Spin Off 05.2
❀ 7 Minutes Of Heaven 05, Parte 2
Entre os muitos cômodos da Pavilion House, dois foram designados como salas de espera dos noivos. A que ficava na extremidade do corredor direito, a mais interna, era o espaço de Jeong-in.
Uma luz suave filtrava-se pelas janelas adornadas com cortinas brancas e, abaixo delas, sofás de linho em tons de marfim estavam dispostos ao longo da parede.
Em frente ao sofá havia uma pesada mesa de mogno, sobre a qual estavam preparados água e champanhe, frutas secas e minitortas — refrescos simples.
Um espelho de corpo inteiro estava encostado em uma parede, e Jeong-in estava parado diante dele há bastante tempo.
Ele vestia um terno trespassado azul-celeste claro. No lado esquerdo do peito, estava preso um *boutonnière* misturando lisiantos rosa e bagas de prata, e seis botões cor de vinho na frente do paletó brilhavam sutilmente. As calças, que caíam perfeitamente no comprimento certo, faziam suas pernas esguias se destacarem ainda mais.
Uma gravata de seda azul-claro estava atada sobre a camisa social branca impecável que ele usava por baixo. Mas aquele nó estava, de alguma forma, descentralizado, e Jeong-in continuava se olhando no espelho e mexendo no decote, como se aquela pequena assimetria o incomodasse.
Nesse momento, soou uma batida cuidadosa na porta.
— Sim.
Enquanto Jeong-in virava a cabeça e respondia, a porta se abriu e um rosto familiar entrou.
A primeira a atrair seu olhar foi a tia-avó de Jeong-in, Choi Su-jeong. Ela era a irmã mais próxima de Suzy e uma das poucas adultas em quem Jeong-in podia confiar e contar. Atrás dela, seguia sua filha e prima de Jeong-in, Moon Seo-yeon. Ela era dois anos mais velha que Jeong-in.
Durante as férias de verão do ensino médio, Jeong-in havia ficado na casa de sua tia-avó em Seul.
Suzy disse que enviaria dinheiro para as despesas de subsistência, mas Su-jeong recusou firmemente, dizendo para não agir de forma tão distante entre família. O que há de tão difícil em estender mais um cobertor e colocar mais uma colher à mesa? Mas Jeong-in e Suzy sabiam que não era tão fácil quanto parecia.
Em contraste, as atitudes dos outros irmãos eram bem diferentes. O único interesse deles parecia ser hospedar seus filhos pequenos na casa de Jeong-in para um intercâmbio de baixo custo.
Quando este casamento foi anunciado, a família de Su-jeong também foi a primeira a confirmar presença sem condições. É claro que o marido dela não pôde vir devido a circunstâncias de trabalho.
Su-jeong, ao ver Jeong-in, juntou as duas mãos em admiração.
Com essas palavras, Seo-yeon riu e rebateu.
Com as palavras de Su-jeong, Jeong-in esqueceu seu nervosismo e caiu na gargalhada. A situação de ouvir ao contrário o comentário racista que pessoas brancas costumam fazer aos asiáticos era bem divertida. Era uma sorte que ele fosse o único ali que conseguia entender coreano.
Seo-yeon apressadamente interrompeu sua mãe.
Su-jeong arregalou os olhos com um rosto que não entendia. Então ela balançou levemente a cabeça como se fosse um alvoroço desnecessário. Entre a língua familiar e as pessoas familiares, Jeong-in sentiu um conforto como se seu coração estivesse relaxando pela primeira vez em muito tempo.
Nesse momento, Su-jeong perguntou com uma voz cheia de arrependimento, como se algo lhe tivesse ocorrido.
Chase havia preparado um presente pequeno, mas sincero, para as duas que voaram da Coreia.
Dizendo que, já que vieram de tão longe, deveriam viajar confortavelmente, ele planejou pessoalmente um itinerário de uma semana visitando a Costa Oeste americana e Las Vegas. Ele organizou meticulosamente tudo, desde as reservas de acomodação até os locais para refeições e pequenos cursos de turismo, e nem precisava dizer que Chase cobriu todas as despesas, incluindo os custos de hospedagem.
Enquanto isso, enquanto elas aproveitavam sua viagem americana, Jeong-in e Chase estavam programados para partir para a Coreia.
Com as palavras de Seo-yeon, um sorriso se espalhou suavemente pelo rosto de Jeong-in. A Coreia era o destino de lua de mel no qual Chase insistira. Ele disse que queria sentir as raízes de Jeong-in um pouco mais de perto enquanto estudava coreano diligentemente em seu tempo livre.
Uma risadinha escapou ao imaginá-lo curvando-se desajeitadamente enquanto cumprimentava em coreano.
Nesse momento, a porta se abriu e Suzy entrou. Ela tinha ido até a Koreatown, o que levava horas de carro, para alugar um hanbok. Ela usava um jeogori coral claro com uma saia preta que mães de noivos/noivas miscigenados costumavam usar, e o traje exótico recebeu reações entusiasmadas de outros convidados.
> O jeogori é uma peça tradicional da Coreia que faz parte do traje típico chamado hanbok. Ele funciona como a “parte de cima” do conjunto: tipo uma jaqueta ou blusa estruturada.
Su-jeong e Seo-yeon saíram apressadamente da sala de espera, e Jeong-in, sentindo um leve aperto no peito, talvez pela tensão, aproximou-se da janela e a abriu.
Seguindo a brisa, veio o som suave de cordas. A pré-cerimônia, onde os convidados esperavam sentados pelo noivo antes do início da cerimônia principal, acabara de começar.
Suzy aproximou-se silenciosamente e parou ao lado de Jeong-in, que havia retornado para a frente do espelho. As figuras de mãe e filho parados lado a lado refletiam-se no espelho.
Eram duas pessoas que enfrentaram tantas coisas juntas. Desde a morte de familiares na infância até a imigração para um lugar completamente novo, e até este exato momento hoje.
Suzy olhou para Jeong-in com uma expressão cheia de profunda emoção.
— Agora você está realmente se tornando um homem casado, meu filho.
Suzy gentilmente entrelaçou o braço ao de Jeong-in e descansou cuidadosamente a cabeça no ombro dele. Eram duas pessoas que sempre confiaram na existência uma da outra, vivendo como o apoio mútuo.
Parecia que foi ontem que ele chegou em casa chorando, incapaz de se adaptar após ir à escola pela primeira vez, mas agora Jeong-in não era mais uma criança pequena e ansiosa. Ele já havia se tornado um adulto maravilhoso, parado no ponto de partida para construir sua própria família como amante de alguém e companheiro de vida para caminharem juntos.
Ao lado de uma Suzy com o rosto satisfeito, Jeong-in continuava olhando para sua imagem no espelho e inclinando a cabeça.
— Mãe, minha gravata não parece um pouco torta?
— Parece boa.
— Não. Parece estranha.
Jeong-in suspirou como se estivesse frustrado e desamarrou a gravata para refazê-la. As pontas de seus dedos, rígidas pela tensão, não se moviam como ele queria, e a irritação gradualmente surgiu.
— Ah, por que isso não funciona…
— Jeong-in. Shhh.
Suzy envolveu cuidadosamente as mãos de Jeong-in. E ela calmamente acariciou as costas da mão dele.
— Está tudo bem.
Suzy, que puxou gentilmente a mão que segurava, abraçou suavemente seu filho. Os ombros tensos de Jeong-in relaxaram gradualmente.
— Estou tão orgulhosa de você.
Uma mão carregada de afeto caloroso deu tapinhas lentos nas costas de Jeong-in. O abraço terno dos dois continuou por um longo tempo até que uma batida na porta foi ouvida.
A pessoa que abriu a porta e entrou foi Lillian Prescott. Como ela já havia convidado Suzy junto com Jeong-in para um jantar da família Prescott, as duas já se conheciam.
Após trocarem saudações corteses por um momento, Lillian perguntou cuidadosamente a Suzy:
— Eu poderia dar uma palavrinha com o Jay antes de ele entrar?
Suzy olhou para Jeong-in por um momento, então assentiu e saiu silenciosamente da sala.
A porta se fechou suavemente, e apenas Jeong-in e Lillian permaneceram no local. Lillian aproximou-se e parou no exato ponto onde Suzy estava segundos antes.
— Você está maravilhoso.
Ela disse em voz baixa e pegou gentilmente a gravata que Jeong-in segurava na mão. Então, ela alisou o tecido com mãos elegantes, levantou cuidadosamente o colarinho de Jeong-in, posicionou a gravata e ajustou o comprimento. Pontas de dedos habilidosas criaram o nó com calma.
— Nós não fomos pais muito bons para o Chase. Você provavelmente já sabe.
Enquanto falava, o olhar de Lillian estava fixo na gravata de Jeong-in. Ela ajustou levemente a folga para que a gravata não apertasse o pescoço dele, então moldou o nó.
— Mas ele é uma criança que merece ter coisas boas.
Jeong-in assentiu em concordância.
Lillian fixou o nó finalizado no centro.
— Então, parece que ele veio para encontrar você.
Por fim, ela pressionou levemente abaixo do nó da gravata com a ponta do dedo para criar um “dimple”. Então, ela naturalmente entrelaçou o braço ao de Jeong-in, posicionou o corpo dele em direção ao espelho e olhou para o reflexo lado a lado. A gravata estava presa de forma impecavelmente limpa e perfeita.
