Spin Off 02
❀ 7 Minutes Of Heaven 02
Spin Off 2 – Prenup or Tear-up
O pub frequentado por Jeong-in, King’s Cask, estava agitado como sempre.
O cheiro saboroso de petiscos fritos pairava no ar, e o som de canecas de cerveja brindando explodia aqui e ali. Jeong-in estava sentado de frente para Justin em uma mesa de canto, olhando para a tela do telefone que Justin lhe entregara.
— Olhe bem no final.
Justin levantou o dedo indicador e fez um movimento de rolagem no ar enquanto falava.
Jeong-in assentiu e examinou cuidadosamente a tela. Mensagens de texto trocadas entre Andrea e Justin, que se conheceram e fizeram amizade na festa de noivado, preenchiam o visor.
Os dois estavam discutindo um robô de IA em desenvolvimento na empresa de Justin para auxiliar pacientes com paralisia dos membros inferiores. É claro, nada profundo o suficiente para ser uma preocupação de segurança.
Andrea Sherman: [Quando posso ir visitar a empresa?]
Os olhos de Justin brilharam ao olhar para Jeong-in. Sua expressão dizia que ele esperava que Jeong-in dissesse algo que ele queria ouvir, ou melhor, ele apenas queria uma palavra de concordância como “pode ser” adicionada à interpretação que ele próprio já havia concluído.
No entanto, ele não podia simplesmente dizer a Justin o que ele queria ouvir quando Justin estava pronto para se alegrar.
— Por que isso é significativo?
— Talvez ela esteja interessada em mim?
— Justin… a Andrea está pesquisando redes neurais para pacientes com lesão na medula espinhal.
Jeong-in olhou para Justin com uma expressão preocupada.
Ter esperança não era algo ruim. Mas Justin já tinha passado por isso várias vezes antes, dando importância demais a uma pequena palavra da outra pessoa, a um único emoticon no final de uma frase, apenas para acabar decepcionado e cair em um pântano de desespero.
Então o mesmo padrão se repetia. Por um tempo, ele só usaria moletons pretos, sua playlist invariavelmente se encheria de músicas emo, e ele andaria por aí com o rosto deprimido, soltando frases como “A vida é inerentemente solitária de qualquer maneira”. Consolar Justin durante isso era sempre o trabalho de Jeong-in.
— Eu sei com o que você está preocupado, Jay. Você está preocupado que eu crie expectativas e me decepcione de novo.
Justin levantou seu copo de cerveja com uma expressão amarga e o esvaziou até o fim em um gole só.
— Mas… eu quero ter o que você e o Pres têm também.
— Justin…
Justin tinha azar no romance. Ou, mais precisamente, ele não tinha olho para as pessoas.
Quando ele ia com o coração batendo forte após receber um convite, encontrava pedidos esperando por ele para instalar uma impressora ou conectar o Wi-Fi. Uma pessoa até o usou como adereço para deixar o ex-namorado com ciúmes.
— Estou confiante de que poderia amar alguém como o Superman e a Lois Lane… embora, é claro, em muitos aspectos ela seria o Superman.
— Se você se aproximar de forma confortável, a outra pessoa se sente menos sobrecarregada também. Eles podem sentir isso mesmo sem você expressar.
— Eu não quero conselhos de relacionamento de alguém que vai casar com o primeiro amor!
Jeong-in soltou uma risadinha como se reconhecesse isso.
Nesse momento, o pub barulhento ficou silencioso por um instante. Imaginando o que estava acontecendo, ele olhou em volta e viu uma silhueta parada na entrada, de certa forma deslocada com a atmosfera dali.
O homem que apareceu, atraindo a atenção de todos, vestia um terno preto impecável com a gravata devidamente ajustada, e sua cabeça estava raspada rente em um estilo skinhead. Ele parecia ter facilmente mais de 1,80m, e seu porte físico era robusto o suficiente para bloquear o batente da porta. Ele passava a impressão de um guarda-costas presidencial ou de uma celebridade de classe mundial.
Justin disse com a boca aberta.
— Uau, olha aquele cara. Ele parece um agente da S.H.I.E.L.D.
— É.
O homem parou na entrada e virou a cabeça lentamente. Ele parecia estar observando cada canto do pub como se estivesse escaneando. Foi impressão sua? Agora há pouco, o olhar do homem pareceu pausar brevemente nesta mesa.
Não foi impressão. O homem começou a caminhar direto em direção à mesa onde Jeong-in e Justin estavam sentados. Parecia que o barulho no pub diminuiu momentaneamente.
Os olhos de Justin se arregalaram enquanto ele se inclinava para perto de Jeong-in.
]— J-Jay. Você… você não fez nada que pudesse te levar à prisão, fez? Tipo passar materiais da empresa para fora ou algo assim…
— De jeito nenhum.
— Então, sou eu? O Big Brother finalmente me detectou… eu só falsifiquei ingressos da Comic-Con uma vez…
Enquanto Justin refletia sobre sua vida passada, o homem já havia se aproximado bem na frente da mesa deles. Uma sombra enorme caiu sobre Jeong-in e Justin. De perto, seu físico era ainda mais esmagador. Com uma tremenda intimidação, os pescoços de ambos sentados à mesa endureceram simultaneamente.
— Você é o Sr. Jay Lim?
O homem falou com uma voz baixa e pesada, e Jeong-in reflexivamente endireitou a postura.
— S-sim?
Ele tentou agir com confiança, mas sentia o suor frio escorrendo pela espinha. Os lábios de Justin, sentado bem ao seu lado, estavam brancos como se tivessem sido drenados de sangue.
— O Sr. Prescott gostaria de vê-lo.
— O Chase?
O homem fez uma breve pausa e corrigiu calmamente.
— O Sr. Prescott acima dele.
— Ah…
Ele se referia a Dominic Prescott, o pai de Chase.
— Só um momento.
Assim que Jeong-in pegou o telefone, o homem, sem expressão, estendeu a mão silenciosamente para bloquear a tela.
— Ele me instruiu a trazê-lo sem informar o jovem mestre.
