimentaram os investigadores do Departamento de Informação. A maioria estava em pleno trabalho de análise de vídeo.
— Continuem escavando. Por enquanto não saiu nada realmente novo. Mesmo assim… aquilo, como era? A carta? Não foi pelo endereço que apareceu ali que você acabou relacionando tudo isso? Isso eu reconheço. Nem ele mesmo devia imaginar que o identificariam como seu colega de casa por causa disso.
— É que o nome do suspeito era bastante incomum.
Foi realmente um golpe de sorte. Sem a perícia forense do celular da vítima, sem testemunhas do dia da morte, sem gravações de CFTV, a única coisa que tinham conseguido era um nome mencionado no depoimento de uma pessoa próxima à vítima.
Não podiam confirmar com certeza se era a mesma pessoa, mas aquele nome pertencia a alguém que, há alguns meses, tinha sido cancelado do registro de residentes por morar no exterior.
Com a desesperança de quem se agarra a um prego em brasa, começaram a buscar se existia alguma correspondência registrada em nome do suspeito. E apareceu: duas intimações como testemunha emitidas pela promotoria do distrito de Oseong, e uma carta registrada enviada por um civil, cada uma com endereços diferentes. Um deles era a casa do promotor-chefe da promotoria central.
Shin Jeong-min lembrou-se do silêncio que se fez durante a chamada que fez com esse promotor-chefe, apenas para confirmar o endereço. Assim que mencionou o nome do suspeito, a voz indiferente do homem mudou de forma evidente.
Perguntou-lhe em tom baixo como tinha conseguido essa informação. Ao final, concordou em depor como testemunha. Embora, para ser sincero, parecesse mais do que tudo que tinha ido verificar que classe de promotor era o que o tinha contatado.
— Por isso. Eu também não esqueci. Pensei que fosse estrangeiro. Mas acontece que não.
— Sim, é coreano da gema. Ah, sim, obrigado pelo trabalho.
Shin Jeong-min respondeu com uma leve mesura à saudação de um investigador que passava pelo corredor.
— E você checou quem foi a pessoa que mandou a carta para o suspeito? Poderia ser seu parceiro ou um familiar. Você disse que era um cartão de Natal, não?
— Sim. Justo estava checando isso, mas já tinha falecido.
— Ah, é?
Quando Jo Sang-oh franzia as sobrancelhas com suspeita, Shin Jeong-min balançou a cabeça, como deixando claro que não era o que ele pensava.
— Faleceu de causa natural. Por doença. Acho que era leucemia ou algo assim. E não era um familiar.
— Entendi…
Jo Sang-oh soltou uma risada entre os dentes, como se tivesse desinflado, e virou-se para a equipe de investigação do Departamento de Informação. Aproximou-se de uma das bancadas do fundo, onde um investigador estava abrindo uma marmita de loja de conveniência.
— Ah, o nosso chefe Heo comendo marmita de conveniência de novo. É sexta-feira, vá embora cedo e coma algo decente.
— Ah, sim, vieram?
O investigador, surpreso pela chegada repentina dos visitantes, cumprimentou-os sem muito entusiasmo. Era óbvio que vinham lhe encomendar trabalho outra vez. Fechou a tampa da marmita sem hesitar.
— Do que precisam?
Sua mão voltou ao mouse. O sabor salgado dos restos de omelete que tinha mastigado às pressas continuava pairando em sua boca.
— Caso número 21-RA-4154. Poderia me mostrar os vídeos de CFTV apresentados? Quero vê-los alinhados com as horas exatas em que as gravações foram interrompidas naquele dia.
— Amplie, amplie mais. Preencha tudo, me mostre em tamanho grande. Vejamos quão incrível é essa rota para que insistam tanto, eu também quero dar uma olhada.
— Ah, sim.
Com um pequeno suspiro do investigador, o mouse começou a se mover. Outra vez isso. Já tinha mostrado aquilo tantas vezes que quase podia recitar o número do caso de cor.
A bem da verdade, não era algo tão fora do comum. No fim, os promotores também eram humanos, e cada um tinha seus casos aos quais se apegava com obsessão. Pelo visto, para o promotor Shin Jeong-min, este era um desses casos.
Talvez o problema tenha sido que no início ele mesmo reagiu de forma intensa demais. O suspeito tinha aparecido na câmera por apenas três segundos. E a única coisa visível era a parte de trás de sua cabeça coberta por um boné preto de beisebol bem puxado.
A vítima tinha morrido dentro do carro e, com exceção da câmera que gravou esse breve fragmento, os outros três dispositivos de vídeo na área tinham sido encontrados completamente inutilizados.
Assim, rastrear a rota do suspeito após o crime era, desde o princípio, algo impossível. Mas ele, ao ver o boné preto e nada mais, não pôde evitar soltar: “Uau, essa pessoa é um maldito artista. Será da inteligência nacional ou o quê?” E foi isso o que o condenou.
‘Sério? É para tanto?’
Provavelmente, naquele momento foi quando o coração do promotor novato acelerou, ao escutar o comentário de admiração do investigador de análise de vídeo, com doze anos de experiência.
Pensaria que finalmente tinha pego um caso grande, daqueles que saem nos jornais. Desde então, tinha vindo repetidas vezes, perturbando-o para ver se não podia tirar mais alguma coisa. E hoje, pelo visto, inclusive trouxe um promotor veterano para ajudá-lo a insistir.
Ainda assim, se o promotor diz para fazer, o que mais resta?
O investigador clicou com o mouse enquanto acessava o servidor da promotoria para buscar o vídeo entregue. Caso número 21-RA-4154. Quatro, um, cinco… ué?
De repente, ergueu a cabeça e olhou para os dois promotores, um por um. Como não entendiam a razão, ambos apenas piscaram com desconcerto.
— O que houve?
— Dizem que este caso… foi transferido para outra jurisdição.
— Hã?
— O quê? Quando?
Para os dois, que ficaram de boca aberta pela surpresa, o investigador girou o cursor sobre a etiqueta de “Transferido para outra promotoria”.
— Ah, é verdade…
Jo Sang-oh, com os braços cruzados, esticou o pescoço para ler o que aparecia na tela e soltou uma risada seca. Em contrapartida, Shin Jeong-min, que estava ao seu lado, ficou completamente vermelho.
— Que estupidez é essa…? Não, mas se eu sou o promotor responsável. Como assim foi transferido? Quando?
— Aqui diz, há uma hora.
O investigador, novamente de forma gentil, abriu a pasta e apontou com o mouse o texto adicionado. Justo abaixo da mensagem que indicava que o conteúdo não estava acessível, especificava-se a hora de execução. Tal como tinha dito, era algo que tinha ocorrido há apenas uma hora.
— Ah, não, isso… de verdade…
Shin Jeong-min tirou rapidamente seu celular para checar algo, e exalou uma mistura de irritação e resignação.
— É a promotoria central. Avisaram que reatribuiriam o caso.
Diziam que, devido à natureza particular do caso, tinham decidido transferi-lo para outra jurisdição.
Depois do escândalo dos “promotores bajulados” durante a administração anterior, a legislação administrativa foi reformada para permitir que os casos fossem transferidos sem a necessidade do consentimento do promotor responsável. Era evidente quem tinha movido os pauzinhos. E pensar que esse sujeito ainda teve a cara de pau de se apresentar como testemunha, fingindo não saber de nada, deixava qualquer um sem palavras.
⚖ ─── Α · Β · Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello