Spin Off 02
❀ 7 Minutes Of Heaven 2
Spin Off – Couple of Problems
O alarme disparou.
Antes mesmo de abrir os olhos, Chase esticou o braço e tateou a mesa de cabeceira. Assim que o toque metálico frio encontrou as pontas de seus dedos, ele pressionou rapidamente a tela para desligar o alarme.
A alvorada que se infiltrava pelas persianas da janela ainda estava tingida por uma luz nebulosa, sem ainda segurar o sol. Em uma manhã de final de novembro, o ar que se tornara ainda mais seco e frio, apesar de estarem do lado de dentro, afastou o restante da sonolência e lentamente trouxe Chase para a realidade.
Ele afastou o cobertor silenciosamente, sentou-se na beira da cama e levantou-se devagar. Então, puxou o cobertor até logo abaixo do queixo de Jeong-in para cobri-lo e saiu do quarto com cuidado.
Pouco tempo depois, vestido com roupas leves de treino, ele estava em frente ao condomínio onde morava.
O sol ainda não havia nascido totalmente, e a Harvard Square estava submersa em uma luz azul-escura. Além dos faróis de um carro ocasional fazendo os blocos da calçada ondularem, a rua estava vazia, com poucos transeuntes.
Chase, que havia se alongado levemente para soltar o corpo, bateu com os dedos dos pés na calçada duas vezes, depois impulsionou-se no asfalto e deu seu primeiro passo.
Atravessando a Harvard Bridge, ele naturalmente voltou o olhar para o lado. O contorno da cidade espalhando-se além do Rio Charles estava se revelando fracamente. O rio estava tão calmo que parecia quase imóvel, e uma névoa rala subia finamente sobre a superfície da água.
Correr 8 quilômetros da frente de seu condomínio até o ponto médio da margem do rio todas as manhãs não era apenas um exercício; era como ele começava o dia.
O currículo de pré-medicina de Harvard era muito mais intensivo do que ele pensava. Na maioria dos dias úteis, ele tinha que se mover de acordo com um cronograma fragmentado, indo e voltando entre o laboratório, a biblioteca e os corredores do hospital, e precisava se dedicar a artigos de revisão ou relatórios até tarde da noite.
No entanto, Chase mantinha obstinadamente sua rotina de exercícios matinais. Ele concordava com o ditado de que estudar exige, em última análise, resistência física, e infalivelmente saía de casa amarrando seus tênis de corrida às 6 da manhã.
Depois de correr por um tempo, a cidade adormecida despertava com ele. Estudantes indo para a escola cedo apareciam esporadicamente, e funcionários da limpeza começavam a varrer as folhas caídas na calçada. Em seu café habitual, na última esquina antes de chegar em casa, o aroma salgado de pão recém-assado se espalhava.
Chase passava naquele café quase todos os dias para comprar uma xícara de Americano quente.
A barista, com seu cabelo castanho bem preso, já sabia o que Chase queria sem precisar anotar o pedido. Ela assentiu com olhos familiares e entregou um copo para viagem junto com um scone que ele não havia pedido.
O beco pelo qual ele caminhava enquanto mordia o scone embrulhado em papel encerado ainda estava silencioso. Folhas caídas ocasionalmente se espalhavam entre as casas de tijolos vermelhos. Ele podia sentir o inverno se aproximando através do formigamento em seu nariz.
Quando ele abriu cuidadosamente e entrou pela porta da frente, o interior ainda estava submerso no silêncio. Na mesa de jantar, as anotações, livros didáticos e marcadores de texto de Jeong-in da noite passada estavam espalhados de forma bagunçada. Ele deve ter estudado até tarde e ido para a cama apenas ao amanhecer; parecia ainda estar dormindo.
Chase, que havia terminado de tomar banho no banheiro da sala, saiu para a cozinha secando o cabelo rudemente. Então, tirou a máquina de waffles do armário.
Ele, que antes só sabia despejar leite no cereal para cozinhar, agora se tornara experiente o suficiente para avaliar o ponto de cozimento de panquecas ou waffles apenas pelo som que faziam ao assar.
Justo quando ele estava passando manteiga na chapa, a porta do quarto se abriu e Jeong-in apareceu de pijama.
— Meu Deus, eu dormi demais.
Seu cabelo estava completamente bagunçado e o sono ainda pairava em seus olhos. O rosto de Jeong-in ficava levemente inchado pelas manhãs, o que o fazia parecer particularmente pálido e macio.
Chase despejou água em um copo e o estendeu; Jeong-in, recebendo-o naturalmente, piscou devagar enquanto umedecia a garganta que havia secado durante a noite.
— Vá se lavar. Vamos tomar café da manhã.
Jeong-in assentiu com o rosto vago e voltou para o quarto, enquanto Chase despejava a massa preparada na chapa. Então, enquanto a massa assava, ele tirou frutas da geladeira para servir como acompanhamento.
Agora era a vez de Chase cuidar de Jeong-in.
Desde a primavera passada até o verão, Chase havia despejado toda a sua energia na preparação para o MCAT. Era um exame de alta intensidade com quatro seções no total, e o tempo de prova sozinho chegava perto de 8 horas. Era um portal pelo qual todo estudante de pré-medicina precisava passar, e Chase não era exceção.
Preparar-se para o exame enquanto conciliava cronogramas regulares, como atividades de laboratório, acompanhamento hospitalar (shadowing) e projetos em equipe, era algo que a palavra “difícil” sozinha não conseguia descrever totalmente.
O que permitiu que ele suportasse aquele tempo foi Jeong-in, que o apoiou sempre que as coisas ficavam pesadas.
Jeong-in o visitava na biblioteca com café e lanches sempre que tinha tempo e, quando as matérias de memorização começaram, ele mesmo fez cartões de estudo (flashcards) para ajudar na revisão. Quando Chase ficava travado resolvendo exercícios práticos, Jeong-in sentava-se ao lado dele e pensavam nos problemas juntos; e quando as notas eram baixas, ele permanecia ao seu lado, encorajando-o com palavras gentis.
Nesses dias em que Chase já havia recebido seu resultado de aprovação, terminado de enviar as inscrições para a faculdade de medicina e estava um pouco mais livre, inversamente, Jeong-in é quem havia ficado ocupado.
A intensidade dos experimentos nas aulas principais de Jeong-in aumentou drasticamente, e o laboratório do qual ele participava estava em meio à organização de dados antes da conferência de fim de ano.
Além disso, ele havia sido designado para treinar assistentes juniores no laboratório e estava até preparando um rascunho para uma apresentação na sociedade de ciências da vida. Tudo eram conquistas preciosas que iriam para o currículo de Jeong-in.
Chase pensou que esta era a oportunidade perfeita para ele cuidar de Jeong-in. E ele estava estranhamente feliz por poder fazer isso.
O waffle removido da chapa no tempo exato tinha uma forma perfeita, com os padrões de grade dourados uniformemente estufados. Justo quando ele o transferia para um prato, a porta do quarto se abriu mais uma vez.
Com uma escova de dentes na boca, Jeong-in apareceu novamente segurando livros, notas e até um tablet em ambas as mãos. Ele jogou as coisas para colocar na mochila sobre o sofá e desapareceu de volta no quarto. E quando reapareceu, Jeong-in havia terminado de se arrumar para sair.
Hoje, novamente, Jeong-in estava sendo Jeong-in.
A camiseta branca que ele usava por cima da calça de sarja bege tinha um círculo rolando por um triângulo retângulo desenhado nela, com a frase “This is how I roll” (É assim que eu rolo) impressa abaixo.
Ele disse que era uma camiseta feita pela Sociedade de Atletas de Matemática no ensino médio. Houve um tempo em que essa camiseta até fez com que Jeong-in formasse par com Chase na aula de redação em inglês.
Jeong-in vestiu uma camisa xadrez por cima daquela camiseta e completou com uma jaqueta de veludo cotelê cor de camelo. Era uma moda nerd que faria Vivian espumar de raiva com críticas se a visse.
Chase olhou para Jeong-in com olhos que pareciam dizer que ele estava morrendo de fofura. Chase realmente amava esse senso de identidade obstinado, único de Jeong-in.
— Coma logo.
— Parece delicioso. Mas é demais.
Jeong-in mal comeu um pedaço e se levantou do assento.
— Então, pelo menos coma mais fruta.
Chase pegou uma fatia de maçã ao lado do waffle e a empurrou na boca de Jeong-in, como se estivesse lidando com uma criança exigente para comer.
Uma coisa que ele aprendeu desde que passaram a morar juntos foi que, embora Jeong-in tomasse café da manhã, ele era apenas fiel ao ato de “comer” em si. Nutrição e equilíbrio estavam fora de sua preocupação; ele se dava por satisfeito apenas ao encher o estômago.
Ele disse que até comia Pop-Tarts no café da manhã no ensino médio. Chase ficou chocado. Ele não sabia que a pessoa logo ao seu lado tinha começado os dias comendo blocos de carboidratos processados que ele não comeria nem se fosse pago.
Jeong-in arrumou a mochila enquanto mastigava. O som fofo da maçã sendo triturada ecoou.
Chase olhou para Jeong-in, que comia obedientemente o que quer que ele colocasse em sua boca, com olhos orgulhosos.
— Ah, Jeong-in. Devemos ir à Norfolk Street hoje? Ouvi dizer que há um mercado de produtores locais toda segunda-feira.
O Dia de Ação de Graças estava chegando. Os dois, que sempre iam para Bellacove para passar o feriado, pela primeira vez passariam a data sozinhos em Boston.
Chase havia declarado audaciosamente que ele mesmo cozinharia e, nos últimos dias, estivera seriamente absorto no planejamento do cardápio.
— Talvez eu não consiga hoje. É o dia em que vamos rodar amostras na nova máquina de qPCR pela primeira vez. Assistir às curvas de fluorescência subindo em tempo real será realmente… tão emocionante quanto assistir a ‘Uma Odisseia no Espaço’ pela primeira vez, eu acho.
Observando os olhos de Jeong-in brilharem, Chase balançou levemente a cabeça.
— …Você deveria ser grato por ter nascido bonito.
— Preciso ir rápido. E se alguém tocar nela antes de mim?
— Você vai tirar a virgindade da máquina?
— Sim. É exatamente isso.
Chase estalou a língua brevemente, jogou-se no sofá e apoiou a cabeça no braço. Então, astutamente, levantou a camiseta para revelar o abdômen. Os gomos claramente definidos e a linha pélvica que descia naturalmente até sumir sob o cós da calça capturaram o olhar de Jeong-in.
— Você vai mesmo me deixar assim?
— …Eu não posso fazer isso.
No fim, Jeong-in se aproximou de Chase. Abaixando-se para dar um selinho na testa dele, abriu o laptop de Chase sobre a mesa de centro.
— Você responda o e-mail da administração. Verifique se vamos participar da reunião de moradores.
— Isso é cruel.
Chase, que se sentou falando de modo amuado, de repente disse algo como se tivesse se lembrado de um detalhe.
— Você tem aula de biologia molecular hoje, certo?
— Sim.
— A aula com a Andrea Sherman?
— Sim. Somos parceiros de laboratório.
Andrea Sherman era uma aluna do terceiro ano com especialização em MCB (Biologia Molecular e Celular), como Jeong-in, e talvez porque seus caminhos profissionais fossem similares, eles haviam feito várias aulas juntos desde o segundo ano. No curso de laboratório deste semestre, eles também se tornaram parceiros.
— Eu não gosto disso.
Chase resmungou com os braços cruzados.
— O quê?
— A Andrea com certeza gosta de você, Jeong-in.
Jeong-in parou por um momento, mas logo balançou a cabeça com calma.
— Não é nada disso.
— É sim. Toda vez que nos cruzamos, rola uma encarada sutil.
Jeong-in caiu na risada. Chase ainda era do tipo ciumento. Aquele lado dele era irritante, fofo e, de certa forma, reconfortante.
Quando Jeong-in colocou a mochila no ombro para sair, Chase saltou e o seguiu até a porta.
— Que horas você termina? Devíamos almoçar juntos? Caminhar um pouco, fazia tempo que não fazíamos isso.
— Não sei. É aula de laboratório. Termina quando termina.
Os lábios de Chase se contorceram levemente. Seu desagrado estava evidente. Jeong-in deu um tapinha leve no cabelo de Chase, girou a maçaneta e disse:
— Não espere, coma primeiro.
Ao abrir a porta e sair, quase simultaneamente a porta ao lado se abriu e um casal de idosos saiu para o corredor. O apartamento estivera vazio o tempo todo, mas um casal havia se mudado no último fim de semana. Eram pessoas que pareciam cultas, com cabelos brancos bem aparados e roupas arrumadas.
O casal, que avistou Jeong-in primeiro, assentiu levemente em cumprimento, e Jeong-in retribuiu.
— Olá. Vocês se mudaram no último fim de semana, certo?
Foi então que aconteceu. Chase, que estava do lado de dentro, falou alto como se quisesse deliberadamente ser ouvido:
— Que tipo de dono irresponsável não passeia com o cachorro?
Atordoado, Jeong-in virou a cabeça rapidamente.
— Chay!
Uma confusão sutil cruzou os rostos do casal de idosos. Jeong-in sorriu sem jeito e deu uma desculpa:
— Meu amigo está brincando. Nós não temos um cachorro.
Só depois de terminar de falar é que ele pensou: “Ah, não”. Chase não gostava quando Jeong-in se referia a ele apenas como um “amigo”.
Chase não era de deixar passar. Com certeza, escondido atrás da porta, ele imitou o som de um latido: — Au!
O senhor, cuja expressão havia endurecido, segurou o braço da esposa e caminhou em direção ao elevador. Jeong-in empurrou a porta e deu uma bronca em Chase como se estivesse disciplinando um cão:
— Você é um cachorro mau!
Chay fez sons de ganido para entrar na brincadeira. Ele tentou fingir que estava irritado, mas o riso continuava escapando. O homem um palmo mais alto que ele parecia insuportavelmente fofo.
Quando ele pegou o próximo elevador para descer, Henry, o concierge que estava sentado no balcão do saguão, reconheceu Jeong-in e se levantou.
— Sr. Lim.
— Bom dia, Sr. Fryer.
— Sr. Lim, o senhor sabe que, em nosso prédio, se desejar manter um animal de estimação, precisa notificar o conselho de moradores com antecedência, certo?
Ele conseguia adivinhar mais ou menos o que havia acontecido.
— Ah… Nós não temos um cachorro. O que aconteceu foi…
Ao explicar por alto a situação, Henry, que conhecia bem a natureza brincalhona de Chay, soltou uma risada farta e assentiu.
O vento frio roçou a bochecha de Jeong-in assim que ele saiu pela entrada do prédio. Jeong-in fechou o colarinho por reflexo. No momento em que estava prestes a seguir em frente, puxando a alça da mochila com uma das mãos, ouviu o som de um assobio.
A testa de Jeong-in se estreitou. Um breve desagrado cruzou seu rosto, pensando que alguém de um canteiro de obras próximo estava mexendo com ele.
No instante em que ia dar outro passo, o assobio soou novamente. O som vinha de cima.
Ao erguer a cabeça, ele pôde ver Chay debruçado no parapeito do terraço da cobertura. Ao vê-lo acenar levemente com a mão, Jeong-in sentiu um formigamento em algum lugar do peito.
Anos haviam se passado, mas Chay permanecia o mesmo. Como se fosse difícil tirar os olhos dele por um único momento, ele ainda o amava.
Jeong-in acenou de volta e se virou para começar a caminhar em direção à faculdade. Ele sabia, sem precisar virar a cabeça para conferir, que Chay estaria observando-o até que ele desaparecesse na esquina.
* * *
Quando Jeong-in abriu a porta do laboratório, Andrea Sherman, sua parceira de bancada, já estava sentada na grande mesa experimental usada por duplas.
Seu cabelo castanho cacheado fluía suavemente sobre o jaleco, que brilhava ainda mais branco sob as luzes fluorescentes.
— Oi, Andrea.
Quando Jeong-in a cumprimentou, Andrea ergueu a cabeça. Ela encarou Jeong-in como se estivesse momentaneamente sem palavras. Seus olhos castanhos estavam desfocados e vazios.
— Andy?
Quando Jeong-in chamou novamente, só então Andrea deu um sobressalto e recobrou os sentidos.