Jeong-in interrompeu suas ações e olhou para o homem. Ele tentou parecer indiferente por fora, mas por dentro estava ocupado revirando pensamentos, tentando avaliar o que Dominic Prescott estava planejando.
Chase havia ligado para a mãe no dia seguinte à festa de noivado para anunciar a notícia. Mesmo sendo um casal de fachada, Dominic também teria descoberto. Enviar alguém para convocá-lo dessa forma seria para expressar oposição?
O homem que veio entregar a mensagem não tinha culpa. Mas ir obedientemente conforme convocado também não caía bem em seu orgulho.
Jeong-in fechou os lábios, baixou o olhar brevemente e depois encarou o homem com olhos límpidos.
— Estou no meio de uma conversa importante com meu amigo.
O homem olhou silenciosamente para Jeong-in e depois desviou o olhar para Justin. Então, ele ofereceu uma solução simples.
— Então seu amigo pode vir junto. Vocês podem continuar a conversa no carro.
Justin, que de repente estava prestes a ser arrastado, assustou-se com os olhos arregalados. Seu rosto estampava claramente o protesto “Por que eu?”.
No entanto, após uma breve consideração, Jeong-in assentiu friamente.
— …Vamos fazer isso.
Justin ainda tinha um rosto que não conseguia aceitar a situação. Seus lábios estavam secos enquanto ele apenas encarava Jeong-in com olhos vagos.
Jeong-in levantou-se primeiro e apressou Justin.
— Justin.
No entanto, Justin não se moveu, como se sua bunda estivesse colada à cadeira. Com um pequeno suspiro, Jeong-in o chamou mais uma vez.
— Padrinho.
Só então Justin resmungou um “Ugh” e se levantou. Seu rosto mostrava claramente descontentamento e um protesto perguntando se era para isso que ele havia sido nomeado padrinho.
A estrada em frente ao pub era definitivamente uma zona onde não se podia estacionar. Mas um sedã Cadillac massivo ocupava uma vaga ali, independentemente disso.
A carroceria era pesada, os vidros eram tingidos de preto absoluto e o carro era reluzente, sem um grão de poeira. Parecia um veículo cerimonial, e havia uma grande possibilidade de que realmente servisse para esse propósito.
O homem caminhou silenciosamente à frente e abriu a porta traseira. Jeong-in entrou primeiro, seguido por Justin, que hesitou brevemente segurando a porta antes de finalmente entrar.
Justin sussurrou para Jeong-in com uma expressão preocupada.
— Ninguém me viu entrar neste carro. Eu deveria ter criado uma testemunha.
— Nada vai acontecer, não se preocupe.
Enquanto Jeong-in confortava Justin, o sedã em que embarcaram virou em direção ao centro com um som de partida suave. As luzes das ruas noturnas fluíam pela janela do carro.
]Em pouco tempo, o veículo parou em frente a um edifício magnífico de costas para o porto. O enorme portão arqueado, o telhado em cúpula e as paredes externas de pedra clássica exalavam a dignidade solene e antiga característica da Costa Leste americana.
Jeong-in sabia bem onde era aquilo. Era um hotel famoso como local de reuniões VIP de círculos políticos e empresariais, arrecadações de fundos políticos de alto nível e encontros de herdeiros com heranças massivas.
]— Por favor, saiam do carro.
Seguindo a orientação do homem, os dois saíram do veículo e entraram no hotel.
O saguão, aberto como se dois andares tivessem sido combinados em um só, possuía uma atmosfera clássica e digna. Era um espaço que lembrava um antigo banco europeu. No entanto, não havia lazer para apreciar o interior antigo.
Os dois alcançaram um elevador através de uma passagem privada separada que outros hóspedes do hotel não usavam. Dentro do elevador com acabamento sutil em aço inoxidável, havia apenas um botão.
Conforme o elevador começava a subir silenciosamente, Justin agarrou a manga de Jeong-in como se estivesse assustado. Jeong-in removeu cuidadosamente a mão dele e deu um tapinha reconfortante em seu ombro.
— Está tudo bem.
No entanto, a tensão não pareceu diminuir, enquanto o som de Justin engolindo seco vinha de sua garganta.
O lugar onde chegaram, seguindo o homem, era uma suíte batizada com o nome de um presidente americano, criada pela remodelação de um espaço que outrora servira como sala de recepção.
Após passarem por um corredor ladeado por portas de propósito desconhecido, surgiu uma sala de estar.
Na sala do tamanho de um parquinho, havia um sofá que poderia acomodar dez pessoas e, em um dos lados, uma pesada mesa de jantar de mogno. Não pareceria fora de lugar se conversas diplomáticas fossem realizadas naquele aposento.
Além das janelas frontais totalmente abertas, as luzes noturnas do Porto de Boston ondulavam suavemente. E, com aquelas luzes atrás de si, uma silhueta longa e esguia parada junto à janela entrou em vista. Um homem segurando um telefone no ouvido enquanto olhava para a vista noturna e falava em voz baixa. Uma pessoa que exalava uma atmosfera silenciosa, mas afiada e intimidadora. Era Dominic Prescott.
Dominic, que continuava sua ligação, virou a cabeça lentamente como se sentisse a presença deles. Fazendo contato visual com Jeong-in, ele apenas ergueu levemente o dedo indicador direito. Um sinal mudo para esperar um momento.
Justin pressionou o rosto perto do ouvido de Jeong-in e sussurrou:
— Quem, quem, quem é esse Sonserino?
— O pai do Chase.
— Não estou brincando, ele realmente parece um bruxo das trevas que acabou de vir de uma sessão de tortura em uma sala secreta.
Com as palavras de Justin, Jeong-in não conseguiu se conter e soltou uma risadinha. Mesmo na atmosfera congelante, parecia haver espaço para o riso florescer. Justin ainda tinha o rosto aterrorizado, mas, graças a isso, Jeong-in sentiu uma camada de tensão se esvair.
Nesse momento, Dominic, tendo terminado a ligação, virou-se devagar e aproximou-se deles. Jeong-in tentou oferecer uma saudação, mas Justin saltou na frente.
