Spin Off 01
❀ 7 Minutes Of Heaven 01
Spin Off 2 – Status: Noivo
O anel, com sua cerâmica preta de acabamento afiado incrustada em uma borda de platina reluzente, combinava perfeitamente com a pulseira que Chase havia dado a Jeong-in. As facetas retangulares, cortadas de forma delicada e elegante, brilhavam distintamente sob a iluminação suave.
Jeong-in estabilizou a respiração e pegou o mais grosso e pesado dos dois anéis que repousavam lado a lado no estojo. Então, ele puxou gentilmente a mão esquerda de Chase em sua direção.
Assim que a borda fria do metal roçou a ponta de seu dedo anelar, o corpo de Chase tremeu levemente. Parecia que o metal havia tocado em algum lugar perto de seu coração, e não na ponta do dedo.
Com a mão livre, Chase cobriu os olhos que ardiam. Lágrimas quentes escorreram mais uma vez sob sua palma.
Naquele momento, a música que estava tocando entrou no refrão com uma melodia familiar. Era um refrão icônico que, se ouvido em um lugar lotado, faria várias pessoas cantarem juntas.
“Sweet Caroline, ba ba ba!”
Enquanto a letra proclamando que nunca houve um momento tão bom ecoava, todos ao redor ergueram as mãos e gritaram o refrão como um grito de guerra.
“So good, so good, so good!”
Em meio ao coro que mais parecia uma torcida, Chase limpou o rosto molhado com a palma da mão e olhou para baixo, para Jeong-in.
Seu amado, ajoelhado adequadamente diante dele como um cavaleiro, encharcado pela chuva, pedindo-o em casamento. Chase, que até poucos instantes atrás estava em desespero achando que Jeong-in o havia rejeitado, estava sem fôlego com uma sensação indescritível de alívio.
Suas pernas perderam a força e ele desabou, afundando-se no chão. O nível de seus olhos igualou-se ao de Jeong-in.
Aqueles olhos negros como azeviche, olhando diretamente para ele, gravaram-se no peito de Chase como se tivessem sido marcados a ferro. Uma certeza vívida, como a profecia ou revelação de um profeta, percorreu seu corpo como um calafrio de excitação.
Ele teve a premonição de que passaria a vida inteira olhando para esses olhos. Quando estivesse feliz, quando estivesse triste, quando sentisse dor e até no momento de seu último suspiro, ao envelhecer; era uma certeza estranhamente lúcida de que estaria contemplando esses olhos.
Ajoelhado face a face com Jeong-in, Chase não conseguiu mais se conter e o puxou para seus braços. Suas mãos grandes, que envolviam as costas de Jeong-in, ainda tremiam levemente. Da ponta daqueles dedos, podia-se sentir a paixão de alguém que havia se reunido milagrosamente com seu amante em um campo de batalha.
Chase não conseguia acreditar nesta realidade. Como se precisasse confirmar com os próprios olhos para se satisfazer, ele se afastou e olhou para o rosto de Jeong-in. Então, com uma expressão sobrecarregada de emoção, puxou-o para perto novamente e depois se separou para checar seu rosto, repetindo o ciclo.
Jeong-in, que aceitava silenciosamente sua inconstância, sussurrou com uma voz pequena:
— Idiota, o que você está fazendo? Você tem que colocar o meu também.
— Ah.
Chase, que estava encarando Jeong-in fixamente como se sua alma tivesse metade abandonado o corpo, sobressaltou-se e buscou apressadamente o estojo. Tirando o anel restante, ele segurou cuidadosamente a mão de Jeong-in como se segurasse um tesouro frágil e, lentamente, o deslizou em seu dedo anelar esquerdo.
Jeong-in abriu bem a mão e a ergueu, como se buscasse a luz sobre ela. O único acessório que ele usava era a pulseira que Chase lhe dera, e esta era a primeira vez em sua vida que ele colocava um anel.
Era apenas um pequeno metal, número atômico 79, ocupando apenas um quadrado na tabela periódica. No entanto, o significado que aquela pequena substância carregava era grande e pesado o suficiente para mudar a vida de ambos.
— Jeong-in…
Chase levou sua mão esquerda, agora com o anel, até a orelha de Jeong-in. Ele deslizou lentamente os dedos entre os fios de cabelo molhados, envolvendo gentilmente desde a bochecha, passando pela orelha, até a lateral da cabeça. Então, inclinou-se devagar em direção ao fôlego de Jeong-in.
No momento em que seus lábios finalmente se encontraram, outra onda de vivas e aplausos irrompeu ao redor deles.
Será que ele sempre fora alguém com tantas lágrimas? Lágrimas que fluíam debaixo dos cílios bem fechados de Chase espalharam-se também pela bochecha de Jeong-in. O primeiro beijo deles como um casal de noivos teve gosto de lágrimas. Seria um beijo lembrado por muito tempo.
Conforme seus lábios se separavam, eles viram o rosto um do outro tingido por uma emoção persistente. Eram os rostos de quem acabara de prometer passar a vida inteira juntos.
Jeong-in, que limpou as bochechas molhadas de Chase com ambos os polegares, só então virou a cabeça para olhar ao redor.
A primeira pessoa que notou foi Vivian. Ela estava filmando tudo com o celular, enquanto Madison, ao seu lado, pressionava um lenço contra os olhos marejados. Ele também viu Justin sentado de pernas cruzadas no chão, bem à frente da multidão. Com o notebook no colo, ele exibia uma expressão de quem tentava desesperadamente segurar o choro, enquanto o nariz não parava de fungar.
Ele também avistou os jogadores do time de futebol americano de Wincrest High. Todos deviam ter vindo de avião. Entre eles, Brian Cole era alguém que ele parecia não ver desde a formatura. A memória deles em suas jaquetas do time, nas cores creme e bordô, trocando piadas em um canto do campo, ainda estava vívida na mente de Jeong-in.
Jeong-in levantou-se primeiro para cumprimentar os que haviam chegado. Mas Chase continuava sentado no chão, sem se mexer.
— Chay?
Ao ser chamado com cuidado, Chase ergueu o rosto manchado de lágrimas e olhou para Jeong-in com um sorriso singelo.
— Minhas pernas estão fracas demais, não consigo levantar.
O corpo de Chase era grande e pesado demais para ser manejado sozinho. Jeong-in olhou para a multidão com uma expressão preocupada e fez contato visual com Brian. Brian, que mantinha sua aparência atraente, aproximou-se rapidamente com bom senso.
Chase falou com Brian, que o ajudava a se levantar:
— Quanto tempo.
— Pois é. Não esperava ser recebido com um rosto tão encharcado de lágrimas.