— Oh, sim. O-oi.
Jeong-in sentou-se à mesa enquanto retirava seu laptop. Então, folheando a folha de dados colocada no meio da mesa, perguntou sobre os registros de purificação da amostra da última vez. Mas Andrea estava olhando para o rosto de Jeong-in e não ouviu direito o que ele tinha dito.
De minúsculos fungos sob microscópios a grandes mamíferos. Entre as muitas formas de vida que a aspirante a bióloga já vira, a mais bela era, sem dúvida, este homem sentado diante de seus olhos. No momento em que viu o estudante chamado Jay Lim durante a Introdução à Biologia no primeiro ano, ela ficou completamente cativada.
— Estou falando sobre o RNA repurificado. Você o registrou?
— Uh, hein?
Andrea respondeu com atraso.
— Oh, eu transferi isso para o caderno de laboratório.
Enquanto Jeong-in abaixava a cabeça para revisar as notas, o olhar de Andrea mais uma vez se demorou no perfil de Jeong-in.
— Mas Jay, você sabia disso? Dizem que Gêmeos e Libra são o melhor casal. Você é de Gêmeos, certo?
Jeong-in ergueu os olhos para olhar para Andrea.
— Sim. Mas Libra seria… isso é setembro, não é?
— I-isso mesmo!
Um brilho surgiu nos olhos de Jeong-in. E o mesmo aconteceu com Andrea. Com as bochechas levemente coradas, ela continuou.
— Libra é de 23 de setembro a 22 de outubro. Na verdade… eu também sou de Libra.
O aniversário de Chay era 12 de setembro. No momento em que soube que ele não se enquadrava em Libra, o interesse desapareceu imediatamente do rosto de Jeong-in.
— Andy, somos cientistas. Você não acredita realmente em signos do zodíaco, acredita?
— Haha, certo. Claro que não…
Os ombros de Andrea caíram desanimados.
Então Zachary Wise, vestindo um colete acolchoado sobre o jaleco, abriu a porta do laboratório.
— Já estamos na temporada de Ação de Graças.
Zachary era um assistente de pesquisa de pós-graduação que sempre aparecia com um copo térmico de café forte em uma mão e arquivos na outra. Como ele disse, o campus hoje em dia tinha uma atmosfera geral de empolgação antes do feriado.
— Todos vão para casa?
Diante da pergunta de Zachary, aqueles no laboratório balançaram levemente a cabeça. A maioria era de veteranos ou alunos se preparando para a pós-graduação, trilhas de pesquisa ou em busca de emprego, então não pareciam ter a folga necessária para aproveitar o feriado tranquilamente.
Uma certa solidariedade fluía entre as pessoas de jaleco dentro do laboratório. Era uma pequena melancolia pelo fato de que, enquanto todos passavam o feriado com a família, apenas eles estavam ali analisando peptídeos.
Zachary, que aspirava ser professor de ciências biológicas, tinha sido o monitor de Jeong-in durante seu primeiro ano. Graças a essa conexão, quando os dois se reencontraram em uma disciplina de laboratório, tornaram-se amigos rapidamente. Às vezes almoçavam juntos e conversavam sobre carreira ou vida acadêmica.
Enquanto a máquina funcionava fazendo barulho em um ritmo constante, Zachary trouxe à tona uma história sobre uma discussão que teve com a namorada, com quem morava junto, naquela manhã.
— Não é sobre comprar o leite. No mínimo, você pode tirar a embalagem vazia de lá.
Andrea respondeu como se não entendesse.
— Você não pode simplesmente jogar fora você mesmo? Não sei se isso é motivo para ficar com raiva.
— Se não estivesse na geladeira, eu teria pensado: “ah, não tem”, e comido outra coisa. Mas a sensação de quando você já despejou o cereal na tigela e pega uma caixa de leite que está completamente vazia… Ah, Lim! Diga a ela. Você disse que também está morando com seu parceiro, certo?
— Sim.
Jeong-in respondeu de forma breve enquanto colocava o microtupo que segurava no suporte. Ao seu lado, Andrea parecia sombria.
— Faz quanto tempo?
— Um pouco mais de dois anos desde que moramos juntos.
— Então você entende como eu me sinto. Certo? Problemas que você não vê quando está namorando começam a aparecer um atrás do outro.
— Hum… não tenho certeza.
Após pensar por um momento, Jeong-in inclinou levemente a cabeça e respondeu. Zachary franziu a testa.
— Não me diga que vai dizer que não. Todo casal tem problemas.
Jeong-in deu de ombros e sorriu com uma expressão um tanto confiante.
— Acho que somos uma exceção.
Era uma resposta que não parecia uma simples vantagem, mas sim uma convicção serena.
Depois que o experimento terminou e Jeong-in saiu, ele encontrou um rosto inesperado. Chay estava parado em frente ao Edifício Northwest, onde Jeong-in tinha a maioria de suas aulas.
Ele usava um gorro cor de carvão, uma camisa henley cinza sob uma jaqueta de trabalho casual preta e jeans pretos.
Parado em frente ao prédio moderno feito de vidro e aço, ele parecia um modelo em um editorial de moda. Era uma visão suficiente para fazer as pessoas que passavam darem uma olhada.
— Chay? O que está fazendo aqui?
— Vim te buscar.
— Como soube a que horas eu terminaria? Está esperando há muito tempo?
Chay olhou por cima do ombro de Jeong-in, em direção aos fundos. Como se estivesse procurando algo ou alguém.
— Onde está Andrea Sherman?
— Hum?
— Ela não vai sair com você?
— Ela está no plantão de limpeza esta semana.
No rosto de Chay, que parecia arrependido como se tivesse perdido algo, Jeong-in rapidamente percebeu suas intenções.
— Chay. Foi por isso que você se arrumou todo e veio aqui desse jeito?
Chay estava cauteloso com Andrea.
Na verdade, o alvo de sua cautela mudava de tempos em tempos.
No início, era Aiden Han. Aiden e Chay, inesperadamente, se comunicavam bem. Eles tinham em comum o gosto por esportes, torciam para o mesmo time da NFL e seus gostos estranhamente se sobrepunham. No entanto, mesmo depois de se tornarem amigos, Chay não baixou totalmente a guarda.
Então, depois que Aiden se formou e partiu para a Inglaterra a trabalho, Andrea Sherman naturalmente ocupou esse lugar. Foi a partir do momento em que eles, suspeitosamente, passaram a fazer muitas aulas juntos e a gastar muito tempo trabalhando como parceiros de laboratório.
Entre a primavera e o verão passados, os três haviam se cruzado algumas vezes na Harvard Square. Coincidentemente, Chay estava vestindo apenas uma camiseta básica com calças de moletom ou shorts e um boné de beisebol abaixado. Era uma época em que ele estava atolado nos estudos para o exame de admissão da faculdade de medicina, então se arrumar era um luxo.
Lembrando-se da expressão de Andrea Sherman enquanto olhava para ele parado ao lado de Jeong-in, Chay disse:
— Jeong-in, você deveria ter visto a expressão da Andrea Sherman naquela hora. Tipo “aquele vagabundo está com o meu príncipe?”. Esse tipo de expressão.
— Não pode ser. Você parece um modelo, não importa o que vista.
— Aos olhos da Andrea Sherman, eu provavelmente parecia o King Kong escalando o Empire State Building com o precioso príncipe dela na minha mão.
Então a porta da entrada se abriu e Zachary apareceu. Avistando Chay, ele se aproximou com um rosto satisfeito.
— Prescott, como tem passado? Uau, continua com ótima aparência.
Os dois trocaram cumprimentos com um aperto de mão leve. Eles se conheciam desde o primeiro ano de Jeong-in, quando Zachary era o monitor do dormitório.
Durante a conversa casual, Chay ouviu que Zachary não poderia ir para casa no Dia de Ação de Graças. O cronograma da conferência se enrolou, e a namorada dele também estava fazendo as aulas práticas do doutorado.
Chay o convidou sem hesitar para o jantar de feriado. Ele disse que estava planejando cozinhar ele mesmo e não esqueceu de dizer para ele vir com a namorada.
— Vai ficar tudo bem?
Jeong-in perguntou assim que se despediram de Zachary. Chay assentiu com confiança. Ele tendia a lidar bem com a maioria dos pratos se tivesse uma receita. Por isso, talvez estivesse excessivamente confiante em suas habilidades.