— Olá, senhor! — Em um tom como o de um recruta minuciosamente disciplinado, Justin usou o título “Senhor” e cumprimentou respeitosamente. Como se fosse uma palavra que subitamente escapou por estar nervoso demais, ele tardiamente mordeu os lábios, claramente envergonhado.
Dominic olhou para Justin uma vez e então assentiu levemente para aceitar a saudação, sem perguntar quem ele era. Ele era alguém que não precisava perguntar nomes primeiro ou iniciar conversas. Fazer-se conhecido era sempre o trabalho da outra pessoa.
Jeong-in o apresentou em vez disso.
— Este é meu amigo, Justin Wong.
— Prazer em conhecê-lo, Sr. Wong.
Aqueles esnobes da classe alta definitivamente tinham uma fraqueza. Quaisquer que fossem os cálculos que fizessem internamente, ou as fofocas que trocassem entre si nos bastidores, eles absolutamente não suportavam ser vistos como alguém sem modos em ambientes públicos.
A cortesia era a armadura que vestiam e sua arma. Mas, ao mesmo tempo, Jeong-in havia percebido há muito tempo que também era o espartilho e a prisão deles. E esse ponto era algo que Jeong-in usara a seu favor várias vezes.
— Como tem passado?
— Faz algum tempo.
Já fazia vários anos desde que Jeong-in invadira aquela casa pela primeira vez para tirar satisfações com ele. Desde então, os dois se viam uma ou duas vezes por ano. A maioria das ocasiões era no Dia de Ação de Graças, Natal ou eventos familiares que Chase precisava comparecer.
Dominic sempre parecia mal reconhecer a presença de Jeong-in. Mas Jeong-in, como se não quisesse perder, mal o reconhecia em troca, criando um equilíbrio estranho. Um impasse silencioso continuava onde nenhum dos lados abaixaria a cabeça primeiro.
Isso não significava que Dominic pudesse ignorar Jeong-in. De alguma forma, sem nem se esforçar tanto, Jeong-in naturalmente transformou as mulheres da família, Sophia e Lillian, em suas aliadas.
Isolar Jeong-in resultaria em seu próprio isolamento dentro da família, e isso era algo que até Dominic achava difícil de lidar. Isso se tornou ainda mais verdade depois que Sophia ganhou poder ao marcar sua presença em todos os negócios.
Além disso, desde o seu irmão mais novo e a cunhada até os sobrinhos pequenos, todos seguiam e gostavam muito de Jeong-in, então, em reuniões de família, Dominic às vezes parecia um convidado indesejado.
Dominic caminhou calmamente em direção ao bar montado em um lado da sala de estar. De costas para os convidados, ele pegou um copo de cristal, colocou cuidadosamente um cubo grande de gelo com uma pinça e despejou o uísque. O líquido dourado de alto teor alcoólico fluiu sobre o gelo, fazendo um som suave de tilintar.
Ainda de costas para Jeong-in, ele perguntou:
— Gostaria de uma bebida também?
— Já que meu amigo está aqui, aceito dois copos.
A mão de Dominic hesitou por um breve instante e depois se moveu novamente. Dois copos de cristal foram retirados lado a lado e preenchidos com gelo e uísque da mesma maneira.
Dominic se aproximou carregando dois copos e estendeu um para cada um deles.
— O-obrigado!
Justin recebeu o copo com as duas mãos e uma expressão agradecida, como se estivesse recebendo um prêmio. Então, ele levou o copo cuidadosamente ao nariz e inalou o aroma. Um cheiro suave e pesado penetrando profundamente em seus pulmões. Era um aroma que ele nunca encontrara na vida.
Jeong-in também levantou seu copo e molhou levemente os lábios. O gosto acentuado do uísque envolveu a ponta de sua língua e se espalhou suavemente. No entanto, não lhe foi dado tempo para saborear com calma.
— Tenho algo a discutir, não deveríamos fazer isso em um lugar quieto?
Com as palavras de Dominic, Jeong-in assentiu.
Quando Dominic fez um leve gesto com o queixo, o homem que havia guiado os dois levou Justin para algum lugar. Dentro desta suíte havia uma sala de cinema e um escritório separados, então havia espaço de sobra para Justin de descansar.
— Sente-se aqui.
Somente após vê-los desaparecer além da porta, Dominic guiou Jeong-in até o sofá no centro da sala de estar.
— Ouvi dizer que vocês ficaram noivos.
Dominic falou com uma voz sem emoção, como se mencionasse uma notícia que vira no jornal.
Jeong-in ergueu lentamente o olhar para examinar o rosto dele. Chase e ele já estavam juntos há vários anos; será que ele realmente não esperava que isso fosse acontecer? Ele planejava se opor agora, dizendo que não poderia acontecer? Não era um pouco tarde para isso?
A cautela naturalmente surgiu no rosto de Jeong-in diante da sequência de pensamentos. Percebendo isso, Dominic sorriu discretamente.
— Você não precisa ficar tão na defensiva. Sabe melhor do que ninguém que não posso me opor a você a esta altura.
Jeong-in conhecia bem a posição dele de ser incapaz de se opor ou de apoiar.
Dois anos atrás, a Fortune, a principal revista de negócios da América, publicou um artigo de destaque ressaltando a série de reviravoltas em torno da família Prescott.
O filho mais velho, de quem se esperava que herdasse os negócios, subverteu completamente as expectativas do público e escolheu o caminho da medicina. Além disso, espalharam-se rumores de que ele tinha um parceiro do mesmo sexo, atraindo a atenção pública. Um biólogo molecular de origem imigrante asiática havia entrado no sólido e velho castelo branco chamado “Prescott”.
Alguns chamaram isso de “o romance de uma nova era”, enquanto outros chamaram de “rachaduras na aristocracia”.
As pessoas concluíram apressadamente que a era da sucessão hereditária havia terminado.
Mas a família Prescott tinha outra Prescott. A filha mais velha que permanecera nos bastidores da família por muito tempo, Sophia Prescott.
Apesar das preocupações do mercado de que a estrutura de sucessão da Prescott Corporation estivesse abalada, ela mesma assumiu o cargo de CEO e continuou com movimentos ousados que lhe renderam a avaliação do mundo dos negócios como uma “estrategista agressiva”.
