. ₊ ⊹ Capítulo 03.5
. ₊ ⊹ . ⋆ Capítulo 3 – Nova Vida
Pt. 05
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Bum, bum, bum, bum.
O som pesado era de livros sendo empilhados sobre outros livros grossos. Um, dois, três… Diante da cena de mais de dez livros, cada um com a espessura de um pulso, empilhados, a determinação firme de Rensley se abalou instantaneamente, como uma torre de pedras prestes a desmoronar.
A sensação de sua mente ficando completamente em branco era desoladora. Ele perguntou a Gizel com a voz o mais calma possível.
— Vossa Alteza… consegue ler todos esses livros em uma semana?
Não era só ler, tinha que decorar também; se isso fosse possível, não seria uma pessoa comum, não é? Gizell respondeu calmamente:
— Para mim, três dias são suficientes. Mas, para o Lorde Malocen, que veio de fora, achei que precisaria de uma semana, por isso disse esse prazo.
“Entendo. Vossa Alteza realmente não é uma pessoa comum mesmo… Mas minha cabeça é abaixo da média, o que faço?”
As pessoas riem quando estão à beira de desistir. Quando Rensley recebera o comunicado de que iria no lugar de Yvette como noiva para Oldenland, também foi a primeira reação que teve: rir. Porque era absurdo demais. Não era tanto quanto aquela vez, mas agora também sentia vontade de rir.
O lugar onde Rensley estava sentado não era a biblioteca, mas o laboratório subterrâneo do Grão-Duque. Gizel, dizendo que não era necessário atrair atenção desnecessária na biblioteca, usada por várias pessoas, ordenou a um criado que trouxesse os livros para leitura, e cancelou todo o trabalho de pesquisa da tarde.
Ele ficou verdadeiramente grato por Gizel fazer tanto por causa de uma única aula particular, mas, sabendo que provavelmente não conseguiria corresponder a essa expectativa, o coração de Rensley foi murchando lentamente.
Enquanto ele folheava um livro com letras minúsculas, se esforçando para reunir sua força mental fragmentada, Gizel estava ocupado combinando algo diante de uma mesa com frascos de reagentes. Quando voltou para perto de Rensley, que estava com a cabeça enfiada nas mãos, trazia na mão um frasco de vidro do tamanho de uma xícara de chá.
— Beba isto.
O líquido, de textura espessa e cor escura, parecia suspeito mesmo antes de provar. Rensley entreabriu os olhos e olhou para o frasco. Suspeita transbordava em seu rosto.
— O que é isso?
— É uma poção que aumenta temporariamente a memória e a concentração. Se beber, vai ajudar nos estudos.
Rensley arregalou os olhos. A voz saiu carregada de desconfiança.
— Não é meio trapaça beber esse tipo de poção enquanto estudo para o exame? Quero prestar o exame de forma justa e honesta.
— Por que buscar alta eficiência seria trapaça? Não é durante o exame em si, e não há nenhuma regra dizendo que não se pode recorrer ao poder da magia ao se preparar para o exame.
Gizel parecia sereno, como se não entendesse qual era o problema. Como Rensley não conseguiu responder, ele continuou:
— É uma poção comumente usada por estudiosos e magos. Certamente há candidatos que já a usaram entre os que se prepararam para o exame de admissão. Se chamarmos isso de trapaça, então toda magia não seria trapaça também? Não é que, ao cultivar a terra, seja obrigatório recorrer apenas ao poder da natureza, nem que, para se comunicar, seja obrigatório enviar cartas por mensageiro.
— I-isso é verdade, mas… então Vossa Alteza também toma esse tipo de poção quando estuda?
— Agora não, mas quando era criança, bebia às vezes. Para poder ler mais livros ao mesmo tempo.
— Ah, acho que entendo o que quer dizer. Também tenho vezes em que quero dançar e jogar cartas ao mesmo tempo.
— Se tem uma experiência semelhante, vai entender rápido. Então beba logo.
Rensley, ainda hesitante, pegou o frasco de vidro. De dentro do frasco vinha um cheiro que definitivamente não parecia ser gostoso.
Desde o início, já suspeitara vagamente, mas agora tinha certeza de que, em Oldenland, a magia era uma tecnologia conveniente usada no dia a dia. Já em Cornia, se não fosse membro da família real, era difícil sequer ver o rosto de um mago, quanto mais usar magia.
O atual rei de Cornia, com medo da magia, proibira severamente por lei nacional pesquisar ou usar magia sem autorização. Isso porque a família da primeira rainha, suspeita de tentar assassinar o rei, era uma influente família de magos.
Rensley, tendo vivido no castelo real, já havia cruzado algumas vezes com magos reais, mas todos tinham a atmosfera de pessoas assustadoras e rigorosas, que viviam em seu próprio mundo. É claro que ele nunca tivera a chance de tocar diretamente num objeto mágico ou usar uma poção.