Chase, que soltou uma risadinha, olhou para as pessoas reunidas para parabenizá-los. Seu olhar moveu-se de Brian para Alex e depois para Max, sucessivamente. Max, que percebeu por quem ele estava procurando, falou primeiro:
— O Darius não conseguiu vir.
— Como esperado.
— Ele queria muito. Disse que com certeza viria ao casamento, não importa o quê.
Chase assentiu, um pouco decepcionado, mas aceitando que não havia o que fazer.
Darius agora jogava na NFL, o sonho de todo jogador. Ele fora um offensive tackle que chamara a atenção dos olheiros desde os tempos de faculdade, e sua maior força era o jogo sólido e confiável. Essa atitude, forjada pela paciência e diligência, finalmente rendeu o fruto precioso de ser selecionado no draft da NFL.
Quando Jeong-in viu a notícia contando sua história, ele apenas assentiu com um sentimento de “como esperado”. Mesmo quando jovem, ele era muito aplicado e nunca deixava de fazer a lição de casa que Jeong-in passava — independentemente de acertar os problemas ou não.
A temporada regular da NFL abre na primeira quinta-feira de setembro, então ele devia estar passando pela agenda de “guerra” do início da temporada.
Seguiu-se um momento de perguntas sobre as novidades de cada um.
— Brian, ouvi dizer que você está se preparando para o exame da ordem hoje em dia?
— Sim. Graças aos meus pais, aprendi quanto dinheiro os advogados de divórcio ganham.
Agora no final dos vinte anos, todos estavam encontrando seu próprio lugar.
Max trabalhava na oficina mecânica do pai, e Alex, após encerrar sua carreira como jogador na faculdade e passar por um programa de educação, agora trabalhava como treinador em uma escola secundária nos arredores de Bellacove.
Madison havia se juntado à revista Teen Vogue, que um dia a fizera chorar, como editora de variedades, e Vivian continuava trabalhando ativamente como uma celebridade de sucesso.
— Agora! Já podemos servir as bebidas, certo? — disse Max, olhando de soslaio para Justin. Parecia que Justin estivera controlando rigidamente o álcool durante toda a festa, cumprindo fielmente as ordens de Jeong-in.
Justin foi até a cozinha, vasculhou e puxou champanhe e licores que estavam escondidos no armário debaixo da pia. Max, que o acompanhara, pegou a maior garrafa de champanhe.
Ele tapou a abertura com a mão e sacudiu a garrafa vigorosamente. Então, erguendo a garrafa em direção ao teto, gritou:
— Ao novo casal de noivos!
Com um pop, a rolha estourou e o champanhe jorrou violentamente. A efervescência refrescante e os gritos de alegria surgiram simultaneamente e, a partir daquele momento, a verdadeira festa começou.
— Parabéns pelo noivado!
— Casar com o namorado do colégio… É como um filme.
Os dois, ainda com as roupas encharcadas pela chuva, passaram pelas pessoas que ofereciam felicitações e entraram no quarto. Somente após trocarem as vestes úmidas e ajeitarem grosseiramente o cabelo, puderam retornar com a aparência de anfitriões adequados para uma festa de noivado.
Quando voltaram para a sala, a atmosfera já estava completamente aquecida. Pessoas segurando copos de plástico vermelhos riam, tagarelavam e se misturavam por todos os cantos da casa.
Jeong-in já passara a entender muito bem a cultura de festas americana a essa altura.
Festas faziam pessoas que nada sabiam sobre os nomes, origens ou históricos uns dos outros se aproximarem num instante. Se essa conexão duraria até o dia seguinte, não se podia garantir, mas contanto que houvesse música, álcool e um clima animado, qualquer um poderia se tornar o melhor amigo de alguém, ao menos por aquela noite.
Max sempre teve ambições sobre a seleção musical em festas assim. Ele sempre fora desse jeito. Sempre que uma festa na piscina era realizada na casa de Chase, Max era o primeiro a conectar seu telefone aos alto-falantes via Bluetooth. Isso não mudara, e a trilha sonora desta festa também estava nas mãos dele.
Com músicas de batidas que faziam o corpo se mover automaticamente, as pessoas se reuniam em pequenos grupos pela sala para conversar. Alguns seguravam garrafas de cerveja e balançavam o corpo levemente.
Chase e Jeong-in estavam encostados lado a lado na ilha da cozinha, de onde podiam ver todos num relance.
Ex-alunos de Wincrest, amigos de Harvard, colegas de hospital de Chase e o pessoal da empresa de Jeong-in se misturavam sem distinção. Mesmo rostos que se viam pela primeira vez serviam champanhe uns para os outros e trocavam piadas, fundindo-se ao ambiente sem reservas.
O tópico da conversa era, naturalmente, os dois que haviam ficado noivos hoje. Alguém contava como os conhecera, enquanto outro trazia memórias agradáveis envolvendo os dois e caía na risada.
Chase virou o corpo silenciosamente para ficar de frente para a cozinha. Então, ele colocou gentilmente sua mão sobre a de Jeong-in, que repousava sobre a bancada. Anéis do mesmo design, mas com espessuras diferentes, brilhavam lado a lado em seus dedos.
— Quando, afinal, você planejou tudo isso?
— Não faz muito tempo.
Justo quando ele ia começar a contar como teve a ideia pela primeira vez, uma voz familiar interrompeu subitamente.
— Deixe-me ver.
Vivian, que se aproximara com passos largos junto a Madison, pediu abruptamente. O que ela queria ver era óbvio.
Jeong-in segurou a mão de Chase e a estendeu em direção a Vivian. Recebendo a luz direta da cozinha, um brilho suave se espalhou pelo anel.
— Combina com você.
O olhar de Vivian demorou-se no anel cintilante por um longo tempo.
— Obrigado por ajudar, Vivian.
— Eu achei que seria a primeira a fazer isso.
Em seus olhos, ainda fixos na joia, havia admiração misturada com uma inveja indisfarçável.
— Vou ter que ir para casa e me entupir de sorvete. Se eu ganhar peso, saiba que a culpa é toda sua.
Vivian resmungou e virou a cabeça, misturando-se à multidão. Chase não conseguia tirar os olhos dela se afastando e soltou uma risadinha.
— Ela continua a mesma.
Havia um estranho senso de alívio em suas palavras. Chase não se importava nem um pouco que Vivian permanecesse inalterada mesmo com o passar do tempo.
— Mas Jeong-in, o que foi que você disse para a Vivian agora pouco? “Obrigado por ajudar”?
— Ela me ajudou a encontrar o anel. Eu estava completamente perdido sobre onde sequer comprar um.