Sophia trouxe uma onda de inovação para o negócio familiar conservador e fechado.
Em vez de estratégias ultrapassadas de evitar riscos, ela investiu corajosamente em startups de tecnologia e, como resultado, o Grupo Prescott começou a mostrar uma velocidade e resultados incomparáveis aos da geração anterior.
Desde a flexibilização do sistema financeiro até a melhoria da constituição da gestão de ativos, passando pela construção de um novo portfólio de crescimento.
O nome Prescott não pairava mais na sombra do passado. Tornou-se jovem e ágil, flexível e moderno. O mercado até avaliou como “o período mais dinâmico da história da Prescott Corporation”.
O artigo na época também destacou a vida pessoal dos filhos de Prescott.
O histórico de frequentarem escolas públicas em vez de particulares, a infância frugal, o processo de ganhar bolsas de estudo e ingressar em Yale e Harvard, respectivamente. Era diferente da imagem típica de herdeiros de chaebols. Tal inesperado soou como autenticidade, e o público foi cativado por essa narrativa imprevista.
Um filho que partiu para encontrar seus sonhos e amor, e uma filha estrategista agressiva que encontrou uma nova ordem no centro da tradição. A Prescott Corporation foi capaz de escapar instantaneamente de sua imagem existente de ser antiquada.
— Se não vai se opor, por que pediu para me ver? — Jeong-in perguntou enquanto colocava seu copo sobre a mesa.
Dominic não respondeu imediatamente. Em vez disso, ele se levantou lentamente e caminhou em direção à mesa de jantar. Sua mão pegou uma pasta de documentos fina colocada sobre o tampo de mogno.
— Kingsley trabalhou duro em pouco tempo.
Kingsley era o representante jurídico sênior que cuidava dos assuntos da família Prescott, com quem Jeong-in já havia se encontrado algumas vezes. Dominic estendeu o documento revestido por uma capa de couro grossa para Jeong-in.
— O que é isso?
— Verifique você mesmo.
Jeong-in o pegou cuidadosamente com as pontas dos dedos e virou a capa de couro. Na capa lisa, escritas em uma fonte limpa e direta, estavam estas palavras:
[Acordo Antenupcial]
No canto inferior direito, a frase “Documento Confidencial – Proibida Divulgação Externa” estava carimbada em vermelho como um selo.
Jeong-in virou a capa calmamente, sem qualquer sinal de surpresa ou confusão. Como se estivesse determinado a não revelar seus pensamentos íntimos, até o movimento das pontas de seus dedos era composto e nítido.
A primeira página do documento, o texto principal, começava em negrito:
[Este documento foi elaborado com base no acordo voluntário entre as partes e tem o objetivo de definir antecipadamente os direitos, bens e obrigações de cada parte no caso de dissolução do casamento.]
Jeong-in já sabia que era comum chaebols ou artistas famosos prepararem tais documentos antes do casamento. Ele ouvira dizer que, hoje em dia, acordos antenupciais estavam se tornando cada vez mais comuns até entre pessoas comuns, não apenas chaebols, para evitar disputas em caso de divórcio.
O documento, redigido em linguagem bastante jurídica, calculada e autoritária, era extraordinário desde o sumário. Cláusulas de proteção de ativos, cláusulas de pensão alimentícia e liquidação, cláusulas de infidelidade e regulação de conduta, cláusulas de confidencialidade.
— Você me convocou como quem prende um criminoso apenas para me mostrar isso?
— Eu disse a eles para trazê-lo educadamente, ele foi rude por acaso? — Dominic perguntou de volta imediatamente. Seu tom era de certa forma afiado.
Que mentalidade estranha. Embora a presença de Jeong-in não fosse bem-vinda, ele também parecia não gostar da ideia de ele ser desrespeitado em qualquer lugar.
Jeong-in balançou a cabeça imediatamente.
— Não. Estou falando sobre me chamar sem o Chase saber.
Dominic bufou.
— Você acha que ele me deixaria encontrar você se soubesse?
Jeong-in caiu na risada. Não foi uma risada de deboche ou de constrangimento. Foi apenas porque Chase realmente faria isso.
— É verdade. Posso dar uma olhada nisso?
Dominic assentiu e sentou-se à frente de Jeong-in. Ele bebericou seu uísque enquanto observava Jeong-in em silêncio. Um silêncio estranho fluiu, sem tensão, mas também difícil de chamar de confortável.
Tanto Dominic quanto Jeong-in haviam se acostumado um com o outro. Embora fosse um pouco diferente de terem se aceitado, eles passaram a saber que tipo de pessoa cada um era.
Jeong-in agora aceitava, mais ou menos, que Dominic agia como um aristocrata de um antigo império. Sua maneira de falar pausada, porém prepotente, sua atitude de escrutinar excessivamente cada pequeno detalhe de etiqueta, até mesmo sua autoridade cínica que parecia acreditar que tudo no mundo estava na palma de sua mão.
Coisas que antes o deixariam com os nervos à flor da pele, agora ele apenas considerava como o sistema operacional de uma pessoa chamada Dominic Prescott.
Dominic também não achava mais desconfortáveis o temperamento sensível e a ousadia desenfreada de Jeong-in.
Ele uma vez comparou Jeong-in a um texugo. No início, achou que era uma piada, mas ele falara bastante sério.
Texugos não recuam nem mesmo diante de leões. Eles geralmente não atacam primeiro, mas, uma vez provocados, avançam com mais ferocidade do que qualquer outro animal.
Sua aparência é bastante fofa e costumam ser dóceis, mas no momento em que seu território é invadido, aquele rosto gentil desaparece.
Até Chase havia assentido diante daquela comparação.
Enquanto Dominic esvaziava seu copo, Jeong-in leu rapidamente os documentos.
Artigo 1: Proteção e Separação de Bens
* Todos os tipos de bens detidos por cada parte antes do casamento, incluindo bens móveis e imóveis, ativos financeiros, ações, cotas societárias, direitos autorais e marcas registradas, serão considerados propriedade separada daquela parte.