— Podemos não parecer, porque somos econômicos nas expressões, mas tanto eu quanto aquele homem estamos parabenizando vocês sinceramente.
— …Sim. Obrigado.
É claro que a família Prescott não havia recebido a existência de Jeong-in de braços abertos. Os avós de Chase ainda não conseguiam aceitar o relacionamento dos dois e não apareceram neste casamento.
Mas até mesmo Dominic, que esteve irritado por um tempo por não terem redigido um acordo pré-nupcial, acabou comparecendo.
Lillian Prescott declarou à sociedade, de forma silenciosa mas clara, que aceitava este matrimônio ao presentear o casal com uma obra de seu artista emergente favorito como presente de casamento.
A filha mais velha, Sophia Prescott, também veio em um jato particular para comparecer e estava programada para dar os parabéns na recepção.
— O destino é realmente notável. Aquele garotinho daquela matéria se tornando parte dos Prescott desta forma.
Como se recordasse o primeiro encontro deles, os olhos de Lillian buscaram algum ponto no ar. O jovem rapaz que segurou a mão dela silenciosamente enquanto ela cambaleava bêbada, um encontro que ela naturalmente pensou que seria passageiro, agora havia se tornado família.
— Estou contando com você. Filho.
Lillian beijou levemente a bochecha de Jeong-in. Ela, que revelara brevemente um rosto vulnerável e suave, logo retornou à sua aparência altiva original como se nada tivesse acontecido. Então, ela alisou a bainha do vestido e saiu da sala de espera com seu característico passo elegante.
***
Este salão de banquetes ao ar livre, que viu a luz do dia novamente após décadas, renasceu com um novo nome: “Prescott Pavilion House”.
O edifício antigo, outrora esquecido e negligenciado entre ervas daninhas e poeira, finalmente recuperou sua antiga glória através de um trabalho de restauração que exigiu dedicação, tempo e um enorme investimento de capital.
Fiel ao seu nome, eventos sociais de todos os tamanhos organizados pela família Prescott aconteceriam aqui no futuro. E o primeiro evento a anunciar este magnífico renascimento foi o casamento de Chase e Jeong-in.
A Pavilion House à tarde estava linda, como se uma cena de um filme tivesse sido transplantada para lá.
A luz suave do sol fluía sobre as colinas, tingindo o gramado de dourado. No meio de um jardim maciço que lembrava um jardim botânico, erguia-se o pavilhão perfeitamente restaurado. Ele revelava sua presença de forma orgulhosa e majestosa, como se declarasse o retorno da era de ouro da família Prescott.
Em uma pequena colina com uma vista clara do vinhedo cheio de verde e do mar cintilante, um arco de casamento havia sido erguido. Em uma estrutura tecida de videiras antigas, hortênsias brancas, rosas cor-de-rosa, delfínios e ramos de oliveira foram colocados em abundância. O tecido e as pétalas que balançavam suavemente a cada brisa pareciam ganhar vida.
Um tapete cor de marfim foi estendido ao longo do corredor que levava ao arco, bordado com pétalas de rosa espalhadas.
Os assentos dos convidados foram divididos em duas seções. À esquerda, sentavam-se os parentes e conhecidos da família Prescott; à direita, estavam a família e os amigos próximos de Jeong-in.
Na primeira fila, mais próxima ao arco de casamento, sentava-se Suzy, e ao lado dela estavam seu parceiro Frank Dawson e a filha dele, Joy.
Joy estava atualmente estudando em Wincrest. Embora Chase tivesse se formado anos atrás, ele ainda era uma figura lendária em Wincrest, então apenas o fato de ela estar presente no casamento dele tornava Joy o centro de uma atenção enorme, tanto dentro quanto fora da escola.
— Ilustres convidados, por favor, ocupem seus lugares. Vamos dar início à cerimônia de casamento.
Um celebrante profissional da prefeitura de Bellacove assumiu silenciosamente seu lugar no centro, à frente do arco. Max Schneider, a quem foi confiada a condução da cerimônia após prometer repetidamente não dizer nada desnecessário, fez uma saudação simples aos convidados.
— Obrigado por se juntarem a nós neste belo dia para o casamento de Chase Alexander Prescott e Jay Lim.
Max continuou os procedimentos com voz calma, seguindo a ordem escrita em seus cartões. Seguindo sua orientação, os acompanhantes entraram um a um.
Como acompanhantes em qualquer casamento, eles usavam trajes combinando. Estavam em cores que fariam os noivos se destacarem, escolhidas em conjunto por Vivian e Madison, segundo diziam.
Os primeiros a aparecer foram os padrinhos, os representantes dos acompanhantes.