— A Vivian realmente gosta de coisas brilhantes.
Então, Madison balançou a cabeça como se eles não soubessem de nada e juntou-se à conversa.
— Vocês acham que é só por esse motivo? Embora ela fale desse jeito, ela é quem veio para cá abrindo mão do primeiro dia da Fashion Week. Vocês sabem o quão importante isso é para a Viv, certo?
Às palavras de Madison, Chase e Jeong-in viraram a cabeça em direção a Vivian quase simultaneamente. Então, olharam um para o outro novamente e compartilharam, em silêncio, uma profunda emoção.
Desta vez, Madison aproximou-se de Jeong-in. Ela segurou as mãos dele com firmeza entre as suas e seus olhos brilharam. Sua atitude era como se a presença de Chase fosse completamente invisível.
— Jay. Se o Chase algum dia te der problemas, não ature isso e venha até mim. Entendeu?
Antes que Jeong-in pudesse responder, Chase estendeu a mão e removeu as mãos de Madison.
— Isso não vai acontecer, ok?
Madison virou-se com uma expressão de arrependimento, mas não esqueceu de brincar. Ela fez o sinal de um telefone com a mão, estendendo o polegar e o dedo mínimo, levou-o ao ouvido e articulou silenciosamente: “Me liga”.
Chase resmungou com uma expressão emburrada.
— Por que a Madison terminou com o Martinez, afinal?
Madison havia namorado brevemente Alex Martinez. Foi logo após a formatura do ensino médio, quando ambos tinham acabado de iniciar suas novas vidas em suas respectivas cidades. Os dois, que se reencontraram em Bellacove durante as férias de verão, sentiram-se atraídos um pelo outro e logo se tornaram um casal.
Na verdade, ambos estavam lutando contra a saudade de casa, incapazes de se adaptarem adequadamente aos seus ambientes desconhecidos. Então, naturalmente, passaram a se apoiar na presença familiar um do outro.
Mas, com o passar do tempo, perceberam que eram melhores como amigos e terminaram discretamente em menos de alguns meses.
— Isso foi há quanto tempo, exatamente? E era um relacionamento à distância de qualquer maneira — disse Jeong-in com um bufo, fazendo os olhos de Chase se estreitarem instantaneamente.
— Você está ficando do lado da Madison em vez do meu agora?
— Com ciúmes? Que infantil.
— Infantil? É isso que você diz ao seu futuro marido?
Jeong-in caiu na risada. Mas, no momento em que se deu conta de que o que Chase disse era verdade, uma emoção estranha e difícil de descrever o invadiu.
— Você tem razão. Futuro marido…
Às palavras de Jeong-in, ditas quase como um murmúrio para si mesmo, Chase sentiu-se comovido novamente. Ele entrelaçou seus dedos aos de Jeong-in, que estava de frente para ele, e ergueu as mãos para que o par de anéis idênticos ficasse claramente visível.
Os dois olharam para suas mãos desacostumadas com olhares cheios de admiração, como se vissem anéis pela primeira vez na vida.
Acariciando suavemente as costas da mão de Jeong-in com o polegar, Chase perguntou:
— Quer sair um pouco?
— A festa é nossa, para onde iríamos?
— Todo mundo vai se divertir sem a gente. Vamos para o terraço. Quero um pouco de ar fresco.
Chase segurou gentilmente o pulso do ainda hesitante Jeong-in e o conduziu ao terraço.
A chuva torrencial agora havia diminuído para quase uma garoa. O ar carregava uma leve mistura de terra molhada e cheiro de água, e as luzes que se espalhavam além do parapeito brilhavam no asfalto úmido.
Eles ficaram lado a lado, contemplando a vista noturna.
— Sabe, acho que meu coração errou uma batida naquela hora.
Às palavras de Chase, Jeong-in sorriu orgulhosamente.
— Então foi um sucesso.
— Sim. Quer o objetivo fosse me causar uma arritmia ou apenas me surpreender, foi um sucesso enorme.
Chase ainda não parecia ter saído completamente do estado de êxtase. Ele baixou a cabeça como se estivesse desabando e pressionou a testa firmemente contra o ombro de Jeong-in. Seu fôlego, saindo como um suspiro, infiltrou-se suavemente entre o colarinho da roupa de Jeong-in.
— Haah… Jeong-in.
— Sim.
— Isso é possivelmente um sonho?
Um sorriso gentil espalhou-se pelos lábios de Jeong-in. Chase esfregou a testa contra o ombro de Jeong-in e continuou falando:
— Se for um sonho, por favor, nunca me acorde.
Chase estava reprisando aquele momento em sua mente com os olhos fechados. A imagem de seu parceiro ideal ajoelhado, estendendo um anel e pedindo-o em casamento.
A cena que ele sempre imaginara era o oposto completo. Aquele que pedia era sempre ele mesmo, e Jeong-in era quem recebia.
Mas Jeong-in nunca vem de direções previsíveis. Ele se aproxima de maneiras mais intensas e vívidas. Sempre fora assim desde que o conhecera no ensino médio.
O êxtase que deixava seu peito pesado dissipou-se gradualmente, e a realidade começou a erguer a cabeça. Chase abriu a boca cuidadosamente.
— E quanto à sua mãe?
— Eu liguei para ela esta tarde e contei.
Chase tocou a nuca desnecessariamente, demonstrando sinais de nervosismo.
— O que ela… disse?
— O que você acha que ela disse?
— …
Ele não conseguia prever precipitadamente. Embora ela o tivesse aceitado como namorado de seu filho, o casamento não era uma questão totalmente diferente? Além disso, ele ouviu dizer que os países asiáticos eram particularmente conservadores quanto a esse tipo de coisa. Com exceção de pouquíssimos países, o casamento entre pessoas do mesmo sexo ainda não era permitido.
— Quando eu disse que ia me casar com você, ela disse apenas uma coisa.
Jeong-in fez uma pausa deliberada por um momento, então transmitiu exatamente o que Suzy havia dito:
— Finalmente.
Como se estivesse profundamente comovido, a umidade brotou nos olhos de Chase novamente. Ele exalou profundamente e puxou a cintura de Jeong-in com força para seus braços.
— Então, agora, em breve me tornarei seu cônjuge e genro da Sra. Choi Su-jeong.
— Sim.
— Estou tão feliz.
Um sorriso transbordando felicidade espalhou-se pelo rosto de Chase.
Não que ele não tivesse tido uma família — e, na verdade, ele tinha pessoas bastante renomadas como parentes —, mas Chase sentia pela primeira vez como se estivesse ganhando uma família de verdade. Era uma sensação como água morna subindo de dentro de seu peito.