* Mesmo após o casamento, os rendimentos gerados por esses ativos (por exemplo, rendas de aluguel, dividendos, juros, valorização, etc.) continuarão a ser reconhecidos como propriedade separada daquela parte, a menos que haja um acordo por escrito à parte.
* Somente os bens adquiridos conjuntamente durante o casamento serão considerados de propriedade conjunta e deverão ser divididos de acordo com a proporção de contribuição de cada parte em caso de divórcio.
* Em caso de divórcio, ambas as partes concordam em não reivindicar quaisquer direitos sobre a propriedade separada ou rendimentos de ativos da outra parte.
Essas eram cláusulas comumente encontradas em acordos antenupciais americanos, e o conteúdo em si não tinha nada de especial.
No entanto, o valor estabelecido no Artigo 2, a cláusula de “Pensão Alimentícia e Liquidação”, era uma exceção. Era uma cláusula declarando que, em caso de divórcio, uma quantia fixa de 5 milhões de dólares seria paga, mais um valor adicional de 1 milhão de dólares multiplicado pelo número de anos que o casamento durou. É claro que, para alguém como Jeong-in, pareceria uma soma astronômica, mas para eles seria dinheiro de pinga.
Virando as páginas rapidamente, Jeong-in finalmente soltou uma risadinha na cláusula de confidencialidade.
— Não pode mencionar a outra parte em revistas, transmissões ou outras mídias públicas. Não pode publicar memórias ou fazer filmes refletindo anedotas com a outra parte? Você está falando sério?
— Não deveríamos nos preparar para as possibilidades?
De fato, não era raro que pessoas que namoraram e depois terminaram com celebridades publicassem memórias contendo episódios com a celebridade ou vendessem fotos e anedotas para tabloides.
Jeong-in soltou uma risadinha e fechou os documentos.
— Vou levar e ler tudo. Não posso deixar que haja nenhuma cláusula abusiva aí.
— Jura?
As sobrancelhas de Dominic subiram microscopicamente. Sua expressão estava estranhamente desprevenida, como se não esperasse que Jeong-in respondesse daquela maneira de jeito nenhum.
Jeong-in deu de ombros.
— Sim. Eu parecia assim tão ambicioso para você? Como se fosse deixar o Chase sem nada sem isso aqui?
— Se você não tem nada a esconder, não há razão para não assinar.
Jeong-in levantou-se sem acrescentar mais palavras. Ainda sem dar uma resposta definitiva de que assinaria.
Quando Dominic estalou os dedos levemente, o guarda-costas apareceu silenciosamente como um ator que estivesse esperando nos bastidores por sua vez.
— O convidado está de saída.
Respondendo com um leve aceno de cabeça, o homem trouxe Justin.
— Acompanhe-os com cortesia.
Assim que as palavras de Dominic foram ditas, o homem curvou-se mais uma vez em respeito.
Justin revirou os olhos, examinando a expressão de Jeong-in. Seus olhos transbordavam preocupação. Mas, ao perceber que a fisionomia de Jeong-in não estava tão ruim, ele soltou um suspiro contido de alívio e relaxou os ombros.
— Vou indo, então.
— Entre em contato depois de revisar.
— Sim.
Dominic ergueu cautelosamente os dois braços e Jeong-in, que estava hesitando, deu um passo à frente.
Os dois compartilharam o abraço mais estranho do mundo, como parentes que se encontram pela primeira vez. O toque de Dominic, dando tapinhas nas costas de Jeong-in algumas vezes, foi totalmente desajeitado.
Enquanto entravam no corredor, a pesada porta à prova de som se fechou lentamente com um ruído surdo. O chão era coberto por um tapete espesso, então os passos de quem seguia para o elevador mal eram audíveis.
Sem tirar os olhos das costas largas do homem que caminhava à frente, Justin se inclinou para Jeong-in.
— Aquele uísque era incrível. Foi o líquido mais sofisticado que já provei. Eu deveria ter perguntado o nome?
Justin, que estava estalando os lábios em admiração, logo assumiu uma expressão amarga.
— Provavelmente é um preço que eu não posso pagar de qualquer maneira, certo?
Jeong-in respondeu com indiferença, sem sequer virar a cabeça.
— Isso é inevitável. A casa principal dos Prescott tem sommeliers separados para vinho e uísque.
— Uau… o Pres realmente é de outro mundo.
Justin raramente sentia tal disparidade com Chase. O Chase que ele conhecia era alguém com os pés no chão, que gostava de cachorros-quentes e tacos vendidos na rua e bebia bem cerveja barata.
Mas, naquela noite, Justin sentiu que teve um vislumbre de um lado do mundo glamoroso ao qual Chase pertencia.
Ao descerem para o primeiro andar, os dois embarcaram no sedã que os trouxera. O carro começou a se mover suavemente, como se deslizasse, e só então Justin notou os documentos que Jeong-in havia colocado no colo.
— O que é isso?
Jeong-in respondeu como se não fosse nada, sem virar a cabeça.
— Um acordo antenupcial.
— O quê?
Assustado, Justin reagiu quase gritando. Atordoado consigo mesmo, ele cobriu apressadamente a boca com a mão.
— Você está bem? Não está chateado?
A própria expressão “acordo antenupcial” carregava uma nuance fria. Poderia ser interpretada como um insulto e era, certamente, uma proposta que poderia ferir. No entanto, o rosto de Jeong-in estava imperturbável.
— Para começar, eu não estou com o Chase por dinheiro. E, no momento, eu ganho muito mais de qualquer maneira, sabe?
Aquilo não era um exagero. As empresas farmacêuticas americanas eram famosas pelos altos salários, e Jeong-in era um pesquisador de terceiro ano na Verixxa, uma das principais empresas farmacêuticas de médio porte da América. Enquanto isso, Chase ainda era apenas um residente do primeiro ano. Embora lidasse com turnos noturnos e plantões de fim de semana, seu salário era irrisório comparado ao de Jeong-in.
— Isso é verdade, mas…
— Aqui, olhe bem no final do Artigo 2.
Jeong-in deslizou os documentos em seu colo para Justin. Justin hesitou por um momento e depois desdobrou cuidadosamente os papéis.