No entanto, cozinhar os pratos tradicionais de Ação de Graças, conhecidos por serem complicados e trabalhosos, poderia ser muito mais difícil do que ele pensava. Não que ele não confiasse na autoconfiança de Chay, mas, de alguma forma, sentia-se preocupado.
— Será uma dimensão diferente de churrasco ou massa.
— Não se preocupe. Eu me sairei bem.
Dizendo isso, Chay segurou discretamente a mão de Jeong-in.
Os dois caminharam em direção ao mercado, balançando levemente as mãos entrelaçadas. Caminhar de mãos dadas com Jeong-in assim era um dos momentos favoritos de Chay.
Chay perguntou com uma voz suave:
— Como foi hoje?
— A professora McAllister disse que vai comemorar o Jubileu de Prata com o marido.
— Jubileu de Prata?
— Aquilo que fazem no 25º aniversário de casamento, renovação de votos de casamento ou algo assim, enfim, isso.
— Ah.
Na América, os casais às vezes realizavam eventos para renovar os votos que fizeram no casamento após vários anos. Alguns casais faziam isso de forma grandiosa, no formato de um “remind wedding”.
— Talvez por serem pessoas com anos de experiência, até mesmo ouvindo histórias sobre suas brigas conjugais, eles são muito maduros. Como debates intelectuais.
— O que fizemos ontem à noite não foi maduro o suficiente?
— …Aquilo foi mais próximo de feras do que de intelectuais.
— É verdade.
Enquanto conversavam, os dois já haviam chegado ao mercado do bairro que costumavam frequentar. Chay dirigiu-se ousadamente à seção de carnes. Era para comprar um peru.
No entanto, no momento em que chegaram em frente à vitrine, um suspiro desanimado escapou. O expositor estava completamente vazio e, onde deveriam estar os perus congelados, havia um papel com “ESGOTADO” escrito em letras grandes colado.
— Oh, não…
Chay murmurou como um lamento. Tendo ficado animado por preparar o jantar de Ação de Graças ele mesmo pela primeira vez, ele não conseguiu esconder seu desapontamento.
Observando-o, Jeong-in sentiu-se como um pai que não conseguiu comprar o brinquedo que o filho queria porque estava esgotado. Se pudesse, sentia vontade de subir uma montanha para caçar um ele mesmo.
Jeong-in sugeriu uma alternativa em tom consolador.
— Devemos tentar a Norfolk Street?
— Aquele lugar foca em hortifrúti, então provavelmente também não terão nenhum. Haa… Faltam cinco dias, mas acho que eu deveria ter comprado antes.
Enquanto Jeong-in pensava se havia algum jeito, algo de vários anos atrás brilhou em sua mente.
Foi na época em que Suzy tinha acabado de abrir a “Suzy Nail”. Atolada com a correria característica de uma nova abertura, ela perdeu o prazo para comprar um peru naquele ano.
Após fazer brevemente uma expressão preocupada em frente à vitrine vazia, ela logo se aproximou de uma funcionária que parecia ter a idade dela com um olhar determinado. Então, Suzy discretamente deslizou um cupom de desconto de sua loja e sussurrou secretamente no ouvido da funcionária.
Em seguida, a funcionária olhou para o cupom, assentiu e entrou no frigorífico sem dizer uma palavra.
Aproveitando a ausência da funcionária, Jeong-in rapidamente se aproximou de Suzy e perguntou em voz baixa.
— Mãe! Que conversa suspeita foi essa agora há pouco? Parece até que você está contrabandeando algo.
— Só espera.
Um tempo depois, a funcionária que reapareceu entregou a Suzy um peru embalado como uma bola.
Foi algo que ele só aprendeu mais tarde, mas os grandes mercados tinham quantidades reservadas separadamente para os funcionários. Clientes comuns não podiam receber descontos especiais como os funcionários, mas, se as circunstâncias permitissem, as compras eram possíveis.
Terminando sua lembrança, Jeong-in olhou em volta e avistou uma funcionária do mercado usando uma touca sanitária trabalhando atrás do balcão da seção de carnes. Era uma mulher que aparentava estar no final dos seus vinte anos.
Jeong-in olhou Chay de cima a baixo, que por acaso estava bem vestido. Ele tinha uma aparência suficiente para causar uma boa impressão em qualquer pessoa, independentemente da idade ou gênero.
Jeong-in vasculhou sua carteira, tirou um cupom de bebida utilizável em um café próximo, deu um toque no antebraço de Chay e sussurrou:
— Aqui. Vá entregar isso para aquela funcionária e pergunte se há algum peru.
— Diz que está esgotado.
— Isso é para os clientes. Com certeza há estoque reservado para as compras dos funcionários.
Chay soltou uma risadinha.
— Jeong-in, você é tipo uma máfia do peru.
— Isso mesmo. Agora vá fazer o trato e traga a mercadoria.
Chay, dando de ombros levemente, aproximou-se da funcionária com uma expressão duvidosa. Então, exatamente como Jeong-in havia instruído, ele estendeu o cupom do café e perguntou calmamente se restava algum peru.
A funcionária, que estava ocupada fazendo outro trabalho, virou a cabeça como se estivesse irritada, mas então ficou boquiaberta ao ver o homem loiro parado diante dela.
— S-sim? O que o senhor precisa?
— Eu estava me perguntando se poderia conseguir um peru.
— Um peru? Na verdade, sobrou um reservado para a venda de funcionários…
Ela olhou em volta uma vez e acrescentou cuidadosamente:
— É um premium orgânico de 10 quilos, alimentado com milho e criado em pasto.
— Você é minha salvadora!
Chay segurou a mão dela e agradeceu, depois se virou para olhar para Jeong-in, que estava parado a alguns passos atrás, e sorriu abertamente.
— Ela tem um! Graças a Deus, Jeong-in.
A funcionária naturalmente olhou para Jeong-in. Era um olhar inquisitivo, perguntando-se: “quem é essa pessoa?”.
Se ela descobrisse que ele tinha um amante, não retiraria o favor que acabara de mostrar? Diante da intuição que cruzou sua mente, Jeong-in deu um soco de leve no antebraço de Chay e agiu de um jeito convencido que não combinava com ele:
— “Yo”! Boa, “bro”.
A funcionária, que os observava com os olhos semicerrados por um momento, desapareceu atrás do balcão. Chay virou-se para Jeong-in com uma expressão de incredulidade.
— O quê? “Yo! Boa, bro”?
Quando Chay repetiu o que ele havia dito, o rosto de Jeong-in ficou vermelho brilhante.
— C-cala a boca. Não diga nada!
Jeong-in escapou como se estivesse fugindo. Depois de caminhar por um tempo, quando se virou, pôde ver Chay recebendo um peru densamente envolto em plástico.
Chay, que estava procurando ao redor, avistou Jeong-in, ergueu a mão bem alto e gritou:
— Vamos juntos! “Bro”!
* * *
— Então, no fim, eles não revelaram quem os matou?
— Pois é. O problema é que a próxima temporada foi cancelada.
— Isso é o pior.
Sentado no sofá da sala de estar, Jeong-in estava em uma chamada de vídeo com Suzy, com o laptop no colo.
O tópico da conversa era um drama da Netflix. Assistir a dramas juntos e passar um feriado tranquilo era uma longa tradição de Ação de Graças para mãe e filho. Originalmente, eles estariam sentados lado a lado no sofá, comendo frango frito que estaria ou duro ou levemente queimado em vez de peru enquanto conversavam.
Jeong-in perguntou a Suzy como se lembrasse de repente:
— E sobre os encontros? Você saiu com alguém?
Ele se lembrou de alguns meses atrás, quando incentivou a vida amorosa de sua mãe, chegando a instalar diretamente um aplicativo de namoro para ela. Na tela, Suzy balançou a cabeça.
— Já estou cansada de pessoas enviando fotos de pênis. Vou cuidar disso sozinha. Como está o Chay?
Jeong-in olhou em direção à cozinha. Chay estava mexendo algo seriamente em uma tigela de mistura prateada.
— Ele diz que vai fazer o molho de cranberry ele mesmo.
— Nossa… Esse garoto tem um espírito competitivo nos lugares mais estranhos. Lembra quando ele cortou nossa grama da última vez?
No verão passado, Chay, que havia visitado a casa de Jeong-in, viu o quintal que a ocupada Suzy não tinha conseguido cuidar e disse que cortaria a grama. É claro que era algo que ele nunca tinha feito uma única vez na vida.
E aquele dia se tornou um dia de entretenimento na Willow Street.
A pele bronzeada de Chay brilhava sob a luz do sol enquanto ele passava o cortador de grama sem camisa. As vizinhas, com quem eles não tinham nenhuma interação especial, trouxeram vários copos de limonada com gelo flutuando.
Claro, a habilidade dele não era proficiente; a grama ficou irregular e as linhas estavam uma bagunça. Ele até quebrou o cortador de grama.
— Depois ele fez um escândalo querendo consertar o cortador sozinho também. Se eu o tivesse deixado em paz, ele teria ficado nisso por dias.
— É, ele teria mesmo.
Jeong-in sorriu suavemente, lembrando-se daquela época.
De alguma forma, um lado de seu peito se aqueceu. Ele gostava que Suzy conhecesse bem o Chay. Gostava que memórias familiares estivessem se acumulando gradualmente.
— Tudo bem você estar fazendo isso? As pessoas chegam logo, certo?
— Você tem razão. Devo ir me preparar agora.
— Tenha um feliz Dia de Ação de Graças, filho.
— Você também, mãe.
Jeong-in, que fechou o laptop com a saudação, levantou-se calmamente e foi para a cozinha.
Chay, parado em frente ao fogão, virou-se e perguntou:
— A ligação correu bem?
Um toque de amargura passou pelo rosto de Jeong-in enquanto ele assentia.
Era o primeiro feriado passado longe de Suzy. E, se ele acabasse se estabelecendo na Costa Leste, haveria mais dias assim pela frente.
Como se lesse o coração de Jeong-in, Chay estendeu a mão silenciosamente. Ele puxou levemente o pulso de Jeong-in para posicioná-lo à sua frente e colocou uma colher de silicone em sua mão. Então, cobrindo aquela mão, ele mexeu lentamente o molho vermelho na panela junto com ele.
— Vamos com certeza para Bellacove no Natal. Não quero passá-lo aqui. Pode nevar. Neve no meio do inverno, esse clima sequer faz sentido?
Chay falou em tom de reclamação. Era sua maneira própria de confortar Jeong-in, que estava sentindo saudades de casa.
— Você só tem mais um membro na família agora, eu. E família é família para sempre. Não importa onde estejamos.
— …É, você tem razão.
— Então pare de ficar sentimental e continue mexendo isso.
Os dois prepararam o jantar de Ação de Graças em harmonia.
Eles assaram lentamente o peru que estava descongelando na geladeira há quatro dias por mais de 5 horas. Para que as ervas e vegetais do recheio cozinhassem uniformemente, Chay não saiu da frente do forno e continuou verificando o ponteiro do termômetro.
Como não sabiam que o peru exigiria tanto trabalho, prepararam os acompanhamentos com produtos semi-prontos. Ainda assim, uma vez transferidos para os pratos, pareciam bem apresentáveis.
Perto do momento em que o timer do forno tocou, a campainha da frente também tocou.
— Uau, o cheiro está ótimo.
O primeiro a entrar foi, claro, Justin. Seguindo-o, Mikey, que fora colega de quarto de Jeong-in no primeiro ano, e a namorada de longa data de Mikey, Hannah Brooks, entraram lado a lado. Ambos seguravam garrafas de vinho ou suportes de papel com fardos de cerveja.
Finalmente, Zachary e sua namorada Maisie Callahan chegaram. Maisie, que apenas trocara cumprimentos com Jeong-in ao passar por ele, mas estava conhecendo os outros pela primeira vez, segurava uma caixa de papel contendo tortas de uma confeitaria famosa.
Mesmo depois de trocar cumprimentos e sentar-se, o olhar de Maisie não conseguia deixar Chay, como se estivesse fixo. Ela nem sequer conseguia responder à pergunta de Hannah sobre o que fazia no trabalho. Eventualmente, seu namorado Zachary estalou os dedos na frente dos olhos de Maisie.
— Ei, Maisie. Pare de encarar e participe um pouco da conversa, quer?
— Desculpe. A aparência do anfitrião estava distraindo demais, eu não consegui ouvir. O que você disse?
Jeong-in assentiu como se entendesse os sentimentos dela cem por cento.
— Eu entendo. As pessoas que o veem pela primeira vez têm todas essa reação.
— Ele é realmente um estudante de Harvard? “Pre-med”?
Depois de admirar a aparência de Chase por um momento, Maisie segurou Jeong-in e o aconselhou em tom de brincadeira a nunca deixar Chase ir embora. Diante das palavras dela, Chase balançou a cabeça.
— Sou eu quem precisa segurar firme. Jeong-in provavelmente ganhará muito mais dinheiro do que eu.
— O quê? Que interesseiro!
As pessoas caíram na gargalhada, mas não era uma piada completamente sem fundamento.
Na indústria farmacêutica americana, não era raro que cientistas talentosos ganhassem muito mais dinheiro do que médicos. E, embora ainda não tivesse aceitado, Jeong-in havia recebido uma oferta para um cargo de pesquisa de uma famosa empresa farmacêutica.
O grupo se moveu e sentou-se ao redor da mesa de jantar. No meio da mesa, havia um peru bem dourado e um molho “gravy” brilhante. Graças ao assamento cuidadoso, o peru cortava tão suavemente quanto manteiga assim que a faca o tocava.
Após brindarem levemente com as taças, Chase expressou sua gratidão.
— Obrigado por virem comer meu primeiro peru. Casais maravilhosos… e Justin.
— Eu também tenho uma namorada.
Às palavras de Justin, Jeong-in virou a cabeça surpreso.
— O quê? Isso é verdade?
Justin assentiu com indiferença.
— Sim. O nome dela é Wally. Ela é difícil de encontrar.
— Ah…
Suspiros fluíram de todos os lados.
Wally era um personagem da série “Onde está Wally?” que usava uma camisa listrada de vermelho e branco, jeans azuis e uma touca de lã com pompom. O conceito era que os leitores tinham que encontrá-lo escondido em cenas complexas e cheias de pessoas.
Justin soltou um suspiro pesado.
— Não sei por que é tão difícil. Só preciso de alguém que goste de Star Wars, entenda o Universo Marvel e que combine fantasias comigo para irmos à Comic-Con.
A atmosfera tornou-se um pouco solene. Ouvindo aquilo, pareciam ser condições bastante difíceis de encontrar.
Justin continuou com uma expressão autodepreciativa.
— Mas mesmo que exista tal pessoa, e daí? Não tenho ideia de como falar com elas ou que tipo de atitude tomar.
Para Justin, que parecia profundamente perturbado, Chase ofereceu seu próprio conselho.
— Não é difícil. Apenas seja confiante e natural, mostre seu verdadeiro eu.
— Chay, fique quieto. Honestamente, você não deveria estar dando conselhos amorosos.
Às palavras de Jeong-in, Chase inclinou a cabeça. Jeong-in contou um exemplo para sustentar sua afirmação.
— Tem uma barista que trabalha no café em frente que sempre dá scones recém-saídos do forno de cortesia para o Chase. Mas ele apenas acha que ela está sendo legal.
Enquanto todos estalavam a língua e balançavam a cabeça, Justin interveio.
— Existe um barômetro para determinar o nível de atratividade de um cliente de café. Primeiro, atraente o suficiente para lembrarem o nome e o pedido habitual. Segundo, atraente o suficiente para desenharem um coração ao lado do nome no copo. E o nível mais alto é ser atraente o suficiente para ganhar scones de graça.
Chase, que se aplicava aos três itens, deu de ombros e recuou, e desta vez Zachary aconselhou.
— O problema começa ao tentar encontrar uma pessoa perfeita. Parceiro perfeito, relacionamento perfeito, essas coisas não existem. Certo?
Zachary falou com Jeong-in e Chase como se buscasse concordância, mas os dois tinham expressões como se estivessem ouvindo uma história que não conheciam ou que não tinha nada a ver com eles.
— De jeito nenhum. Nem um único problema? Isso é impossível. Isso é humano até demais!
