. ₊ ⊹ . ⋆ Capítulo 04.1
. ₊ ⊹ . ⋆ Capítulo 4.1: O Rei do Norte
Quando recobrou a consciência, Rensley estava dentro de um prédio vazio.
Olhando ao redor rapidamente, ele correu para a janela. Gritos vinham de baixo.
Ele se teletransportara de estação em estação. Assim como a estação de fronteira estava bloqueada, a de Roudequen também devia estar fechada. Em vez de perder tempo procurando outra saída, ele pulou pela janela. Erguendo a cabeça, sua expressão se desfez.
— O que é isso…?
Um murmúrio sem força escapou. Rensley fechou a boca e olhou ao redor.
Roudequen, a capital de Oldenlant, não era barulhenta ou agitada, mas sempre havia uma ordem e uma vitalidade criadas por seu povo trabalhador e honesto.
Por causa do frio, o número de pessoas nas ruas era relativamente pequeno, mas as lojas e restaurantes estavam sempre cheios de um calor aconchegante e vozes de pessoas conversando, mostrando que a cidade funcionava.
Carruagens e cavalos corriam pelas estradas bem pavimentadas, ao lado das pessoas, e às vezes grandes carroças carregavam e descarregavam mercadorias. Mesmo à noite, as lâmpadas públicas da praça central, iluminadas por magia, mantinham a escuridão afastada por um bom tempo, e patrulhas circulavam pelas muralhas e casas a noite toda, verificando se tudo estava em ordem.
Mas agora, o que iluminava a escuridão não eram as lâmpadas públicas, mas o fogo real que queimava em vários lugares, consumindo as casas. As pessoas corriam de um lado para o outro, gritando. Ao contrário do que ouviram na fronteira, não era o início de uma batalha. A batalha já havia começado.
— Apaguem o fogo! Se se espalhar, não vai dar para controlar!
— Evacuem as crianças e as mulheres primeiro! A milícia, para a frente da muralha!
Kiiiiii-!
Gritos estranhos se misturavam aos gritos apressados das pessoas. Rensley ergueu a cabeça, assustado com o som agudo vindo de cima. Uma ave monstruosa, enorme e vermelha, que ele nunca vira, voava sob o céu noturno. Sua aparência, sem penas, como se sua pele tivesse sido arrancada, era grotesca.
Com um grito rasgante, a ave abriu o bico e lançou chamas como flechas. Novas chamas surgiram junto com os gritos das pessoas.
A menos que o ataque dos monstros fosse contido, apagar o fogo era inútil. Rensley, paralisado pela cena inacreditável, finalmente recobrou os sentidos. Correu para o homem que comandava a milícia e perguntou:
— Onde posso pegar armas?
— Você sabe atirar com arco?
Ele balançou a cabeça, e o homem lhe entregou um arco. Vários arqueiros já disparavam flechas contra as aves monstruosas. Rensley correu para a frente, atirando em todas as aves que via.
Ele tinha que chegar ao castelo. De acordo com o treinamento da ordem, a menos que o monstro líder, o núcleo do fornecimento de mana, fosse abatido, os monstros menores continuariam a aparecer mesmo depois de mortos. Por mais que ele atirasse na ave, a batalha além da muralha norte de Roudequen não terminaria.
Enquanto corria, viu um cavalo, sem dono, em pânico. Rensley saltou para sua sela. Sacudindo as rédeas, o cavalo, que vagava sem rumo, correu como um louco, sem precisar de mais estímulo.
Sobre o cavalo, que parecia não se importar com as chamas, Rensley abriu caminho, eliminando os monstros que o atacavam, e finalmente chegou ao portão do castelo. Mas o portão estava fechado.
— Abram!
Rensley gritou com toda a força. Puxou a corda do sino que chamava o porteiro.
Ding, ding, ding. O sino tocou várias vezes, mas não houve resposta de dentro. Embora ele entendesse que o portão fora fechado para impedir que a luta se espalhasse para as casas, alguém deveria estar guardando o portão para informar a situação lá fora.
— Não há ninguém?!
— Quem é?! Não pode entrar agora!
Tardiamente, uma pessoa apareceu sobre o portão e perguntou. Rensley, com vontade de chorar, gritou para ele:
— Sou um cavaleiro da ordem!
— Cavaleiro? Por que um cavaleiro estaria vagando do lado de fora do castelo em meio a essa confusão?
— Tive um compromisso fora e me atrasei!
Rensley desfez rapidamente sua bagagem e vestiu a capa da ordem. Quando a capa verde, bordada com o símbolo do raio, caiu sobre suas costas, a desconfiança do porteiro se dissipou. Que sorte ele tinha tido em trazer a capa como lembrança.
Rangendo, o portão pesado se abriu. Rensley entrou no castelo a galope, ainda mais rápido do que antes.