Justin, vestido impecavelmente em um terno cinza claro, caminhou de braços dados com Vivian, que usava um vestido de noite lavanda. Seguidos por eles vieram Alex Martinez e Madison Wilkes e, por último, Sean McCarthy e Mike Barnes, o amigo de faculdade de Jeong-in.
Os atendentes que entraram em ordem ficaram lado a lado em cada lado do arco do casamento, cada um em sua posição designada.
E agora era o momento de os noivos entrarem.
— Como este é um casamento com dois noivos, deliberamos sobre quem deveria entrar primeiro. Então, decidimos apenas chamá-los em ordem alfabética.
Risos suaves seguiram-se dos assentos dos convidados, e Max respirou fundo antes de falar em voz alta.
— O noivo está entrando. Chase Alexander Prescott.
Enquanto a suave música de cordas começava a fluir novamente, os olhares dos convidados voltaram-se naturalmente para o corredor.
Logo, Chase entrou no corredor.
Com seu cabelo loiro naturalmente penteado para trás, ele vestia um smoking azul-marinho. Sob o paletó de abotoamento simples havia um colete e, em vez da gravata fina que Jeong-in usava, ele havia amarrado uma gravata borboleta clássica.
Suspiros irromperam dos assentos dos convidados diante da aparência deslumbrante de Chase.
Ele não escondeu sua alegria nem um pouco. Como se estivesse gritando “eu consegui”, ele caminhou quase correndo pelo corredor, balançando os punhos cerrados. Um sorriso brilhante não saía de seu rosto, que parecia ter tudo no mundo.
Observando seu filho que estava tão feliz que não sabia o que fazer consigo mesmo, como um cachorro saindo para passear, Dominic balançou a cabeça levemente como se estivesse exasperado. Sua expressão parecia dizer: “Ele poderia realmente estar tão feliz assim?”.
— Em seguida, o noivo, Jay Jeong-in Lim, entrará.
As cabeças das pessoas se viraram mais uma vez, e Jeong-in caminhou sobre o tapete marfim branco.
Tendo sido mantidos rigorosamente separados desde esta manhã até antes da cerimônia, Chase não tinha visto Jeong-in de smoking nem uma única vez até este momento.
No momento em que Jeong-in entrou em seu campo de visão, Chase pareceu esquecer até de respirar, completamente imóvel. Ele apenas encarou Jeong-in caminhando em sua direção com a boca entreaberta e uma expressão atordoada.
Finalmente, Chase sussurrou como se estivesse em transe para Jeong-in, que parou de frente para ele.
— Jeong-in… Você está verdadeiramente lindo hoje.
— …Você também.
A melodia das cordas diminuiu gradualmente, e o discurso de boas-vindas do celebrante começou.
— Estamos reunidos aqui hoje em nome do amor para celebrar o casamento de duas pessoas, Chase Alexander Prescott e Jay Jeong-in Lim.
Por um momento, fitas brancas penduradas no arco balançaram levemente com a brisa, e flores e folhas sussurraram suavemente.
Chase e Jeong-in olharam um para o outro como se apenas os dois existissem no mundo. Nos olhares trocados estava a confiança firme e o vínculo profundo que apenas amantes que atravessaram muitas estações juntos poderiam ter.
— Este momento hoje significa mais do que uma união legal. Esta é uma promessa de que duas pessoas caminharão pela vida juntas, um voto de compartilhar alegria e tristeza, sucesso e fracasso, e até mesmo as rotinas triviais de cada dia. E todos nós reunidos aqui nos tornaremos agora testemunhas dessas duas pessoas.
Enquanto as palavras do celebrante continuavam, Suzy e vários outros nos assentos dos convidados pegaram lenços e enxugaram lágrimas que vieram prematuramente.
— Agora compartilharemos os votos de casamento que os dois prepararam. Primeiro, Chase Prescott.
Chase deu um passo à frente. No entanto, não havia nenhum roteiro preparado em suas mãos.
— Jeong-in. Talvez devêssemos ter apenas escrito e lido nossos votos. Agora que estou parado na sua frente, você está tão maravilhoso que minha mente parece completamente vazia.
Jeong-in olhou para Chase com um sorriso, sem dizer nada. Aqueles olhos calorosos pareciam encorajá-lo silenciosamente, como se dissessem que qualquer coisa que ele falasse estaria bem.
Chase fechou os olhos por um momento e respirou fundo, como se tomasse fôlego, então olhou para Jeong-in novamente e falou com uma voz séria.
— Eu ainda não sei qual providência universal uniu você e eu. Mas o que é certo é que… eu teria amado você não importa em qual era ou mundo eu tivesse nascido.
Cada palavra que ele falava era preenchida com uma convicção inabalável.