Chase, parado atrás de Jeong-in, estendeu os braços para frente e envolveu o corpo de seu amado como um cobertor. Os dois, voltados para a mesma direção, contemplaram silenciosamente o Rio Charles fluindo.
Era confortável mesmo sem muita conversa e, juntos, independentemente do que fizessem, nunca havia um momento de tédio. Parecia que eles realmente poderiam ficar naquele lugar por uma vida inteira apenas observando aquele rio.
Chase sentiu subitamente seu peito inflar. Ele segurou o ombro de Jeong-in, virou-o e encarou-o calmamente. Então, como se estivesse confirmando, pronunciou um a um os novos nomes que Jeong-in havia ganhado.
— A pessoa que será meu marido, noivo, cônjuge, família.
Diante dos títulos desconhecidos e novos, as bochechas de Jeong-in coraram levemente.
Chase segurou o rosto de Jeong-in com as duas mãos, como se fosse algo precioso, e pressionou seus lábios juntos mais uma vez. Desta vez, não foi apenas um selinho como aquele de antes na frente das pessoas, mas um beijo profundo e íntimo, onde ele usou a língua para penetrar profundamente.
A língua de Chase, empurrando entre seus lábios sobrepostos, movia-se lentamente, explorando cada canto da boca de Jeong-in. A carne úmida traçava seus dentes, esfregava-se contra seu paladar e entrelaçava-se com a língua de Jeong-in.
Parecia que flutuavam por um universo próprio. O mundo parecia ter pausado, e apenas o calor do corpo e os batimentos cardíacos um do outro eram vívidos.
Seus lábios se separaram lentamente e seus olhos, desfocados e desordenados, encontraram-se. Uma confissão de amor de pureza mais alta do que nunca seguiu-se.
— Eu te amo.
— Eu te amo mais.
Enquanto se olhavam, esquecendo a passagem do tempo, Jeong-in lembrou-se tardiamente. Chase dissera no restaurante, com uma expressão séria, que havia algo que queria perguntar.
— Certo. Você disse mais cedo que tinha algo para perguntar.
— Ah, isso.
Chase mexeu na nuca e fez uma longa pausa. “O que é?”, Jeong-in perguntou mais uma vez.
— Professor XOXO, quem é esse?
— O quê?
Na verdade, não era bem isso que Chase queria perguntar, mas aquela pergunta saltou de sua boca primeiro. Ele fingira que não, mas parecia que aquilo o estivera incomodando secretamente.
Antes que Jeong-in pudesse perguntar como ele sabia disso, Chase antecipou-se.
— Eu vi o nome na sua tela hoje de manhã quando estava tentando carregar seu telefone. Estamos noivos agora, então não deve haver segredos, certo?
Diante das palavras de Chase, ditas sem pudor como se já estivessem casados, Jeong-in não pôde deixar de rir.
— Estritamente falando, ainda não estamos casados.
— Bem, estaremos logo de qualquer maneira. Enfim, quem é?
Jeong-in suspirou suavemente como se estivesse se rendendo e confessou:
— Professor X é o professor dos X-Men. X-Men é um quadrinho que o Justin gosta. E você sabe o que XOXO significa.
— Ah…
Só então entendendo toda a história, Chase fez uma expressão envergonhada.
— O Justin ajudou muito.
O olhar de Chase voltou-se naturalmente para o lado de dentro da janela de vidro. A atmosfera da festa estava no auge. Um pequeno robô, que se juntara às pessoas que dançavam, girava desajeitadamente acenando os braços.
Justin sentou-se no sofá, sentindo-se vicariamente satisfeito por fazer o robô dançar em seu lugar, e Andrea Sherman sentou-se ao lado dele conversando. Pela maneira como ela alternava o olhar entre o robô e o laptop, parecia estar perguntando sobre os métodos de implementação ou algo do tipo.
— Hum…
Chase tocou o queixo com o dedo indicador enquanto olhava naquela direção.
— Andrea Sherman e Justin. Não é uma combinação ruim, certo? Devíamos dar um empurrãozinho neles.
— Empurrão no quê?
Jeong-in deu uma cotovelada em Chase e caiu na risada.
Ele ainda mantinha contato e continuava amigo de Andrea, que nutriu uma paixão bastante longa por Jeong-in durante os tempos de faculdade.
Ela conseguira um emprego na Norderna, a maior empresa farmacêutica da Costa Leste. Teve namorados algumas vezes, sendo que seu relacionamento mais recente durara dois anos.
Mas Chase era do tipo que se lembrava de pessoas que gostaram de Jeong-in por muito, muito tempo e guardava rancor. Embora Chase pudesse parecer mais descontraído na superfície, se tivesse que escolher quem guardava mágoas por mais tempo entre Jeong-in e Chase, seria Chase. Morando juntos, havia algumas inversões desse tipo entre eles.
— Pensei que fosse algo mais sério. Era isso que você queria perguntar antes?
— …Não.
Chase fez uma pausa para recuperar o fôlego e começou a falar com uma voz séria.
— O Westlane Medical Center entrou em contato comigo. Perguntaram se eu gostaria de ir conhecer o hospital. Mesmo que eu comece a trabalhar lá oficialmente, seria daqui a dois anos, mas eu queria muito ir ver.
Jeong-in, que estivera assentindo silenciosamente enquanto ouvia, perguntou:
— Que tipo de lugar é?
— Fica em San Martin. Para cirurgia cardiotorácica, está entre os 10 melhores hospitais da América. Eles realizam cirurgias robóticas ativamente e têm um bom programa de especialização. Estou particularmente interessado porque a tecnologia robótica e 3D deles é especialmente boa.
— San Martin fica…
— Sim. Cerca de uma hora e meia de carro de Bellacove.
Uma hora e meia de carro nunca foi uma distância longa na América. Na verdade, era bem perto.
— Não tenho intenção de ter um relacionamento à distância e, se eu for, significaria realocar completamente nossa vida juntos. É apenas uma visita ao hospital, mas eu estava preocupado que você pudesse se sentir sobrecarregado.
Jeong-in pensou que conseguia entender por que Chase hesitara em tocar no assunto. Ele refletiu por um momento sobre sua própria vida profissional.
— Eu definitivamente me adaptei à minha empresa atual.
Chase rapidamente balançou as mãos para chamar a atenção de Jeong-in.
— Esqueça isso. Isso se tornou uma questão secundária agora, vamos pensar nisso depois. O que é importante para nós agora é como faremos o casamento. Precisamos ter uma festa de noivado também, certo?
— Eu pensei que o que estamos fazendo agora fosse a festa de noivado?
Às palavras de Jeong-in, Chase soltou um suspiro incrédulo.