A expressão dele era de algum modo desesperada. Era uma expressão de quem esperava que houvesse pelo menos um problema.
— Hum… não tem nenhum.
À resposta de Chase, Justin rapidamente a agarrou.
— Você hesitou!
As pessoas que perceberam a oportunidade vaiaram em uníssono.
— Uhhh! Dê-nos pelo menos um! Quem é que não tem uma única falha! Chase, você começa.
Chase deu um gole na cerveja, pensou por um momento e então disse:
— Se eu tivesse que encontrar algo… Jeong-in tem um espírito competitivo um pouco forte?
Os olhos de Jeong-in se arregalaram.
— Eu? Isso é ridículo.
— Baby…
Chase frequentemente chamava Jeong-in assim ultimamente. Desta vez, foi em um tom ligeiramente suave.
— Lembra quando Mikey e Hannah vieram aqui da última vez e jogamos Charades?
Como se adivinhasse o que Chase ia dizer, Jeong-in se defendeu primeiro.
— Então eu deveria ter perdido de propósito?
— 12 a 1 foi um pouco demais. E…
— E?
— No final, você perguntou que gosto tinha. Para a Hannah.
— …Eu, eu fiz isso?
Jeong-in virou-se reflexivamente para olhar para Hannah, e Hannah, que estivera bebericando seu vinho em silêncio, sorriu e assentiu devagar.
— Já que estamos nisso, Jay, diga uma também.
Jeong-in, cujas entranhas estavam fervendo secretamente, abriu a boca como se estivesse esperando por aquilo.
— Ontem, o senhorzinho vizinho de porta estava com dificuldade para entrar no elevador carregando coisas, mas você ficou apenas olhando para o seu celular.
— Eu fiquei?
— A porta do elevador estava fechando e você nem sequer apertou o botão para abrir, então eu apertei por trás.
— Uau, isso é um pouco…
Justin reagiu de forma exagerada. Um olhar perturbado surgiu no rosto de Chase.
— Isso é porque eu não vi!
— Você simplesmente não se importa com os outros.
Um pouco de triunfo misturou-se ao rosto de Jeong-in. Mas Chase balançou a cabeça.
— Não posso aceitar isso.
— Então qual é o nome da pessoa que limpa a nossa casa?
— …O quê?
— É a mesma pessoa há dois anos.
Era alguém que ele encontrara várias vezes e para quem até escrevia cheques uma vez por mês, mas Chase não conseguia se lembrar do nome. Apenas uma vaga impressão de que parecia latina veio à mente, mas nem isso era certo.
— …Camila?
— Ha! Errado. É Marta! O nome do filho dela é Jose. Ele ainda está no México, e ela está se preparando para trazê-lo. Que tal isso! Eu gan…
A essa altura, Jeong-in não pôde deixar de admitir que tinha um forte espírito competitivo. As pessoas caíram na gargalhada, e os dois seguiram para o lado da cozinha para preparar a sobremesa.
Jeong-in avaliou sutilmente a reação de Chase. Todos pareciam saber que ele era competitivo, mas ele achou que trazer à tona a história particular deles na frente das pessoas foi um pouco imprudente.
— Chay, desculpa.
— Pelo quê?
— Agora há pouco. Por falar da nossa história na frente das outras pessoas.
— Bem, não está errado, de qualquer forma. Não tenho interesse nos outros. A única coisa em que estou interessado é você.
Chase se aproximou, abraçou Jeong-in e falou como se sussurrasse em seu ouvido.
— Pergunte-me sobre você. Eu responderei tudo.
Depois de pensar por um momento, Jeong-in perguntou.
— Meu… primeiro professor do fundamental?
— Sr. Richardson.
— Filme favorito?
— “Space Odyssey”.
— Minha… sobremesa favorita?
— Sorvete. Ben & Jerry’s Cherry Garcia.
Cada resposta saiu sem a menor hesitação. Chase realmente sabia tudo sobre Jeong-in.
— Que tal? Acertei todas?
— …É.
— Então você deveria me dar um prêmio.
— Prêmio?
Chase falou naturalmente, como se tivesse pensado nisso com antecedência.
— Mostre-me o seu peito.
— …O quê?
Assim que Jeong-in colocou a cabeça para fora para olhar a sala de estar, caso alguém tivesse ouvido, a mão de Chase se aproximou. Assim que sua mão grande e quente segurou seu pulso, no momento seguinte Jeong-in foi puxado para dentro da despensa.
— Chay!
— Shiu. Rápido.
Chase costumava ser muito obcecado pelo peito de Jeong-in. Uma vez ele dissera a Jeong-in:
— Seu peito é tão secreto quanto um pinto. Você nunca o mostra para outras pessoas. Nem mesmo na praia.
O que ele disse era verdade.
A cultura de vestimenta em piscinas ou praias na América era bem diferente da Coreia. Nas praias, independentemente do tipo de corpo, a maioria das mulheres usava biquínis, e era natural para os homens tirarem a camisa e usarem apenas bermudas de natação. Pessoas usando roupas comuns — como “rash guards” — eram em sua maioria turistas asiáticos.
Jeong-in, que se sentia estranho revelando seu físico magro, não tirava a camiseta nem na praia. Outros amigos achavam um pouco estranho, mas Chase parecia gostar secretamente disso.
— Sabe de uma coisa? Nos dias em que você usa camisetas finas, eu abaixo secretamente a temperatura da casa em cerca de 3 graus. Então seus mamilos ficam pontudos para fora.
— Foi você? Eu achei que o termostato estivesse quebrado e até chamei um técnico!
Como se dissesse o que poderia ser feito sobre isso agora, Chase deu de ombros. Jeong-in soltou um suspiro profundo, então agarrou a bainha de sua camiseta e a levantou até o pescoço.
— Olhe rápido por cinco segundos.
Chase fixou o olhar no peito branco exposto. Instantaneamente, seus olhos perderam o foco e ele ficou com uma expressão atordoada, como se estivesse vendo o peito de outra pessoa pela primeira vez na vida.
— 5, 4, 3, 2, 1. Pronto, certo?
Jeong-in abaixou a camiseta sem o menor atraso. Chase estalou os lábios como se estivesse decepcionado.
— Vamos agora.
— Você vai primeiro.
Chase pegou um saco grande de nachos ao seu lado e cobriu suas partes íntimas. Fosse brincadeira ou sério, Jeong-in caiu em uma risada impotente.
Depois que todos se esparramaram no sofá comendo a sobremesa, um jogo começou naturalmente. Jeong-in sempre achou a cultura de festas americana excessiva, mas gostava bastante do quanto eles jogavam.
Desta vez era “Heads Up”. Era um jogo originado de um talk show da TV americana com um aplicativo dedicado que facilitava a diversão. A diferença em relação à mímica era que explicações verbais eram permitidas.
Cada casal se tornou uma equipe, e decidiram escolher categorias aleatoriamente — comida, cultura, pessoas, animais, etc. Justin, que estava sozinho, assumiu o papel de árbitro e ajudante novamente hoje.
Mikey deu um toque em Hannah e apontou para Jeong-in.
— Hannah, Hannah. Olhe para o Jay.
Hannah olhou na direção de Jeong-in e sorriu suavemente.
— Ele está começando de novo.
Sem perceber, Jeong-in havia começado a arder com espírito competitivo novamente. Diante de apenas um jogo de perguntas, como um atleta indo para as Olimpíadas, ele estava estalando o pescoço de um lado para o outro para relaxar e alongando os braços.
Os dois que acabaram ficando com o último turno para resolver os problemas pegaram a categoria de comida. Chase daria as dicas e Jeong-in responderia.
Desde o início, os dois resolveram os problemas em um ritmo incrivelmente rápido. Eles se comunicavam apenas com o olhar e, para alguns problemas, Jeong-in dizia a resposta imediatamente, sem ouvir a explicação completa.
— Verde, quando se faz guacamole…
— Abacate!
— Aquela coisa que você gosta, o som de rasgar o saco de!
— Ramen?
— Froot Loops, Lucky Charms…
— Cereal!
— Preto, o vegetal que você odeia!
— Vegetal preto? O que é isso…
— É mais para roxo do que para preto.
— Beterraba?