— Vá para o portão norte!
O porteiro gritou. Atrás dele, o portão pesado se fechou rapidamente. Rensley não parou. O castelo, sempre tranquilo e pacífico, estava irreconhecível. Vários lugares estavam destruídos e, como as casas, queimados. Soldados e trabalhadores comuns se moviam apressadamente para conter os danos, mas também pareciam ocupados em lidar com o ataque dos monstros. Rensley galopou pelo corredor da torre principal. Os moradores comuns haviam sido evacuados, e o castelo estava vazio. Passando pelo pátio dos fundos, onde ele e o grão duque Gizel costumavam passear a sós, ele chegou ao portão norte, que levava à muralha externa norte. Viam-se pessoas subindo a muralha.
Do outro lado da muralha, vinham estrondos enormes, gritos, e os uivos, rugidos e gemidos dos monstros. Sons estranhos, que ele nunca ouvira de nenhum animal, sons que ele não conhecia e, portanto, nunca imaginara, rodopiavam do outro lado do portão.
Só de ouvir os uivos dos monstros, seu coração batia forte como se fosse desmaiar. Rensley fechou os olhos com força algumas vezes. Embora a mão que segurava o arco e os pés que pisavam os estribos tremessem, não era hora de ter medo.
Se um procurado aparecesse de repente na batalha, causaria confusão. Rensley rasgou a barra da camisa para cobrir o rosto com firmeza e desmontou. A cada degrau da escada apoiada na muralha, os sons do outro lado se tornavam mais claros.
— Ah…
Rensley soltou um som que não era suspiro nem exclamação.
Era a primeira vez que subia na muralha norte. O mais longe que ele podia ir era o pátio dos fundos, com a estufa e o depósito. Ele nunca vira a paisagem além da muralha norte, onde ficava o portão dos fundos de Roudequen.
Com base em sua curta experiência, ele imaginara uma planície infinita ou uma vasta floresta de coníferas negras, que seria a mais silenciosa, ampla e vasta de todos os lugares. Mas, por mais silenciosa que a muralha costumasse ser, hoje não era.
A palavra “guerra” não era exagero. A noite, iluminada como dia por grandes tochas acesas em todos os lugares, estava agitada tanto no céu quanto na terra. De cima, os monstros que se aproximavam pareciam ondas negras ou ratos escapando de um navio que afundava.
Ocasionalmente, viam-se relâmpagos e chamas criados por artefatos mágicos ou por magos que participavam da batalha, mas o número de monstros era tão grande que o dano era localizado. Todos os soldados de Roudequen conseguiriam conter aquele número? Era um ataque muito maior do que ele ouvira falar. Ele suou frio.
— Atirem!
A ordem do comandante parecia desesperada. Os arqueiros soltaram as cordas. O som de uma chuva de flechas cortou o ar como o vento.
Rensley correu entre as pessoas. A muralha e as torres estavam lotadas de arqueiros e lanceiros; uma pessoa a mais passava despercebida na confusão. Mesmo que ele não tivesse escondido o rosto, ninguém o teria notado.
Rensley disparou flechas com os outros, procurando os membros da ordem. Mas nem o comandante Anton nem os outros cavaleiros estavam na muralha.
— Eles estão subindo!
Antes que o grito apressado terminasse, vários ganchos enormes de três pontas voaram pelo ar. Os ganchos pesados, que pareciam de ferro, cravaram-se com estrondo, danificando parte da muralha e fazendo os soldados recuarem. Eram tão duros que nem machados podiam cortá-los. O comandante ergueu a voz:
— Não recuem! Atirem sem parar! Aguardem até que a infantaria derrote os monstros lá embaixo!
Rensley olhou para baixo. Os monstros também sabiam usar armas e ferramentas como os humanos?
Mas os ganchos não eram armas de cerco, eram braços longos e fortes de grandes monstros. Os braços, cobertos por escamas duras, como carapaças de crustáceos ou ombreiras, eram robustos.
Onde deveria haver mãos, pendiam grandes ganchos duros que pareciam não sofrer danos, e usando esses braços, podiam subir a muralha como se fossem escadas ou cordas. A infantaria estava ocupada contendo a horda de monstros, incapaz de lidar imediatamente com os grandes monstros posicionados perto da muralha. Percebendo a situação, Rensley subiu no braço do monstro sem hesitar.
— Ei, o que está fazendo! Desça! Não ataque sozinho!
Quando ele sacou as duas adagas que carregava na cintura, o comandante gritou, surpreso. Arqueiros e lanceiros arregalaram os olhos.
— Por que um cavaleiro está aqui?
Alguém murmurou, e Rensley, agachado, deu um impulso. Deslizou pelo braço do monstro em alta velocidade.