Após virar algumas páginas, a seção que Jeong-in mencionou entrou em vista. Ali, separado da pensão alimentícia, o valor que Jeong-in receberia proporcionalmente aos meses que o casamento durasse estava precisamente especificado.
— …Meu Deus.
Como se soubesse que aquela reação viria, Jeong-in soltou uma risadinha.
No entanto, Justin, como se algo o incomodasse, ainda exibia uma expressão onde a preocupação não havia se dissipado completamente.
— Ainda assim… você não vai assinar isso pelas costas do Chase, vai?
— Ambas as assinaturas são necessárias de qualquer forma. Eu deveria ir falar com ele sobre isso hoje.
Lembrando-se de algo, Justin de repente deu uma risadinha.
— Por que você está rindo?
— Você ainda não conhece o Pres? Como se ele fosse assinar isso de boa vontade.
Justin sabia também. O quão incondicionalmente Chase amava Jeong-in. Chase nunca permitiria que coisas calculistas ou condicionais, como interesses, interferissem em seu casamento, para início de conversa.
Jeong-in soltou uma risada que parecia um suspiro e assentiu.
— …É verdade.
— Mas você… parece que você quer assinar?
Como esperado, Justin conhecia bem Jeong-in. Em vez de responder, Jeong-in olhou silenciosamente pela janela. Claramente, um canto de seu coração estava lentamente se inclinando a assinar o documento.
Ele talvez quisesse provar às pessoas que esse amor era incondicional e não era influenciado por dinheiro ou nome.
Mas não era apenas isso.
Aquele documento simbolizava o mundo de Chase. Jeong-in queria mostrar sua vontade de se manter confiante sobre os próprios pés, sem ser intimidado, mesmo dentro daquele mundo. Nesse sentido, assinar o documento poderia ser uma expressão de confiança, e não de submissão.
Carregando pensamentos complicados, Jeong-in despediu-se de Justin e voltou para casa.
Parado em frente à entrada, seus dedos tateando na bolsa encontraram uma chave familiar. Na Coreia, as fechaduras eletrônicas já haviam se tornado comuns antes mesmo de Jeong-in emigrar, mas aqui, quanto mais antigo o prédio, mais se insistia em chaves.
O motivo era incerto, mas as pessoas não pareciam ter nenhuma intenção particular de mudar isso. Não faz muito tempo, alguém na reunião de moradores sugeriu instalar fechaduras eletrônicas em todas as unidades, mas a ideia foi descartada antes mesmo de ser registrada em ata. O motivo era que seria “feio demais”.
Click — girando a chave e abrindo a porta da frente, a sala de estar estava bem iluminada.
— Chay?
Ao ouvir a voz de Jeong-in, Chase colocou a cabeça para fora do quarto de hóspedes. Tendo começado sua residência, ele passou a comprar equipamentos um por um, alegando que lhe faltava tempo para se exercitar, e os colocou em um quarto de hóspedes, que agora se tornara uma pequena academia em casa.
— Você voltou?
Chase aproximou-se em um passo largo e puxou Jeong-in para seus braços. Jeong-in trocou para os chinelos de casa enquanto Chase se agarrava às suas costas, como se tentasse ganhar um “cavalinho”.
— Você estava malhando?
— Eu ia começar. Você bebeu uísque?
Chase aproximou o nariz logo abaixo do nariz de Jeong-in.
— Seu olfato está quase no nível de um bloodhound.
— Hmm, você não disse que ia encontrar o Justin no pub hoje?
— Eu disse.
Chase inclinou a cabeça levemente com curiosidade. Geralmente, Jeong-in não tinha um gosto particular por uísque. Ele preferia vinho ou cerveja, e sempre bebia cerveja quando ia ao pub.
— Mas por que uísque?
Diante da pergunta de Chase, Jeong-in hesitou brevemente. Mas ele já sabia bem, por múltiplas experiências, que esse tipo de história não melhorava ao ser guardada por muito tempo.
— Encontrei seu pai hoje.
— O quê?
Os olhos de Chase mudaram imediatamente. Ele examinou Jeong-in com um olhar cauteloso. Estava verificando se havia algum sinal de desagrado. Em seu olhar, havia preocupação misturada a uma profunda desconfiança em relação ao pai.
Jeong-in falou em um tom deliberadamente mais casual para tranquilizá-lo.
— Ele disse que estava na área a trabalho. Sabe, né? Harbor Hotel. O Justin e eu fomos juntos e tomamos um copo de uísque cada.
Chase franziu a testa e falou como se estivesse descontente.
— Você não é próximo o suficiente para trocar bebidas com aquele homem.
— “Aquele homem”… ele é seu pai.
Quando Jeong-in disse isso, Chase não conseguiu argumentar mais e fechou a boca com força. Então, ele lançou um olhar para os documentos que Jeong-in estava segurando.
— O que é isso?
— Ah. Você precisa olhar isso também.
Chase pegou os documentos com um rosto confuso e virou a capa de couro. Imediatamente, o título “Acordo Antenupcial” saltou aos seus olhos.
Sua mão parou e sua expressão endureceu instantaneamente. Como se não houvesse mais nada para ver, Chase virou os documentos de lado e os agarrou com as duas mãos. Ele parecia pronto para rasgá-los.
Os olhos de Jeong-in se arregalaram. Chase era um cirurgião que havia apostado sua vida na sutura de vasos sanguíneos microscópicos. Se suas mãos preciosas fossem cortadas por papel assim, seria um desastre.
Sentindo-se tonto só de imaginar, Jeong-in reflexivamente estendeu a mão para impedir Chase.
— Chay, o que você está fazendo?
No entanto, Chase não respondeu às palavras de Jeong-in. Em vez disso, ele apenas aplicou força, fazendo com que as pontas de seus dedos, agarrando os documentos, emitissem estalos.
Por mais forte que ele fosse, a capa do documento era de couro resistente. Ela apenas se enrugou e amassou, sendo impossível de rasgar com a força humana.
Jeong-in exalou profundamente e estendeu a mão.
— Dá aqui.
Como esperado, Chase não recuou. Ele segurou os dois lados dos documentos e mordeu a parte do meio com firmeza. Estava tentando rasgar com os dentes.