Então o telefone tocou, sinalizando o fim do tempo. Chase disse a resposta da última pergunta com um tom de decepção.
— A resposta era berinjela.
Justin inclinou a cabeça e perguntou a Jeong-in.
— Berinjela? Jay, você não odeia berinjela.
Chase olhou para Justin balançando a cabeça como se dissesse “você não sabe disso?”.
— Jeong-in odeia berinjela. Sempre que ela aparece na comida, eu sempre a como.
Jeong-in revirou os olhos com uma expressão perturbada por um momento. Justin, que não viu isso, continuou.
— Do que você está falando, cara. Eu claramente vi com meus próprios olhos ele comendo berinjela com sabor de peixe como um louco na nossa casa.
Chase virou-se para Jeong-in com um rosto confuso.
— Jeong-in?
— Bem…
Jeong-in fez uma confissão tardia.
Foi desde o dia em que ele tinha acabado de chegar a Harvard e foi a um restaurante francês casual perto da Harvard Square com Chase.
O prato de bife que ele pediu veio acompanhado de legumes variados, como berinjela grelhada, aspargos e couve-de-bruxelas.
Jeong-in era originalmente alguém que comia as coisas deliciosas por último. Ele tinha o hábito de sempre deixar suas coisas favoritas de um lado do prato. Naquele dia também, sem pensar muito, ele apenas empurrou a berinjela para a borda do prato com o garfo, mas Chase sorriu como se fosse fofo e disse:
— Acho que somos realmente um casal perfeito.
Além de dizer que havia uma teoria de que, se uma pessoa em um casal não gosta de uma comida que a outra gosta, elas são almas gêmeas, ele disse que amava muito berinjela.
Diante da oferta de comer em seu lugar, Jeong-in assentiu e empurrou o prato. A partir de então, Jeong-in não pôde comer berinjela. Era porque ele não queria quebrar a fantasia de Chase.
— Isso é verdade? Jeong-in, você gosta de berinjela?
Jeong-in assentiu com uma expressão envergonhada. Chase, que soltou uma curta risada seca, olhou para ele com os olhos mais amorosos possíveis.
— Tem sido uma honra comer a sua berinjela durante todo esse tempo.
Ouvindo isso, Zachary inclinou-se levemente para Mikey e sussurrou.
— Isso só soou sujo para os meus ouvidos?
Berinjela também era uma palavra às vezes usada na América para se referir aos órgãos genitais masculinos. Mikey deu uma risadinha e respondeu “De jeito nenhum”.
Chase continuou com uma risada incrédula.
— Quer que eu te conte algo engraçado? Na verdade, eu não gosto de berinjela. Eu na verdade tendo a odiá-la. Eu fingi que gostava porque queria dizer que éramos almas gêmeas.
— …Sério?
— Então, de agora em diante, você come a minha “berinjela.”
Desta vez, Hannah sussurrou para Mikey.
— Eu acho que isso é dirty talk.
Justin, que estivera balançando a cabeça enquanto ouvia a história, deu um toque em Mikey.
— Mikey, está vendo aquele cabo de carregador atrás de você? Me dê ele.
— Precisa carregar seu celular?
— Não, você pode me estrangular com ele? Não aguento olhar para eles, meus olhos doem.
Observando Jeong-in e Chase, completamente encantados um pelo outro, Justin lamentou.
— Querem saber? O motivo de eu não conseguir namorar pode ser por causa de vocês.
Diante dessas palavras, reclamações surgiram de todos os lados como se estivessem à espera.
— Ver vocês dois nos faz refletir sobre nossos próprios relacionamentos sem motivo nenhum.
— É verdade.
— Vocês elevam demais o padrão.
— Me faz pensar que algo está faltando na minha relação.
— Exato!
Jeong-in e Chase também eram um casal com seus próprios problemas. Eles também eram um casal que, sem querer, espalhava problemas entre as pessoas ao seu redor.
Foi no caminho de volta, depois de se despedirem das pessoas que compartilharam o jantar de Ação de Graças e de jogarem o lixo fora.
Assim que Chase e Jeong-in entraram no elevador, viram alguém correndo em direção a eles. Chase levantou a mão para impedir que a porta fechasse e esperou. Ele não esqueceu de virar a cabeça levemente para Jeong-in com um sorriso, como quem diz “olhe para mim me importando com os outros”.
— Obrigado.
Quem entrou no elevador expressando gratidão foi o cavalheiro que morava na porta ao lado, Anderson Whitmore.
Jeong-in naturalmente o apresentou a Chase.
— Este é o Sr. Whitmore. Nosso vizinho.
Chase estendeu a mão para um aperto de mãos e o cumprimentou.
— Sou Chase Prescott.
Jeong-in deu um passo à frente para adicionar uma explicação.
— O do cachorrinho que latiu daquela vez.
— Aha.
Graças ao concierge Henry, o mal-entendido sobre negligenciar o cão foi naturalmente esclarecido. Desde então, eles se tornaram o tipo de vizinhos que trocam saudações breves sempre que se esbarram.
Acontece que Anderson Whitmore trabalhara como pesquisador em uma empresa farmacêutica por muito tempo antes de se aposentar, e agora continuava a trabalhar ocasionalmente como consultor.
Não era uma coincidência particularmente notável. Boston, e Cambridge em especial, é um dos maiores polos biotecnológicos do mundo, e era fácil encontrar pessoas assim em qualquer lugar da vizinhança, desde pesquisadores ativos até cientistas aposentados.
Eles eram de gerações diferentes, mas compartilhavam a mesma área de formação, então, naturalmente, as conversas fluíam sem esforço. Sempre que se encontravam, ficavam ali parados por minutos a fio, falando interminavelmente sobre experimentos, artigos e as estruturas competitivas implícitas entre as empresas farmacêuticas.
A conversa no elevador foi natural. Após serem convidados para um jantar no fim de semana, os dois voltaram para casa e terminaram de limpar os restos da festa.
Enquanto Chase colocava a louça na máquina de lavar e se levantava, Jeong-in estava parado a alguns passos de distância. Como se perguntasse o que havia de errado, Chase ergueu as sobrancelhas e questionou apenas com a expressão.
— O que estávamos conversando antes.
— Sobre o quê?
— Sobre você saber tudo sobre mim.
Jeong-in disse, aproximando-se um pouco mais.
— Eu conheço você bem também, Chay. Você gosta da poesia de Pablo Neruda. Você é do tipo que assiste aos créditos até o final quando vê um filme, e prefere mirtilos a morangos. Quando se exercita, ouve “Sweet Caroline” do Neil Diamond.
— De jeito nenhum! Você viu minha playlist?
— Você cantou junto bem alto enquanto usava os fones de ouvido.
— Era o nosso hino no fundamental! Todo mundo cantava no comício de incentivo! Você não lembra?
Chase parecia perturbado, como alguém que teve um segredo revelado. Jeong-in soltou uma risadinha e deu mais um passo à frente, espalmando a mão no peito de Chase.
— O importante é… embora nos orgulhemos de nos conhecermos melhor do que ninguém, não sabemos tudo. Assim como você não sabia que eu gostava de berinjela.
— Isso não é porque somos falhos. É porque nos amamos demais.
Jeong-in balançou a cabeça.
— Eu quero saber de tudo, cada pequeno detalhe… Eu quero fazer tudo com você. Mas…
— Mas?
— Você sempre comeu a minha berinjela… mas eu ainda não provei a sua.
Enquanto dizia isso, o olhar de Jeong-in derivou para a parte inferior do corpo de Chase.
— Mas que cara…
Chase murmurou involuntariamente, então rapidamente cobriu a boca com a mão antes que o som do restante pudesse se formar completamente. Foi o pior xingamento que Chase já havia proferido desde que nasceu.
Jeong-in se aproximou de Chase. Ele tinha um olhar determinado, como se tivesse tomado uma grande decisão.
— Eu quero que sejamos um casal que já fez de tudo.
A mão de Jeong-in, que estava em seu peito, desceu lentamente e segurou o cinto de Chase.
— Eu sempre apenas recebi de você.
— J-Jeong-in? O que diabos é isso…
Chase, cobrindo a boca com a mão, invocou um deus no qual ele nem acreditava.
