Capítulo 127
Tinha dormido profundamente. Jang Jin-woo não se deu conta de quanto mais longo tinha sido esse sono do que imaginava até abrir os olhos. Nunca antes tinha perdido a consciência e dormido daquela forma. Movido por uma sensação de vazio, por uma inquietação inexplicável, estendeu a mão instintivamente para o lado.
— ………
O calor de Marvin, a quem tinha segurado em seus braços na noite anterior — ou talvez até há pouco —, tinha desaparecido. Estranhamente, a cama estava fria, como se estivesse vazia há muito tempo. Com uma dor de cabeça que parecia prestes a rachar-lhe o crânio, Jang Jin-woo sentou-se na cama. Sentia-se como se estivesse passando por uma ressaca pela primeira vez na vida. Ou talvez se parecesse com os efeitos colaterais de uma anestesia forte, daquelas que vêm depois de uma cirurgia grave.
Apoiando a testa na palma da mão, respirou fundo por um momento para se estabilizar, depois abriu bem os olhos e olhou ao redor. Era um desastre. Os lençóis estavam totalmente revirados sobre a cama, e pelo chão havia roupas jogadas sem nenhuma ordem. Mas o que mais lhe importava era que não havia rastro das roupas de Marvin em lugar nenhum. Para Jang Jin-woo, aquilo era o mais caótico de tudo.
Um calafrio cruzou-lhe o rosto. Sua intuição, que no passado sempre tinha acertado, voltava a alertá-lo de que algo estava errado. Uma irritação sem causa clara começou a subir-lhe pelo peito. Então lembrou-se de onde tinha deixado seu celular, pegou o sobretudo amassado ao lado da cama e o tirou do bolso interno.
O telefone, que parecia um troféu da noite anterior, tinha uma aparência solitária, como se estivesse acumulando mensagens por conta própria. Era a prova de que tinha abraçado Marvin sem nem sequer dedicar um tempo para checar seus pertences. E, no entanto, o fato de Marvin não estar ali, de não ter deixado rastro, era uma contradição.
Discou de imediato para chamá-lo, mas Marvin não atendeu. Tampouco tinha deixado mensagens. Isso também era uma contradição.
Jang Jin-woo, ainda nu, levantou-se e entrou no banheiro para se olhar no espelho. O cabelo desordenado, os olhos com vasos sanguíneos estourados, os arranhões de unhas no peito e nos ombros… as marcas da noite anterior estavam expostas sem filtro.
Entrou lentamente no chuveiro e lavou toda a pegajosidade. Ao sair do banheiro, checou o celular com uma leve esperança, mas, infelizmente, continuava sem haver nada. Nada tinha mudado.
Para tentar organizar o incompressível, sentou-se no sofá com os olhos fechados e jogou a cabeça para trás. As gotas de água que caíam das pontas de seu cabelo batiam no chão do hotel com um som abafado. Nesse momento, o celular que segurava na mão vibrou. Sem nem olhar para o remetente, levou-o ao ouvido. Só de ouvir a respiração, soube que era Kim Marvin.
— Já acordou?
Jang Jin-woo, com o franzir de sobrancelhas completo, abriu os olhos em silêncio.
— Onde você está?
— Estou um pouco longe. Saí ao amanhecer para despistar o carro que estava me seguindo. Já se passou um bom tempo. Li que quando um alfa marca alguém, entra em um estado de sono profundo durante meio dia. Mesmo assim, acordou rápido. Achei que levaria pelo menos mais duas horas.
Jang Jin-woo olhou para o relógio digital sobre a mesa. Era 11:23 da manhã. Em condições normais, ele não dormia tanto. Ergueu o braço esquerdo e observou o pulso. Ali estavam marcadas, mal visíveis, duas linhas: era o sinal da marca. Era também o preço por ter perdido o controle na noite anterior.
— Isso… chama bastante atenção, mais do que eu esperava.
Marvin comentou ao escutar o murmúrio de Jang Jin-woo:
— Sim. Durante a primeira semana terá que prestar bastante atenção nas roupas que usa. Dizem que com o tempo vai desbotando.
Sua voz soava tranquila, serena. Não havia inquietação nem hesitação. Falava como alguém que já tinha previsto tudo, e agora simplesmente oferecia um gesto de cortesia ao outro, que recém começava a entender a situação.