— Se fosse há mil anos, eu teria nascido como seu animal de estimação e lambido seus pés, e se fosse há cem anos, eu teria tido um amor triste com você, me escondendo dos olhos do mundo. Felizmente, nascemos nesta era e podemos nos casar com as bênçãos das pessoas.
À medida que os assentos dos convidados ficavam silenciosos como ratos ouvindo suas palavras, sons de fungadas podiam ser ouvidos aqui e ali.
— Eu era alguém que trilhava um caminho predeterminado antes mesmo de nascer, mas depois de conhecer você, pela primeira vez estou indo para onde eu quero ir.
Chase relembrou os dias em que namorava o jovem Jeong-in.
— Quando perguntei qual era o seu número favorito, você respondeu a raiz quadrada de -1, um número imaginário. Dizendo que era um número que cria uma nova dimensão.
Várias pessoas nos assentos dos convidados caíram na risada. A anedota que Chase trouxe era a cara de Jeong-in.
— Para mim, você é como esse número imaginário. Porque você abriu uma nova dimensão para mim.
Jeong-in esfregou a ponta do nariz formigante com as costas da mão sem motivo. Seus olhos já estavam quentes, com os cantos começando a umedecer.
— Estou ansioso para ver como será o resto da minha vida com você. A vida inteira pela frente, compartilhando erros e crescendo junto com você, nossa nova dimensão, é emocionante de forma arrepiante.
Finalmente, uma lágrima rolou pela bochecha de Jeong-in. Chase limpou cuidadosamente aquela marca de lágrima com o polegar e continuou falando.
— Vou te amar para sempre, seu nerd adorável. Acho que era uma frase de Star Wars: “Ao infinito e além”.
Jeong-in soltou uma risada, com os olhos ainda úmidos, e o corrigiu.
— É de Toy Story.
— O quê?
— Não é Star Wars, é uma frase de Toy Story.
Risos gentis surgiram aqui e ali nos assentos dos convidados.
E agora era a vez de Jeong-in.
— Eu, na verdade, não acreditava na emoção chamada amor. Eu achava que o amor era uma série de reações bioquímicas ocorrendo no cérebro. Dopamina, ocitocina, fluxo sanguíneo, mudanças nas sinapses… Eu achava que era apenas um fenômeno fisiológico induzido sob certas condições.
Jeong-in levantou lentamente a cabeça para olhar para Chase. Sua própria figura estava refletida pequena no centro dos olhos azuis de Chase. Era como encarar um espelho muito pequeno, mas muito profundo.
— Mas o amor não era ciência simples. Era algo misterioso que transcende o reino humano. Graças ao amor, canções e poemas nascem, e reality shows de namoro na Netflix são tão populares.
Chase sorriu gentilmente, lembrando-se de Jeong-in, que passava os fins de semana com uma chamada de vídeo aberta com Suzy, sentado com um balde de pipoca, devorando cada programa de namoro.
— Eu costumava apenas resolver problemas de matemática porque gostava de obter respostas claras… Mas depois de conhecer você, estou cheio de canções e poemas. Todos eles sobre amor.
Jeong-in olhou para Chase e fez seu voto.
— Eu juro para você, que me ensinou sobre o amor. Eu sou um cientista, mas prometo que apenas na sua frente, colocarei as emoções antes da lógica, o amor antes dos números.
Foi a melhor confissão de amor do jeito de Jeong-in, sem exigir retórica ou técnicas extravagantes.
O celebrante olhou para as duas pessoas que haviam terminado seus votos de casamento alternadamente e continuou falando.
— Chase Alexander Prescott, você aceita Jay Jeong-in Lim como seu legítimo cônjuge, e jura amar, respeitar e estar com ele por toda a vida, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença?
Chase respondeu, olhando diretamente para Jeong-in sem tirar os olhos dele.
— Sim. Eu aceito.
O celebrante virou a cabeça e desta vez perguntou a Jeong-in.
— Jay Jeong-in Lim, você aceita Chase Alexander Prescott como seu legítimo cônjuge, e jura amar, respeitar e estar com ele por toda a vida, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença?
— Sim. Eu aceito. Um milhão de vezes.
Jeong-in também respondeu sem um momento de hesitação.
Os dois colocaram anéis nas mãos um do outro. Naquele pequeno círculo contendo muitos símbolos, havia camadas e camadas de inúmeros momentos. A longa jornada que trilharam juntos, desde a juventude verde até finalmente chegarem aqui.
E, finalmente, a voz do celebrante ressoou.
— Pela autoridade a mim conferida pelo Estado da Califórnia, eu agora os declaro legalmente casados. Podem se beijar.
As duas pessoas, olhando uma para a outra com rostos transbordando emoção, aproximaram-se sem hesitação e se beijaram.
Naquele momento, vivas e aplausos explodiram dos assentos dos convidados de uma só vez. Alguém batia palmas e gritava, e alguém limpava os olhos.
Os dois, agora casados, ficaram lado a lado e caminharam pelo corredor novamente. Cada vez que davam um passo, os convidados jogavam arroz que haviam preparado bem alto sobre suas cabeças.
Pequenos grãos brancos cortavam suavemente o ar e caíam sobre os dois. O arroz simbolizava abundância e prosperidade, e naquele costume estava contido o antigo desejo de que as bênçãos residissem na vida do casal que acabava de começar.
Tendo conduzido a cerimônia com calma e parecendo se segurar bem, Max trouxe uma grande garrafa de champanhe de algum lugar como se não pudesse mais se conter. Ele sacudiu a garrafa de champanhe vigorosamente e a estourou com força. Com um estrondo, a espuma branca jorrou energeticamente.
Em meio ao líquido dourado e à espuma que se espalhavam, Jeong-in olhou para Chase. Chase exibia um riso explosivo como nas fotos da conta de rede social que o jovem Jeong-in costumava espiar secretamente.
Jeong-in finalmente percebeu. Milagres não estavam longe.
***
Enquanto o sol se punha, o céu além do salão de banquetes gradualmente assumia uma cor misturada com rosa e azul-cobalto profundo. E como se esperassem por aquele momento, as mini lâmpadas instaladas por todo o enorme jardim despertaram uma a uma. As pequenas luzes penduradas em fios finos como linhas balançavam suavemente e brilhavam como vaga-lumes.
Os convidados entraram na tenda branca um a um seguindo a orientação. Perto da entrada, cartões de acompanhamento com nomes estavam exibidos ordenadamente junto com os números das mesas. Os convidados encontravam seus nomes entre eles e se dirigiam naturalmente às suas respectivas mesas.
Sobre as mesas circulares redondas cobertas com linho macio, havia abundantes arranjos de flores frescas. Pequenos cartões de lugar com o nome de cada convidado foram colocados em pratos com bordas prateadas, facilitando para os convidados encontrarem seus assentos.
O local da recepção também fazia jus à reputação da família Prescott. De um lado havia uma pequena cabine de fotos e, ao redor da zona de fotos, estavam organizadas decorações de flores, um quadro de boas-vindas escrito em caligrafia, molduras vintage contendo fotos dos dois e um livro de visitas. Enquanto esperavam a chegada dos recém-casados, os convidados passavam um tempo agradável escrevendo no livro de visitas e tirando fotos.
Três barmans de uniforme anotavam os pedidos dos convidados e serviam coquetéis e vinhos com habilidade, e em um palco montado em um canto da tenda, uma banda de casamento continuava sua performance ao vivo.
Logo, quando o esperado casal de recém-casados chegou, Alex Martinez, que estava apresentando a recepção, pegou o microfone e gritou.
— Pessoal, por favor, deem uma grande salva de palmas! O casal Lim-Prescott!
Em meio aos aplausos e vivas que irromperam por todo o local da recepção, os dois apareceram por trás da tenda.
Jeong-in e Chase, que haviam trocado para ternos um pouco mais casuais e ativos, caminharam de mãos dadas lentamente até o centro da pista. Com a tensão liberada após o término da cerimônia, os sorrisos que direcionavam um ao outro estavam cheios de naturalidade.
A banda de casamento de cinco membros no palco começou a tocar “24/7, 365”, a música que Chase havia solicitado antecipadamente. Teclados calorosos e melodias suaves de guitarra preencheram o espaço, e a voz simples do vocalista ressoou pelo ar da noite. As letras doces pareciam ser exatamente o que Chase queria dizer a Jeong-in.
Chase envolveu cuidadosamente a cintura de Jeong-in com os braços e Jeong-in colocou suavemente as mãos nos ombros dele. E eles balançaram lentamente ao som da música.
A primeira dança do casal casado, sempre incluída na ordem da cerimônia. Era mais do que apenas uma dança.
Tinha um grande significado como uma declaração de que as duas pessoas que compartilharam nomes e promessas agora viveriam ajustando os passos ao mesmo ritmo, e como o primeiro ato oficial como um casal legalmente casado.
— Quem quiser se juntar, pode vir agora!
Casais foram para a pista um a um. Alguém estendeu a mão cuidadosamente e alguém empurrou as costas de forma brincalhona enquanto casais casados, namorados e amigos enchiam naturalmente a pista.
Mesmo misturados entre as pessoas, Jeong-in e Chase ainda permaneciam em seu próprio mundo.
Chase encarou Jeong-in intensamente com um rosto que continha uma alegria um tanto perplexa, como se ainda não parecesse real. Então, ele subitamente o cumprimentou como se estivessem se conhecendo pela primeira vez.
— Olá. Sr. Lim-Prescott?
Jeong-in explodiu em uma risada, como se aquilo fosse absurdo. Mas logo percebeu que precisaria se acostumar com aquele nome, “Lim-Prescott”. Porque ele seria chamado assim pelo resto de sua vida de agora em diante.
Como se devolvesse o que recebeu, Jeong-in respondeu com um cumprimento.
— Sim, prazer em conhecê-lo. Sr. Lim-Prescott.
Chase estremeceu levemente com um calafrio, tremendo o corpo.
Depois que várias músicas boas para dançar terminaram, uma música clássica silenciosa tocou ao fundo novamente. O jantar havia começado.
Dezenas de funcionários uniformizados moviam-se em uníssono. Garçons teciam entre as mesas com movimentos precisos e colocavam pratos na frente dos convidados.
O menu para esta recepção era uma refeição de curso supervisionada pelo chef pessoal da família Prescott, uma composição personalizada que já havia refletido as preferências alimentares e informações de alergia escritas nos cartões de confirmação de presença dos convidados desde a etapa de preparação.
À medida que a refeição se aproximava do fim, enquanto os convidados terminavam suas sobremesas e levantavam suas taças, um microfone e taças de champanhe foram preparados no palco. Era tradição, nesse momento, ouvir os brindes do padrinho e da madrinha que acompanharam o casal mais de perto.
Como planejado durante a organização dos assentos dos convidados, Vivian, que estava sentada ao lado de Sean McCarthy, levantou-se ao ser chamada. Ela caminhou calmamente até o palco, e um refletor a iluminou.
— Olá. Eu sou Vivian Sinclair, amiga de ambos os noivos e madrinha de Chase Lim-Prescott. Vou ser breve e sair do palco, já que discursos longos são entediantes.
Como alguém que já esteve na frente de centenas de câmeras em eventos como o Met Gala, Vivian não mostrava sinais de nervosismo. Ela olhou para Chase e Jeong-in com uma expressão como se estivesse imersa em velhas memórias.
— Chase e eu nos conhecemos desde a infância e conhecemos os melhores e piores momentos um do outro. Mas pensando bem, parece que Chase só teve os melhores momentos desde que conheceu Jay.
Em sua infância, os dois fingiram namorar por vários anos. Não era algo para se orgulhar. Vivian precisava de um troféu para exibir enquanto escondia alguém em quem estava interessada, e Chase queria escapar da atenção irritante das pessoas que se aproximavam dele.
— Eu, que costumava ter inveja apenas de coisas como jatos particulares, iates e ingressos para desfiles de moda, agora invejo o relacionamento de vocês.
Ela, que falava enquanto olhava para as pessoas ao redor, fixou o olhar de volta em Chase e Jeong-in.
— Vocês não sabem a sorte que têm. Casar com seu melhor amigo… essa pode ser a forma mais forte de amor. Porque tem compreensão, ternura, paciência e respeito profundo, tudo nela.
Enquanto alguns amigos balançavam a cabeça em concordância, ela continuou.
— Vocês são um casal que prova que almas gêmeas existem. Dar um brinde no casamento de vocês assim, honestamente, estou um pouco emocionada. Acho que nunca vou esquecer isso.
Ela ergueu a taça em sua mão bem alto. Bolhas douradas brilhavam no vidro refletindo a luz.
— Agora, todos, por favor, levantem suas taças. E parabenizem o novo casal. Chase, Jay. Parabéns pelo casamento de vocês!
Em um instante, o som de taças tilintando preencheu o local da recepção de uma só vez. Foi o momento em que o primeiro brinde foi erguido para o novo capítulo deles que acabara de começar.
Em seguida, veio a cerimônia de corte do bolo. Este também era um evento com o significado de “o primeiro trabalho conjunto de compartilhar a vida”.
O bolo de casamento era uma estrutura de três andares e, sobre o chantilly de cor marfim claro, havia decorações de flores frescas junto com as iniciais dos dois gravadas em folha de ouro.
Os dois sobrepuseram as mãos na faca e cortaram o bolo. Chase pegou um pouco de creme e, de brincadeira, sujou a bochecha de Jeong-in e, naquele momento, obturadores de câmeras dispararam. Risos floresceram por toda parte.
Com isso como o último ato, toda a ordem predeterminada da cerimônia terminou. Agora, a verdadeira festa havia começado.
Os dois noivos, que não tiveram uma refeição adequada o dia todo, enfiaram apressadamente pedaços de bolo na boca. Quando suas gargantas ficaram secas, eles engoliram champanhe em vez de água.
No entanto, a refeição não pôde continuar por muito tempo. Os convidados se aproximaram um a um, oferecendo congratulações continuamente e, antes que as conversas pudessem terminar, o próximo grupo naturalmente se inseria.