Jeong-in baixou-se lentamente, ajoelhou-se no chão e sentou-se meio agachado. A frente de Chase, visível a apenas alguns centímetros de distância, já estava estufada como se estivesse prestes a rasgar a roupa.
A fivela do cinto e o botão foram desfeitos um por um, e então veio o som de um zíper sendo puxado para baixo.
Chase olhou para baixo com uma expressão onírica enquanto as pontas dos dedos pálidas e delicadas de Jeong-in, tremendo levemente, se aproximavam do espaço entre suas pernas. Suas mãos, agarrando a bancada de mármore atrás dele, mostravam veias saltadas nas costas.
Assim que as pontas dos dedos seguraram e puxaram o elástico para baixo, o pau preso saltou para fora como se estivesse se libertando. Jeong-in engoliu em seco sem perceber. O que ele via com frequência, de alguma forma, parecia desconhecido.
Jeong-in cuidadosamente envolveu o pilar de carne com ambas as mãos. Ele sentiu seu calor, sua dureza, seu peso pesado.
Seu comprimento e circunferência eram verdadeiramente como o antebraço de uma criança. Era inacreditável que algo tão massivo pudesse estar ligado a um corpo humano, que pudesse entrar naquele espaço estreito até a raiz, e que sua própria parte de baixo não rasgaria ou se dividiria.
— É realmente… grande.
— Isso é insano…
Chase passou a mão pelo rosto corado. Ele tentou não mostrar o quão excitado estava, mas os cantos de sua boca continuavam a tremer.
Para ele, Jeong-in era um ser esmagadoramente precioso. Chase jamais teria ousado pedir a Jeong-in para chupar seu pau.
É claro que Chase tinha sonhado com Jeong-in abrindo bem seus lábios pequenos e o levando profundamente na garganta, mas ele nunca havia demonstrado isso. Na cama, ele acreditava que nenhum ato deveria ser um fardo para o outro.
Ele estava sendo recompensado por aquela paciência silenciosa? Agora, em um dia que não era seu aniversário ou Natal, um presente inesperado aguardava Chase.
— Jeong-in… você está falando sério?
A exultação mental de Chase atingiu o pico ao ver Jeong-in embalando cuidadosamente seu pau como se fosse um objeto precioso. A pele ao redor dos olhos de Chase ficou lentamente vermelha.
Em vez de responder, Jeong-in baixou os olhos e aproximou-se lentamente. Finalmente, lábios macios e flexíveis tocaram a ponta da glande.
— Ngh…
O pau de Chase latejou como se estivesse prestes a explodir, e ele soltou o pré-gozo. Jeong-in pareceu momentaneamente pego de surpresa pelo líquido pegajoso umedecendo seus lábios, mas pressionou seus lábios contra a glande e moveu lentamente a cabeça de um lado para o outro. O pré-gozo de Chase molhou os lábios de Jeong-in como um gloss labial.
— Hngh… Jeong-in…
Apenas por esfregar os lábios na glande, as coxas de Chase tremeram e ele soltou um gemido de dor. Jeong-in corajosamente abriu bem a boca e levou toda a glande para dentro.
— Ugh…
Chase imediatamente se inclinou, segurando a cabeça de Jeong-in com as duas mãos.
— Eu gosto tanto disso… Haa, Jeong-in…
Apenas ter seu pau na boca de Jeong-in fazia Chase se sentir como se estivesse prestes a gozar, então ele teve que inclinar a cabeça para trás e encarar o teto. Era óbvio demais que ele gozaria imediatamente se olhasse para o rosto de Jeong-in com a boca nele.
Enquanto isso, Jeong-in segurava o corpo do membro com uma mão e a coxa dele com a outra, empurrando lentamente o rosto para frente. A glande protuberante raspava contra o céu da boca acidentado enquanto empurrava, pressionando firmemente contra o fundo de sua garganta.
— Ah…
Sob as suas palmas, as coxas de Chase pareciam duras e firmes. Jeong-in cerrou os lábios e sugou a glande em sua boca com força.
— Haa… Jeong, Jeong-in…
Chase, que estava perplexo pela esmagadora sensação erógena, baixou o olhar como uma criança incapaz de conter sua curiosidade. Os olhos de Jeong-in, cheios de lágrimas por ter o pau dele em sua garganta, encontraram os seus. Suas pupilas escuras e úmidas eram como contas de vidro.
As bordas de seus lábios, esticadas como se estivessem prestes a rasgar, estavam avermelhadas. Os ombros delgados de Jeong-in tremiam como se ele estivesse soluçando, mas suas mãos seguravam as coxas de Chase com força, como se agarrassem uma corda de salvamento. Tudo aquilo evaporou rapidamente a razão de Chase.
— Ugh…
Com um gemido curto, o pau de Chase latejou mais uma vez dentro da boca de Jeong-in.
Jeong-in sentiu-se grandemente elogiado pela forte reação de Chase às suas ações desajeitadas. Ele envolveu o pau com a língua, engoliu uma vez para criar um quase vácuo em sua boca e então moveu a cabeça para frente e para trás.
— Haa… acho que vou gozar.
O corpo de Chase tremeu. Seus caninos afiados raspavam contra o pau, mas até aquilo parecia prazer.
Seus olhos, originalmente límpidos e azuis, agora estavam nublados pelo instinto. Ele apertou o aperto na cabeça de Jeong-in com ambas as mãos e pressionou para baixo em direção à sua virilha. E então, muito antes do tempo que normalmente levava para gozar, ele se aproximou do seu clímax.
Com a glande enterrada profundamente na garganta sensível de Jeong-in, Chase empurrou os quadris e puxou urgentemente seu pau para fora da boca de Jeong-in. Um longo fio de muco transparente, misturado com saliva e pré-gozo, estendeu-se entre os lábios de Jeong-in e a glande de Chase.
Enquanto a pressão sufocante da carne massiva recuava, Jeong-in tossiu, ofegante por ar.
Ele tentou virar a cabeça, mas foi imediatamente impedido. Chase segurou o queixo de Jeong-in para fixar seu rosto e rapidamente acariciou seu pau com a outra mão.
— Ah… Hngh… Khh…
Procurando apressadamente por um pano de cozinha, Chase o trouxe para a frente de sua glande que gozava. No entanto, um jato de fluido turvo, que disparou com força e errou sua mão, foi borrifado diretamente no rosto de Jeong-in.
— Ah!
— Ngh, Jeong-in! Me desculpe!
O fluido quente e pesado escorreu lentamente da testa de Jeong-in para suas sobrancelhas, as laterais de seu nariz e seus lábios.
Chase, perturbado, limpou os olhos de Jeong-in com a mão nua.
— Você está bem? Caiu nos seus olhos?
Um olho estava grudado como se estivesse colado, e seus lábios ardiam. Seus lábios poderiam estar rachados, pois havia um leve cheiro metálico. Mas Jeong-in caiu na gargalhada.
Ele achou seu próprio estado, coberto pela porra de Chase como se fosse molho, assim como a expressão perplexa de Chase com um pano de cozinha amassado grudado na virilha, absolutamente hilários.
— Jeong-in? Você está bem?
Vendo Jeong-in explodir repentinamente em gargalhadas, Chase parecia ainda mais preocupado.
— Me levante por um segundo.
Chase deslizou as mãos sob as axilas de Jeong-in e o levantou. Então, ele acariciou suavemente os lábios e a boca avermelhados de Jeong-in com uma expressão de arrependimento.
— Seus lábios… eles estão rasgados. Parecem doloridos.
— Está tudo bem.
Chase mudou de posição, encostando Jeong-in contra o balcão. Ele então amassou grosseiramente o pano de cozinha, pegajoso com o fluido, na lata de lixo e ajustou sua frente.
Parecia que uma tempestade acabara de passar.
Chase acariciou suavemente a bochecha de Jeong-in e perguntou:
— Então, como foi comer berinjela pela primeira vez?
— Hmm…
Chase esperou pela resposta de Jeong-in com uma pitada de nervosismo.
— Estava comestível.
Vendo Jeong-in sorrir docemente, Chase soltou um suspiro que soou como um arquejo.
— Haa… isso não vai dar certo. Vamos para o quarto.
Jeong-in foi imediatamente erguido no ar. Carregando Jeong-in levemente, Chase caminhou em direção ao quarto sem hesitação.
Continua…
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Othello&Belladonna