Capítulo 105
Capítulo 105
Ele desceu até o subsolo e depois subiu de volta para a entrada principal. Sua cabeça girou, talvez pelo movimento repentino. Embora tivesse descansado por dois dias inteiros, seu corpo ainda parecia pesado. Ainda assim, tentava convencer a si mesmo de que não era o absoluto pior. Não importava com o que comparasse, essa situação era provavelmente melhor do que se um cio o tivesse atingido.
Antes que percebesse, já tinha saído do prédio do apartamento. Seu carro estava estacionado na beira da estrada porque não havia vagas de estacionamento. Ele estava preocupado se o veículo sequer daria a partida após tanto tempo sem ser dirigido. O mês havia mudado enquanto ele estava doente. A luz do sol de dezembro perfurava o ar frio e se assentava esparsamente sobre a pista. Naquela rua silenciosa com poucos pedestres, Marvin encontrou uma pessoa verdadeiramente inesperada.
— Ah, não é o Gerente Kim?
Era o homem do ramo de transportes que frequentava o Hotel Daegyeong por causa de sua conexão com Yang Jin-man. Vê-lo depois de tanto tempo era uma coisa, mas o momento era estranho. Por que ele estava ali àquela hora?
— Olá. O que o traz aqui a esta hora?
— Hã? Ah, tenho um amigo que mora aqui.
Ele sorriu com sua expressão amigável habitual.
— O Chefe Yang esteve procurando por você feito louco. Está indo trabalhar agora?
— …Sim.
Se ele sabia o motivo de Yang Jin-man estar procurando por ele, significava que tinha visto as notícias. No entanto, não disse nada sobre o assunto. Marvin achava que ele era uma pessoa curiosa por natureza, então aquilo foi inesperado.
— Ah, entendo. Vá em frente, então.
A sensação foi perturbadora durante toda a breve troca de cumprimentos e despedida. Ele apenas permaneceu parado na rua, observando Marvin como se quisesse confirmar devidamente que ele estava saindo para trabalhar.
Marvin entrou em seu veículo. Ele girou a chave, mas o motor apenas girou em falso sem pegar. Após mais algumas tentativas, finalmente pegou. Instantaneamente, ele notou a geada no vidro traseiro do carro estacionado bem à sua frente. Em contraste, os vidros do carro de Marvin estavam limpos demais.
E a altura do banco do motorista tinha mudado. Como se alguém já estivesse lá dentro…
“O cheiro de gasolina!”
Marvin instintivamente abriu a porta do carro e se lançou para fora, na estrada. Simultaneamente, o veículo explodiu com um estrondo tremendo.
Os carros ao redor que detectaram o impacto dispararam seus alarmes ao mesmo tempo. Um pedestre próximo se encolheu reflexivamente enquanto fragmentos do veículo se espalhavam pela pista. Pessoas dentro dos prédios comerciais gritaram de susto.
— Não fique parado aí, venha para cá!
— Tem alguém dentro do carro?
— Não, não, você não pode chegar perto! Chame os bombeiros primeiro!
No meio da multidão agitada, um homem permanecia parado em silêncio observando o veículo em chamas.
— Uau… Isso está prático para gerar mal-entendidos.
Ele coçou o queixo com o indicador, ostentando uma expressão de lamento. Em seguida, tirou uma foto e a enviou para algum lugar. Como poucas pessoas já estavam filmando a cena com seus telefones, ninguém achou estranho. O homem perambulou pela área por um tempo como se estivesse vigiando, e então desapareceu.
Devido às consequências do acidente, o trânsito começou a engarrafar a partir do cruzamento oposto ao apartamento. Os motoristas na estrada, um após o outro, abaixavam os vidros para espiar a cena, fazendo com que muitos carros permanecessem parados mesmo depois que o sinal mudava.
Com pressa, as pessoas tentavam ultrapassar, entrelaçando as faixas, e os carros que pegavam o sinal de conversão à esquerda e começavam a se mover se juntavam à confusão, levando a uma série de incidentes que transformaram a estrada em um caos completo.
Alguns carros até desligaram os motores para assistir. Um táxi que tentava entrar no cruzamento encostou no acostamento e abaixou o vidro. Passageiros eram escassos àquela hora de qualquer forma. O motorista bebericava um café solúvel de sua garrafa térmica e encarava os destroços terrivelmente incandescentes. Ele se perguntava qual teria sido o modelo do carro.
Justo então, a porta traseira do passageiro se abriu e alguém colocou a cabeça para dentro.
— Motorista, está disponível?
Assustado, ele rapidamente guardou a garrafa térmica e cumprimentou o passageiro bem-vindo com uma voz alegre.
— Ah, sim, claro! Estou trabalhando! Para onde?
Um passageiro alto entrou no carro, carregando uma bolsa grande.
— Por favor, me leve ao terminal rodoviário intermunicipal.
— Terminal Oeste? Ou Norte?
— Terminal Norte.
— Certo. Por favor, coloque o cinto de segurança.
Encantado com a corrida de longa distância, o motorista deu a partida no motor imediatamente e engatou a marcha. O Terminal Norte ficava no extremo do condado de Oseong, exigindo pelo menos 30 minutos de viagem. Ele com certeza recuperaria seus custos de combustível da manhã. Ele ligou o taxímetro, que estava inativo há mais de uma hora, mudou de faixa e fez uma conversão em U.
— Não podemos ir por ali agora por causa da situação. Teremos que fazer um pequeno desvio.
Ele se antecipou, temendo mal-entendidos desnecessários. O passageiro não disse nada.