Alguém segurando uma taça com álcool balançando precariamente espremeu-se pela brecha e apareceu. Era o tio materno de Chase, Marty Graham.
Com as bochechas vermelhas, ele estava claramente bastante bêbado. Ele era o típico bêbado que podia ser encontrado em qualquer casamento comum, pelo menos um ou dois, que se deixa levar pela atmosfera animada e acaba passando dos limites.
Cambaleando, ele agarrou o ombro de Chase e de repente o puxou para um abraço apertado.
— Meu amado sobrinho cresceu e se casou….
— Tio.
Ele não podia dizer que era particularmente próximo dele, o irmão mais velho de Lillian. No entanto, ele era notório por guardar rancor por muito tempo se não fosse convidado para tais eventos familiares. Era melhor em muitos aspectos convidá-lo do que lidar com as consequências.
Ele olhou para Chase e Jeong-in alternadamente e falou como se estivesse fazendo um favor a eles.
— Deixe-me dizer especialmente a vocês, recém-casados, o segredo para uma vida de casados feliz.
Chase inclinou-se para Jeong-in e sussurrou em seu ouvido.
— Não leve muito a sério. Ele está atualmente em seu quinto processo de divórcio.
Jeong-in soltou uma pequena risada, mas Marty, pesadamente bêbado, começou seu conselho independentemente disso.
— Primeiro! Nunca brigue com alguém que saiba o seu número de seguro social!
Era um conselho embebido em álcool, mas, de alguma forma, cheirava a uma lição extraída da experiência real.
— Graças à sua ex-tia por afinidade ter acessado todos os meus documentos fiscais com meu número de seguro social, minha conta secreta e os detalhes do investimento na vila escondida foram todos expostos. No final, tive que me divorciar do meu saldo bancário também.
Jeong-in respondeu com uma expressão genuinamente solidária e um “Oh, nossa”. Era apenas manter a cortesia com um mais velho, mas essa reação resultou na voz de Marty ficando mais alta, encorajada por isso.
— Segundo! Quando a parte irritada estiver gritando com você, não interrompa, mas pelo menos finja ouvir em silêncio! Porque eu não sabia disso, sua ex-ex-tia por afinidade quebrou as janelas do meu Rolls-Royce.
Talvez não tendo mais paciência para ouvir o terceiro ponto, Chase gesticulou sutilmente para trás.
Então Justin, que estava por perto, aproximou-se rapidamente e entrelaçou o braço com o de Marty, arrastando-o para longe dizendo para tomarem uma bebida juntos. Lidar com convidados bêbados também era um dos deveres importantes de um padrinho.
Assim que ficaram sozinhos, Jeong-in falou em uma voz baixa, como um sussurro.
— Por que você fez isso? Eu queria ouvir o terceiro.
— Você está falando sério?
— Ele não estava errado, e foi bastante perspicaz?
Diante do comentário deliberadamente brincalhão de Jeong-in, Chase soltou uma risada curta, soltando o ar pelo nariz, e balançou a cabeça.
— São todos conselhos sobre divórcio. Isso não vai acontecer conosco.
— Ah, você disse que estaríamos ferozmente emaranhados pelo resto da vida, certo?
— Sim, exatamente isso.
Chase tocou a ponta do nariz de Jeong-in com o dedo indicador.
Nesse momento, o planejador do casamento aproximou-se e sussurrou baixinho. Eles precisavam sair agora para pegar o voo reservado para a Coreia.
Alex anunciou a partida do casal. Seguindo sua orientação, os convidados seguraram chamas de sparkles em ambas as mãos e criaram um arco de luz cintilante para vê-los partir.
Jeong-in e Chase olharam um para o outro e sorriram brilhantemente. E, sem hesitação, caminharam juntos por aquele caminho deslumbrante.
Lá fora, um Porsche prateado com uma faixa onde se lia [Recém-Casados] balançando estava à espera. Atrás do carro adornado com fitas e decorações de flores brancas, latas vazias conectadas por fios balançavam e faziam barulho.
Chase, que havia entrado no banco do motorista, virou a cabeça para o banco do passageiro. Jeong-in o olhava com um olhar inabalável.
Logo o carro que levava os dois começou a se mover. Em direção a um futuro que era desconhecido e assustador, mas não temível se estivessem juntos.
Em direção ao seu próprio paraíso que ainda não haviam visitado, mas que certamente existia.
〈 ❀ Fim 7 Minutes Of Heaven 〉
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Othello&Belladonna
N/T: E com isso finalizamos essa novel linda e extremamente dengosa. Obrigada por ler até aqui. ❀
Beijinhos da Bella e Othello <3
