Capítulo 17
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Capítulo 17 – A Ira dos Deuses
O céu mudou.
Não como um presságio distante ou um sussurro no vento. Mas como uma fúria antiga rasgando as nuvens em dois. Raios cortavam o firmamento como veias abertas, e a luz dourada das constelações tremeluzia com medo.
Elian sentia. Scorvan também.
Eles estavam sendo observados.
— Acha que é só coincidência? — Scorvan perguntou, os olhos fixos nas nuvens distorcidas.
— Não — Elian respondeu, a voz tensa. — Eles sabem.
Scorvan pousou uma mão firme sobre a cintura do outro, como se o gesto pudesse ancorá-lo ali. No presente. No real. Mas nem mesmo o calor do toque podia impedir o que estava por vir.
Um trovão caiu como um rugido.
E então eles surgiram.
Não como corpos. Mas como presenças. Ecos de vozes eternas que preenchiam o espaço ao redor.
Áries, o guerreiro com olhos flamejantes.
Virgem, a pureza cruel que analisava tudo com precisão mortal.
Capricórnio, o estrategista, com seu manto feito de gelo ancestral.
E no centro deles, Leão — o trono. Aquele que falava por todos. Sua aura era dourada, imponente, como uma estrela prestes a explodir.
— Elian de Libra — sua voz soou como uma ordem divina. — Você ultrapassou os limites do pacto.
Elian manteve-se de pé, embora a dor ainda percorresse seu corpo.
— Não fui eu quem mentiu por milênios. Eu apenas caí… e enxerguei.
Leão ergueu o queixo.
— O nome que pronunciou está proibido. O décimo terceiro não existe. Nunca existiu.
— Então por que vocês estão aqui com medo? — Scorvan retrucou, ousado, colocando-se um passo à frente. — Se ele não existe, por que treme o céu?
Áries quase avançou. A espada que emergia de sua mão flamejou. Mas Leão ergueu a mão e o conteve com um olhar.
— Escorpião… sempre tão impulsivo. Está cego pelo desejo. Esse amor não é salvação. É ruína.
Scorvan sorriu de lado, desafiador.
— Prefiro cair por amor do que ficar de pé sobre mentiras.
Virgem enfim falou. Sua voz era fria, limpa como vidro.
— Elian, sua presença desequilibra o firmamento. Está contaminando os laços que unem os signos. Se não se entregar, as constelações cairão.
Elian apertou os punhos.
— Então deixem que caiam. Eu não sou mais parte do teatro de vocês.
O ar tremeu.
Capricórnio avançou um passo, e com ele veio uma pressão absurda. O chão sob os pés de Elian rachou.
— Você quer guerra? Porque é isso que está convocando.
Mas antes que outro movimento fosse feito, algo inesperado aconteceu.
Uma luz surgiu atrás de Elian. Não era dourada. Nem prateada. Era… etérea. Como a essência do que ainda não tinha forma.
Do meio dela, uma silhueta começou a se revelar. E mesmo os regentes recuaram um passo, incertos.
O espírito de Ofiúco se manifestava.
Não como corpo. Mas como verdade.
Os olhos de Elian se tornaram espelhos daquela luz, e sua voz saiu com um eco que não era apenas dele:
— Não sou ameaça. Sou memória. Sou o que vocês mataram para manter o poder.
Leão trincou os dentes. Sua máscara de domínio vacilava.
— Você não tem o direito de nos julgar.
— Não? — Elian deu um passo à frente. — Eu sou Libra. E agora, sou mais.
A luz se expandiu. Os céus, por um breve instante, pareceram parar. As estrelas cessaram o brilho. Como se estivessem esperando.
Scorvan se colocou ao lado de Elian, tocando seu ombro.
— Se formos cair, que seja com a verdade nos lábios.
O som de milhares de vozes cruzou os ventos.
As constelações começavam a girar.
Os tronos dos signos estavam em xeque.
E os deuses, em fúria.
—
Na Câmara Celeste, onde os signos se reuniam, Aquário assistia à cena com os olhos inundados de preocupação.
— Eles quebraram o ciclo — murmurou. — Pela primeira vez, algo fora do controle está guiando as estrelas.
Gêmeos, duplicado em duas consciências conflitantes, murmurava:
— E se… for esse o verdadeiro caminho? O que nos escondemos de nós mesmos?
Touro, em silêncio, apertava os dentes.
A balança não estava apenas em risco.
O próprio céu estava sendo reescrito.
—
Na floresta, Elian cambaleou. A energia que o invadia era demais.
Scorvan o amparou, firme.
— Ei, ei. Respira. Você está aqui. Comigo.
— Estou… sentindo tudo — Elian murmurou, os olhos ainda brilhando. — Cada mentira, cada fragmento. Eles apagaram uma parte de mim antes mesmo que eu existisse.
Scorvan o segurou com ambas as mãos.
— Então agora vamos recuperar. Um pedaço de cada vez.
Elian fechou os olhos e respirou.
O céu podia rugir.
Os deuses podiam queimar.
Mas naquele instante, ele tinha algo que nenhum trono oferecia: escolha.
E com Scorvan ao seu lado, ele faria mais do que resistir.
Ele faria justiça.
—