Jeong-in ficou literalmente sem palavras. Era como observar um filhote carente de afeto destruindo os sapatos do dono como se fosse uma vingança.
O riso subiu até sua garganta, mas Jeong-in o conteve e falou com uma voz firme.
— Chase Alexander Prescott.
Dito e feito: Chase parou o que estava fazendo e olhou para Jeong-in. Ainda com os documentos na boca.
— Solte isso.
Jeong-in disse, levantando o dedo como se desse uma ordem a um cão. Chase hesitou brevemente e depois cuspiu o papel. Os documentos caíram no chão com um som surdo.
— Bom garoto.
Jeong-in elogiou deliberadamente com uma entonação exagerada e então deu outra instrução.
— Agora pegue e traga aqui.
Chase recolheu os documentos como um cão obediente e os entregou a Jeong-in. Jeong-in pegou os papéis e pressionou com a mão a capa de couro, que exibia marcas de dentes claras, tentando alisá-la enquanto falava em tom suave.
— Você não precisa fazer tanto alvoroço. Não é nada especial. Hoje em dia, até casais comuns usam muito isso.
— Nós não somos um casal comum.
Chase negou firmemente as palavras de Jeong-in.
Sentindo que persuadi-lo não seria fácil, Jeong-in sentou-se no banco em frente à mesa em ilha. Ele colocou os documentos sobre a mesa e girou a cadeira; Chase imediatamente se posicionou à sua frente, como se estivesse esperando por isso.
Mantendo a esperança de que houvesse algum espaço para convencê-lo, Jeong-in falou:
— Eu dei uma olhada rápida e não é tão ruim quanto eu pensava.
— Impor condições ao casamento e fazer contas com uma calculadora não é tão ruim quanto você pensava?
Instantaneamente, o olhar de Chase tornou-se sombrio e frio. Rugas profundas se formaram entre suas sobrancelhas bonitas e os músculos de sua mandíbula se enrijeceram levemente. Era o rosto de quem reprimia com força uma raiva crescente.
— Chay.
Jeong-in chamou Chase claramente em um tom apaziguador. Então continuou com cuidado:
— Eu não quero que haja ruídos ou olhares suspeitos sobre o nosso casamento.
Mas Chase evitou seu olhar, virando o rosto. Em vez disso, ele olhou para o acordo antenupcial amassado com olhos afiados, como se o documento o tivesse insultado.
Jeong-in ergueu as duas mãos para envolver as bochechas dele e forçar o contato visual.
— Eu não quero ninguém dizendo que estou casando com você por dinheiro. Estou casando puramente pela sua aparência. Totalmente por causa do seu rosto lindo e do seu abdômen.
Acariciando suavemente com o polegar as sobrancelhas, que eram de um tom um pouco mais escuro que o seu cabelo dourado, Jeong-in falou de brincadeira. A intenção era fazê-lo sorrir, mas os lábios de Chase nem sequer se moveram.
— Para ser honesto, Chay. Eu quero assinar. Acho que é uma forma de nos proteger dos julgamentos precipitados dos outros.
Embora Jeong-in falasse com calma, a expressão de Chase era muito mais sombria do que o esperado. Ele não esperava que ele aceitasse prontamente desde o início, mas isso era diferente. Algo como uma leve ferida transparecia em seus olhos.
— Jeong-in, você… acha que poderia se divorciar de mim?
— Chay! Como você pode dizer uma coisa dessas…
— Um acordo antenupcial é, em última análise, escrito com o divórcio como premissa. Você pode dizer que não é?
Jeong-in abriu os lábios para refutar, mas acabou não encontrando as palavras adequadas.
— Para um término limpo. Não é?
— …
— Sinto muito, mas não posso fazer isso. Eu absolutamente não vou assinar.
Para Chase, aquele documento parecia algo que tentava cercar o amor deles com linguagem contratual. Não havia interesse em como o amor começou; apenas os procedimentos para quando ele terminasse estavam claramente definidos.
— Mesmo que você queira terminar, eu não vou te deixar ir facilmente. Vou contratar advogados da maior e mais cara firma do mundo, e ficaremos legalmente emaranhados de forma tão viciosa que lutaremos por 20 anos. Então, esteja preparado.
Jeong-in olhou para Chase com olhos um pouco tristes e um pouco arrependidos. Ele parecia tê-lo magoado contra suas intenções.
— Até que você esteja exausto da batalha legal e volte para mim, eu vou segurar você persistentemente, Jeong-in.
Aquilo soou menos como um aviso e mais como uma espécie de confissão de amor — os medos e a obsessão profundamente guardados de Chase que ele não conseguia mais esconder estavam transbordando.
Jeong-in estendeu o braço em silêncio e envolveu o pescoço de Chase. Seus corpos se aproximaram e, através dos peitos pressionados, podia-se sentir uma batida pesada de coração.
— Sinto muito.
— …
— Eu não vou assinar.
— …Sério?
— Como você disse… vamos até onde pudermos ir. Vamos ficar viciosamente emaranhados.
Com essas palavras, a expressão de Chase relaxou gradualmente. A guarda que ele havia erguido brevemente se derreteu, e todas as defesas que o comprimiam desmoronaram.
Os olhos transparentemente inocentes, únicos de alguém apaixonado. Aqueles olhos azuis límpidos eram infinitamente adoráveis.
Jeong-in, sentado apenas com as nádegas no banco do bar, esticou-se e acariciou lentamente o rosto de Chase.
— Vem cá, vou te dar um beijo.
Diante dessas palavras, Chase obedeceu, curvando a cintura e baixando o olhar. Chase Prescott, que as pessoas ao seu redor frequentemente avaliavam como proativo e assertivo em todas as coisas, era extremamente submisso diante da pessoa que amava.
— Bom trabalho. Bom garoto.
Jeong-in sorriu suavemente e acariciou gentilmente abaixo do queixo dele. Embora suas ações e tom contivessem nuances de quem elogia um cachorrinho, Chase não se importou nem um pouco.
Jeong-in envolveu o pescoço de Chase com os dois braços e entrelaçou as mãos atrás dele. Mesmo sem aplicar muita força, o rosto de Chase foi facilmente puxado para baixo.