— Jeong-in. Agora mesmo as pessoas estão segurando copos de plástico vermelhos baratos. O que você pensa quando vê isso?
— Penso que o meio ambiente está sendo poluído. O material usado nesses copos é o poliestireno, que os microrganismos não conseguem decompor facilmente. Mesmo que ocorra fotodegradação no solo, ele apenas se quebra em pedaços de microplástico; a decomposição completa leva 450 anos.
Chase ficou momentaneamente sem palavras olhando para seu noivo nerd. Então ele balançou a cabeça e disse:
— Sim. A poluição ambiental também é um grande problema. Mas o que eu estava tentando dizer é que uma festa com esses copos não é uma festa séria. O que nós somos, animais? Pessoas da Idade da Pedra vivendo em cavernas? Uma festa de noivado de verdade é onde você usa traje formal em um salão de banquetes glamoroso e ergue taças de cristal de champanhe para um brinde.
Chase reuniu a mão de Jeong-in entre as suas.
— Já que você tirou de mim tanto o pedido quanto o anel… deixe-me fazer o resto.
Chase continuou com uma expressão como se fizesse um pedido fervoroso.
— Quero te dar apenas o melhor. Assim como você faz por mim.
— Como eu faço por você?
— Sim. Você me deu a si mesmo.
Morando com alguém que o eleva como se fosse um deus assim, sua autoestima não tinha como não aumentar.
Quando Jeong-in assentiu como se concedesse permissão, Chase beijou brevemente as costas da mão que segurava, como se estivesse honrado. Um suspiro de alívio escapou entre os dentes de Chase, agora com uma expressão muito mais satisfeita.
— Haah… Agora não posso comprar nem um móvel como eu bem entender, não posso pintar as paredes da cor que eu quiser e tenho que tomar cada pequena decisão com você.
— Sim.
— Quando eu sair até tarde com amigos, terei que ter sua permissão, certo? Estaremos legalmente vinculados, então não posso nem sonhar em ver outras pessoas?
— Bem, não é isso que todos os homens casados fazem?
— Estou tão animado. Era isso que eu queria.
Parecia que uma cauda invisível balançava vigorosamente atrás das costas de Chase. Ele parecia tão adorável naquele momento que Jeong-in bagunçou o macio cabelo loiro de Chase com carinho.
Exatamente nesse instante, com um barulho repentino, a porta se abriu de par em par e as pessoas invadiram a varanda.
A primeira a marchar para frente foi Vivian. Max e Alex a seguiam, e Justin, Madison e Brian apareceram um por um em fila.
Era óbvio até pela intuição: lá dentro, as opiniões haviam divergido e eles estavam tendo um debate acalorado, sendo incapazes de chegar a uma conclusão e vindo deixar o julgamento para os dois.
Com uma voz agitada, Max gritou:
— Pres! Você precisa dizer alguma coisa!
Chase piscou com um olhar confuso e perguntou de volta:
— Sobre o quê?
— O padrinho!
Normalmente, no casamento de um casal heterossexual, há cerca de três a cinco acompanhantes de cada lado.
E os representantes desses acompanantes são o Best Man (Padrinho) do lado do noivo e a Maid of Honor (Madrinha de Honra) do lado da noiva.
Em particular, o Best Man é uma posição confiada ao amigo mais próximo e confidente mais leal do noivo.
O padrinho ajuda com as tarefas necessárias durante os preparativos do casamento e faz muitas coisas no grande dia. Ele guarda os anéis, lida com situações inesperadas e faz o brinde na recepção. Ele desempenha os papéis de braço direito do noivo, secretário e até de socorrista de emergência.
Não era apenas parte de uma cerimônia, mas uma posição com grande significado como um amigo, um irmão, que escreveu uma página da vida junto com o noivo.
— Estávamos conversando sobre quem seria, e a Sinclair continua colocando o nome dela entre os candidatos!
Enquanto Max reclamava como se estivesse sendo injustiçado, Vivian o empurrou bruscamente para o lado e deu um passo à frente.
— Vocês não são um casal comum. Não vão fazer a escolha entediante de ter ambos os padrinhos sendo homens, certo? Com certeza não!
Chase virou a cabeça em direção a Jeong-in, que estava ao seu lado.
— Jeong-in, você já pensou sobre isso?
— Sobre isso não, mas eu obviamente… pediria ao Justin.
Antes mesmo de terminar de falar, a voz de Justin gritando “Sim!” foi ouvida no meio da multidão.
Chase perguntou a Max com uma expressão preocupada:
— Eu sei que temos que decidir, mas há necessidade de pressa assim…
— Há sim!
— Com certeza há!
Vivian e Max responderam simultaneamente. Enquanto Chase olhava de um para o outro com uma expressão estupefata, sem palavras, Alex, que observava a situação em silêncio, deu um passo à frente.
— Pres, isso é algo em que você precisa pensar seriamente. Honestamente, eu tive algum crédito para vocês dois ficarem juntos em primeiro lugar, não tive?
Inesperadamente, ele também parecia estar de olho na posição de padrinho. E o argumento que ele apresentou certamente tinha mérito.
Alex fora a primeira pessoa com quem Chase se abrira sobre seu relacionamento com Jeong-in. Mesmo quando Chase caiu em desânimo após ser rejeitado por Jeong-in lá no início, Alex chamou Jeong-in separadamente e o trouxe até Chase.
Max balançou a mão com desdém, como se fosse um absurdo, e refutou:
— Não! Vocês dois eram uma conexão e um destino que teria funcionado mesmo sem os outros! O que importa é que, não importa o que aconteça, o fato permanece: entre todas essas pessoas, eu sou quem te conhece há mais tempo. Certo?
Max, natural de Bellacove, frequentara a mesma escola que Chase desde o jardim de infância. Às suas palavras, Vivian se eriçou e interrompeu.
— Rá! Se formos por esse lado, eu tinha encontros para brincar com ele enquanto usava fraldas e bebia fórmula, sabia?
Observando a discussão infantil dos amigos, metade de brincadeira e metade séria, até Jeong-in, parado ao lado dele, achou difícil conter o riso.
Ver os amigos se exaltarem com autopromoção para reivindicar o posto de padrinho era uma experiência bastante agradável. Significava que o casamento deles estava sendo celebrado por todos naquela medida.
Como eram o primeiro casal noivo entre os ex-alunos próximos de Wincrest, havia, é claro, o motivo de estarem animados por isso também.
Chase olhou silenciosamente para as pessoas ao seu redor. Não era grande coisa, mas Vivian estava com as mãos entrelaçadas à frente do peito, como se estivesse rezando. Enquanto isso, Max, como se estivesse confiante de que seria ele, estava de braços cruzados com uma expressão relaxada.