— O senhor vai para Seul?
Ele tentou sua conversa fiada habitual com passageiros que iam para o terminal, mas novamente não houve reação. Apenas um tardio e curto “Sim.” veio em resposta. O motorista olhou para o banco traseiro pelo espelho retrovisor. Um homem que parecia ter vinte e poucos anos, vestindo uma jaqueta acolchoada marrom e um boné de beisebol puxado para baixo. Uma faixa etária raramente vista naquele bairro.
De repente, ele sentiu um leve cheiro de fumaça vindo de algum lugar. O motorista fungou e perguntou.
— O senhor estava perto de onde o carro explodiu? O cheiro está preso nas suas roupas.
— …Desculpe por isso.
Enquanto o passageiro se movia para abrir a janela, o motorista rapidamente o impediu.
— Ah, vai passar logo. Deixe assim. Está frio, como podemos dirigir com a janela aberta? Mas o senhor está bem? Parece… um pouco abatido?
Seus olhos se encontraram de forma estranha pelo espelho retrovisor. Ele não tinha notado bem por causa do boné, mas agora via que a tez do passageiro estava bastante pálida.
— …Estou bem.
Ele parecia estar suando frio, e sua voz estava meio rouca. A natureza intrometida do motorista atacou novamente.
— Deve ser pelo susto, não é? Nossa. Eu estava esperando no sinal bem ali quando de repente deu um estrondo, e aí as rodas começaram a tremer feito loucas, sabe? Tenho ouvido falar muito de carros pegando fogo do nada ultimamente, mas é a minha primeira vez vendo isso pessoalmente.
— ……
— Tipo, lembra na primavera passada, teve um grande bafafá porque um carro estacionado no estacionamento de um prédio comercial explodiu sozinho. Aquele era um carro elétrico, disseram. Algo sobre uma bateria com defeito ou coisa do tipo…
Ops, outro vacilo. Ele tinha prometido a si mesmo tantas vezes não conversar com passageiros mais jovens, mas lá estava ele falando demais de novo. O taxista rapidamente se calou e sutilmente aumentou o volume do rádio.
A conversa parou de repente, mas o homem no banco de trás não demonstrou nenhuma reação em particular. Ele pareceu olhar pela janela por um momento, e logo pegou o telefone e começou a mexer nele.
A maioria dos passageiros jovens hoje em dia era assim. Se pedissem o táxi por aplicativo, já sabiam o destino, então era comum não dizerem uma palavra até saírem. Era raro encontrar alguém que sequer cumprimentasse ao entrar ou sair. No meio disso, o homem subitamente ergueu o olhar.
— Motorista, desculpe incomodar, mas eu poderia carregar meu telefone?
— Hã? Ah, sim. Claro.
Quando o motorista estendeu a mão, o passageiro entregou seu telefone. Era um modelo bastante antigo, e a bateria estava completamente descarregada, desligado. O motorista conectou o cabo do carregador na parte inferior do telefone, colocou-o no console central e pegou sua garrafa térmica novamente. Ao fazer isso, sem querer olhou para o banco traseiro mais uma vez.
Ele tentou se conter, mas talvez porque a atmosfera estivesse peculiar, seus olhos continuavam voltando para lá. Eventualmente, seus olhos se encontraram novamente. Quando olhos cheios de uma sensibilidade intensa se voltaram para ele, o motorista assustado deu um sorriso sem jeito. Ele parecia incomumente perceptivo.
— Ah, bem… O senhor tem uma presença marcante.
Heh heh heh.
O motorista tentou disfarçar com uma risada sem graça, mas não houve resposta. Depois disso, ele não olhou para trás nem pronunciou uma palavra, mesmo ao longo de mais cinco ciclos de semáforo.
No entanto, no sexto sinal vermelho, nem ele conseguiu evitar. Ele tinha se deparado com uma situação sobre a qual absolutamente precisava falar.
— O que está acontecendo ali? Uma blitz?
Eles estavam quase no destino. A cerca de 200 metros do cruzamento onde o táxi estava parado, policiais eram visíveis. Havia apenas uma viatura, mas, a julgar pela fila de SUVs pretos ao redor, a atmosfera estava longe de ser comum.
Eles estavam fazendo os veículos que tentavam estacionar perto do terminal de ônibus abaixarem os vidros, checando cada interior um por um. Por causa disso, um engarrafamento se formou rapidamente ao redor do terminal.
— Poxa vida, estou ocupado, que tipo de besteira é essa agora.
O motorista mudou de faixa e tentou entrar pelo portão dos fundos do estacionamento. Uma buzina soou atrás por causa de sua cortada imprudente.
— Eu estava com a seta ligada, que tipo de desgraçado…
Enquanto o motorista resmungava e entrava em um impasse com o carro de trás, o homem no banco traseiro subitamente desfez o cinto de segurança e tirou dinheiro da carteira.
— Motorista, vou descer aqui. Fique com o troco.
— Hã? Mas estamos no meio da rua?
O motorista tentou pará-lo, mas o passageiro já tinha pegado seu telefone, aberto a porta e saído. Confuso e prestes a dizer algo, ele notou uma única nota de 50.000 won caída no banco traseiro.
A boca que estava prestes a soltar um comentário ríspido se fechou silenciosamente. O passageiro devia ter um assunto urgente. Ele assentiu, rapidamente estendeu a mão para pegar o dinheiro e olhou ao redor, mas o homem que acabara de sair já tinha desaparecido.
⚖ ─── Α · Β · Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello