. ₊ ⊹ . ⋆ Capítulo 01.8
. ₊ ⊹ . ⋆ Capítulo 01.8 :A Dança Final
Por fim, com Rensley já vestido com roupas mais leves, ela alisou as rugas do vestido. Rensley a observou em silêncio e disse:
— Obrigado.
— Hmm? Pelo quê?
— Você foi gentil comigo desde o início. Sei que não foi por ordem do Alteza.
Com o agradecimento repentino, a senhora Samlit piscou confusa. Rensley sorriu maliciosamente.
— Foi porque sou bonito e charmoso, não é? Rensley Malocen, o homem irresistível! Embora tenha usado vestidos algumas vezes na sua frente, meu charme masculino não foi para lugar nenhum.
— Você está me provocando de novo? Ah, sim, sim. É verdade. Fui gentil com você porque você é tão fofo e bonito quanto meu filho. Está bem?
A senhora, fingindo desviar o olhar, riu e endireitou o cabide com o vestido. Ela olhou para o relógio.
— Quando o ponteiro pequeno chegar a este número, terá passado uma hora. Quando o banquete terminar, vou te ensinar a ler as horas, Rensley.
— Já sei ler o suficiente. Desça. Você deve estar ocupada. Vou chamá-la daqui a uma hora.
— Se estiver muito cansado, continue descansando. Você é conhecido por ser frágil, então ninguém vai falar mal se não voltar ao salão.
— Vou descansar e ver. Então, senhora, boa noite.
Samlit acenou com a cabeça e saiu do quarto. Quando a porta se fechou e os passos dela se afastaram completamente, Rensley, que esperava o silêncio, levantou-se sem demora.
Se tivesse que partir, planejara sair pelo pátio dos fundos, e não pelo quarto da grã-duquesa. Os quartos e aposentos da torre principal exigiam passar pelo salão central, dificultando a fuga despercebida. Especialmente num dia como hoje. Ele havia preparado um fardo com um pouco de ouro desviado do dote, dinheiro economizado, roupas, artefatos mágicos de combate e comida de emergência, como carne seca, e o escondera na estufa.
Criados e outros cavaleiros entravam e saíam do quarto e dos aposentos, mas a estufa era usada apenas por Rensley e o grão-duque Gizel. Além disso, o pátio dos fundos, onde ficava a estufa, tinha uma parede que dava para um beco que levava aos estábulos, tornando-o o local ideal para esconder a bagagem.
“Nunca imaginei que teria que voltar ao quarto da grã-duquesa pouco antes da partida…”
Embora agora estivesse sozinho, a estranha sensação de que alguém poderia estar observando não desaparecia. Rensley agiu com calma e rapidez. Cobriu um travesseiro grande com o roupão de dormir e enfiou-o debaixo do cobertor da cama. Deixou a manga aparecendo ligeiramente e espalhou a peruca que a senhora Samlit havia colocado sobre o vestido. Era um truque tosco, mas, com apenas algumas velas acesas, o quarto escuro dava a impressão de alguém dormindo.
Por fim, em vez do uniforme da ordem, ele vestiu roupas comuns, um casaco grosso de lã que cobria até a boca e uma capa de pele, além de chapéu, luvas e botas.
Com apenas os olhos à mostra, seu rosto estava completamente irreconhecível. Rensley, que contava mentalmente se havia esquecido algo, arregalou os olhos.
— Ah! A carta.
No final, ele não conseguiu terminar a carta. Rensley foi até o vestido pendurado e revirou o grande enfeite da saia, cortado como um bolso. Depois de algumas tentativas, sua testa se franziu profundamente, e ele se levantou lentamente, estalando a língua.
— Ah, se eu soubesse, teria deixado aqui.
Ele pensara que seria melhor mantê-lo sempre consigo a partir de agora, mas foi um erro de cálculo. Só podia ter caído em algum lugar do salão. Se tivesse caído enquanto dançava com o grão-duque, teria chamado a atenção, pois o salão estava cheio, mas o chão estava limpo. Talvez tivesse caído enquanto circulava e cumprimentava as pessoas.
Rensley passou a mão no rosto e pensou, mas rapidamente desistiu. O caderno estava cheio de rabiscos e palavras escritas e apagadas, era difícil de entender para quem o encontrasse. Como o banquete terminaria e a limpeza ocorreria em breve, era provável que o caderno fosse descartado; não valia a pena descer para procurá-lo. Rensley pegou um pedaço de papel que estava na mesa para anotações, escreveu algumas linhas rapidamente, dobrou a carta, colocou-a no bolso e se esgueirou por entre os móveis em direção à janela.
Lá fora, estava escuro. Se fosse de dia, ele teria saído sem pensar, mas agora, se torcesse o tornozelo, os dias seguintes seriam complicados.
“Fazia um tempo que eu não vinha por aqui…”
Rensley desceu com cuidado, usando a adaga e a pequena lanterna presa à cintura. Ele procurava as frestas com a adaga e, sentindo a forma dos tijolos com a ponta dos pés, desceu a parede com cuidado. Seu corpo tenso esquentou, e o vento frio da noite não conseguiu congelar suas mãos.
Houve alguns momentos em que seus pés quase escorregaram, mas Rensley finalmente chegou ao chão são e salvo. A música do salão chegava até ele, baixinho.
Ele avançou silenciosamente, abafando os passos. Como o interior do castelo estava agitado, certamente havia mais trabalhadores do que o normal do lado de fora também.
No entanto, a tensão de Rensley logo se dissipou. O pátio dos fundos, como sempre, estava silencioso e vazio. O chão gelado estalava sob seus pés a cada passo. A porta da estufa de vidro, construída há pouco tempo, abriu-se suavemente. Ao entrar, Rensley verificou as plantações. O interior da estufa, como sempre, estava cheio de um calor incomum para a terra do norte, o cheiro de terra úmida e o aroma verde das plantas. Tomates, berinjelas, abóboras e várias verduras de folhas baixas cresciam saudáveis.
Rensley colheu alguns tomates que começavam a ficar vermelhos e os colocou no parapeito da janela. Em alguns dias, estariam maduros; bastaria limpá-los e comê-los.
— No final, não pude cozinhar nenhum prato com tomate para o Alteza.
Suspirando, Rensley tirou a nova carta do bolso. Embora fosse embaraçoso chamá-la de carta, era melhor do que partir sem dizer nada.
Rensley colocou-a debaixo da mesa onde ficava o regador. Ele não sabia se Gizel encontraria aquele bilhete, mas, como o quarto estaria cheio de criados em breve, era mais provável que o grão-duque o visse primeiro se estivesse na estufa.
O fardo da viagem estava escondido no fundo da prateleira de ferramentas da estufa. Rensley colocou a bagagem sobre o ombro e, sem hesitar, caminhou em direção à saída.
Antes de fechar a porta, ele olhou para trás uma última vez. Lembrou-se de quando, não faz muito tempo, ele e Gizel estavam ali, abraçados e se beijando. A sensação dos lábios macios e da língua úmida era tão vívida quanto o cheiro das plantas que cresciam. A sensação que fazia seu nariz formigar e seu coração bater mais forte ainda persistia.
Ele mesmo pensara que a primavera ali dentro nunca terminasse, e agora ele mesmo a estava pondo fim.
Não cumpriu nem a promessa simples de fazer algo realmente delicioso quando os tomates estivessem maduros. Em vez de retribuir a gentileza de seu benfeitor, o traiu.
Rensley fechou a porta e se virou. Seus passos acelerados logo se transformaram em uma corrida. Ele pulou o muro alto, silencioso e rápido como uma sombra, e o pátio dos fundos ficou em silêncio, como se ninguém tivesse estado ali.
Hoje, o estábulo de Roudequen parecia uma taverna.
Grandes fogueiras ardiam em vários pontos, e ao redor delas, cocheiros que haviam trazido os convidados, comerciantes com carroças e moradores curiosos se reuniam, bebendo chá ou vinho, comendo sopa quente e conversando. Mesmo com uma sala de espera para cocheiros, aqueles que queriam aproveitar a animação desafiavam o frio e circulavam entre dentro e fora.
— É o senhor que me procura?
O comerciante que Rensley procurava estava fumando um cachimbo, ligeiramente afastado da multidão. Ao ouvir a voz familiar, o homem se virou e franziu a testa, surpreso.
— Ora, cavaleiro! O cavaleiro…
— É uma coincidência interessante. Sou Rensley Malocen.
Rensley se aproximou. Enquanto trocava um aperto de mão amigável, baixou a voz para que os outros não ouvissem.
— Preciso sair do castelo imediatamente. Não tenho tempo, vamos rápido. Explico quando estivermos fora.
O comerciante piscou, olhando para Rensley. Mas, como alguém que já viajara por muitos lugares e vivera todo tipo de situação, ele não se assustou e balançou a cabeça. Parecia ter decidido seguir o pedido de Rensley, o amigo de seu colega de caravana, deixando os detalhes para depois.
Rensley o seguiu alguns passos atrás. O comerciante entregou a senha ao estábulo, e o tratador, que bebia com outros clientes, trouxe a carroça distraidamente. Rensley, com os olhos baixos, agradeceu silenciosamente ao tratador, com quem conversava de vez em quando.
Lá dentro, ouviu-se a voz alta de Hans, o chefe dos tratadores, que parecia bastante bêbado. Rensley também lhe agradeceu em silêncio.
E também a Marilyn. Não precisava levar Marilyn, que havia adoecido durante a viagem, numa jornada incerta. Gizel não era do tipo que maltrataria o cavalo por causa do dono; Marilyn seria bem cuidada e viveria feliz ali.
— Monte.
Rensley subiu na carroça, como se fosse um dos companheiros do comerciante. A carroça de carga era coberta por um pano grosso tratado com óleo, como uma tenda para bloquear o vento. Sentou-se no fundo, e o comerciante puxou as rédeas. Com um estalo, o cavalo começou a se mover.
Tudo foi rápido e sem obstáculos. Rensley, em silêncio, esperou a carroça passar pelo portão do castelo. A carroça parou por um momento, e ele ouviu o comerciante conversar com o porteiro na entrada do castelo. O porteiro olhou para dentro da carroça e perguntou distraidamente:
— Tem acompanhante?
— Sim. Como tenho muita bagagem, não podia carregar sozinho.
— Bom trabalho. Deve ter sido uma longa viagem. Volte com cuidado.
O porteiro se virou. A atmosfera relaxada de Oldenlant, onde as pessoas sempre foram menos cautelosas, salvou Rensley. Ele suspirou aliviado e se ajeitou. Foi então que ouviu o som de cascos se aproximando por trás.
— É um hóspede que está saindo do castelo agora?
A voz que se seguiu fez Rensley prender a respiração.
Enquanto um suor frio brotava em suas costas, a conversa continuava do lado de fora da carroça.
— Não ordenei que a segurança fosse reforçada hoje? Com essa fiscalização superficial, isso pode ser chamado de segurança?
— Desculpe-me, comandante Sorel.
O homem que havia repreendido o porteiro foi cumprimentado com uma reverência servil pelo comerciante.
— Sim, sim. Cavaleiro, é isso mesmo. Estou saindo agora.
— O banquete ainda está no auge, então você não deve ser um cocheiro. Veio fazer negócios?
— Sim.
— Normalmente, ou as pessoas vão embora assim que terminam seus negócios, ou passam a noite. É um horário estranho para sair do castelo.
— Há mais companheiros me esperando do lado de fora. Preciso me reunir com eles e partir ao amanhecer.
Sentiu-se o homem saltar do cavalo. Rensley puxou ainda mais a gola do casaco e baixou a cabeça. O pano que cobria a carroça foi levantado com um farfalhar.
— Mostre seu rosto também.
—…
— A segurança foi reforçada por causa do banquete, então peço sua cooperação. Depressa.
Não havia escolha. Rensley virou a cabeça lentamente. Seus olhos encontraram os do homem que estava do lado de fora da carroça.
Nenhum dos dois disse uma palavra. Por segurança, ele deveria verificar sua identidade. Mas Rensley não abaixou a gola que cobria seu rosto, e o homem também não exigiu que ele mostrasse todo o rosto. Alguns piscares, um breve confronto. A tensão, que parecia tão intensa que ele podia ouvir o sangue correndo em seus ouvidos, durou pouco. Quando o rosto de Rensley empalideceu, o homem do lado de fora da carroça perguntou com uma voz seca:
— Você precisa mesmo ir?
Inúmeras respostas lhe vieram à mente, mas nenhuma saiu. Enquanto Rensley ficava em silêncio, o comerciante, pensando que a pergunta era para ele, respondeu apressado:
— Sim, cavaleiro. Temos outro negócio marcado, não podemos nos atrasar. Só íamos entregar a carga e partir, mas acabamos conversando com as pessoas e a noite ficou profunda. Na verdade, já estamos com pouco tempo.
—…Parece que está tudo bem. Pode passar.
Dizendo isso, o homem trocou mais um breve olhar com Rensley e fechou a entrada da carroça. Ele baixou o olhar e ficou fitando o chão empoeirado.
— Desejo sinceramente que tenham uma viagem segura.
— Ah, muito obrigado.
Após as despedidas, ouviu-se o portão se abrir. Com o tique-taque dos cascos, o cavalo avançou e a carroça começou a balançar.
“Pensando bem, quando cheguei aqui, também foi assim, numa carroça, à noite.”
Rensley lembrou-se do frio intenso que sentira pela primeira vez e abriu a pequena janela de ventilação na parte de trás da lona. O Castelo de Roudequen se afastava.
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O salão do banquete estava cheio de vida, com pessoas se divertindo. Anton Sorel, que havia terminado sua inspeção externa, também entrou no castelo.
O grão-duque Gizel, que acabara de se libertar das pessoas que o cercavam, estava trocando saudações com algumas pessoas. Ao avistar o comandante da guarda que acabara de chegar, o soberano fez um sinal com os olhos.
— Em dias como este, a ordem de cavaleiros trabalha mais. Deve ser cansativo.
— Não é nada. É o meu dever.
Anton observou Gizel na mesa de honra por um momento e então começou:
— E a grã-duquesa…
— Parece que ela se cansou de passar tempo na frente das pessoas com um vestido ao qual não está acostumada. Disse que queria descansar por cerca de uma hora e subiu para o quarto.
Enquanto conversavam, a aia-chefe Samlit se aproximou. Gizel a olhou com uma expressão interrogativa, e Samlit, como se já tivesse recebido ordens, inclinou-se ligeiramente e informou:
— Alteza, a grã-duquesa parece ter adormecido enquanto descansava. Como parecia muito cansada, não a acordei. O que devo fazer?
Então, os olhos de Gizel se estreitaram ligeiramente. Seus lábios traçaram um arco suave. Era um sorriso caloroso que os súditos raramente tinham a oportunidade de ver. Tanto Anton quanto Samlit ficaram momentaneamente sem fala, observando-o.
— É melhor não acordá-la. Assim que o banquete terminar, subirei ao quarto. Por enquanto, deixe-a descansar.
— Sim. Entendido, Alteza.
— Anton, por que você não se junta às pessoas no salão? Parece que não há nada de incomum esta noite.
— …Assim farei.
Anton curvou-se e se afastou. Ao olhar para trás, viu o grão-duque, sozinho por um momento, tirar um pequeno espelho.
Mas logo as pessoas se aproximaram, e ele teve que cumprir seu papel de soberano, sem tempo para olhar o espelho. Anton observou aquela cena e, por sua vez, começou a atender as pessoas que se aproximavam para cumprimentá-lo.
↫─✧ Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Yuki&Belladonna