Chase, que estivera em silêncio por um momento, abriu a boca.
— Vivian.
Os olhos de Vivian se arregalaram como se tivesse sido anunciada como a vencedora de uma grande competição. Na verdade, parecia que ela própria não tinha mantido muita esperança.
Isso fazia sentido. Chase uma vez declarou que estava cortando laços com ela e, embora tivessem voltado a ser amigos, não era a mesma relação de antes.
— Isso não faz sentido. Não importa o quê, considerando o histórico de vocês juntos, isso não é um pouco demais?
Aqueles de Wincrest entenderam imediatamente o que as palavras de Max significavam. Era a norma implícita que, embora continuar amigo de uma ex-namorada fosse uma coisa, tê-la como madrinha de honra no casamento era ir longe demais.
Então, o que Vivian disse dissipou as preocupações.
— Nós nunca namoramos. Só deixamos vocês, idiotas, pensarem isso.
Os olhos de todos se arregalaram simultaneamente.
Nem Chase nem Jeong-in jamais tinham contado esse fato especificamente para outras pessoas. Em parte porque era um assunto privado entre os dois, mas também porque envolvia Vivian como uma terceira parte. Eles acharam melhor não dizer coisas que não precisavam ser ditas.
— O quê? De jeito nenhum! Pres!
Max buscou uma resposta de Chase, mas Chase balançou a cabeça silenciosamente, indicando que, como Vivian disse, eles nunca haviam namorado. Max imediatamente virou a cabeça em direção aos amigos.
— Martinez! Cole! Vocês sabiam disso?
— Bem, eu não sentia esse tipo de tensão vindo deles.
— Eu suspeitava.
Então Justin deu um tapinha reconfortante no ombro do perplexo Max.
— Está tudo bem, Schneider. Eu também não fazia ideia no começo.
— Certo? Eu não sou lerdo, sou?
Enquanto isso, o rosto da animada Vivian ficou vermelho. Ela continuou a despejar palavras como uma metralhadora, mantendo seu ímpeto.
— Não se sintam tão injustiçados. O quanto vocês, caras lerdos, poderiam ajudar com os preparativos do casamento, afinal? Local do casamento, flores, design dos convites, banda e DJ, smokings, arranjo dos assentos dos convidados, bolo e comida. Vocês acham que conseguem ajudar adequadamente com essas coisas? Se houver alguém com um gosto tão refinado quanto o meu, dê um passo à frente.
Ouvindo aquilo, havia mais para fazer do que o esperado, e a oponente era Vivian Sinclair. Naturalmente, ninguém levantou a mão com confiança ou deu um passo à frente.
No entanto, Max ainda parecia ter arrependimentos persistentes e protestou timidamente.
— E quanto a você, então? O que vai fazer sobre a despedida de solteiro?
— Eu simplesmente farei, qual é o problema!
Como um vento arrebatador, Vivian caminhou rapidamente até Chase e Jeong-in e pegou uma mão de cada um deles.
— Será uma escolha da qual vocês não vão se arrepender. Apenas confiem em mim!
Os olhos dela brilhavam de forma incomumente intensa. Havia até um toque de loucura, mas Jeong-in riu daquilo, pensando que devia ser sua imaginação.
Mas ele deveria ter percebido ali. Que aquela escolha seria o começo de um desastre doce.
***
No quarto pacífico onde apenas a respiração das duas pessoas se espalhava silenciosamente, o telefone tocou. Jeong-in se mexeu sob as cobertas.
— Mmm… Chay…
— Mm…
— É o seu telefone…
Como se não quisesse se levantar, Chase se enterrou mais profundamente nos braços de Jeong-in.
— Chay…
— Mmm… Não… Se eu não atender, eles vão desistir.
O telefone, que parecia prestes a parar, finalmente cessou.
— Viu. Eles desistiram. Vamos dormir mais.
Jeong-in envolveu com os dois braços Chase, que se enfiava em seu abraço não muito grande. Hoje, ele planejava realmente aproveitar para dormir até tarde, ficando na cama até que não conseguissem mais dormir de jeito nenhum.
Depois que a festa de aniversário de Chase ontem, combinada com as celebrações do noivado, terminou, os dois fizeram amor por um longo tempo enquanto usavam seus anéis.
Chase, deitado sobre Jeong-in, movia seu corpo enquanto entrelaçava firmemente e pressionava a mão de Jeong-in colocada sobre o lençol. Os dois sentiam a presença dos anéis desconhecidos tocando seus dedos e refletiam sobre o peso de sua promessa.
Eles fizeram amor até a exaustão e mal conseguiram pegar no sono perto do amanhecer, então o telefone tocando logo cedo era literalmente um convidado indesejado.
— Vamos dormir mais.
Chase murmurou novamente, enterrando o rosto no pescoço de Jeong-in. No entanto, quem quer que fosse parecia ter uma persistência considerável, pois o telefone começou a tocar de novo.
— Haah…
Chase soltou um suspiro irritado e sentou-se relutantemente. Ele estendeu a mão para o criado-mudo ao seu lado e pegou o telefone, franzindo o cenho ao olhar para a tela. Logo, sua voz cheia de sono atendeu.
— Ainda nem são 9 horas. É bom que isso seja importante.
Com sua voz sutilmente transbordando irritação direcionada a quem quer que tivesse ligado, um pequeno sorriso se formou nos cantos dos lábios de Jeong-in, que estava de olhos fechados.
Quem quer que fosse, uma voz feminina clara vazou do outro lado da linha.
— Espera um pouco. Vou passar para ele.
Com essas palavras de Chase, os olhos de Jeong-in se abriram de repente. Ele perguntou com o olhar quem era, mas Chase apenas entregou o telefone com uma expressão de saco cheio.
— Quem é?
— Não sei, atende aí para mim.
Jeong-in pegou o telefone sem entender o porquê, e Chase enterrou o rosto no travesseiro e deitou-se de bruços novamente.
— Alô?
— Sou eu. Onde vocês estão pensando em fazer o casamento? Boston? Nova York? Ou Bellacove?
Uma pergunta foi lançada a ele imediatamente após atender. Jeong-in esfregou os olhos com o rosto ainda não totalmente desperto. A dona da voz familiar estava extremamente animada.
— …Vivian?
— Ouvi dizer que lugares famosos, se você reservar agora, só estão disponíveis daqui a três anos. Alguém que eu conheço disse que até para o filho do prefeito de Nova York pediram para esperar um ano quando ele tentou reservar o Plaza Hotel. Meu primo fez o casamento dele em uma mansão à beira do Rio Hudson…
Deixando as palavras de metralhadora de Vivian entrarem por um ouvido e saírem pelo outro, Jeong-in jogou as cobertas de lado e se sentou.