“Será mesmo que não tem problema beber isso?”
Rensley, hesitante em beber de imediato, olhava fixamente para dentro do frasco, mas então tomou a decisão. Não era hora de ter medo diante de algo tão trivial. Jogando a cabeça bem para trás, ele bebeu a poção de uma vez, e o frasco logo mostrou o fundo em cerca de três goles.
O gosto não era tão ruim quanto imaginara. Só que também não sentia nenhuma sensação especial de ficar mais inteligente. Diante daquela sensação incerta, Rensley inclinou a cabeça, intrigado, e Gizel explicou, como se soubesse o que ele estava pensando:
— Leva um pouco de tempo para o efeito da poção surgir. Vamos decidir com qual matéria vamos começar a estudar?
Ao ver Gizel olheando os livros, Rensley acabou soltando um leve riso.
— Achei que teria que passar no exame contando só com minhas próprias forças. Achei que Vossa Alteza seria um grande apegado a princípios.
— Eu? É a primeira vez que ouço esse tipo de avaliação.
Pensando bem, esconder a verdade das pessoas e realizar o casamento com ele, um homem, já era algo bem distante de princípios e regras. O motivo pelo qual ele sentira isso provavelmente era por causa da expressão rígida ou das roupas escuras, sempre enroladas em preto. Afinal, as pessoas realmente não podem ser julgadas só pela aparência. Rensley sorriu ainda mais abertamente.
— É divertido.
— Que bom. Parece que a poção já está começando a fazer efeito.
Não era exatamente que estudar seria divertido, mas ele parecia ter entendido errado. Um livro grosso, intitulado “Oldenland, a história do sagrado reino do norte do continente”, foi colocado diante de Rensley, exibindo com orgulho seu peso.
— Vamos começar por este livro. Depois de aprender a história primeiro, vai ficar mais fácil entender as outras matérias.
Rensley deixou o rosto cair de encontro à página do livro. Abrindo os olhos, ainda sem conseguir apagar o tédio, e lendo mecanicamente as letras, a expressão de Rensley foi lentamente se transformando em espanto. Ele ergueu a cabeça de repente, e Gizel assentiu com a cabeça.
— Mesmo que a quantidade pareça muita, não vai demorar tanto para ler.
Para o aluno relapso Rensley, que sempre fora repreendido por distração em cada aula, era uma sensação misteriosa e nunca antes sentida. As letras entravam nitidamente nos olhos, sem espaço para outros pensamentos se intrometerem, se fixando rapidamente na mente.
“Deve ser isso que chamam de ‘a cabeça rodando rápido’. Será que as pessoas que gostam de estudar, como o Grão-Duque, sempre ficam nesse estado mesmo sem tomar poção?”
Já tendo virado várias páginas, Gizel se sentou ao lado de Rensley. Ele apontou com o dedo para uma frase na página. Era a declaração que o primeiro rei teria proferido ao erguer a muralha pela primeira vez. Lembrando-se da história antiga que Gizel contara antes, Rensley se concentrou ainda mais, lendo a frase alinhada sob o dedo dele.
— Seria bom decorar tudo, mas as partes que provavelmente vão cair no exame de admissão já são conhecidas. Vamos ler focando nesse conteúdo.
— Sim!
A voz de Rensley se elevou naturalmente. Ao ler em ordem as partes que Gizel indicava, o texto se entrelaçava sozinho na mente, formando um mapa de informações. Era fascinante ao ponto de deixá-lo maluco.
“O rei de Cornia era ainda mais estúpido do que eu pensava. Por que não usam magia para esse tipo de coisa?”
Sem conseguir conter o entusiasmo que brotava do fundo do coração, Rensley chamou em voz alta seu parceiro de preparação para o exame, sentado ao lado dele.
— Vossa Alteza, o Grão-Duque.
— Sim.
— O livro está muito interessante. Vamos terminar a história toda hoje mesmo!
Diante disso, o canto dos olhos e dos lábios de Gizel se moveram de forma visivelmente mais perceptível do que no gabinete. Ainda era uma mudança pequena, mas desta vez era, sem dúvida alguma, um sorriso.
Essa pessoa realmente sabe sorrir de verdade também? O sorriso de Rensley ficou ainda mais radiante. O tempo de se preparar para o exame estava ficando cada vez mais interessante.
— Ainda bem.
Que estudar fosse divertido. Mais até do que o fato de ter se vestido de mulher no lugar da meia-irmã e ido para um país estrangeiro distante realizar um casamento em segredo, sem que ninguém soubesse, isso era, para Rensley, algo muito mais extraordinário.
↫─✧ Fim do capítulo.
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✦ Tradução, revisão e Raws: Yuki&Belladonna