Capítulo 18
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Capítulo 18 – Escorpião em Fúria, Libra em Ruína
O céu ardia.
Não apenas nas alturas, mas dentro de Scorvan.
Havia algo rasgando por dentro — um instinto antigo, selvagem, envenenado por milênios de silêncio. A imagem de Elian cambaleando, o corpo fragilizado pela manifestação do espírito de Ofiúco, permanecia estampada em sua mente como uma ferida aberta.
E Scorvan… queria sangue.
— Eles te tocaram — disse, a voz rouca, os olhos cravados em Elian como se precisasse ver todos os ferimentos de novo, só pra ter certeza de que ele ainda estava inteiro. — Eles te fizeram sangrar.
Elian tentou sorrir, mesmo com a dor ainda pulsando entre as costelas.
— Ainda estou aqui, não estou?
— Não é o suficiente. Eu devia ter… — ele interrompeu a própria fala, os punhos cerrando até que os nós dos dedos empalidecessem. — Eu devia ter arrancado as constelações do céu por você.
— E teria se perdido nisso.
Elian se aproximou. Havia marcas em sua pele, sim. O choque com os outros signos o deixara marcado, mas seus olhos… estavam mais vivos do que nunca.
— Eu preciso de você comigo. Não como guerreiro. Não como escudo. Mas como meu equilíbrio. Como Scorvan. Só isso.
O nome dele dito assim… desarmava. Distorcia a raiva, quebrava o aço de dentro pra fora.
Mas antes que pudesse responder, o chão tremeu.
O firmamento abriu uma nova fenda no horizonte. Raios caíram sem direção, atingindo campos, árvores, até rios. As constelações estavam instáveis. Fora de órbita.
Eles haviam feito o impensável.
— Elian… — a voz de Scorvan desceu para um tom de urgência. — Eles não vão esperar. Vão atacar antes que possamos agir.
— Eu sei. E é por isso que vamos nos dividir.
Scorvan o encarou, o semblante endurecendo num instante.
— Não.
— Preciso chegar ao templo de Gêmeos — disse Elian, determinado. — Há registros antigos. Se encontrarmos o Códice do Signo Perdido, posso provar que Ofiúco existiu. Que tudo isso é real. Que a destruição está vindo não por minha causa, mas porque eles esconderam a verdade por orgulho.
— E o que eu faço enquanto isso? — perguntou Scorvan. — Fico parado, assistindo o céu cair?
— Você cuida de mim, mesmo longe. Como sempre cuidou.
Scorvan se aproximou, prendendo Elian contra si num abraço apertado. A raiva que queimava dentro dele dava lugar a outra coisa. Um medo que ele jamais admitiria em voz alta.
— Não se atreva a morrer.
Elian sorriu contra seu peito.
— Eu não saberia como fazer isso sem você.
—
Horas depois, os caminhos se separaram.
Elian viajou em silêncio, entre montanhas e vales escondidos, buscando o que talvez fosse sua única chance de provar a verdade.
Scorvan, por outro lado, retornou ao campo onde os signos se reuniam.
Mas ele não veio em paz.
Seu manto de sombras tremulava com uma força que parecia viva. A constelação de Escorpião ardia sobre sua cabeça, instável, os ganchos e ferrões brilhando como lâminas.
Os outros o encararam como se vissem um presságio.
Eram sete ali: Áries, Touro, Câncer, Virgem, Sagitário, Capricórnio e Leão. O núcleo da ordem celeste.
— Veio entregar o traidor? — Capricórnio zombou, arrogante.
Scorvan respondeu apenas com um sorriso. Mas foi o tipo de sorriso que precede o caos.
— Não. Vim avisar.
— Avisar?
— Se mais uma gota do sangue de Elian for derramada… — ele pausou, e sua aura se expandiu como um maremoto escuro. — Eu transformo esse firmamento em um campo de guerra. Vocês não fazem ideia do que sou capaz.
Touro avançou, o corpo pesado como pedra, cada passo estremecendo o chão.
— Você não passa de uma aberração apaixonada. Sempre foi instável.
Scorvan o encarou nos olhos.
— Melhor ser instável com amor do que estável e vazio.
Um estalo soou.
A aura de Escorpião explodiu.
O impacto lançou Touro contra as colunas celestes, rachando o mármore com o choque. Os outros se levantaram de súbito, mas ninguém atacou. A ameaça de Scorvan era real. Visceral.
E eles sabiam.
O Escorpião havia despertado sua fúria completa.
—
Enquanto isso, Elian alcançava o antigo templo de Gêmeos, escondido sob véus de ilusão. Lá dentro, as paredes sussurravam vozes esquecidas. O chão era coberto por runas celestes que reagiam ao toque do seu sangue.
Ele avançava com pressa, ignorando a dor no corpo, guiado apenas pela certeza.
Na câmara central, encontrou.
O Códice de Ofiúco.
Um livro selado com as lágrimas de Aquário e as palavras de Peixes.
Elian estendeu a mão.
Mas antes que pudesse tocar, sentiu.
Uma presença.
— Eu sabia que viria aqui — disse uma voz familiar.
Gêmeos, ou melhor, uma das metades de Gêmeos, surgiu das sombras. O outro estava ausente — talvez dividido, talvez com dúvidas demais para agir.
— Você veio me impedir? — Elian perguntou, firme.
— Vim te avisar — disse a metade. — Se tocar esse códice, não haverá mais volta. As memórias dos signos se quebrarão. Os laços vão ruir.
— Talvez seja isso que o céu precisa — respondeu Elian. — Uma nova balança. Que pese a verdade.
E então, sem hesitar, tocou o códice.
O templo tremeu.
As estrelas brilharam com um clarão absurdo no céu.
E ao longe, Scorvan, ajoelhado com o punho no chão, ergueu os olhos e sussurrou:
— Elian…
—
Um clarão aconteceu,foi Libra sendo preso pelas suas próprias correntes .
O firmamento estava à beira do colapso.
E o próximo passo seria o mais perigoso de todos.
Porque o amor não era mais só um sentimento entre Libra e Escorpião.
Era uma arma.
Então um clarão aconteceu,foi Libra sendo preso pelas suas próprias correntes .
—