Ele queria dizer às pessoas para não se preocuparem. Ele podia lutar em espaços ainda mais estreitos. Confiava em seu equilíbrio.
Caaah! Os monstros, que subiam pelo braço, gritaram com aspereza, irritados por terem seu avanço interrompido. Um deles, mostrando presas afiadas, saltou de repente em direção a Rensley.
— Onde você pensa que vai?
Rensley murmurou, brandindo a adaga. O monstro, atingido no pescoço e no peito ao mesmo tempo, caiu no chão.
— Eu é que estou irritado!
A partir desse ataque, os monstros que subiam de baixo para cima aceleraram em direção a Rensley. Ele contra-atacou rapidamente, mas, em desvantagem numérica, tinha dificuldade em ganhar velocidade.
Felizmente, a largura estreita também limitava os monstros, tornando impossível que muitos o atacassem ao mesmo tempo, embora alguns se acumulassem.
Um monstro brandiu suas garras anormalmente longas como uma espada. Rensley recuou para desviar, mas a ponta da garra raspou em seu peito. Mais afiada do que parecia, sua roupa foi rasgada, e o sangue escorreu pela pele.
Rensley prendeu a respiração. Se ficasse eliminando um por um, não haveria fim. Mesmo que se arranhasse um pouco, ele tinha que romper.
Garras do tamanho de uma espada média caíam repetidamente sobre ele. Quando Rensley saltou para desviar do ataque, a garra se cravou no chão firme com um som metálico. Ele se apoiou no ombro do monstro e saltou sobre ele, como se estivesse pulando um obstáculo. O monstro, surpreso, gemeu, mas, como só se importava em avançar, não o perseguiu.
— Saiam!
Rensley, ajustando a adaga, cortou, chutou e saltou sobre os monstros que o atacavam. Alguns caíram do braço-escada, outros, feridos, contra-atacaram. Mas, assim como o objetivo de Rensley era descer ao solo, o objetivo deles era subir a muralha.
Quando finalmente rompeu a barreira e chegou perto do solo, suas roupas estavam rasgadas em vários lugares. Sem tempo para recuperar o fôlego, ele tirou os artefatos escondidos no bolso. Eram armas de defesa para viagens, que ele nunca usara na floresta, dadas pelo comerciante que o ajudara a fugir.
O monstro de braços longos e duros servia de ponte para seus companheiros, apoiando-se no chão com seu corpo grande e resistente. Rensley, num salto final, colocou vários artefatos na carapaça do monstro. Saltando rapidamente, a magia foi ativada em poucos segundos. O monstro, envolto em raios e chamas, soltou um grito agonizante.
Olhando para trás por um momento, Rensley viu os monstros caindo da muralha com os braços que perderam a força, mas não teve tempo de saborear a pequena vitória; ele correu para a frente.
Misturado à infantaria em combate, desviando dos ataques constantes, sua atenção estava concentrada num único lugar.
“Onde está o Alteza? Ele está bem? E o comandante? E os outros cavaleiros?”
— Infantaria, recuem! Concentrem-se na defesa da muralha!
Uma voz familiar foi ouvida. Ele viu um cavalo familiar galopando. Rensley cortou rapidamente o monstro que tentava mordê-lo e olhou na direção da voz.
A capa da ordem, bordada com o símbolo do raio, tremulava. Ao contrário da capa verde dos membros comuns, era vermelha. Embora tivesse encontrado a pessoa que procurava, Rensley hesitou em chamá-la ou se aproximar.
O comandante da guarda do rei, Anton Sorel, ergueu o braço. Em sua mão, uma espada longa, quase do tamanho de metade de sua altura.
A lâmina, brandida a cavalo, era como um raio. A cada golpe, vários monstros eram cortados. Com movimentos rápidos como a luz, os monstros caíam sem poder reagir. Ele enfrentava sozinho uma quantidade de monstros equivalente a um pelotão.
— Primeira e segunda fileiras, avancem! Arqueiros e lanceiros, aguardem atrás!
Mesmo lutando na linha de frente, ele comandava a batalha. Rensley, que fugira apressadamente e agora não se atrevia a se misturar a eles, observava a ordem da retaguarda.
Enquanto isso, a atmosfera mudava lentamente. Todos ali estavam esperando o “próximo” passo. Rensley sentiu que algo estava prestes a começar.
— Apareceu!
Com os gritos, o céu noturno começou a clarear lentamente, como no nascer do sol.
Mas era diferente do amanhecer. A luz que iluminava o céu não era ofuscante como o sol, e não havia vestígios de dourado ou vermelho; era de um verde com um toque de azul.
Kyaaaaa! Os monstros soltaram gritos que podiam ser de triunfo ou de terror. Rensley, fitando a luz verde que tingia o céu, arregalou os olhos.
— O que é aquilo…?
↫─✧ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Yuki&Belladonna