Por algum motivo, Vivian estava em modo de batalha desde a manhã. O que ela estava tentando dizer era que eles deveriam decidir o local do casamento antes da data. Como locais de casamento bonitos eram reservados com pelo menos seis meses de antecedência de qualquer maneira, eles deveriam primeiro decidir o local e depois encaixar o casamento em um horário disponível.
Ela parecia já ter pensado sobre os locais para o casamento.
— Eu estive pensando seriamente nisso. Você viu o filme Love in City? O protagonista tenta se casar na Biblioteca Pública de Nova York. Não é o lugar perfeito para um nerd como você se casar? Mas até lá, os fins de semana estão lotados por três anos, então acho que se vocês forem fazer na Costa Leste…
— Calma, calma, Vivian.
Jeong-in afastou brevemente o telefone do ouvido e exalou como se estivesse recuperando o fôlego. Então ele falou calmamente para colocar um freio no ímpeto de Vivian.
— Eu nunca pensei em um casamento tão grandioso. Na verdade, mesmo que não seja um local incrível, está bom. Bem, até algum lugar como uma floresta ou um prado seria legal…
— O quê? Floresta? Prado? Vocês são um casal de esquilos? Vão trocar nozes como anéis com uma raposa celebrando o casamento?
Vivian bufou como se estivesse perplexa.
— Não pense apenas em você, pense no seu marido. O nome do seu marido é Prescott. Prescott! Deve ser um casamento condizente com esse prestígio. Este casamento também serve para mostrar a sua posição ao lado dele!
Embora um pouco exagerado, não estava errado. O casamento era uma questão entre duas pessoas e, olhando de forma mais ampla, uma união entre famílias; ele não deveria pensar apenas em si mesmo. Não podia ignorar o peso que o nome Prescott carregava e o simbolismo que as pessoas esperavam.
— Tudo bem. Vou pensar sobre isso.
— Ah, e isso é só uma curiosidade minha, mas o que vocês estão pensando em fazer em relação aos nomes?
— Nomes? Como assim, o que tem os nomes?
— Sobrenomes. Ou vocês mudam ou combinam, sabe. Claro, muita gente mantém como está.
— Ah…
— O que você vai fazer?
Era um problema no qual ele nunca tinha pensado seriamente. Jeong-in virou a cabeça para olhar para Chase, deitado ao seu lado. Chase, que estava de bruços com o rosto enterrado no travesseiro, ergueu a cabeça como se tivesse ouvido o que estava sendo discutido.
Ele segurou silenciosamente uma das mãos de Jeong-in. Então, fitando intensamente o rosto de Jeong-in, falou em uma voz baixa e suave.
— Lim-Prescott.
Arrepios subiram pela nuca de Jeong-in. Uma emoção semelhante a um calafrio deslizou da parte de trás de sua cabeça ao longo da espinha. Ele não conseguia sequer ouvir a voz de Vivian.
Jeong-in encarou Chase sem reação. Como se o estivesse convencendo a aceitar, Chase assentiu lentamente.
Enquanto isso, além do receptor, a voz de Vivian continuava a fluir.
— Existem até casos em que criam um terceiro nome completamente novo, sabia? Um casal que eu conheço se conheceu em Paris e ambos mudaram o sobrenome para Paris. Ei! Nerd! Está ouvindo? Jay Lim! Estou perguntando se está ouvindo!
Como se estivesse possuído, Jeong-in moveu os lábios e murmurou. O novo sobrenome que agora sempre seguiria o seu nome.
— Lim-Prescott…
— …
Por um momento, o outro lado da linha ficou silencioso como um rato.
— …É bonito, esse nome.
Como se estivesse engasgada, a voz de Vivian tremeu levemente. Ela pronunciou o nome dos dois como se falasse consigo mesma.
— Chase Lim-Prescott, Jay Lim-Prescott… Olha só, soa bem.
Jeong-in, que não tinha chorado nem na festa de noivado de ontem, sentiu seus olhos arderem estranhamente desta vez. Algo se agitou profundamente em seu peito e cresceu como se estivesse prestes a explodir. A percepção de que estava realmente se tornando família dele agora se infiltrava em seu coração, tomando a forma concreta de um nome.
Chase puxou suavemente o braço de Jeong-in e falou em uma voz baixa e afetuosa.
— Desliga isso e vem aqui.
Jeong-in tentou duramente suprimir as emoções que afloravam. Ele olhou para o alto e piscou várias vezes para que as lágrimas não se formassem. Então, após recuperar o fôlego por um momento, levou o receptor de volta ao ouvido.
— Vivian, eu vou…
— Eu ouvi também. Vamos desligar por hoje.
No momento em que largou o telefone, o corpo de Jeong-in foi puxado para os braços de Chase. O calor corporal morno envolveu todo o seu corpo. Era um abraço que trazia alívio. Afetuoso, familiar e confiável.
Chase envolveu a nuca de Jeong-in com sua mão grande e a acariciou suavemente enquanto perguntava.
— Foi um erro fazer da Vivian a madrinha?
— Não.
Jeong-in respondeu sem um momento de hesitação.
Quando foi aquilo? O dia em que ele esteve diante dela sob a sequoia veio à mente. O rosto da jovem Vivian, revestido de orgulho, estava claro em sua memória. Ele mesmo, naquela época, provavelmente era tão jovem e desajeitado quanto ela.
“…Não conte muitas coisas ruins sobre mim para o Chase.”
Ele também se lembrou do pedido para o baile e de ter passado por uma transformação para a festa. A única pessoa no mundo que poderia fazer tais coisas era Vivian. Além disso, Vivian estivera com Chase desde que eram jovens demais para se lembrar.
— Acho que foi realmente uma boa escolha.
Nesse exato momento, o telefone de Chase, que fora deixado ao lado deles, tocou brevemente. Era uma mensagem de Vivian.
Ao ver o conteúdo, Jeong-in não pôde deixar de rir. Quando se tratava dos preparativos do casamento, ele pensou que Chase e Vivian poderiam, inesperadamente, ser uma equipe bem combinada.
Vivian Sinclair: [Vocês vão ter uma festa de noivado, certo?]
[Não me diga que o que fizeram ontem foi a festa de noivado Não somos bárbaros]
***
[Você fica tão lindo quando dorme.
Obrigado pelos sapatos. Vou dar uma corrida.
– Seu futuro marido]
De madrugada, Chase saiu cuidadosamente da cama, deixou um bilhete curto no criado-mudo e saiu do quarto em silêncio.