Jeong-in tomou silenciosamente os lábios de Chase e inalou seu fôlego. Quando os lambeu com a ponta da língua, como se acalmasse uma ferida, os lábios de Chase se abriram ligeiramente.
Jeong-in empurrou lentamente a língua para dentro da boca dele. Então, pressionou sua língua contra a de Chase e esfregou suavemente, como se o confortasse.
— Mmm…
Chase soltou um gemido doce.
Como um gato lambendo leite, Jeong-in explorou lentamente a boca de Chase. Sopros úmidos fluíam sobre os lábios um do outro. Enquanto a ponta da língua de Jeong-in raspava o céu da boca dele, o pomo de Adão de Chase oscilou bruscamente.
Embora fosse um beijo lento e gentil, a respiração de Chase tornava-se gradualmente mais ríspida. Empurrado pelo ímpeto de Chase, que instintivamente se pressionava mais para perto, o corpo de Jeong-in inclinou-se ainda mais para trás.
Os dois sentiam a presença um do outro, esquecendo-se até da passagem do tempo. Seus lábios profundamente entrelaçados finalmente se separaram após um longo tempo.
Chase encarou Jeong-in sem reação, com olhos desfocados e desgrenhados. Suas íris eram tão claras que suas pupilas, dilatadas e negras como breu, eram nitidamente visíveis.
Jeong-in limpou suavemente os lábios úmidos dele com o polegar. Quando tentou retirar a mão, Chase a agarrou e a levou à própria bochecha. Então, esfregou o rosto contra a palma de forma afetuosa.
— Ainda estou triste. Não acho que isso seja algo para simplesmente deixar passar.
Jeong-in, percebendo a intenção de Chase, soltou um suspiro fino. De fato, Chase reivindicou seu privilégio exatamente como Jeong-in esperava.
— Me dê um vale.
Recentemente, um tipo de sistema de recompensas se desenvolvera entre eles. Quando um lado claramente magoava o outro e reconhecia isso, a outra parte ganhava um “vale”.
Um vale era simples. Era o direito absoluto, de uso único, de decidir qualquer coisa — escolha do menu, canais de TV, locais de encontros — sem ser contestado.
Era uma espécie de acordo de afeto, uma forma de provar o pedido de desculpas através de ações, em vez de palavras.
— Pelo menos me deixe tomar banho primeiro.
Jeong-in levantou-se do banco do bar com uma expressão levemente resignada.
Até agora, o que Chase queria quando ganhava vales eram, em sua maioria, esse tipo de coisa. Pedir para terminar nos óculos dele, fazer Jeong-in tentar posições ousadas que exigiam coragem considerável, ou deixá-lo continuar o dia todo.
No entanto, como se a expectativa de Jeong-in estivesse errada, Chase levantou o dedo indicador e parou Jeong-in.
— Espere. Eu ainda não disse o que é.
— …Algo diferente?
Jeong-in perguntou com os olhos semicerrados. Sua maneira sugeria que aquilo era inesperado.
Chase assumiu uma expressão pensativa, como se estivesse perdido em pensamentos por um momento, e logo levantou um canto da boca.
— Vou guardar por enquanto. Devo usá-lo em um momento realmente especial.
— Que fofo.
Jeong-in soltou uma risadinha e dirigiu-se ao quarto, retirando a jaqueta leve que usava e pendurando-a no braço. Chase, seguindo-o logo atrás, falou subitamente como se estivesse se lembrando de algo.
— Oh, a Vivian estava perguntando sobre o local do casamento.
— Ela perguntou para você também?
Um suspiro escapou naturalmente. Vivian estava tão ocupada ultimamente quanto um estudante com um prazo de entrega de trabalho se aproximando. Parecia que ela estava cobiçando o papel de planejadora de casamentos também, tendo se absorvido demais em sua função de madrinha.
Se deixassem nas mãos de Vivian, um casamento do século, extravagante e ostentoso, que circularia nas redes sociais de celebridades famosas, poderia acontecer. Isso estava longe do início que Jeong-in sonhava.
— Chay, já que estamos no assunto. Eu gostaria de ter nosso casamento simplesmente na prefeitura. Você e eu somos ocupados, e não há necessidade de desperdiçar tempo e dinheiro. Apenas uma papelada limpa…
— Vale!
Diante das palavras gritadas de repente por Chase, Jeong-in piscou surpreso.
— Você disse que ia guardar, mas já está usando?
— Sim. Eu quero decidir o local do casamento.
De acordo com as regras de uso do vale, objeções eram proibidas. Mas se ele deixasse tudo nas mãos de Chase, as coisas poderiam ficar desnecessariamente grandes.
Embora não tivesse o desejo de ostentação de Vivian, Chase também tinha uma escala extraordinária quando decidia algo. Às vezes, seus gastos eram tão excessivos que faziam Jeong-in perceber que ele realmente era um herdeiro de uma grande fortuna.
— Chay, eu não quero algo chamativo demais…
— Shh, eu usei meu vale.
Jeong-in soltou um suspiro de resignação, então cruzou os braços e olhou para Chase como quem diz: “vamos ouvir”.
— Tudo bem, onde você quer fazer?
— Não pensei em detalhes específicos, mas decidi o momento e o lugar.
Jeong-in arqueou levemente as sobrancelhas em substituição a uma pergunta. Para esse Jeong-in, Chase deu sua resposta sem um momento de hesitação.
— Bellacove na primavera.
Os cílios de Jeong-in tremularam. Aquele era o lugar e a estação onde eles haviam se apaixonado pela primeira vez.
— Isso é… perfeito.
Até Jeong-in não pôde deixar de admitir. Era realmente uma seleção perfeita de tempo e lugar.
Por um momento, ele teve a ilusão de uma brisa marinha morna e salgada roçando sua bochecha. Um som impossível fez cócegas em seus ouvidos. O som das folhas de palmeira sussurrando ao vento. Fechando os olhos lentamente, um pôr do sol dourado se espalhando ao longo da costa se desenrolou diante dele.
Continua…
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Othello&Belladonna