Não se surpreenda tanto. Não é para tanto.
Só então Jang Jin-woo compreendeu por que esse momento — em que simplesmente tinha acordado sozinho — lhe parecia tão desagradável. Marvin não tinha apenas saído do hotel.
— Então você não pensa em voltar.
— ……
Diante do silêncio sem resposta de Marvin, Jang Jin-woo esfregou as pálpebras com os nós dos dedos. Um suspiro suave escapou de seus lábios.
— Posso ao menos perguntar o motivo?
Para Jang Jin-woo, era uma decisão incompreensível. Nem a proposta do gabinete da secretária nem a de Go Hyeong-jun eram opções que Marvin pudesse aceitar. Ele só tinha que ficar ao seu lado, como até agora. Não conseguia entender por que, tendo o caminho fácil, insistia em dar voltas.
Do outro lado do telefone, começaram a ouvir ruídos de fundo. Som de motor de carro, murmúrios de pessoas subindo em um ônibus, até mesmo o som de Marvin acendendo um cigarro. Depois de uma longa exalação, como se soltasse a fumaça, respondeu:
— Surgiu algo que preciso fazer. Pensei em fazer com o senhor, promotor, mas… percebi que não podia.
Ouvia-se ele colocando o filtro do cigarro novamente entre os lábios e tragando com força. Depois, o barulho de uma sacola ou papel.
— Enviei um arquivo de áudio. Está gravado diretamente do telefone, então o som não está muito bom, mas como é a sua própria voz, suponho que entenderá da mesma forma.
Tal como disse, chegou uma mensagem de áudio. Sem desligar a chamada, Jang Jin-woo a reproduziu. Não foi preciso ouvir muito. Em apenas alguns segundos, reconheceu que era uma conversa que ele mesmo tinha tido com Choi Hyeong-il, há vários meses.
Jang Jin-woo parou a reprodução e deu um sorriso vazio. Que péssimo momento. Nunca tinha se preocupado em medir suas palavras durante aquela conversa, e jamais teria imaginado que acabaria voltando como um efeito borboleta dessa maneira. Não, na verdade, o que não tinha previsto era se ver em uma situação em que algo assim pudesse afetá-lo tanto.
— Que pena. Achei que já tinha explicado tudo.
— Sério? Mas uma coisa é o que se diz, e outra muito diferente é a própria pessoa escutar.
Marvin voltou a soltar fumaça. Sua respiração, que se expandia com um *fuuu* se ouvia com tanta clareza que parecia que estava ali mesmo.
— O importante é isto: que eu, como parte envolvida, fui afetado. Não tem nada a ver com as verdadeiras intenções do promotor. Não importa com que intenção tenha dito. Se essas palavras me afetam a cada vez, não há forma de o trabalho conjunto funcionar. Em outras palavras, não somos compatíveis.
Agora Marvin estava caminhando. Ouvia-se um ônibus passar, a mudança do sinal de trânsito. Notava-se que os pedestres estavam cruzando a rua ao mesmo tempo.
— Não quero ouvir mais explicações. De qualquer forma, também não tenho tempo para isso. Se acha que estou errado, prove o contrário. Até lá, nossa cooperação fica suspensa por tempo indeterminado.
Ouvia-se o som de Marvin jogando o cigarro fora e cruzando a rua com passos firmes. Jang Jin-woo, que acabava de receber o que era basicamente uma rescisão unilateral de contrato, soltou um sorriso amargo.
— Desta vez, sem dúvida, perdi a oportunidade.
Estava claro que Marvin já tinha tomado sua decisão quando foi vê-lo ontem à noite. A atitude que tinha percebido como estranha agora fazia todo o sentido.
Jang Jin-woo também ficou com vontade de fumar um cigarro. Como não tinha, abriu uma lata de cerveja do minibar. Esvaziou-a em segundos, rápido o suficiente para arder-lhe a garganta, e imediatamente abriu outra. Mesmo assim, continuava sentindo uma queimação interna. Deixou-se cair no sofá e encostou o corpo no encosto.