Ele calçou os tênis de corrida que Jeong-in lhe dera de presente de aniversário na semana passada, pendurou no pescoço os fones de ouvido que ganhara de aniversário no ano passado e saiu de casa. Parando para pensar, até o corta-vento leve que estava usando era algo que Jeong-in havia comprado para ele.
Sentia como se a presença de Jeong-in envolvesse todo o seu corpo como o ar, ou como uma luz quente. Além disso, em seu anelar esquerdo, repousava o anel que Jeong-in lhe dera ao fazer o pedido.
Após o noivado, houve momentos em que Chase achou sua profissão como médico lamentável. Era por causa do anel.
Ele não podia usar o anel na sala de cirurgia, e o mesmo valia para o horário de exames. O anel poderia rasgar as luvas ou interferir no ajuste adequado.
Por isso, no dia seguinte ao pedido, Chase comprou imediatamente uma corrente fina de colar. Quando não podia usar o anel no dedo, usava o colar com o anel pendurado no lugar de um pingente. Então, quando precisava remover até mesmo o colar para entrar na sala de cirurgia, ele o guardava preciosamente em um suporte de silicone.
Fora do seu tempo no hospital, o anel nunca deixava o dedo de Chase.
— Faz tempo que você não sai para correr.
Henry, o concierge que ele encontrou no saguão, falou com ele. Chase trocou saudações rápidas com ele e saiu do prédio.
Normalmente, àquela hora, ele estaria se movendo apressadamente pelos corredores do hospital se preparando para as rondas, mas hoje ele estava excepcionalmente de folga em um dia de semana. Era um dia precioso em que ele podia se dar ao luxo de correr.
Chase bateu o bico do tênis no chão algumas vezes. Apesar de serem novos, tinham um ajuste excelente.
Depois de respirar levemente, ele começou a correr.
Folhas de árvores hesitando entre o verde vívido e o amarelo pálido passavam zunindo por ele. A estação estava naquela fronteira ambígua entre o verão e o outono, e Chase corria sobre essa linha divisória.
Realmente fazia muito tempo desde que ele havia corrido.
Prédios de tijolos vermelhos, estudantes caminhando com café para viagem para despertarem, um Labrador preto parado lado a lado com seu dono esperando o sinal mudar.
A rua parecia a mesma de antes, mas depois de ser pedido em casamento por Jeong-in, tudo no mundo havia mudado.
As pessoas passando, os cães caminhando, a bicicleta rangendo ao passar por ele. Todos pareciam figurantes aparecendo em um filme onde ele era o protagonista. O gênero, é claro, seria romance.
Correndo ao longo da margem do rio, tocando a Longfellow Bridge, que ele definiu como seu ponto de retorno, e voltando, Chase parou em um pequeno café na entrada do bairro, como sempre.
Empurrando a porta de vidro aquecida pela luz do sol, o aroma doce de manteiga de scons recém-assados instigou seu nariz como de costume.
— Olá. Faz tempo que você não aparece.
A barista que sempre o recebia cumprimentou-o com um rosto amigável.
— O americano de sempre hoje? Não muito quente, com uma pedra de gelo?
— Sim. Por favor.
Ela já sabia o nome de Chase e o menu que ele pedia toda vez que vinha. No momento em que Chase estendeu o telefone para o pagamento, o olhar da barista demorou-se brevemente em sua mão esquerda.
— São $4.80.
Após concluir o pagamento, Chase analisou casualmente a exibição de grãos de café ao lado do balcão. Como ainda era cedo para o movimento de ida ao trabalho, a loja estava silenciosa e não demorou muito para que seu nome fosse chamado.
Indo para a zona de retirada, Chase parou de repente. Um único copo de café para viagem estava sozinho sobre a bancada.
Já que ele havia pedido café, receber o café era apropriado e natural, mas Chase ficou um pouco confuso como se algo incomum tivesse acontecido. Geralmente, havia sempre um scon que ele não havia pedido colocado ao lado daquele copo.
Parecia que ele havia se tornado acostumado demais àquela gentileza que vinha sem ser pedida. Sentindo-se um pouco envergonhado e sem jeito, Chase pegou o café e parou diante do caixa novamente.
— Um scon, por favor.
— $3.25.
Ele comprou um scon com o próprio dinheiro pela primeira vez. Olhando para a barista, que lhe entregou o doce com uma expressão um pouco mais seca do que o normal, Chase lembrou-se subitamente de algo que Justin dissera uma vez.
“Existe um barômetro para julgar o quão atraente é um cliente de café. Primeiro, atraente o suficiente para lembrarem o nome. Segundo, atraente o suficiente para desenharem um coração ao lado do nome no copo. E o auge disso é ser atraente o suficiente para ganharem scons de graça.”
Se as palavras de Justin fossem verdadeiras, ele havia perdido o favor expresso pelos scons gratuitos a partir de hoje.
Assim que pegou o doce e se virou, uma voz cautelosa atrás dele o deteve.
— Com licença, Sr. Prescott.
— Sim?
Ele se virou, achando que havia esquecido algo. A barista apontou para o próprio anelar esquerdo e disse:
— Parabéns pelo seu casamento.
É claro que era um noivado, não um casamento, mas ele não quis se dar ao trabalho de corrigi-la. Chase sorriu tão abertamente que pareceu que até o ar ao redor se iluminou.
— Obrigado.
Chase saiu do café com passos leves. O anel que havia lhe tirado os scons gratuitos brilhava sob a luz do sol da manhã. Como o Um Anel nos filmes, era um objeto que estranhamente tinha o poder de mudar a realidade.
O fato de que o que ele sempre quis havia se tornado realidade o atingiu novamente. Ele desejara aquilo desesperadamente o tempo todo. Declarar esse amor ao mundo. E deixá-lo registrado para sempre, para que a história testemunhasse esse amor.
Como se lembrasse de algo de repente, Chase pegou o telefone. Então ele abriu o aplicativo de rede social que raramente usava. Hoje em dia, era um aplicativo que ele só usava para olhar mercados de pulgas ou fóruns da comunidade local.
No entanto, aquele aplicativo tinha um recurso que outras plataformas não tinham. Uma função para indicar o status de relacionamento.
Havia muitas opções para escolher: solteiro, em um relacionamento, união estável, casado, separado, divorciado, viúvo, e se você estivesse em um relacionamento com alguém, poderia marcar uma pessoa específica. É claro que você também poderia configurar como privado ou visível apenas para amigos.
Chase alterou seu status de relacionamento. Naturalmente, foi definido como público.
[Chase A. Prescott]
[Noivo de Jay Lim]
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Othello&Belladonna