— Então, o que você pensa em fazer agora? Com quem vai se aliar? Do meu ponto de vista, a proposta do gabinete da secretária é a pior. Fique melhor do lado da S&N Bio. Ao menos assim consegue dinheiro.
— Já que menciona o dinheiro… Fiz uma transferência do valor que me emprestou, promotor. Obrigado por ter feito isso.
Franzindo a testa. Uma coisa atrás da outra. Não era aquilo que queria ouvir. E, mesmo assim, Marvin tinha outra rescisão de contrato preparada como se já tivesse previsto. O mal-estar subiu-lhe pelo peito.
— Haa… Não faça isso. Por que justo agora…? Prometemos que não nos deixaríamos levar pelo emocional.
— Como consolo, lhe direi isto: não é só com o senhor. Decidi não ficar do lado de ninguém. Então não tem por que se sentir incomodado se cruzar depois com o subdiretor Choi Hyeong-il. A ele fiz coisas piores antes de ir embora.
— Vamos nos ver e conversar. Onde você está?
— Aproveitei a noite de ontem. O presente que me deu… vou usá-lo bem durante um ano.
— Kim Marvin.
— E pode apagar este número. Já não pretendo usá-lo.
— Kim Marvin.
Chamou-o com força, marcando o nome com intenção, mas Marvin desapareceu do outro lado da linha. A chamada foi cortada de golpe. Do telefone já não saía som algum. Jang Jin-woo baixou lentamente o braço e ficou olhando para a tela, onde continuava visível o registro da chamada:
*Gerente Daegyeong 3:28.*
O nome do contato, que ainda não tinha mudado, e a marca no seu pulso, como fios entrelaçados, apareceram ao mesmo tempo em seu campo de visão. De repente, sentiu como se estivesse presenciando todas as causas e consequências dessa história. Soltou uma pequena risada sem se dar conta.
— Ha…
O celular, que escapou de sua mão, caiu no chão, acarpetado com um estalo seco. Mas ele não mudou de postura. Apenas jogou a cabeça para trás e, olhando para o teto em silêncio, pensou no primeiro homem que o tinha atingido direto na nuca.
— Nada mal.
Seus lábios, curvados em um sorriso carregado de resignação, torceram-se como se acabasse de engolir uma pílula amarga.
Depois de desligar com Jang Jin-woo, Marvin já tinha chegado ao seu destino. Imediatamente fez outra chamada para alguém. Para sua sorte ou azar, a pessoa não atendeu. Enquanto arrastava uma mala que rinchava, deixou uma mensagem de voz.
— Sou eu. Não atende. Já que recebi o passaporte, vou buscar o pacote. Pode ser que me leve algum tempo, então encarregue-se de tudo você. Tenho a caixa-preta do carro do subdiretor, então nem pense em tentar nada estranho. Comunique-se por e-mail, por favor.
Após deixar a mensagem de forma breve e direta, pressionou o botão de salvar e a enviou. Depois deixou cair o celular sobre o asfalto da faixa de pedestres e cruzou a rua com total calma. Justo nesse momento, um ônibus de grande porte que passava após a mudança do sinal fez um barulho seco sob suas rodas. Com isso, tudo terminou. Marvin não olhou para trás.
As portas automáticas de uma grande entrada abriram-se de par em par para recebê-lo. Nesse instante, o barulho do aeroporto atingiu-lhe os ouvidos. Marvin dirigiu-se ao balcão da companhia aérea e entregou seu passaporte.
— Para onde viaja?
— Para Zurique, Suíça.
O nome impresso na primeira página do passaporte que a funcionária abriu era “Park Jae-gyeong”. A foto usada como verificação não tinha uma única diferença do rosto de Marvin.
Após confirmar tudo, a funcionária respondeu-lhe com um sorriso e entregou-lhe a passagem já impressa. Sua mala despachada pesava apenas 5,4 quilos. As roupas que tinha tirado na noite anterior da casa de Jang Jin-woo eram toda a bagagem que levava.
Com o passaporte e a passagem em mãos, Marvin misturou-se com o restante dos passageiros e adentrou rapidamente a área de embarque.
E assim, finalmente, dirigia-se ao lugar onde tudo tinha começado.
20 de dezembro, 11:50 a.m.
Kim Marvin saiu do país.
⚖ ─── Α · Β · Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello